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És a nossa Fé!

O bombardeamento não pára

António Simões foi um jogador fabuloso que ocupa lugar de relevo na história do futebol português. Sempre foi merecedor da minha  maior admiração e, por mera coincidência e nada mais, tive o prazer de ser seu companheiro de equipa  num amistoso há uns anos atrás. Como outros portugueses antes dele, sentiu agora a necessidade de fazer alvo crítico de Cristiano Ronaldo, como se a pressão em torno do jogador já não fosse suficiente: «Ronaldo expõe-se demasiado à crítica e passa uma imagem de egocentrismo e irresponsabilidade, o que legitima o direito de qualquer português à crítica. Foi uma irresponsabilidade do senhor Scolari dar a braçadeira de capitão ao Cristiano quando ele era tão novo. Para que fique claro, eu nunca critico o rendimento de um jogador. Tenho noção de que há dias melhores que outros. No entanto, há aspectos sobre os quais tenho legitimidade para criticar. Não concordo com os comportamentos que o Ronaldo tem tido na Selecção. Exemplos? Não expressa contentamento quando ganha quando os colegas o fazem. Além disso, não festejar com os portugueses quando os restantes atletas o fazem é uma atitude egocêntrica. Um bom capitão é líder na hora da vitória e da derrota. As críticas não podem afectar. Não faz sentido. Um jogador tem de estar preparado para receber críticas e continuar a fazer o seu trabalho. Era assim comigo. O que acho é que as pessoas devem ter a atitude adequada para que não existam motivos para as críticas».

Tentar compreender a intenção de António Simões e o timing das suas declarações será um exercício de futilidade, com certeza. Para sua informação, enquanto apenas cidadão, o que ele já é há muitos anos, a sua legitimidade para criticar é igual à de qualquer outro, não obstante, pelo seu passado, ter mais fácil acesso à media. Comparar a atenção que ele mereceu durante a sua carreira e a que foca em Ronaldo  agora, nos tempos em que vivemos, é somente fantasista. Serei o primeiro a admitir que Cristiano Ronaldo não terá uma postura primorosa, no contexto das palavras de António Simões, mas é a mesma que sempre exibiu enquanto no Manchester United e mais recentemente no Real Madrid, sem se verificar qualquer prejuízo para esses emblemas por isso, em vincado contrário. É, igualmente, a mesma que o acompanhou ao longo de nove anos ao serviço da Selecção Nacional, com 96 internacionalizações e 32 golos marcados. Nunca o seu profissionalismo, a sua entrega e a sua total disponibilidade estiveram em causa. A maior preocupação, aparentemente, é analisar as suas atitudes sob uma lupa grande angular receptiva ao mais insignificante pormenor. Queremos que ele seja um dos melhores jogadores do mundo, se não o melhor, e em simultâneo, um rapaz com a inocência e afabilidade de um santo. Todos os extraordinários talentos, indiferente da especialidade, têm - terão que ter - uma boa dose de egocentrismo. É parte natural do «make-up», sem o qual, porventura, não seriam extraordinários. Ou aceitamos essa característica do seu carácter ou, então, será melhor dispensar dos seus serviços.

Quanto a António Simões, também é legítimo questionar quanto das sua críticas são assentes nas suas reconhecidas simpatias clubísticas. Dando ao trabalho de pesquisar os arquivos de futebol, seria possível apontar muito mais graves situações em que ele não sentiu a mesma urgência em vir a público criticar. Vem-me prontamente à ideia uma das ocorrências mais insólitas, mais absurdas nos anais históricos do futebol mundial; um capitão benfiquista com a fotografia da filha na braçadeira em vez do emblema do clube. Onde estava, então, a indignação de António Simões?  

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