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És a nossa Fé!

O Euro à venda

A triste e desmedida decisão de Michel Platini e do Executivo da UEFA de aumentar a prova para 24 equipas, destruindo, por essa via, o actual formato que tanto sucesso tem tido, aterrorizou prontamente os mais «cognoscenti» do jogo e, com o passar do tempo, está igualmente a penetrar a consciência pública. Em 2016, na França, todos os candidatos adicionais serão do calibre da República da Irlanda - a única equipa que demonstrou estar fora do seu «milieu» nesta competição - em vez de serem países como a Rússia, a Croácia e a Ucrânia, que apesar de não teram passado a fase de grupos, deram provas de que têm valor para contribuir significativamente para a estrutura qualitativa do Campeonato Europeu. O novo formato implica seis grupos de quatro equipas, com os primeiros dois classificados de cada grupo e os melhores quatro terceiros a qualificarem-se para os oitavos-de-final. O total de jogos passará para 51, comparados aos actuais 31, durante o mesmo período de 29 a 31 dias.

A diluição do espectáculo é inevitável. A fase de grupos será semelhante à da Liga dos Campeões, com excesso de «população» e insuficiência de talento futebolístico. Pelo sorteio, não será necessário um "expert" para prever quais os países que passarão para a fase seguinte. E tudo isto para que fim?... Não será, com certeza, para o enobrecimento da segunda mais importante competição do mundo, mas sim para tornar mais «apetitoso» o pacote de dividendos para os usuais «proxenetas» de fato e gravata - em alguns casos de saia e lenço de seda - ávidos pela «pescaria» suculenta.

O que tudo isto significa é que estamos perante o fim do tipo de campeonato que não serve apenas para preencher tempo e espaço entre a publicidade televisiva. O tipo de campeonato que galvaniza multidões por esse mundo fora, pela sua beleza, competitividade e imprevisibilidade. Estas considerações que a UEFA desvaloriza desatentamente, é mais do que negligência, é mais do que não compreender tudo o que é mais gracioso do jogo, com beleza sem ímpar, até génio, quando a oportunidade lhe é concedida. É, no final das contas, uma falha de enormes proporções em reconhecer como o futebol melhor pode existir e como tão subitamente se o pode colocar em grave risco.

 

Adenda: já depois de ter preparado este texto, Michel Platini anunciou a decisão do Comité Executivo da UEFA de modificar novamente a estrutura operacional do Euro. A partir de 2020, a competição deixará de ser realizada em apenas um ou dois países e pode vir a ser disputada em 12 ou 13 cidades espalhadas pela Europa. Em termos logísticos, e não só, é de antecipar acrescidas complicações para as equipas, mas ficou por explicar qual o exacto intento desta alteração e os supostos benefícios para os intervenientes e, sobretudo, para o futebol.

 

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