02 Jul 12

A triste e desmedida decisão de Michel Platini e do Executivo da UEFA de aumentar a prova para 24 equipas, destruindo, por essa via, o actual formato que tanto sucesso tem tido, aterrorizou prontamente os mais «cognoscenti» do jogo e, com o passar do tempo, está igualmente a penetrar a consciência pública. Em 2016, na França, todos os candidatos adicionais serão do calibre da República da Irlanda - a única equipa que demonstrou estar fora do seu «milieu» nesta competição - em vez de serem países como a Rússia, a Croácia e a Ucrânia, que apesar de não teram passado a fase de grupos, deram provas de que têm valor para contribuir significativamente para a estrutura qualitativa do Campeonato Europeu. O novo formato implica seis grupos de quatro equipas, com os primeiros dois classificados de cada grupo e os melhores quatro terceiros a qualificarem-se para os oitavos-de-final. O total de jogos passará para 51, comparados aos actuais 31, durante o mesmo período de 29 a 31 dias.

A diluição do espectáculo é inevitável. A fase de grupos será semelhante à da Liga dos Campeões, com excesso de «população» e insuficiência de talento futebolístico. Pelo sorteio, não será necessário um "expert" para prever quais os países que passarão para a fase seguinte. E tudo isto para que fim?... Não será, com certeza, para o enobrecimento da segunda mais importante competição do mundo, mas sim para tornar mais «apetitoso» o pacote de dividendos para os usuais «proxenetas» de fato e gravata - em alguns casos de saia e lenço de seda - ávidos pela «pescaria» suculenta.

O que tudo isto significa é que estamos perante o fim do tipo de campeonato que não serve apenas para preencher tempo e espaço entre a publicidade televisiva. O tipo de campeonato que galvaniza multidões por esse mundo fora, pela sua beleza, competitividade e imprevisibilidade. Estas considerações que a UEFA desvaloriza desatentamente, é mais do que negligência, é mais do que não compreender tudo o que é mais gracioso do jogo, com beleza sem ímpar, até génio, quando a oportunidade lhe é concedida. É, no final das contas, uma falha de enormes proporções em reconhecer como o futebol melhor pode existir e como tão subitamente se o pode colocar em grave risco.

 

Adenda: já depois de ter preparado este texto, Michel Platini anunciou a decisão do Comité Executivo da UEFA de modificar novamente a estrutura operacional do Euro. A partir de 2020, a competição deixará de ser realizada em apenas um ou dois países e pode vir a ser disputada em 12 ou 13 cidades espalhadas pela Europa. Em termos logísticos, e não só, é de antecipar acrescidas complicações para as equipas, mas ficou por explicar qual o exacto intento desta alteração e os supostos benefícios para os intervenientes e, sobretudo, para o futebol.

 

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10 comentários:
De Jans a 2 de Julho de 2012 às 14:39
http://stasis-leonina.blogspot.pt/

Será desta que passa da maqueta?


De Rui Gomes a 2 de Julho de 2012 às 17:59
Desculpe, li o texto que referiu e não compreendo como se relaciona com este meu post sobre a UEFA e o formato do Euro.


De Jans a 2 de Julho de 2012 às 18:04
Pelos vistos não gostou.


De Rui Gomes a 2 de Julho de 2012 às 18:10
Nem sequer opinei sobre o escrito. Apenas não compreendo como se relaciona com a temática do meu post. São duas questões distintas.


De Jans a 2 de Julho de 2012 às 18:22
Nem era propriamente um comentário ao seu post, mas acho que já percebi.


De Rui Gomes a 2 de Julho de 2012 às 19:44
Não sei bem qual é o seu problema afinal. Não sinto o mínimo de dilema em opinar construtivamente sobre qualquer escrito, indiferente do autor. Essas suas insinuações são dispensáveis e apenas porque adora criticar o actual presidente e conselho directivo, fora de contexto, não significa que eu seja obrigado a sujeitar-me aos seus desejos. Percebeu agora ?


De Edmundo Gonçalves a 2 de Julho de 2012 às 14:47
Caro Rui,

Olhe que eu até via a coisa como uma boa medida, na perspectiva de que, com a desagregação do bloco de Leste, há hoje mais países na Europa e o acesso à fase final estava mais dificultado, possibilitando esta medida que a festa fosse ainda mais abrangente.

Passaram-me pela cabeça, obviamente, os interesses dos polvos, mas em contraponto com as vantagens que estava antever, dava de barato.

Admito que a minha perspectiva seja errada, o Rui terá mais capacidade para a análise.

Já quanto à medida de criar uma espécie de Liga Europa de selecções agora anunciada, provavelmente terá a ver com a incapacidade financeira que hoje se vive e a dificuldade em construir estádios, que, como cá, servem para um ou dois jogos e depois ficam às moscas. Mas convenhamos que descaracteriza tudo.

Ctos


De Rui Gomes a 2 de Julho de 2012 às 17:49
Caro Edmundo Gonçalves,

As suas observações são legítimas com as minhas, até porque estas análises - minhas e de outros que acompanham a questão mais perto - são preliminárias, baseadas na informação disponível. A verdadeira «prova dos nove» será o próprio torneio em 2016. Isto dito, a Champions serve de exemplo, porque andam lá muitas equipas de nível inferior, que apenas se qualificam para tal pelo formato «inflaccionado» da UEFA, visando acrescidas receitas. Se analisar este recém-Europeu, poderemos acordar que apesar de alguma discussão sobre o mérito da Grécia, as restante sete selecções são as do topo. Com o novo formato, ó número de participantes aumenta, mas não necessariamente a qualidade. Qual a equipa do topo neste Europeu que ficou de fora, que merecia lá estar ?...,Não me vem nenhuma à ideia. A computação até é simples: no novo formato 16 selecções passarão a fase de grupos. Existe na Europa 16 do topo ?...De qualquer modo, a ideia da UEFA - isto é sabido - apenas passa por criar meios para receitas acrescidas, e muito embora as federações, e através delas os clubes que fornecem as selecções, receberão mais algum, mas os verdadeiros beneficiados serão a UEFA e associados.
Ainda este novo formato não foi posto à prova, já aparecem ainda mais alterações. Tem razão, quando diz que vai descaracterizar o todo, mas está tudo ainda por explicar. Até é plausível que as selecções fiquem baseadas nos seus próprios países e que se deslocarão daí para outros, de acordo com cada jogo dos seus respectivos calendários. Quais vão ser os critérios para escolher as cidades ? etc., etc. . Muito pode ser debatido sobre esta temática.

Cumprimentos.


De Hugo Rocha a 3 de Julho de 2012 às 12:42
Convém explicar a origem da ideia peregrina de dividir o Euro 2020 por não sei quantos países. A razão é esta: Platini meteu a boca no trombone, e dois dias depois de a Turquia ter apresentado a sua candidatura já a estava a apoiar publicamente (o que diz muito da profundidade da análise destas decisões). A consequência óbvia foi a contracção de outros possíveis candidatos (as candidaturas custam dinheiro). Ora, a partir do momento em que alguém se lembrou que a Turquia está na luta pelos Jogos Olímpicos desse ano, tornou-se claro que havia um problema, e que era má ideia colarem-se já a essa candidatura. Como os únicos interessados que ficaram foram a Geórgia e o Azerbaijão, em pânico, surgiu essa ideia magnífica (para quem, como os dirigentes da UEFA) não tem que pagar viagens nem estadias.


De Rui Gomes a 3 de Julho de 2012 às 12:56
Há muitos interesses partidários nos corredores do poder e Platini é o mestre das manobras.


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