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Reparos finais sobre o Euro 2012

Será este o meu último escrito sobre o Campeonato Europeu, mas não queria abandonar a temática sem alguns reparos finais. Quer seja sustentado por facto ou mera opinião, existem sempre certas questões ou pessoas que provocam discussão, e este Euro 2012 não sofre por falta de material.

 

1. Reconheço que qualquer lista dos «melhores» é sempre muito subjectiva, não obstante as assumidas melhores intenções do painel que a determina. Nos 23 que foram seleccionados, ao risco de ser acusado de «puxar a brasa à minha sardinha», sinto alguma dificuldade em aceitar que Gerrard da Inglaterra ou Busquets da Espanha tenham tido uma prestação superior a João Moutinho ou até a Miguel Veloso. O alemão Neuer foi opção sobre Rui Patrício, mesmo tendo sofrido mais dois golos, e Cesc Fàbregas aparece na lista como um dos melhores avançados, quando se sabe bem que ele é médio e jogou como médio no Euro, não obstante a sua posição mais avançada no terreno. Participaram outros reais avançados nesta competição que mereciam reconhecimento.

 

2. Fernando Torres, sempre como suplente, acabou por ser considerado o melhor marcador da prova com três golos, empatado com cinco outros jogadores, incluindo Cristiano Ronaldo, porque apenas jogou 190 minutos no torneio. Na final, entrou a 15 minutos do fim, o que lhe permitiu marcar o seu terceiro golo e, então, assegurar a distinção de «melhor marcador».

 

3. Fica a ideia que quando os astros estão em linha, tudo sai bem. Contra Portugal, Gerard Piqué marcou a primeira grande penalidade da sua carreira profissional. Dá para imaginar a «tempestade» de críticas, se tivesse falhado. Na final, David Silva, não exactamente uma máquina de fazer golos - marcou seis esta época pelo Manchester City - executou aquele belo lance de cabeça para o primeiro golo da Espanha. Gostaria de saber se foi o primeiro do género da sua carreira.

 

4. Um caso para mim fascinante e difícil de dissecar: O lateral direito espanhol Álvaro Arbeloa, formado no Real Madrid e regressado ao Clube depois de ter andado por diversos outros, não passa de um defesa mediano que compromete frequentemente a sua equipa e não lhe concede qualquer profundidade ofensiva digna de registo. Por variadas circunstância e, sobretudo , por José Mourinho não ter os jogadores da sua preferência para a posição, jogou com alguma regularidade na equipa madridista e, mais recente, marcou presença no Euro como titular. Dá para compreender que o sistema de jogo da selecção espanhola, nomeadamente a meio campo, serve bem para compensar as suas insuficiências, mas fica no ar a interrogação se na Espanha, com o seu vasto leque de talentos, não existe um outro lateral direito superior. Claro, quando tudo corre bem... 

 

5. É justo que para o vencedor vão as honras. A Espanha venceu a final de modo categórico e os panegíricos não escasseiam. Para trás fica uma prestação muito discutível neste Europeu. Empatou com a Itália na fase de grupos, venceu a Croácia por 1-0 graças à arbitragem e arrasou a inábil República da Irlanda por 4-0. Venceu outra muito inábil França por 2-0 nos quartos-de-final e Portugal, nas meias-finais, como é conhecido. Venceu, indiscutivelmente, mas não deslumbrou e, na minha opinião, não enalteceu o futebol a jogar sem avançados. Dá para pensar que se todos os outros reproduzirem esse tipo de estratégia, os avançados irão desaparecer do futebol. Vejamos, mesmo com talentos inferiores, Portugal alinharia com os seus normais quatro defesas e, à frente deles, Moutinho, Veloso, Meireles, Custódio, Hugo Viana ou Rúben Micael e fica então para discussão se, numa das alas, haverá espaço para Nani ou Ronaldo. Provavelmente o primeiro, porque o jogador do Real Madrid defende menos e, por essa revolucionária nova óptica, goleadores são dispensáveis. É caso para Paulo Bento e todos os restantes seleccionadores reflectirem profundamente. 

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