05 Jul 12

Já tinha dado por terminados os escritos sobre o Euro 2012, mas não resisti transcrever o último trabalho de Kiev do jornalista inglês James Lawton.

 

«Não nos devemos extremar pelo exagero absurdo. A conquista do título pela Espanha foi um feito notável e merecedor de louvores, mas não significa, de modo algum, que é a melhor equipa de todos os tempos. Na noite de Domingo, o futebol espanhol foi tudo o que desejamos ver, com todas as qualidades que esperamos que nunca desapareçam, mas não é digno da avalanche de panegíricos sensacionalistas que vieram então a público, na tentativa de nos convencer que acabámos de ver a melhor equipa na história do futebol. Lamentavelmente, parece não ser suficiente reconhecer excelência, sublinhar o mérito da Espanha naquela noite e a confirmação histórica de dois títulos europeus e de um mundial. Não satisfaz afirmar que Andrés Iniesta e Xavi Hernandez são dos melhores e mais influentes jogadores que o mundo já viu. No todo deste processo, surgiu também a infeliz necessidade de trair outras grandes provas e outras grandes equipas. O domínio da Espanha nestes últimos anos é indiscutível, justificando a confiança de todos aqueles que apreciam o seu estilo de jogo, mas os festejos pecaram pelo exagero e o fogo de artíficio elevou-se excessivamente, ao ponto do absurdo. O problema é que o absurdo tem duas vertentes. Uma delas é que a equipa das equipas não atingiria o auge da sua realização, sombreando todos os registos históricos, de forma tão frágil e perigosa como os heróis de Domingo à noite fizeram. Essa equipa, nunca correria o risco de ser eliminada na fase de grupos, salvo uma brilhante defesa, por instinto, de Iker Casillas e alguns duvidosos critérios da arbitragem, pela ameaça da Croácia. A indiscutível melhor equipa de todos os tempos não chegaria à final através da lotaria dos penáltis contra Portugal, num jogo em que a diferença foi apenas a metade do poste em que Cesc Fàbregas acertou, com o remate decisivo.

A analogia mais popular Domingo à noite era que a Espanha silenciou todos os seus críticos e registou uma exibição tão brilhante que daria termo à discussão. Mas onde estaria a Espanha se o penálti de Fàbregas não tivesse entrado na baliza depois de ter batido no poste? Decerto que teria regressado a casa com mil lamentos. Esta é uma das razões que leva a acreditar que é preferível ser mais moderado quando se clama distinções tão excepcionais. A outra é o Brasil de 1970. O Brasil de Pelé, Jairzinho, Gerson, Tostão, Rivelino, Carlos Alberto e o esplêndido, mas frequentemente esquecido, Clodoaldo.

A Espanha deve ser elogiada pelo seu domínio nos últimos anos e pelos 90 minutos em que exibiu o melhor de si, mas não à custa da verdade, nem por falta de memória da equipa que conquistou o melhor Campeonato do Mundo de todos os tempos com inigualável magnificência, vencendo todos os seus seis jogos na final e marcando 19 golos - mais 11 do que a Espanha fez há dois anos, com mais um jogo.

A Espanha terá ficado temporariamente proprietária do futebol de hoje, mas isso não implica que a Nação que venceu três Campeonatos do Mundo em 12 anos deva ser deserdada.

Este Europeu fez-nos lembrar o enorme potencial do futebol, quando é jogado com determinação, inteligência e técnica. Sob o enorme peso das prioridades financeiras, o jogo levou uma transfusão de excelência e, por isso, devemos homenagear os mestres do futebol moderno, mas nunca à custa do outro modelo de magnificência tão bem ilustrado por Pelé e os seus lendários companheiros».

Tags:

comentar
Autores
Pesquisar
 
Posts recentes

Leituras recomendadas

Por imperativo de cidadan...

A mesma opinião

Quem faz isto é capaz de ...

Os nossos comentadores me...

Futebol a sério e futebol...

Outra vez Abel?

A cartilha (parte II)

Os nossos comentadores me...

Coragem

Arquivo

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Tags

sporting

comentários

memória

bruno de carvalho

selecção

leoas

prognósticos

jorge jesus

vitórias

há um ano

balanço

slb

campeonato

arbitragem

benfica

jogadores

rescaldo

eleições

mundial 2014

taça de portugal

liga europa

godinho lopes

ler os outros

clássicos

golos

árbitros

nós

euro 2016

futebol

comentadores

crise

marco silva

cristiano ronaldo

scp

análise

humor

formação

chavões

liga dos campeões

slimani

todas as tags

Mais comentados
158 comentários
155 comentários
152 comentários
136 comentários
136 comentários
132 comentários
Ligações
Créditos
Layout: SAPO/Pedro Neves
Fotografias de cabeçalho: Flickr/blvesboy e Flickr/André
blogs SAPO
subscrever feeds