10 Jul 12

 

Em 1981, futebol ao vivo ou em directo e de qualidade tinha visto pouco. As memórias mais longínquas traziam um jogo do Lusitano, no Lobito, contra o Catumbela. Depois, já em Portugal, algumas escapadelas inesquecíveis, com o tio Zé e o André, sempre com a oposição da tia Mira, para ver grandes jogatanas do Vilanovense, no velho campo de Gaia. Mais a sério, meia dúzia de jogos em Espinho, a maior parte deles particulares de vida ou de morte, contra rivais como o Feirense ou o Fiães. Era então o tempo do Manuel José e do inigualável Malagueta. Do lado de lá, as vareiras. Na nossa bancada, mais abaixo, o primo Alberto que via os jogos com um periquito impassível no ombro. O periquito trouxera-o ele da Austrália, bem como a muitos outros, tal como acontecera com a mulher Jaqueline que, presumo, não devia fazer a mínima ideia do que vinha cá encontrar. No final dos jogos, ao fim da tarde de domingo, levávamos uma grande panela de caldeirada de peixe do Zagalo ou do Marreta, duas tascas mesmo ali à beirinha do estádio, para casa da minha avó. A caldeirada era saborosa, mas cheirava ainda melhor. Quase tão bem como o frango de churrasco da Alcobaça, que ainda lá está. Pertinho da estação, do lado de cima da linha, embora tenha outro nome. Em Braga, onde vivíamos, a ida ao estádio estava proibida. O meu pai tinha um ódio de estimação ao sempre presente Mesquita Machado e tinha jurado que não seria cúmplice da promiscuidade entre o clube e a autarquia. Na televisão, escasseavam as transmissões em directo e os resumos de Domingo à noite ainda eram a preto e branco. O futebol a sério, o futebol do meu Sporting, era, sobretudo, o dos relatos da rádio. E era a ouvi-los, nos jogos mais complicados, que eu ia fazendo negócios com Deus, prometendo a troca de alguns dos meus tesouros, uma caderneta de cromos, uma espada, um barco de piratas, por um golo ou uma vitória. Para além disso tinha estado, claro, no jogo do célebre golo do Manaca. Esse que vi com estes que também viram o Manaca, no dia seguinte, em Braga, a sair do consultório do oftalmologista Mário Peres, mesmo ali por cima da loja do meu pai, com um olho vendado, resultado directo da incompreensão de um adepto vimaranense mais exaltado. No verão de 81, todavia, o início da época apanhou-nos em Lisboa. Recordo como um dos momentos mais felizes da minha vida aquele do fim de tarde em que o meu pai me anunciou que tinha comprado bilhetes para irmos ver o meu primeiro jogo do Sporting em Alvalade, perante a incredulidade racional da minha mãe que nunca compreendeu como é possível que o entusiasmo de alguém fosse levado atrás de uma bola. A noite caía em Lisboa quando entrámos no velho Alvalade. Enorme, cheio, vibrante, a transbordar de esperança na nova época. Longos minutos de espera, até ao início. Até à iniciação. Na minha cabeça, tantos nomes que uma e outra vez ouvira na rádio. Mas, sobre todos os outros, o de Meszaros. O novo guarda-redes. Na barbearia do Nosso Café, em Espinho, já tinha ouvido o meu pai falar da aquisição com o Sr. Marciano, benfiquista coitado, e com o Beto, portista sofredor como eram todos os portistas por aqueles dias em que as alegrias lhes escasseavam. Que tinha vindo da Hungria, tão distante, tão cheia de nevoeiro, tão comunista. Que tinha sido um cabo dos trabalhos para o conseguir trazer para o Sporting. E não sei mais que histórias de grandes talentos, feitos de magiares e de uma cidade dividida por um rio que tinha do lado de lá Buda e do lado de cá Pest. E a mesma conversa com outros entendidos com quem o meu pai trocava argumentos no Nosso Café enquanto o Leonardo, sempre de macacão azul, lhe engraxava os sapatos e eu comia um bolo-de-arroz. Finalmente, entraram as equipas. Com tanto deslumbramento, recordo pouco do jogo. Mas, nunca hei-de esquecer a camisola tão branca do Meszaros, tão branca como eu nunca tinha visto a de outro guarda-redes. E as suas saídas da grande área para pontapear a bola para mais longe: não é falta papá? Que não, que podia estar descansado. E os seus lançamentos da linha lateral que nunca tinha visto outro guarda-redes fazer, um deles, já no final do jogo, mesmo juntinho à linha do meio campo: não é falta, papá? Que não, que podia estar descansado. O Sporting empatou 2 a 2 com o Belenenses. Mas eu ganhei um ídolo. À saída do velho Alvalade, as opiniões dividiam-se entre a frustração e a esperança. Um adepto, com aspecto de ter visto jogar os cinco violinos, sobrepunha a voz para afirmar que os espanhóis também não gostam de ver bons princípios aos filhos. O tempo viria a dar-lhe razão a ele e ao provérbio espanhol. Uns meses mais tarde, já perto do final da época, o Sporting jogava em Guimarães uma das cartadas fundamentais para a conquista do título. A equipa alojou-se no Hotel Turismo de Braga. Anda daí, vamos dar um abraço ao Jordão, disse o meu pai, perante a incredulidade da minha mãe. Vesti o equipamento do Sporting que os empregados da loja do meu pai me tinham dado há uns meses, pelos anos, com as meias verdes bem puxadas até aos joelhos. Esse mesmo com que marcara um golo com um remate antes do meio campo no torneio da escola. No único jogo que fiz antes de o capitão da equipa, numa decisão justa mas inqualificável, me ter deixado de convocar por falta de jeito. Entrámos no hotel e vimos logo o Jordão. Rocha, pá, estás com bom aspecto, dá cá um abraço, tu também estás bem, pá, vê-se que tens ido aos treinos, este é o teu miúdo?, anda cá Rochita, dá cá um passoubem. A conversa continuou por caminhos de Benguela, que o Raul estava muito bem, a fazer sucesso com o Milo no Duo Ouro Negro, que não sei quantas saudades das histórias do Oliveira Maqueiro e de não sei quem que saía à rua em pijama. A certa altura, aproximou-se o Mister, my friend Rocha, mister. E o Allison, com um sorriso de orelha a orelha, Jordão friend is my friend, Roca, I like roca, meu whiskey sempre on the rocas. Gargalhada antes de seguir em frente, em direcção ao bar, não sem antes me dar um calduço: nice boy. Entretanto, juntara-se o Fidalgo, velho conhecido de Braga, ele que era compadre do Pintinho que trabalhava então na Shop Jeans, ao lado do cinema Acil, do Ding Dong do Luís, benfiquista coitado, e do sogro Senhor Cruz, também benfiquista mas menos doente, coitado, da loja do Paulino fotógrafo e da tabacaria Francar. A conversa tinha seguido por outros caminhos, até os olhos do Jordão repararem em mim. Então, pá, Rochita, estás triste? Na. Estás, pá, que eu estou a ver... não me digas que és do Benfica? Não sou, não sou, eu queria era ver o Meszaros, sussurrei, com a cabeça baixa, enquanto fixava as minhas chuteiras. O Meszaros? Deixa lá ver onde é que o gajo anda... Deve estar no quarto a dormir. Vamos ali à recepção chamá-lo. Pá, Nogueira, diz a esse gajo que venha cá abaixo que está aqui o Rochita que quer conhecê-lo. Minutos depois, a porta do elevador abriu-se e o Meszaros, ensonado mas com um sorriso atrás do bigode, entrou no átrio. Cumprimentos, sorrisos. Prasser, senhorr Roca, darr um abrazo Rocita. Abraço, palavras de circunstância e um autógrafo na minha camisola do Sporting. Mais abraços, desejos de boa sorte, uma gargalhada longínqua do Allison e uma despedida: amanhã vamos ganhar. Na verdade, o Sporting ganhou logo nesse dia, no corredor de minha casa, onde sozinho joguei contra toda a equipa do Guimarães. Fiz de Jordão, que marcou dois golos de bandeira, de Oliveira, de Manuel Fernandes e de Meszaros, em nome de quem realizei três defesas impossíveis. Nessa noite, e em muitas que se seguiram, perante o olhar incrédulo da minha mãe, dormi com a minha camisola do Sporting. No dia seguinte, empatámos em Guimarães, mas acabámos por festejar o título com 7 a 1 ao Rio Ave. E a camisola assinada pelo Meszaros ainda anda lá por casa da minha mãe. Um dia, vou dá-la a um dos meus netos porque o Dinis não gosta de futebol. Se virmos bem, antes isso do que ser do Benfica.


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35 comentários:
De Pedro Correia a 10 de Julho de 2012 às 14:58
Grande texto, Rui - um dos melhores que já passaram por cá. Sobre um grande jogador do nosso clube, que nos deixou memórias inesquecíveis.


De Rui Rocha a 10 de Julho de 2012 às 15:28
Ups. Obrigado, Pedro. Só agora reparei que me enganei no agendamento e não actualizei a data para 5ª feira... Espero que não prejudique o "alinhamento".


De Pedro Correia a 10 de Julho de 2012 às 16:48
Não há problema, Rui.


De Rui Rocha a 10 de Julho de 2012 às 18:22
Obrigado, Pedro.


De Francisco Mota Ferreira a 10 de Julho de 2012 às 15:49
Deliciosa prosa Rui. Transportaste-nos para um passado cheio de velhas glórias. Mto bem escrito e cheio de emoção. Parabéns!


De Rui Rocha a 10 de Julho de 2012 às 18:21
Muito obrigado, Francisco.


De Tiago Cabral a 10 de Julho de 2012 às 16:41
Grande texto! Do melhor que aqui tenho lido. A nostalgia da infância, os sonhos de criança. Muitos parabéns por esta bela prosa.


De Rui Rocha a 10 de Julho de 2012 às 18:21
Grato pelas suas palavras, Tiago.


De Marcelo Silva a 10 de Julho de 2012 às 16:59
Genial, sem dúvida.
Só da ' pena ' de Sportinguistas podem sair coisas assim.

Marcelo Silva
Porta 10A


De Rui Rocha a 10 de Julho de 2012 às 18:22
Ainda bem que gostou, Marcelo.

SL


De Outside a 10 de Julho de 2012 às 18:21
Que Grande Texto!

Por paixão e fé comum, enquanto devorava essas memórias, um arrepio na espinha.

O melhor texto que já tive o prazer de ler neste blog.

Desculpe os elogios repetidos e...obrigado Rui.

Grande Abraço.


De Rui Rocha a 10 de Julho de 2012 às 18:26
Os elogios são sempre bem recebidos, David. Espero fazer o suficiente para os merecer.

Grande abraço.


De José Navarro de Andrade a 10 de Julho de 2012 às 18:59
Grande, grande! Aquela da caldeirada deixou-me com água na boca.


De Rui Rocha a 10 de Julho de 2012 às 21:33
Nem queiras saber. Uma coisa do outro mundo.


De Jose Manuel Barroso a 10 de Julho de 2012 às 21:38
Assino por baixo de TODOS os comentários. Excelente e emocionante. E mais não digo. SL


De Rui Rocha a 10 de Julho de 2012 às 22:08
Obrigado, José Manuel. Deu-me muito gosto escrever o texto, isso é certo. Mas assim estragam-me com mimos.


De 10A a 11 de Julho de 2012 às 00:06
Os sentimentos que o futebol em geral e o Sporting em particular desperta nos seus verdadeiros adeptos são fabulosos e isso sente-se neste texto. Gostei mesmo de o ler.


De Rui Rocha a 11 de Julho de 2012 às 15:15
Muitíssimo obrigado, 10A.


De jpt a 11 de Julho de 2012 às 06:12
belo texto, muito obrigado


De Rui Rocha a 11 de Julho de 2012 às 15:15
Eu é que agradeço a leitura e as palavras, José.


De Fernando Albuquerque a 11 de Julho de 2012 às 06:34
Parabéns pelo seu artigo. Fiquei arrepiado, pois de repente estive bastante tempo a recordar o que tem sido a minha vida, pois tendo 72 anos tive sempre como companheiro o meu SCP, que me proporcionou muitas alegrias e muitas tristezas as quais estão perdoadas.

Poderia estar aqui todo o dia a contar histórias minhas reais em que o nosso SCP era o protagonista. Levo-as para debaixo da terra com a alegria de as ter vivido.

Renovo os meus parabéns confirmando que o Mezaros foi um extraordinário guarda-redes que passou pelo SCP.

Saudações leoninas Fernando Albuquerque



De Rui Rocha a 11 de Julho de 2012 às 15:17
Pois eu acho que o Fernando devia pensar em partilhar essas memórias. Agradeço-lhe muito as suas palavras.

SL


De Fernando Albuquerque a 12 de Julho de 2012 às 18:45
Na verdade gostaria de partilhar principalmente com os mais novos, para lhes incutir o "amor" que sinto pelo SCP desde o meu dia em que vim ao mundo. Costumo dizer que já era sportinguista dentro da barriga da minha Mãe, pois sendo uma assumida adepta do nosso clube, até ao final da sua curta vida sempre teve a seu lado uma telefonia, onde ouvia os relatos e todas as noticias do nosso Sporting.

Fiz-lhe uma maldade. Como nunca me deixou jogar futebol, com medo que me aleijasse, pois o meu vencimento era necessário no seu orçamento, menti-lhe dizendo que ía jogar para o Sporting uma modalidade tipo ténis de mesa, quando na realidade ela assinou uma autorização para eu jogar rugby. onde estive dos 16 anos até ir para a guerra colonial.

Esta minha entrada nesta modalidade, deve-se ao facto dos treinadores do SCP das camadas jovens, não acreditarem que eu poderia ser um bom defesa-central só porque tinha 1,70 m de altura. Ainda hoje é uma condição para esse lugar ter de ser um pinheiro, mesmo que seja tosto ou que a sua impulsão seja pequena. Lembro-me sempre do Lúcio que sendo de estatura mediana conseguia ganhar bolas de cabeça ao falecido Torres. Depois de várias tentativas falhadas , ali ao lado estava a decorrer um treino com uma bola esquisita, tipo melão e por curiosidade aproximei-me para ver o que era aquilo. O treinador na altura era o Sr. Carlos Monteiro que me perguntou se eu vinha para treinar o que eu lhe respondi que não, pois queria era jogar futebol. Passados minutos ele convenceu-me e foi a partir desse momento que se iniciou a minha actividade neste desporto que é espectacular para quem joga e para quem assiste, pois a TV mostra-nos jogos onde as assistências são em número sempre elevado.

A minha mentira foi descoberta quando regressei de Angola, pois a minha Mãe que recebia em casa os postais do SCP das convocações dos jogos nunca se esqueceu da palavra RUGBY e quando começou a ver na TV as transmissões desta modalidade deve ter passado um mau bocado tal a "violência" que as imagens apresentam. A reprimenda que me deu foi grande mas para mim foi óptimo esses poucos anos em que vesti a camisola do SCP . Em 1964 quando regressei o SCP já não tinha esta m,odalidade.

Fico por aqui pois quando começo a escrever (mal) nunca mais paro. Que o diga a minha falecida mulher que lhe enviava de Angola todas as semanas muitos aerogramas.

Prometo falar mais do RUGBY do SCP , pois existem histórias giras para partilhar com quem se interesse por estas coisas.

Saudações leoninas Fernando Albuquerque


De Rui Rocha a 12 de Julho de 2012 às 19:17
Fantásticas memórias, Fernando. Muito, muito obrigado pela partilha!


De Pedro Oliveira a 12 de Julho de 2012 às 19:21
Caro Fernando,

Há, relativamente, pouco tempo tive o prazer de dizer a alguns "co-bloggers" (depois dum jantar de convívio) qualquer coisa como isto:
- O nosso clube é mesmo diferente para melhor, ainda agora começaram as captações e no outro dia vi passar (um dia de semana normal) uma moto com dois sportinguistas, um adulto e um jovem (14/15 anos) ambos vestidos de verde com a "t'shirt" onde está escrito RUGBY SPORTING... simples, lindo.
Experiências como a sua seriam muito importantes serem transmitidas, a tal mística que se vai transmitindo de geração para geração.

[quanto ao conteúdo deste «post» comentarei com mais pormenor, deixo, no entanto, um desafio (dois) quem era o treinador do Rio Ave que encaixou sete? Quem era um promissor jogador (filho do treinador) que foi desconvocado e assistiu ao jogo na bancada?]


De Rui Rocha a 12 de Julho de 2012 às 21:50
Eheheh. É um desafio very special, Pedro.


De Pedro Oliveira a 12 de Julho de 2012 às 22:18
Rui, essa foi uma resposta especial (special one).
Dizer que (adoro esta elaboração linguística) gostei muito do "post" que escreveste (posso "tutear-te"), muito bom no conteúdo, excelente na forma.
Como disse alguém só um Sportinguista poderia escrever assim.
Nós quando nos lembramos de futebol jogado com as mãos, recordamos Meszaros, Carlos Gomes, Damas, Patrício etc e tal, outros (noutras latitudes) lembrar-se-ão de Ronny (valeu-lhes um campeonato) ou de Vata (mão de Vata sem grão mas com o nosso Frank Rijkaard a fazer justiça... mais uma final europeia perdida).


De Rui Rocha a 13 de Julho de 2012 às 12:35
Obrigado, Pedro. É a diferença entre as mãos dos Deuses e as mãos do Diabo.


De Fernando Albuquerque a 13 de Julho de 2012 às 07:13
Prezado Pedro Oliveira

Em resposta às suas perguntas, sinceramente não me recordo desses acontecimentos. O que é interessante num idoso como eu é que estão mais presentes os acontecimentos que decorreram há muitos anos dos mais recentes.

Eu comecei a ver o SCP quando tinha por volta dos 10 anos. Estudava no liceu Camões, e assim que saía das aulas tinha uns colegas que íamos ver os treinos no antigo Estádio José Alvalade, o primeiro que conheci, onde estavamos a assistir aos jogos e apanhar pombos, pois por cima do estádio havia uma carreira de tiros aos pombos e eles íam cair na bancada
do lado do Hospital Pulido Valente. Ainda comi algumas canjas que a minha Mãe me fazia.

Espero que os meus netos não leiam isto, embora eles saibam que o Avô em determinados assuntos não sirva de exemplo.

Vivi 37 anos na zona da Praça do Chile em Lisboa.

Em frente da Portugália, paravam as camionetas das carreiras para fora de Lisboa. Era aí que nós apanhávamos uma boleia para ir ver os referidos treinos. Essas camionetas paravam no Campo Grande e outras vezes íamos ter à Calçada de Carriche.e tínhamos de subir esta via que não era nada agradável. Os nossos pais julgavam que estávamos a estudar mas o vicio pelo SCP era tanto que para nós o perigo não existia.

Recordo muito bem os treinos do velho Szabo que era na altura o nosso treinador. Recordo com saudade os 5 violinos e todos os grandes jogadores dessas épocas.

Mal sabia eu que mais tarde em Angola, estive no local onde morreu um dos filhos do mister Szabo .

A zona da Praça do Chile era um viveiro de jogadores, pois havia no ALTO PINA dois campos de futebol donde saíram muitos jogadores de futebol, tanto para os 3 grandes de Lisboa, como para a segunda divisão e distritais.

Esses campos eram o campo dos Telefones e havia outro na Quinta dos Peixinhos, onde hoje é a Avª Mouzinho de Albuquerque, que começa na Paiva Couceiro, perto do cemitério do Alto S. João.

No primeiro haviam aos domingos jogos seguidos de manhã até escurecer. Esses jogos normalmente eram disputados por jogadores de empresas ou por pessoas de diversos bairros, pois cada um tinha um clube que todos os
domingos faziam jogos que eram programados.No outro todos os dias se jogava à bola. Aliás haviam muitos campos em zonas que hoje são grandes avenidas, caso da Avª Roma e a Avª EUA, onde haviam terrenos com espaços para se jogar futebol.
No Verão também haviam muitos torneios, particulares e inclusivé jogavam jogadores profissionais que nós pedíamos para eles nos ajudarem a ganhar se possível trofeus.

Muitos colegas meus jogaram futebol federado e alguns na 1ª. divisão casos do Damas, Dany (falecido), Laranjeira, Manuel Carlos (Belenenses) Paz (idem) e outros que agora não me recordo. O Colorado também era do Alto Pina embora não fosse das minhas amizades.

Um dos meus colegas que também jogava no SCP era o meu Amigo CONCHA, com quem partilhei algumas "farras" e que hoje depois de vários anos com um conjunto OS CONCHAS, que fizeram grande sucesso na sua época, ainda é um cantor bastante apreciado e com valor.

A minha ânsia de jogar futebol no SCP era porque alguns colegas meus jogaram nas camadas jovens e eu jogando com eles sabia que também tinha condições para isso. Em todos os treinos de captação de Lisboa que fui (menos um que sou alérgico) os clubes estavam interessados em mim, mas a minha querida Mãe nunca quis que eu fosse jogar futebol.

Por hoje termino.

Saudações leoninas Fernando Albuquerque




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