02 Jul 12

Será este o meu último escrito sobre o Campeonato Europeu, mas não queria abandonar a temática sem alguns reparos finais. Quer seja sustentado por facto ou mera opinião, existem sempre certas questões ou pessoas que provocam discussão, e este Euro 2012 não sofre por falta de material.

 

1. Reconheço que qualquer lista dos «melhores» é sempre muito subjectiva, não obstante as assumidas melhores intenções do painel que a determina. Nos 23 que foram seleccionados, ao risco de ser acusado de «puxar a brasa à minha sardinha», sinto alguma dificuldade em aceitar que Gerrard da Inglaterra ou Busquets da Espanha tenham tido uma prestação superior a João Moutinho ou até a Miguel Veloso. O alemão Neuer foi opção sobre Rui Patrício, mesmo tendo sofrido mais dois golos, e Cesc Fàbregas aparece na lista como um dos melhores avançados, quando se sabe bem que ele é médio e jogou como médio no Euro, não obstante a sua posição mais avançada no terreno. Participaram outros reais avançados nesta competição que mereciam reconhecimento.

 

2. Fernando Torres, sempre como suplente, acabou por ser considerado o melhor marcador da prova com três golos, empatado com cinco outros jogadores, incluindo Cristiano Ronaldo, porque apenas jogou 190 minutos no torneio. Na final, entrou a 15 minutos do fim, o que lhe permitiu marcar o seu terceiro golo e, então, assegurar a distinção de «melhor marcador».

 

3. Fica a ideia que quando os astros estão em linha, tudo sai bem. Contra Portugal, Gerard Piqué marcou a primeira grande penalidade da sua carreira profissional. Dá para imaginar a «tempestade» de críticas, se tivesse falhado. Na final, David Silva, não exactamente uma máquina de fazer golos - marcou seis esta época pelo Manchester City - executou aquele belo lance de cabeça para o primeiro golo da Espanha. Gostaria de saber se foi o primeiro do género da sua carreira.

 

4. Um caso para mim fascinante e difícil de dissecar: O lateral direito espanhol Álvaro Arbeloa, formado no Real Madrid e regressado ao Clube depois de ter andado por diversos outros, não passa de um defesa mediano que compromete frequentemente a sua equipa e não lhe concede qualquer profundidade ofensiva digna de registo. Por variadas circunstância e, sobretudo , por José Mourinho não ter os jogadores da sua preferência para a posição, jogou com alguma regularidade na equipa madridista e, mais recente, marcou presença no Euro como titular. Dá para compreender que o sistema de jogo da selecção espanhola, nomeadamente a meio campo, serve bem para compensar as suas insuficiências, mas fica no ar a interrogação se na Espanha, com o seu vasto leque de talentos, não existe um outro lateral direito superior. Claro, quando tudo corre bem... 

 

5. É justo que para o vencedor vão as honras. A Espanha venceu a final de modo categórico e os panegíricos não escasseiam. Para trás fica uma prestação muito discutível neste Europeu. Empatou com a Itália na fase de grupos, venceu a Croácia por 1-0 graças à arbitragem e arrasou a inábil República da Irlanda por 4-0. Venceu outra muito inábil França por 2-0 nos quartos-de-final e Portugal, nas meias-finais, como é conhecido. Venceu, indiscutivelmente, mas não deslumbrou e, na minha opinião, não enalteceu o futebol a jogar sem avançados. Dá para pensar que se todos os outros reproduzirem esse tipo de estratégia, os avançados irão desaparecer do futebol. Vejamos, mesmo com talentos inferiores, Portugal alinharia com os seus normais quatro defesas e, à frente deles, Moutinho, Veloso, Meireles, Custódio, Hugo Viana ou Rúben Micael e fica então para discussão se, numa das alas, haverá espaço para Nani ou Ronaldo. Provavelmente o primeiro, porque o jogador do Real Madrid defende menos e, por essa revolucionária nova óptica, goleadores são dispensáveis. É caso para Paulo Bento e todos os restantes seleccionadores reflectirem profundamente. 


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6 comentários:
De Duarte Fonseca a 3 de Julho de 2012 às 11:03
Não concordo minimamente com nenhum dos pontos deste post. Mas tratando-se obviamente de uma opinião pessoal não a vou discutir. Só queria lembrar que deve estar a fazer confusão entre Arbeloa e outro jogador qualquer. Arbeloa fez os tais 38 jogos pelo Real, mas foi titular 26 vezes na liga e não dez como refere. E começou a sê-lo na jornada 5. Além de que não é um lateral assim tão mau como querem fazer crer. Tem é o "problema" de jogar no Madrid e na melhor selecção do Mundo da actualidade.


De Rui Gomes a 3 de Julho de 2012 às 12:32
Os números derivam do site oficial. Não comparei com outros. A titularidade refere-se apenas à liga, uma vez que ele também entrou no onze inicial noutras competições. O Aberloa é um defesa mediano que, no Real Madrid, compromete constante a fluidez da equipa. Sei, em primeira mão, que apenas foi ou será titular por falta de opções à mão. Quanto ao resto, está no seu direito de discordar, mas muito do que adiantei foi baseado mais em facto do que opinião. Nem Gerrard nem Busquets foram superiores a Moutinho ou Veloso. Neur sofreu mais dois golos que Rui Patrício. Fàbregas não é nem jogou como avançado. Torres jogou os 190 minutos e marcou os 3 golos. E, finalmente, vamos dispensar avançados do futebol e jogar apenas com médios e defesas.


De Duarte Fonseca a 3 de Julho de 2012 às 13:07
Deixo-lhe aqui o link do site oficial onde vc diz que viu a informação. Mas onde parece mesmo que viu mal.

http://www.realmadrid.com/cs/Satellite/en/1193041476158/1202777309544/jugador/Jugador/Arbeloa.htm

Quanto aos seus factos e opiniões, mais uma vez repito, não estou sequer interessado em responder nem concordo, muito menos pretendo que me convença da sua opinião. O propósito do meu comentário é que emende um erro que tem no seu post.
Cumps


De Rui Gomes a 3 de Julho de 2012 às 13:25
Não estou minimamente preocupado em convencer seja quem for, incluindo a si. Publico um escrito, parte facto, parte opinião e cada um é livre de discordar. Se, onde extraí os números sobre Arbeloa, tem a informação errada, não tenho qualquer problema em ser corrigido. Isto, no entanto, não me faz alterar o meu parecer sobre ele e, muitíssimo menos, o de quem o comanda. Isso posso-lhe garantir, indiferente se aceita ou não.


De Duarte Fonseca a 3 de Julho de 2012 às 14:05
"Se, onde extraí os números sobre Arbeloa, tem a informação errada, não tenho qualquer problema em ser corrigido."
Não tinha dito que foi no site oficial? Pelos vistos no site oficial não estavam errados, conforme link enviado...
E vc também não está errado, o sítio (que era o site oficial) é que tinha a informação errada.
Também já se percebeu que tem contacto com alguém próximo de Mourinho ou com o próprio, não precisa de estar sempre a enfatizar, pois de subtil essa enfatização nada tem.
Ainda diz que não quer convencer ninguém... Podia simplesmente ter alterado o erro colocando os dados correctos, mas prefere estar a argumentar em todos os comentários a favor da sua tese.
Já lhe disse que o meu comentário foi só no intuito de corrigir um erro, que pelos vistos prefere manter, já que não fez qualquer emenda ao texto do post.
Fica assim claro para os leitores deste blog a sua preocupação com a qualidade e veracidade da informação "postada"...


De Rui Gomes a 3 de Julho de 2012 às 15:32
A única questão que fica clara, baseado nos seus escritos, é que tem uma agenda muito além de apenas corrigir os números relacionados com Arbeloa. Dispenso os seus indesejáveis sermões, especialmente quando recusa compreender que além de factos com exactidão, espaços desta natureza são precisamente para precipitar troca de ideias e opiniões. Só lhe respondo para esclarecer isto, caso contrário nem lhe responderia, face ao tom das suas insinuações. Quanto a corrigir este ou qualquer outro texto, será feito quando e como eu entender e não baseado nos seus inconsequentes desejos.


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