18 Jun 12
A ver o Europeu (7)
Pedro Correia

Dois jogos pouco inspirados esta noite, com arbitragens de péssima qualidade. Itália e Espanha qualificaram-se para os quartos-de-final do Europeu derrotando respectivamente a frágil Irlanda (2-0) e a infeliz Croácia (1-0). A manchete da Marca, na sua versão digital, diz quase tudo, naquele exagerado tom nacionalista tipicamente castelhano: «Sofremos como nunca, ganhámos como sempre».

Os espanhóis sofreram, sim. Apesar de contarem com o inesperado beneplácito do presidente da UEFA, Michel Platini, que abdicou do seu elementar dever de isenção para exprimir o desejo de uma final Alemanha-Espanha e lamentar que os portugueses tenham eliminado a selecção holandesa. Apesar de terem aquele que é provavelmente o melhor conjunto nesta fase final do Euro-2012. Ambas as partidas de hoje comprovam duas coisas: a partir de agora qualquer adversário estará ao alcance da nossa selecção; o Portugal-Holanda de ontem foi um jogo de grande qualidade, digno de uma competição desportiva de alto nível e muito superior aos que acabaram de ser disputados.

No fundo, algo que deveria fazer meditar todos aqueles que têm estado na primeira linha das críticas à selecção nacional. Comentadores como Rui Santos, que na SIC Notícias continua a destacar-se na utilização dos chavões que já trazia preparados antes do pontapé de saída do Euro 2012. Com frases como estas: "Nós não temos uma grande selecção" (10 de Junho); "Nós não temos uma dimensão de grande equipa"; "Nós já tivemos melhores selecções nos últimos anos"; "Sobretudo ao nível do meio-campo, há muito tempo que não tínhamos tanta falta de bons jogadores" (13 de Junho); "O grupo não é muito homogéneo do ponto de vista qualitativo"; "Esta selecção não tem o potencial que outras selecções já tiveram"; Temos uma boa selecção, não temos uma extraordinária selecção" (17 de Junho).

Uma coisa há que reconhecer: ele é coerente. Critica a selecção quando perde, mas também quando ganha e quando volta a ganhar. Criticou Paulo Bento contra a Alemanha (0-1): "Portugal tinha boa táctica, mas errou na estratégia". E contra a Dinamarca (3-2): "Neste jogo com a Dinamarca estivemos à beira do colapso". E até contra a Holanda (2-1): "Há um certo deslumbramento do Paulo Bento nos momentos em que ganha." Esquecendo já os desbragados elogios que tributou a Carlos Queiroz antes, durante e depois do Mundial de 2010.

Azar do Paulo. Por não se chamar Queiroz.


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6 comentários:
De Rui Gomes a 19 de Junho de 2012 às 00:00
Comentário breve Pedro, para apenas apontar a grande penalidade que ficou por assinalar contra a Espanha, momentos antes do golo. E, este, mais uma vez ao abrigo daquela maldita lei, e inerente interpretação, do fora de jogo de posição. Aliás, muito parecido com o de Bendtner contra Portugal. À parte do que as leis do jogo dizem sobre «tirar vantagem da posição», eu gostaria que um dos peritos da FIFA me explicasse como é que dois jogadores isolados perante o guarda-redes, um deles em fora-de-jogo, não têm influência na jogada, uma vez que a atenção do guarda-redes é, forçosamente, repartida entre eles. A lei, como está, é um absurdo. Por fim, a Espanha não está a mostrar o poderio que se esperava. Veremos, uma vez que eles estão na nossa linha caso se consiga vencer a Républica Checa.


De Pedro Correia a 19 de Junho de 2012 às 01:21
Péssima arbitragem, Rui. Claramente tendenciosa, dando a entender que o desejo do patrão da UEFA será cumprido: assim só um cataclismo afastará Espanha da final do Euro 2012. O Sergio Ramos comete claramente uma grande penalidade. E há mais outra, que também favorecia os croatas, que ficou por marcar. Pelos motivos que aponta, tenho as maiores dúvidas quanto à posição dos dianteiros espanhóis no golo que acabou por ser validado.


De João Campos a 19 de Junho de 2012 às 00:26
Ó Pedro, mas do Platini e do Santos não podemos esperar outra coisa... Que ambos continuem onde estão é que não deixa de me espantar. É esperar que a selecção portuguesa consiga fazê-los engolir uns quantos batráquios - e, se não puder ser a portuguesa, que seja outra qualquer (até os gregos servem).

Apenas vi o jogo da Espanha com a Croácia - e a arbitragem pareceu-me cair muito favoravelmente para os nossos vizinhos. No entanto, o que lhes valeu foi a sorte - ou melhor, a falta dela, se considerarmos o jogo excelente que a Croácia fez. Antes do golo, a equipa espanhola praticamente não tinha construído uma oportunidade decente de marcar. O que, com franqueza, surpreende-me pouco: já em 2010 a selecção espanhola conseguiu a proeza de ser a equipa mais aborrecida de sempre a vencer um Mundial.


De Pedro Correia a 19 de Junho de 2012 às 01:22
Até podiam trocar, João. Ia um presidir à UEFA e ficava o outro a perorar interminavelmente por cá. A diferença seria pouca. Ou nenhuma.


De José da Xã a 19 de Junho de 2012 às 09:23
Amigo Pedro,

Também eu (mea culpa! mea culpa!) não acreditava nesta selecção. E o problema não era do Paulo Bento, mas de algums atletas que me parecerem mais interessados em fazer do palco do Euro um trampolim para outros vôos.
Mas como diz o adágio popular "pela boca (leia-se escrita) morre o peixe", lá tenho que engolir o que escrevi. Mas ainda bem! Creio mesmo que as críticas feitas à selecção Nacional foram quiçá um tónico para os jogadores.
Portugal pode e deve ambicionar chegar mais longe. Mas como já escrevi, a humildade que os trouxe até aqui que não se converta em soberba e deite tudo a perder.
Aguardemos!


De Pedro Correia a 19 de Junho de 2012 às 18:56
A verdade é que os chamados jogos-treino foram lamentáveis, meu caro. Macedónia, Turquia... Mas o importante é a pontaria estar afinada nos momentos decisivos e o conjunto manter-se coeso, como se tem mostrado de jogo para jogo.
E (aqui para nós) quando certos urubus começam a grasnar contra a selecção, fico logo com vontade de remar na direcção contrária. Já foi assim em 2004 e 2006. Eram os mesmos que foram grasnando até ao fim, mesmo com Portugal vice-campeão da Europa e semifinalista mundial.
Um abraço amigo e saudações leoninas, sempre.


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