18 Jun 12

 

Em jeito de análise ao jogo de Portugal destaco dois pontos – a vitória relativamente fácil perante uma Holanda descaracterizada e a legitimidade que esta qualificação dá a Paulo Bento para continuar a ser o seleccionador nacional.

 

Ora vejamos, ao contrário dos últimos dois jogos contra a Holanda, desta vez, não houve lugar para sofrimento. Aliás, mal Van der Vaart enviou aquela bola para o interior da baliza de Rui Patrício, disse para quem me rodeava que não havia motivo de alarme e que o mais difícil seria conseguir marcar o primeiro golo. Depois disso, a vitória estaria garantida. Confesso que cheguei a pensar, ao longo do jogo, numa tareia à moda antiga. Não aconteceu, Ronaldo voltou a estar em grande e com os seus dois golos selou a nossa passagem aos quartos-de-final. Ao cair do pano, aquele remate holandês poderá ter sido um sinal de que a estrelinha da sorte está connosco (juntem isto ao golo do Varela e começa a ser muita coincidência!). Estive durante toda a tarde de ontem a preparar o coração e os nervos para mais um embate com a laranja que se diz ser mecânica, mas que neste Europeu não deve ter ido à revisão. A superioridade portuguesa nunca esteve em causa e esse facto agiganta-nos perante as outras selecções, o que psicologicamente poderá ser um trunfo para nós, visto que nunca tínhamos conseguido eliminar a Holanda de forma tão clarividente e fácil. Ronaldo tratou deles em duas jogadas e poderá ter sido o jogo em que arrancou para a sua grande prestação numa competição de selecções, algo que nunca conseguiu por completo até aqui. Desta vez, o bate-bate coração foi substituído por um jogo tranquilo e sempre controlado.

 

E por falar em tranquilidade, a outra palavra é para Paulo Bento. Um treinador que muito estimo, pese embora o vício que instalou em Alvalade de se festejarem vice-campeonatos, e que merece esta qualificação pelo trabalho desenvolvido desde que assumiu o lugar de seleccionador, apesar das críticas das cassandras do costume. É teimoso até dizer chega e por vezes arrisca muito pouco, é verdade. Porém, é preciso reconhecer que desde que “pegou” na equipa nacional o seu trabalho tem sido uma mais-valia para Portugal principalmente se tivermos em conta o marasmo em que o outro senhor, o ressabiado e manifestamente incompetente para este lugar, deixou a selecção. São compreensíveis as suas palavras após o jogo e a sua visível alegria, pois Paulo Bento sabe que esta vitória garante a legitimidade necessária, aconteça o que acontecer daqui para a frente no Euro, para manter o seu lugar até ao Mundial de 2014. Não obstante a renovação já ter sido tratada antes do Europeu. Depois de ter visto a vida a andar para trás quando soube do grupo de Portugal, Paulo Bento e já agora, todos nós, não podíamos pedir desfecho melhor.


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4 comentários:
De Pedro Correia a 18 de Junho de 2012 às 23:50
Não há duas sem três, Alexandre. Repetiu-se o que já tinha ocorrido no Euro 2004 e no Mundial de 2006.


De Rui Gomes a 19 de Junho de 2012 às 00:07
Muito indica Alexandre, que a equipa está com ele e que lidera um grupo coeso. É de desejar que continue assim. Sempre fui crítico quanto ao seu excesso de teimosia, mas tudo bem quando acaba bem. Torna-se evidente que a Holanda esteve longe do seu melhor neste Europeu, muito, penso eu, por culpa do seleccionador. O nosso jogou com eles tornou-se mais fácil pela qualidade de Portugal e pela magnífica exibição de Ronaldo. Só espero que ele ainda tenha três jogos destes nas suas pernas.


De Frederico Jesus a 19 de Junho de 2012 às 02:41
Caro Alexandre, de facto foi uma belíssima vitória por parte da nossa selecção. Apesar do Ronaldo ter feito dois belos golos, penso que quem "tratou da tosse" aos holandeses foi a equipa.
Portugal tem vindo de jogo para jogo a sedimentar mais o jogo de equipa, com rasgos de individualidade quando é preciso, mas com base num jogo de paciência e de entreajuda.
No entanto esta vitória "fácil" como escreveste, tem várias influências e variantes, a Holanda não tinha consistência defensiva, não tinha ligação nas saídas para contra-ataque, a juntar aos imensos problemas de balneário, portanto há que referir que o mérito da nossa selecção encaixou no demérito (claro está) do nosso adversário.
Portugal conseguiu este resultado e esta exibição com uma equipa que joga de forma aberta que corporiza um estilo de jogo de feições claramente ofensivas com várias debilidades no primeiro terço do campo.
Agora com a República Checa a história será outra, esta por sua vez é uma equipa que joga fechada, na expectativa e Portugal terá de ter a iniciativa de jogo. Estou confiante que passemos mas será um embate diametralmente oposto que não será favas contadas. Mas com o mesmo espírito e qualidade teremos certamente as portas das meias abertas!

Para Paulo Bento, partilho da tua ideia, e saúdo a coragem e a confiança que dá ao nosso ponta-de-lança o Hélder Postiga, este claramente é aquele que oferece mais condições (uma vez que tem experiência e sabe as rotinas) para ocupar esta posição. O Nélson Oliveira tem talento, mas falta maturidade para este tipo de jogos e para esta situação específica. Mas há quem não queira admitir isso (mas essa é outra história).

Uma última ideia que gostaria de partilhar é que a nossa selecção tem vindo a subir de rendimento de jogo para jogo, e penso que é isto que se deseja numa competição destas, ou seja, subida de rendimento proporcional à exigências das fases da competição. E mais uma vez a nossa selecção das Quinas tem feito isto de forma exemplar.

Grande Abraço! E Força Portugal!!!







De João Severino a 19 de Junho de 2012 às 11:45
"Holanda descaracterizada..."? Oo destreinada, leia-se, sem trteinador? O que se viu foi uma Holanda suicida. Então, quem é que joga, depois de estar a ganhar, com 3 defesas tendo um adversário com Ronaldo e Nani nas alas?


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