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És a nossa Fé!

Não nos devemos extremar pelo exagero absurdo

Já tinha dado por terminados os escritos sobre o Euro 2012, mas não resisti transcrever o último trabalho de Kiev do jornalista inglês James Lawton.

 

«Não nos devemos extremar pelo exagero absurdo. A conquista do título pela Espanha foi um feito notável e merecedor de louvores, mas não significa, de modo algum, que é a melhor equipa de todos os tempos. Na noite de Domingo, o futebol espanhol foi tudo o que desejamos ver, com todas as qualidades que esperamos que nunca desapareçam, mas não é digno da avalanche de panegíricos sensacionalistas que vieram então a público, na tentativa de nos convencer que acabámos de ver a melhor equipa na história do futebol. Lamentavelmente, parece não ser suficiente reconhecer excelência, sublinhar o mérito da Espanha naquela noite e a confirmação histórica de dois títulos europeus e de um mundial. Não satisfaz afirmar que Andrés Iniesta e Xavi Hernandez são dos melhores e mais influentes jogadores que o mundo já viu. No todo deste processo, surgiu também a infeliz necessidade de trair outras grandes provas e outras grandes equipas. O domínio da Espanha nestes últimos anos é indiscutível, justificando a confiança de todos aqueles que apreciam o seu estilo de jogo, mas os festejos pecaram pelo exagero e o fogo de artíficio elevou-se excessivamente, ao ponto do absurdo. O problema é que o absurdo tem duas vertentes. Uma delas é que a equipa das equipas não atingiria o auge da sua realização, sombreando todos os registos históricos, de forma tão frágil e perigosa como os heróis de Domingo à noite fizeram. Essa equipa, nunca correria o risco de ser eliminada na fase de grupos, salvo uma brilhante defesa, por instinto, de Iker Casillas e alguns duvidosos critérios da arbitragem, pela ameaça da Croácia. A indiscutível melhor equipa de todos os tempos não chegaria à final através da lotaria dos penáltis contra Portugal, num jogo em que a diferença foi apenas a metade do poste em que Cesc Fàbregas acertou, com o remate decisivo.

A analogia mais popular Domingo à noite era que a Espanha silenciou todos os seus críticos e registou uma exibição tão brilhante que daria termo à discussão. Mas onde estaria a Espanha se o penálti de Fàbregas não tivesse entrado na baliza depois de ter batido no poste? Decerto que teria regressado a casa com mil lamentos. Esta é uma das razões que leva a acreditar que é preferível ser mais moderado quando se clama distinções tão excepcionais. A outra é o Brasil de 1970. O Brasil de Pelé, Jairzinho, Gerson, Tostão, Rivelino, Carlos Alberto e o esplêndido, mas frequentemente esquecido, Clodoaldo.

A Espanha deve ser elogiada pelo seu domínio nos últimos anos e pelos 90 minutos em que exibiu o melhor de si, mas não à custa da verdade, nem por falta de memória da equipa que conquistou o melhor Campeonato do Mundo de todos os tempos com inigualável magnificência, vencendo todos os seus seis jogos na final e marcando 19 golos - mais 11 do que a Espanha fez há dois anos, com mais um jogo.

A Espanha terá ficado temporariamente proprietária do futebol de hoje, mas isso não implica que a Nação que venceu três Campeonatos do Mundo em 12 anos deva ser deserdada.

Este Europeu fez-nos lembrar o enorme potencial do futebol, quando é jogado com determinação, inteligência e técnica. Sob o enorme peso das prioridades financeiras, o jogo levou uma transfusão de excelência e, por isso, devemos homenagear os mestres do futebol moderno, mas nunca à custa do outro modelo de magnificência tão bem ilustrado por Pelé e os seus lendários companheiros».

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