06 Jul 12
 

«O Benfica fez um recurso dessa decisão (empréstimos) e como director e ex-jogador considero que vai prejudicar o jogador português. Os que saem dos juniores ou das equipas B, com essa lei, terão que ir para a segunda divisão ou para o estrageiro para continuarem a sua evolução. Vamos ser obrigados a enviar jogadores para o estrangeiro. Faz-me confusão que clubes que recebem jogadores emprestados tenham decidido aprovar esta decisão, que parece descabida».

 -    Rui Costa    -

 

Observação: Alguns homens do futebol português são difíceis de compreender (ou talvez não). O regulamento a proibir o empréstimo de jogadores, dentro do mesmo escalão competitivo, foi aprovado por uma larga maioria na Assembleia Geral da Liga. Entretanto, surgem os do contra a fazer campanha pública. Começou por Antero Henriques do FC Porto, seguido, incrivelmente, pelo próprio presidente da Liga e, mais recente, entre outros, por Rui Costa - director (sem pasta) do Benfica. Queixa-se ele que o regulamento vai prejudicar o jogador português, nomeadamente os juniores e os das equipa B. Vejamos o cenário do Benfica durante a época de 2011-12: no total, teve 39 jogadores emprestados: 12 na Liga Zon Sagres, 5 na Liga Orangina, 2 na III Divisão e os restantes 20 no estrangeiro. Dos 12 na primeira liga portuguesa, apenas 4 são portugueses, enquanto que os restantes 8 são oriundos do Brasil, Suécia, Uruguai, Paraguai, Eslovénia, Argentina e Cabo Verde. Quanto aos juniores, verifica-se que o único jogador português formado no Benfica e emprestado na Liga foi David Simão. Fábio Faria, Nuno Coelho e Rúben Amorim não foram. No aparente plantel principal de 27 jogadores, constam apenas 8 portugueses, entre os quais Carlos Martins cujo futuro provavelmente não passará pela Luz, três recém-chegados que é de prever irão para a equipa B e,  entre os mais em destaque, Nélson Oliveira, Yannick Djaló e Miguel Vítor que, em princípio, não serão titulares. Em soma, no total de 66 jogadores filiados, o Benfica regista apenas 18 portugueses. Perante isto, é justo perguntar qual é a verdadeira essência da oposição de Rui Costa e do Benfica ao regulamento dos empréstimos, uma vez que é por de mais óbvio que o jogador português não é.


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22 comentários:
De Anónimo a 6 de Julho de 2012 às 13:07
Excelente trabalho, comprovando numericamente aquilo que empiricamente todos sabemos (Sportinguistas ou não). Tenho pena - a vários níveis - que nas "redacções" dos "jornais" a maior preocupação seja com as consequências da contratação de um jogador indiano e não com a hipocrisia de fcp e slb neste e noutros temas.

Recomendo o envio deste texto para as "redacções" dos ditos "jornais".

SL


De Rui Gomes a 6 de Julho de 2012 às 14:43
Obrigado. Fica a ideia de que aquilo que o Benfica e até o FC Porto não querem admitir e não querem ver mudado, é o armazenar de jogadores estrangeiros, sem o mínimo de consideração pelos portugueses. Aos jornais apenas interssa aquilo que é para consumo benfiquista e, por isso, não lhes covem vir a público confrontar Rui Costa ou outros com os incontornáveis factos.

Cumprimentos


De CP a 6 de Julho de 2012 às 20:18
Está bem exposta pelo sr Rui Gomes a realidade factual do que ao SLB diz respeito a este titulo.
É óbvio que o Rui Costa está a defender os "seus" interesses, tal como o FCP o faz.
A mim parece-me que é uma medida correcta para que se acabem com uma das muitas suspeições que constantemente se levantam. mas também me parece que uma medida "de meio termo" também serviria os interesses tanto da verdade desportiva como dos jogadores, que seria simplesmente impedir que jogadores emprestados jogassem contra o seu clube patrão.


De Rui Gomes a 6 de Julho de 2012 às 21:28
Primeiro e sobretudo, pelo respeito que sempre tive por Rui Costa, lamento vê-lo a ser colocado ou usado nestas situações. À parte disso, esta lei já deveria existir à muito, porque a sua não existência, além das suspeitas que indicou, prejudica o jogador português imenso. Salvo o Sporting, que tem vindo a emprestar na Liga apenas portugueses da sua formação, tanto o FC Porto como o Benfica têm usado e abusado desta facilidade para armazenar jogadores, na sua vasta maioria, estrangeiros. Como irei indicar num post que já preparei para publicar amanhã, foi precisamente por causas muito semelhantes - embora de essência jurídica algo diferente - que a lei Bosman foi implementada. Ou seja, para proibir clubes de armazenar jogadores que não utilizam. Bem visto, uma grande percentagem dos empréstimos, especialmente os nacionais, não são para fomentar o desenvolvimento do jogador, mas sim para, por um lado evitar que vá para outro clube, e por outro, para fazer um compasse de espera até surgir uma solução para uma eventual venda. Há muitos exemplos, mas dou-lhe apenas um, que por coincidência e nada mais, ocorre com o Benfica. Foi buscar o Fábio Faria ao Rio Ave para quê ? para ele andar emprestado e agora regressar ao mesmo Rio Ave. Esta é a minha opinião.


De CP a 6 de Julho de 2012 às 21:50
Fugindo do assunto do post lhe digo que como benfiquista muito me custa a entender várias das opções de mercado e de plantel do meu clube. mas isso daria para todo um tema novo.
Em relação ao Fábio Faria, que é o caso concreto que aponta, de facto é mais um caso que não consigo vislumbrar um sentido objectivo na sua aquisição e em toda a trajectoria que ele acaba por fazer. Mas parece-me que ao terem ido buscar esse jogador terá de haver um sentido e uma aposta numa determinada altura e que depois não se confirma. dos poucos casos de empréstimo de grande sucesso que existem a assinalar talvez o Coentão seja o exemplo maior. rodou e voltou a casa para explodir.
Não vejo "um bicho de sete cabeças" no facto de se poder emprestar jogadores a equipas da mesma liga. a questão é a "moralização" e a credibilidade das competições. se existisse regras bem definidas, boa fé e boa vontade seria possivel a solução de meio termo. pode limitar-se o numero de jogadores que cada equipa pode emprestar, pode limitar-se o numero de jogadores a emprestar a um mesmo clube, pode impedir-se esses jogadores de jogar contra as casa mãe, entre outras hipoteses de equilibrar o jogo e as regras para todos e com isso continuaria a haver a possibilidade de jovens jogadores com capacidade poderem competir na montra maior do nosso futebol.


De Rui Gomes a 6 de Julho de 2012 às 22:17
O problema fundamental é que na vasta maioria o empréstimo não tem vindo a ser utilizado para rodar jogadores, com a esperança de os recuperar. Muito para armazenar e, a exemplo do Fábio Faria, para evitar de eles irem para concorrentes. Quanto às limitações dos empréstimos: o Benfica, na época passada, tinha 5 jogadores na União de Leiria. Por essa óptica, o clube, já em condições reduzidas, ficava prontamente condenado pela proibição de usar esses jogadores contra o clube que os emprestou. Muito mais o FC Porto do que o Benfica, o empréstimo andou a ser manipulado por Pinto da Costa para distribuir «influências» por um número de clubes, com eventuais dividendos, claro. A lei Bosman foi sustantada em tribunal civil e, posteriormente, implementada no futebol, para evitar que um clube que não tinha verdadeiras intenções sobre um jogador, fosse permitido de não o libertar para se transferir para outro. Os clubes, em Portugal muito o FC Porto, arranjaram uma maneira de contornar a lei através do empréstimo. Ou seja, mantem controlo sobre o jogador, não permite a sua transferência salvo quando lhe interessa e empresta-o apenas a quem lhe der melhor retribuição. No fundo, é um jogo muito habilidoso. Se o fizessem apenas com os da sua própria formação, seria diferente.Os factos provam o contrário. Há muitos anos que sou contra esta lei, muito por ter trabalhado com ela noutros tempos do meu envolvimento.Não é saudável. Com as equipas B, agora, e com as estipulações associadas a elas, os interesses dos jogadores nacionais, especialmente, e dos clubes, são salvaguardados.


De Rui Gomes a 6 de Julho de 2012 às 21:34
P.S. Peço desculpa, mas a escrever apressadamente, entre tarefas, cometi dois ou três erros ortográficos. O comentário comprende-se na mesma, penso eu.


De André a 6 de Julho de 2012 às 21:17
estamos a ser comidos e ninguém se apercebe. onde andava o Nacional quando recebia 2 milhões de euros, repito 2 milhões de euros, anuais do Governo regional da Madeira? agora que a mama acabou evisto que vão ter dificuldades em vender jogadores a bom preço benaglio não há muitos na madeira, o orçamento vai baixar e se até hoje o Nacional lutava pela europa a partir da proxima época vai lutar pela manutenção e esta lei que eles inventaram vai prejudicar para além do campeonato as equipas que mais recebem jogadores emprestados que são as equipas que lutam pela manutenção. pena o nosso Sporting não se ter apercebido. Para mim era limite de emprestimos e jogadores emprestados não jogavam contra o patrão.


De Rui Gomes a 6 de Julho de 2012 às 21:53
Compreendo os seus sentimentos mas penso que a explanação mais ampliada. O Rui Alves sabia que o Sporting tinha a intenção de apresentar essa moção, e ele, penso eu, para ficar como o «artista» da peça, antecipou-se. A lei é excelente e vai favorecer nomeadamente o Sporting, porque era o único que emprestava jogadores portugueses da sua formação. Tanto o Benfica como o FC Porto, faziam-no com dois objectivos: um, de espalhar jogadores seus pelos adversários; dois, para armazenar jogadores, esperando por uma eventual venda ou, em certos casos, para evitar que eles fossem para os rivais. Assim estão todos em situação de igualdade e com as equipas B, o Sporting sai favorecido pela sua formação.


De Hugo Rocha a 6 de Julho de 2012 às 22:09
Sobre este assunto há um lado que ainda não vi referido: a perda de qualidade da 1ª liga. O ano passado, jogadores importantes\vitais nos clubes para onde foram emprestados como o Cédric, o Melgarejo, o Atsu, etc., estariam provavelmente no estrangeiro. É verdade que existia excesso de jogadores estrangeiros, mas eles não estariam a jogar em Portugal se não fossem os empréstimos -- não seriam de certeza os clubes abaixo do 5º lugar a conseguir contratá-los. E assim?, será bom para o desenvolvimento dos jogadores portugueses, uma liga que passa do mau para o péssimo? Uma liga que -- não haja dúvidas -- vai perder competitividade?


De Rui Gomes a 6 de Julho de 2012 às 22:31
O problema era que a vasta maioria dos jogadores emprestados, salvo com o Sporting, não eram oriundos da formação do clube que os emprestou. Era jogadores para «armazenar», como acontecia muito antes da lei Bosman ser implementada. Referente aos sportinguistas Adrien Silva, Cédric, Wilson Eduardo, Nuno Reis, Eric Dier, William Carvalho e mais alguns, todos, ou pelo menos 95% deles, estariam na equipa B caso ela já existisses nos modos como vai acontecer esta época. A Liga Orangina é muito competitiva e é uma excelente ponte entre a formação e a equipa principal.
Na minha opinião, a liga não vai perder competitividade, apenas vai forçar meia dúzia de clubes a recorrer a outros meios, nomeadamente jogadores nacionais, para preencher plantéis. Toda a minha vida me constou, com conhecimento de causa, o enorme poço de talento que é Portugal e que nunca foi totalmente aproveitado, pela curtão visão dos clubes. Recorda-se de Miguel Garcia ? do Sporting foi para o estrageiro, se a memória não me falha, e daí para o desemprego. Nem os tais «pequenos» o quiseram, até o SC Braga vir bater à porta, com o resultado que se conhece.


De Hugo Rocha a 6 de Julho de 2012 às 22:47
Portanto, elimina-se da 1ª liga uma quantidade de jogadores -- muitos deles entre os melhores dos clubes onde estavam, casos do Cédric na Académica ou do Melgarejo no Paços -- mas o campeonato não vai perder qualidade... com que artes mágicas? Essa de que os clubes vão encontrar talentos debaixo das pedras para suprir as perdas não pega. Se fosse assim já os clubes o fariam, sem necessitarem empréstimos. Ou vai-me dizer que, ano após ano, década após década, todos os clubes foram geridos por um mar de incompetentes? Não, o que vai acontecer é que o fosso que existe entre os 4 ou 5 da frente e os outros vai aumentar. E que a competitividade e interesse na competição vai diminuir. E diminuindo, reduz-se também o dinheiro que entra na liga. Será interessante ver se daqui a 5 anos a maioria daqueles que votaram a favor ainda terão a mesma opinião.


De Rui Gomes a 6 de Julho de 2012 às 23:06
Claro, só o tempo ditará o resultado desta medida. Até porque, como o Hugo bem sabe, o futebol não é uma ciência exacta. Por vezes, aprende-se através das experiência e, eventualmente, dos erros. Uma coisa é certa, cem por cento, esta lei não vai afectar os jogadores portugueses. As estatísticas comprovam isso. Quanto à gestão do futebol português, em geral e ao longo dos anos, além de alguma incompetência, existiu sempre muita falta de organização, muito embora, diga-se, o estado das coisas tem melhorado muito em anos mais recentes. Com maior disponibilidade, poderia-lhe relatar inúmeros exemplos, por experiência própria. Dou-lhe um pequeno e breve exemplo, sem mencionar nomes: recordo-me de ir jogar contra um clube, na antiga 1.ª divisão, e os balneários eram tão pequenos que só se podia equipar metade da equipa de cada vez. Noutro, em cenário semelhante, os choveiros apenas tinham cabeças a funcionar e, mesmo assim a pingar. Isto apenas ilustra a falta de organização, extensível à recruta de jogadores. O empréstimo era uma via fácil para os dirigentes evitarem de procurar talento. Há muito em Portugal e, em alguns casos, apenas necessitam de ter a oportunidade. Eu acredito que a lei vai resultar, mas é esperar para avaliar. Se não resultar, quem a aprovou poderá também emendá-la. Ainda lhe digo mais, com os diversos «lobbies» em andamento e considerando o que «a casa gasta» não me surpreenderia que venha a surgir uma vira-volta, típica do futebol português.


De Fernando Albuquerque a 8 de Julho de 2012 às 08:15
Prezado Rui Gomes

Li atentamente os comentários sobre este tema. Na minha modesta opinião bastaria que os jogadores emprestados não jogassem contra o seu clube e isso contribuía para que acabassem as suspeitas se elas existem.

Um dos intervenientes escreve sobre um assunto, que para mim é mais importante que este , que são os subsídios escandalosos que o Nacional da Madeira e não só, têm recebido há muitos anos. Protesto porque parte da minha reforma e de outros milhares de pessoas está a ser enviada para pagar o buraco das contas naquele arquipélago. Este problema é comum a todos os clubes de futebol, pois a maioria das Câmaras investem muito dinheiro não só no desporto como no futebol particularmente.
No dia em que acabarem estes subsídios, vamos voltar aos campeonatos da FNAT , pois os clubes não tem receitas para pagarem as despesas. e por isso se verifica a miséria encoberta em que vivem

Saudações leoninas Fernando Albuquerque




De Rui Gomes a 8 de Julho de 2012 às 11:25
Caro Fernando Albuquerque, o problema é muito mais complexo do que isso. Como resolve o armazenar de jogadores ? A exemplo, porque é que o Benfica necessita de ter 39 jogadores emprestados ? Onde está a defesa do jogadores nacionais, quando desses 39, 90 por cento são estrangeiros ? É justo que uma equipa que tem jogadores de diversos clubes, sempre que jogue contra eles tem que o fazer de modo condicionado porque não os pode utilizar ? E as influências que eram exercidas através dos empréstimos, uma arma forte do Pinto da Costa ?...A única solução é a abolição total. Quanto aos subsídios, é uma questão à parte e política por natureza, que não pode ser controlada pelo futebol, mas sim pelos governos.

Cumprimentos


De Fernando Albuquerque a 8 de Julho de 2012 às 14:49
Prezado Rui Gomes

Sem dúvida que este é um assunto bastante complexo. A minha opinião era que os clubes que tivessem jogadores emprestados , estes não poderiam jogar contra as equipas que os emprestou. Como sabemos essas equipas normalmente têm 20/25 jogadores. É evidente que uma equipa que tenha vários jogadores por exemplo do clube X , ao não lhe ser permitido utilizar esses atletas em confrontos directos ficará em desvantagem. Nesse caso o problema está em quantos jogadores podem estar emprestados do mesmo clube, pois se forem 2/3 jogadores no máximo
penso que a desvantagem não será assim tão grave.

Também estou de acordo com a tese que prevê acabarem com os empréstimos. Existe sempre a desconfiança que os clubes que emprestam vão receber favores que não devem existir. Para matar o mal pela raiz esta é a melhor solução, ou seja acabar com empréstimos na mesma Liga.

As equipas chamadas grandes se tiverem muitos jogadores para emprestar vão ter as equipas B e a segunda divisão para resolverem este assunto e terão que acabar com este vício de comprarem gato por lebre, pois tantas dificuldades financeiras existentes, não se percebe como arranjam dinheiro para a maioria das compras efectuadas.

Quanto aos contestatários desta alteração eles lá sabem a razão desta posição, pois quem não deve não teme e se calhar sempre tiveram algo na manga escondido, e que agora é menos uma solução para chegarem a tantos êxitos muitas vezes esquisitos.

Cumprimentos Fernando Albuquerque


De Rui Gomes a 8 de Julho de 2012 às 16:32
Uma palavra final sobre um assunto que vai ser contestado durante muito tempo. Quer admitem quer não, está à vista de quem quiser ver, a verdadeira oposição à nova lei reside pura e simplesmente com o armazenar de jogadores. Não é a formaç,ão, muito menos a defesa do jogador nacional nem a paridade competitiva das duas ligas profissionais. É conveniente armazenar jogadores para eles não irem para a concorrência, para investimento caso venha a surgir uma eventual venda a proporcionar dividendos. Já dei este exemplo, que envolve o Benfica apenas por coincidência, porque há muitos outros: alguém que me explique a razão que o Fábio Faria foi contratado ao Rio Ave. Nunca teve verdadeira oportunidade no Benfica, tem andado emprestado e agora volta ao Rio Ave, emprestado. Considerando o estado financeiro do futebol português, qual é o clube que tem condições justificáveis para ter 20, 30 ou mais jogadores emprestados ? Se me convencerem quanto a estes diversos incontornáveis argumentos, eu considerarei mudar de parecer. Cumprimentos.


De Rui Gomes a 8 de Julho de 2012 às 11:52
P.S. Ainda mais considerações: OBenfica teve jogadores emprestados em 6 clubes na 1.ª Liga: U. Leiria, Rio Ave, Braga, Académica, Beira-Mart e V. Guimarães. O que significa que em 12 jogos na época jogaria em posição de vincada vantagem porque os adversários seriam privados desses activos. O FC Porto: Académica, Olhanense, Rio Ave, U. Leiria e Braga. O idêntico cenário em 10 jogos por época. Outra fórmula para ter um «campo inclinado», não concorda ?


De CP a 8 de Julho de 2012 às 15:50
Caro Rui Gomes, discute-se os empréstimos com o intuito de moralizar e de criar regras para que a verdade desportiva seja defendida. para todos.
Como disse anteriormente pode-se limitar o numero de jogadores a emprestar, as suas caracteristicas (por exemplo apenas jovens até determinada idade, formados ou não pelo clube...), numero de equipas a que uma mesma equipa pode emprestar, proibir que joguem contra os clubes de origem, etc... e com isso normalizar as relações entre clubes para que a figura do empréstimo que existiu possa ser vista como uma mais valia tanto para os clubes como para os jogadores.
Você aponta os variados casos que no passado estariam a potenciar o inquinar da verdade desportiva. mas agora fala-se de olhar em frente para resolver esse problema. procurar formas e regras que ajudem tanto os clubes como os jogadores. os empréstimos não são uma figura de criminosos, existem em todo o mundo e fazem parte do mercado e da politica dos clubes. é preciso moralizar? de acordo. então olhem de frente e veja-se onde estão os excessos e com o contributo de todos poder-se-ia perfeitamente chegar a um ponto de equilibrio.
Acabar pura e simplesmente com os empréstimos parece-me verdadeiramente absurdo e que a curto prazo nada beneficia o futebol de alta competição.
Acho que não se pode confundir as opções particulares de um clube com os interesses do desporto. Se o SLB ou o FCP emprestava 50 jogadores seria uma opção legitima, enquanto a lei o permitiu. se o SCP não quer emprestar, também está no seu direito. não vale é a pena começar por considerar que uns têm tudo bem e outros têm a raiz do mal. criam-se as regras e depois se querem ou não emprestar será problema de cada um. diferentes clubes, diferentes pessoas, diferentes opções, naturalmente, não considera?


De Rui Gomes a 8 de Julho de 2012 às 16:20
Eu nunca analisei a temática pela vertente moralizadora, mas sim pela organização futebolística. Baseado apenas pela minha experiência no futebol, tento alternativas, nunca emprestaria jogadores por mim formados ou ainda bastante jovens e que requerem jogar co regularidade. As estatísticas disponíveis indicam, esclarecidamente, e não apenas em Portugal, que a vasta maioria dos jogadores emprestados nunca regressão aos seus clubes a título definitivo. A outra consideração, para mim talvez ainda mais importante, é que empréstimo de um jovem para fora não produz os mesmos resultados porque a) o clube que o recebe não se preocupa com o seu desenvolvimento, usa-a como melhor serve os seus interesses e nada mais b) o clube que recebe, invariavelmente tem outra filosofia de jogo e outra cultura desportiva, que em nada beneficiará o jovem c) o clube que recebe nem sempre dá tempo de jogo suficiente ao jovem, anulando a essência do empréstimo da parte de quem possui os seus direitos. Muito por isso, a exemplo, o Sporting há dois anos, salvo erro, começou a impor a condição que o empréstimo só seria válido se o jogador jogasse com regularidade. Nem todos os campeonatos europeus usam os empréstimos, apenas alguns. Aqueles com meios, a exemplo do Real Madrid, Manchester, Barcelona e diversos outros optam 99% por colocar os jovens nas suas equipas B e C. Penso que muitas pessoas estão a analisar a contenda pela vertente clubística, quando isto tem a haver com o todo do futebol. Porque é que clubes que normalmente aceitavam emprestados, votaram a favor deste regulamento ? O meu parecer em nada se relaciona com o Sporting, directamente, uma vez que já defendo esta minha tese desde os tempos em que era director desportivo ou presidente de clubes. E ainda menos se relaciona, directamente, com os meios utilizados pelo Benfica, FC Porto e outros, ao abrigo da lei antiga. Sobretudo, sou e sempre fui contra o armazenar de talentos. Depois de tudo dito e feito, o objectivo fulcral dos que compram e emprestam em quantidade, é precisamente esse e até me admira (ou talvez não) a UEFA ou a FIFA não terem vindo com regras sobre isto, por muito que evitem de se meter na gestão das competições domésticas.


De CP a 8 de Julho de 2012 às 16:29
Perfeitamente. entendo a sua posição, não é a minha mas entendo.
Quando diz que nunca analisou a temática pela vertente moralisadora digo-lhe que sempre vi a questão da moralisação como sendo das mais importantes da discussão. você mesmo por exemplo quando diz que "...Outra fórmula para ter um «campo inclinado», não concorda ?" coloca o problemática na linha da frente.


De Rui Gomes a 8 de Julho de 2012 às 16:47
Com o campo inclinado não me refiro à vertente moral mas sim competitiva. O único aspecto em que o argumento faz distinção entre clubes, é no que concerne a formação, e nada mais. Acredite quando lhe digo que se o Benfica e o FC Porto tivessem formação ao nível do Sporting, nunca fariam oposição à lei porque eles prefeririam, logicamente, serem eles a desenvolver os seus próprios jovens e não casas alheias. O Benfica tem andado a comprar jogadores em escalões inferiores porquê ? Até houve um do Varzim que recusou ir para a Luz. Porque não têm formação para preencher a equipa B, nada mais nada menos. Pergunte a qualquer pessoa verdadeiramente conhecedora da essência do futebol, se prefere formar e desenvolver os seus próprios ou enviá-los para fora para outros o fazerem. É bom senso, é prático e tem maior potencial para sucesso. O problema, em Portugal, como sempre, é que se analisa futebol pela vertente clubista apenas, em ver de ver o que é melhor para o todo. Por muito sportinguista que eu seja, nem eu nem todos temos essa mentalidade, considerando que fomos parte criados em culturas diferentes. Uma ponto final, se aqueles 4 ou 5 da 1.ª Liga que dependem tradicionalmente em jogadores emprestados não têm outros meios para competir, não devem participar e dar lugar a outros que oferecem soluções mais plausíveis.


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