12 Jul 12
Os nossos ídolos (7): Beto Acosta.
Luís de Aguiar Fernandes

 

Escolher um ídolo do nosso Sporting é uma tarefa mais árdua do que parece. Porque a cada momento há um jogador que nos empolga, seja pelo que faz em campo ou fora dele, seja em que modalidade for. Pensando um bocadinho sobre o assunto, foram cinco os nomes que me vieram à cabeça, cinco verdadeiros ídolos: Iordanov, Balakov, João Benedito, André Cruz e Acosta. Do primeiro o Bernardo disse tudo. O segundo foi o homem que me mostrou como o futebol pode ser bonito. O terceiro, por personificar o Sporting. O André Cruz pela classe e por me inspirar na minha curta carreira de jogador. Peço-lhes desculpa a todos, mas irei falar do Acosta.

 

Alberto Acosta chegou ao Sporting em circunstâncias pouco normais: já tinha jogado na Europa e na Ásia, era um ídolo no San Lorenzo e Universidad Católica, internacional argentino com taças ganhas e, o mais estranho, tinha 32 anos. A idade havia de o marcar no primeiro ano de Sporting, em que marcou três golos e era o maior alvo das minhas críticas, eu que via ali um jogador velho e gordo, que não se mexia e não marcava golos. Uma nódoa, um jogador acabado para o futebol. No final da época era o maior alvo de contestação dos sportinguistas, e tudo indicava que iria para outras paragens. Não optou pela via mais fácil e ficou por cá, num início de época em que disse dever mais e melhor aos sportinguistas, e afirmou que ia ser campeão. A primeira prova de carácter.

 

Começou 99/00 a titular, e eu a praguejar (sem palavras feias, que ainda era um garoto). Primeiro jogo, primeiro golo. Deve ter sido sorte, até porque não jogou de início os jogos seguintes. Regressa à titularidade, outro golo. O resto é história: 22 golos e o Sporting campeão, algo impensável numa época em que Jardel marcou 37 golos lá para o Norte. Quem não se lembrar daqueles dois ao Carnide, na Luz, daquele golo com assistência do Secretário ao fcp e daquele amassar da cara ao Paulinho Santos, ou é mentiroso ou não é do Sporting. Aliás, o golo em que, vendo-se na cara do Baía, remata de fora da área, em vez de ir para a finta como a maioria dos avançados, diz tudo sobre um jogador que só queria, e sabia, marcar golos, sem truques nem enfeites. Beto Acosta não era um jogador normal: era um matador.

 

Não marcou no jogo do título, mas é nele que eu vejo a responsabilidade de eu ver um Sporting campeão pela primeira vez na minha vida. E é por isso que o Acosta é o meu ídolo, aquele que me fez feliz como nunca ninguém antes por ser do Sporting. Beto Acosta, és o nosso matador!


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11 comentários:
De Pedro Oliveira a 12 de Julho de 2012 às 19:38
Luís, grande texto, excelente escolha.
Acosta é (foi) o anti jogador de futebol.
Não era "belo" como Cristiano Ronaldo, nem "bom" como Messi ou vice-versa consoante aquilo que considerarmos bom e belo num jogador de futebol.
Acosta era, apenas, um gajo que parecia ter descido dum andaime que atirara o capacete para o lado, despira o fato de macaco e depois vestia as sagradas cores verde e brancas e espalhava (ia a escrever magia mas Acosta não espalhava magia) eficácia nos relvados; eficácia é a palavra que melhor define o nosso matador.
Falaste no jogo do título e não resisto a recordar um dos gestos mais lindos e, simultaneamente, disparatados a que assisti; o Sporting já vencia o "Salgueiral" por 3-0, todos os momentos eram de festa, o título (17 anos depois) estava mesmo ali... a bola vai para a nossa área e aquele maluco dinamarquês que estava na nossa baliza decide fazer uma defesa com o peito fazendo subir a bola e despacha-a para a frente num pontapé de bicicleta perfeito.
Imagino o que terá pensado um jogador como Acosta, que era um futebolista prático, eficaz, matador (lá está) quando assistiu aquela maluquice dinamarquesa.


De Luís de Aguiar Fernandes a 12 de Julho de 2012 às 19:42
Nem mais. Ele não queria saber de fintas nem rodriguinhos, nem sequer de jogo de costas para a baliza. Só sabia fazer, verdadeiramente, duas coisas: estar onde era preciso e metê-las lá dentro. E que bom era que todos os nossos avançados fossem sempre assim!


De Pedro Correia a 12 de Julho de 2012 às 20:26
Grande campeão, o Acosta. Um jogador com verdadeira fibra de leão. Muito bem lembrado aqui, Luís.


De Luís de Aguiar Fernandes a 15 de Julho de 2012 às 23:27
É pena ter deixado outros de fora. Talvez volte a eles, qualquer dia...


De Marco Silva a 12 de Julho de 2012 às 23:08
Um leão de juba grande, ou melhor, um verdadeiro "rato de área".
Na memória, a entrega em cada jogo, golos decisivos e sobretudo, aquela fantástica cotevelada no narigudo sarrafeiro que fez os possíveis e impossíveis por merecê-la.


De Luís de Aguiar Fernandes a 15 de Julho de 2012 às 23:28
Isso foi bom, mas preferi cada golo dele. Ou talvez não, porque ver o tripeiro com a cara metida a dentro é impagável. ;)


De Rui Rocha a 13 de Julho de 2012 às 21:29
Também me penitencio por alguma desconfiança nos primeiros tempos do Acosta, Luís. Felizmente, estávamos enganados.


De Luís de Aguiar Fernandes a 14 de Julho de 2012 às 03:11
E que gosto dá estar errado nestas situações! ;)


De Fernando Albuquerque a 14 de Julho de 2012 às 06:36
Os sportinguistas devem estar gratos a este jogador pela forma séria como encarava todos o jogos. Muito mal a comunicação social desportiva falava dele ao ponto de nós duvidarmos da sua qualidade. Mas de facto era um autêntico matador e que tanta falta nos tem feito, pois não é fácil encontrar um jogador com esta qualidade que um verdadeiro ponta de lança deve ter. Obrigado Acosta, pois passados vários anos continuas a ser um grande sportinguista e serves de exemplo a esses ingratos a quem ao SCP devem tudo.

Saudações leoninas. Fernando Albuquerque


De Luís de Aguiar Fernandes a 15 de Julho de 2012 às 23:29
Não era só a comunicação social, a primeira época dele foi mesmo fraquinha. Felizmente ainda foi a tempo de ser um grande campeão!


De João M a 18 de Julho de 2012 às 15:18
Chegou como um jogador já velho e doente. Creio que se queixava de uma dor aguda na região lombar - ciática.
Mas de facto devemos a ele, 18 anos depois, o festejo de um título nacional. Que festa...
Também eu tive as mesmas vibrações, em ver o SCP campeão e de estar no velhinho estádio, às tantas da manhã.


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