25 Jun 12

Apesar dos extraordinários talentos à sua disposição, esta Espanha não tem exibido um nível de futebol que causa assombro, pelo menos do calibre a que nos habituou em anos recentes. Não por coincidência, o seu estilo de jogo é uma réplica fiel do que é praticado pelo Barcelona, com uma distinta diferença; não tem no miolo um conhecido argentino para dar seguimento ao seu exasperante «tiki-taka». Mesmo assim, é um temível adversário que não pode, e não vai ser, menosprezado por Portugal. Contrário às teses dos «peritos» cá do burgo, a Espanha, tal como o Barça, é um perfeito exemplo de que o futebol não é um jogo de xadrez onde as peças se mantêm imóveis - num qualquer 4x3x3 ou 4x4x2, etc. - reagindo apenas pelas acções contrárias. O meio campo espanhol, especialmente sem avançados a complementá-lo, é uma constante procura de espaços para receber e prontamente passar o esférico, ao primeiro toque, visando o precioso controlo. Xabi Alonso, Busquets, Xavi, Iniesta e Fábregas são os principais protagonistas desta estratégia, muito embora o excelente atleta do Real Madrid não se veja no seu mais natural «habitat», tanto como médo ofensivo como articulador do «tiki-taka», não obstante a sua ampla capacidade de adaptação. Isto, sem sequer mencionar outro jogador da equipa catalã, o notório Pedro, um dos mais acrobáticos simuladores do futebol mundial, por quem, admito, tenho profunda aversão.

Dispensa-se análise sofisticada para deduzir que a Espanha irá tão longe quanto o seu meio campo a levar e sempre que a prestação deste sector for inferior, por demérito próprio ou por imposição do oponente, a dinâmica e eficácia da equipa sofre. Novamente à semelhança do Barcelona, é um conjunto que joga muito na falta e depende imenso dos critérios benévolos da arbitragem, tanto para amaciar a agressividade da cobertura defensiva do adversário como para assegurar o benefício da dúvida nas lutas de bola dividida. O terceiro jogo da fase de grupos frente à Croácia serve para validar este discernimento - à parte de uma, possivelmente duas, grandes penalidades que ficaram por assinalar - e mesmo perante uma muito inapta França, 90 por cento das disputas de bola que invocaram a intervenção da arbitragem foram decididas a favor da selecção espanhola. No momento em que escrevo, ainda se desconhece o árbitro nomeado para o confronto ibérico, mas não haja dúvidas que existe o potencial para os seus critérios, especialmente no jogo a meio campo, virem a ter vincada influência no desfecho desta meia-final do Euro 2012. 

 

Adenda: Agora que já é conhecida a (suspeita) nomeação do árbitro turco Cuneyt Çakir, veremos o impacto que os seus critérios terão no jogo, mediante o que escrevi neste post há dois dias atrás. É de recordar que quem manda na arbitragem da UEFA é o espanhol Angel Villar e o turco Senes Erzik.


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4 comentários:
De Gajo de alfama a 25 de Junho de 2012 às 15:53
mais um belo texto sobre o Sporting


De Rui Gomes a 25 de Junho de 2012 às 17:10
Como quem lhe encomendou o recado, você deve ser daqules que só vê o sol pelas sombras que faz. O que até não admira, porque os inúteis são sempre os primeiros a criticar os úteis.


De tia altisidora a 26 de Junho de 2012 às 17:01
Es preferible perder con honra que ganar gracias a "favores" arbitrales.......¿traducción futbolística del espíritu del dicho "antes pobre que ladrón"?


De Rui Gomes a 26 de Junho de 2012 às 17:24
Faço minhas as suas palavras. Esperamos que a arbitragem seja competente e isenta. Em princípio, a nomeação deste árbitro turco não é muito agradável e até nem se justifica para uma meia-final, após ter tido uma menos boa prestação no outro jogo do Euro que trabalhou.


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