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És a nossa Fé!

A Geração Academia de Alcochete

 
A Geração Academia. Portugal tinha no Euro 2012 dez jogadores formados pela Academia Sporting. Destes, cinco eram titulares e dois deles os melhores jogadores da equipa. 
O caminho seguido ao longo das últimas décadas merece uma reflexão séria, tanto a nível interno como do futebol português. 
O Sporting nos últimos vinte anos ganhou dois campeonatos e nesses dois anos, 2000 e 2002, a formação teve uma influência diminuta. 
 
Formação
                                                                                               
Em 2000 
Jogadores titulares - Beto
No plantel - nenhum que jogasse um mínimo de 10 minutos  
Em 2002
Jogadores titulares - Beto e Hugo Viana
No plantel (com alguma utilização) - Ricardo Quaresma
Como se pode comprovar, a formação leonina não foi sinónimo de conquista de campeonatos. Então porque existe uma aposta tão forte? O Sporting sempre foi, mesmo nos anos de "vacas gordas", um clube formador. Os adeptos leoninos identificam-se com esta prática. É uma questão de identidade. É esta a filosofia que todos os clubes deviam seguir. E somos muito bons a fazê-lo. Nos últimos dez anos, no entanto, o paradigma mudou. Durante anos o clube formou grandes jogadores, mas a equipa não estava dependente deles. Na última década, também devido à falta de liquidez financeira e a uma péssima gestão desportiva, a aposta foi clara nos jogadores da formação. Foi mesmo graças aos "miúdos" que o clube foi lutando pelo título e foi quatro anos seguidos à Liga dos Campeões. Aqui saltam rapidamente vários pensamentos e teorias. Lembro-me muito bem que os comentários dos "especialistas" da televisão e jornais eram e passo a citar: "um clube de miúdos não ganha campeonatos", "o Sporting para ser um clube ganhador tem de investir em jogadores experientes", "o Sporting devia seguir o exemplo de Benfica e Porto", "os miúdos deviam fazer a passagem para o futebol profissional fora de Alvalade", "este não é o caminho para um clube com a grandeza que tem o Sporting" e etc
 
A visão do Sportinguista: 
Por um lado:
 
Como é que um clube que todos os anos forma óptimos jogadores não é campeão mais vezes? Porque ao longo dos últimos anos as políticas desportivas foram as erradas. Houve uma falta de visão gritante e um aproveitamento que podia ter sido glorioso foi apenas suficiente. Não se pode formar Cristianos Ronaldos e Figos e não ser campeão pelo menos uma vez. Não se pode apostar cegamente nos jogadores provenientes de Alcochete e não lhes fornecer uma equipa estruturada, sustentada e com líderes. Não se pode entregar a braçadeira a um miúdo sem carácter. Tem de existir o máximo aproveitamento possível dos "nossos" jogadores mas tendo sempre a preocupação de a responsabilidade não estar sobre os seus ombros. Além da categoria futebolística, os restantes jogadores do plantel têm de ser, também, uma mais valia "paternal". Têm de ser vistos com respeito e com admiração. OguchiRinaudo e Schaars entram directamente para este patamar. É este o caminho. Na época passada assistiu-se a um choque com o passado recente. Foi refrescante. Foi fundamental. O investimento foi grande e trouxe com isso um maior endividamento. O que agora é criticado por muitos Sportinguistas foi pedido durante anos. Curioso. Foi muito importante a vários níveis: dotar o plantel de jogadores com categoria internacional, trazer esperança à massa adepta e fazer um choque com o passado mais recente. Ao contrário do que se disse e escreveu esta nova etapa não significava minimamente uma mudança cultural no clube. E aqui cultural está relacionado com o facto de sermos um clube formador. Aqui o que estava em causa era uma filosofia errada. Não temos capacidade para manter por muitos anos os jovens por nós formados e por isso não conseguimos jogar com 7-8 ao mesmo tempo e sermos campeões com regularidade. Neste ponto o Barcelona é um caso à parte. O presente e o futuro é conseguir fazer uma mescla. A partir de agora a forma como os "miúdos" entram na equipa vai de encontro ao que sempre defendi para o Sporting. Já não é preciso contratar 18 jogadores. Esse trabalho está feito, e bem feito. Agora é simples. O normal início dos jogadores no futebol profissional faz-se na equipa B passando gradualmente para a equipa A. As posições carenciadas ou que não consigamos formar dentro vai-se contratar cirurgicamente fora.
Por outro lado:
Eu quero continuar a ser um clube formador. Um clube que aposta nos jogadores por si formados. Mas para isso o futebol português também tem de querer. Não pode ser só o Sporting a ter jogadores da formação a jogar com regularidade. As leis existentes em Portugal são totalmente contra quem quer apostar no jogador Português. São totalmente contra quem quer apostar na formação. Se observarmos os campeonatos que se equivalem ao nosso apercebemo-nos rapidamente de uma diferença abismal. Existe uma clara aposta, tanto ao nível dos clubes como das federações locais, no jogador nacional. Ver por ex. campeonatos Holandês e Francês. Em Portugal, tirando o Sporting nos últimos anos, ninguém aposta/joga com os jogadores portugueses. As excepções existem, mas são raras. Os jogadores estrangeiros, os empréstimos destes e o refugo dos grandes ditam as leis. Os jogadores com 18-21 anos são raros, para não dizer inexistentes, no nosso campeonato. Isto tem de mudar. O futebol português tem de mudar. 
 
A visão do adepto nacional:
Rezar para que a Academia continue a dar frutos. Desejar que o Sporting continue a apostar na formação. Se não passamos a estar ao nível da Bélgica ou da Dinamarca. 

A Selecção Nacional sub-19 fez anteontem o primeiro jogo no Europeu da categoria. No onze inicial estavam 7 jogadores do Sporting. E não estavam lá: Ié, Mica, Chaby ou Iuri Medeiros..
                                                                                                                                                      Texto também publicado Aqui

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