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És a nossa Fé!

Aurélio Pereira e a formação do Sporting

Aurélio Pereira, actual coordenador do Departamento de Detecção e Recrutamento do Sporting, com ligação de 40 anos ao Clube, numa recém-entrevista que concedeu ao jornal «leonino», abordou muitas das questões mais pertinentes ao recrutamento e à formação centrados nas operações da Academia. Transcrevo, neste espaço, algumas das suas considerações mais relevantes: 

 

* A estratégia de recrutar em idades mais baixas continua a resultar, mas com uma distinta diferença; enquanto no passado recrutávamos a partir dos 10, actualmente, por força do mercado, passámos a recrutar aos 6. 

 

* O número de jogos observados por fim-de-semana não tem qualquer paralelo com o passado recente. Só para dar um exemplo: nos distritos de Lisboa e de Setúbal, observamos cerca de 90 jogos por fim-de-semana. Para além dos elementos da estrutura principal que lideram o processo, existem, sensivelmente, mais 150 homens que, no restante País, prestam a sua colaboração nesta área de observação. Não é fácil arranjar observadores com total disponibilidade e quase de forma graciosa.

 

* O Sporting, como grande formador que é, promove e transmite os valores e princípios da sua própria mística aos seus discípulos. Aqui e ali pode haver desvios, deste ou daquele atleta, o que é normal nestas idades. Infelizmente, estes tipos de situação são quase sempre provenientes de influências negativas exteriores, fora do nosso âmbito, normalmente maus conselheiros e amigos de ocasião.

 

* Não transformamos um tijolo num violino. No Sporting, só entram dois tipos de jogadores: os talentos e os bons jogadores. Os verdadeiros talentos são aqueles que, na prática, o conseguem provar, tendo que ter, para isso, três qualidades fundamentais: paixão pelo treino, paixão pelo jogo e paixão pela profissão. Esses, encontram-se em patamares superiores, e todos nós sabemos quem são. Quanto a todos os restantes, que são bons jogadores, podem transformar-se em grandes jogadores, com mentalidade apropriada e, simultaneamente, poderemos considerá-los, também, atletas de alto rendimento. Todos aqueles cuja mentalidade não possua estes requisitos, serão sempre atletas de segunda escolha.

 

* Nesta indústria do futebol, o factor económico é decisivo - e a capacidade financeira dos clubes portugueses não é comparável à dos grandes clubes europeus. Bom seria que nós, Sporting, pudéssemos segurar os jogadores que produzimos e, aí, seriamos uma força mundial no futebol. Como isso não é possível, não há outra solução.

 

* Não é possível segurar um atleta que ganha dez mil euros e que tem uma proposta de cem mil. A única solução é gerir esses casos, defendendo os interesses do Clube o mais possível, e retirando o máximo proveito desse tipo de operações.

 

* Ficamos orgulhosos por ver dez jogadores, dos 23 seleccionados por Portugal, formados no Sporting. É, ainda, altamente reconfortante que o Sporting seja o único Clube no mundo que se pode orgulhar de, na mesma década, ter formado dois «botas de ouro».

 

* A equipa B é um espaço competitivo muito importante, porque entre a última fase da formação e o primeiro ano da integração no futebol profissional, há um «cabelo». Um jogador que sai dos juniores está no 12.º ano e, quando chega a sénior, vai para o primeiro ano da faculdade. Não pode pensar que já é doutor. Há muita coisa a aprender. E isso só é possível resolver jogando todos os domingos com regularidade.

 

* Há um dado importante: a equipa B não pode ter a obrigação de ganhar. O objectivo principal é criar um espaço competitivo exigente para os atletas poderem evoluir, onde vários serão apenas seniores do 1.º ano. A II Liga irá ser muito forte e os resultados desportivos podem ser afectados. A nossa massa associativa pode e deve colaborar neste processo de crescimento, apoiando-os.

 

* Sete jogadores feitos no Sporting, em 14 utilizados pelo Paulo Bento no jogo com a Bósnia, é um sinal de que o trabalho da formação do Sporting tem sido bem feito.

 

* Hoje já nenhum clube pode afirmar que chega primeiro aos jogadores, pois não  há nenhum torneio em Portugal, no cantinho mais remoto, onde também não estejam presentes observadores dos nossos concorrentes. 

 

* Mais de 90% da nossa grande equipa de juniores, base da selecção nacional, passou primeiro pela avaliação do coordenador técnico do Estádio Universitário de Lisboa, antes de começar a trabalhar na Academia. Isto acontece com a vasta maioria dos infantis de 2.º ano, que posteriormente transitam para a Academia como iniciados do 1.º ano. O Pólo do Universitário é onde trabalhamos os miúdos dos 6 aos 12 anos.

 

* Quanto à discussão à escala planetária sobre quem é o melhor jogador do mundo, tendo acompanhado o Cristiano Ronaldo nas camadas jovens do Sporting, entendo que ele e Messi são jogadores diferentes. Para mim, o Ronaldo é um jogador mais completo, mas são, de facto, os dois melhores do Mundo. Estive em casa dele recentemente, por convite, e, em conversa, o Sporting vem sempre à baila. Fico satisfeito que ele diga que sofre pelo Sporting. Nesta ocasião, tive a oportunidade de lhe dizer que, para ele, também é bom haver um Messi: é importante porque o obriga a querer ser melhor. Ele concordou. Em alta competição, a concorrência obriga-nos a evoluir, a não facilitar.

 

* Reconheço os valores fantásticos dos elementos que temos. Com 40 anos de Clube, creio que temos sempre de nos colocar na posição de nos sentirmos úteis. Se assim não for, não vale a pena. Foi no Sporting que me formei como atleta, como homem, como dirigente. Aqui conheci pessoas extraordinárias e tenho tentado passar o meu testemunho àqueles que me têm acompanhado. A paixão das pessoas pela formação do Sporting continua a existir, pois enriquecem-se e valorizam-se igualmente em termos pessoais e, como é óbvio, no processo, enriquecem também o Clube. Por isso quero prestar uma grande homenagem a todos aqueles que trabalharam e trabalham no Departamento de Detecção e Recrutamento do Sporting Clube de Portugal. 

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