14 Jun 12

 

Portugal realizou dois bons jogos neste Euro 2012. O primeiro, uma injusta derrota, o segundo, uma merecida vitória, pese alguma oscilação de rendimento em ambos. Dois aspectos menos positivos parecem evidentes, pelo menos na óptica deste observador; o difícil momento que Cristiano Ronaldo está a atravessar, no que à finalização concerne, será apenas isso, um momento menos bom que mesmo os melhores jogadores atravessam ou, então, está a acusar a pressão associada à exigida liderança em campo. Muito francamente, inclino-me mais para a primeira explicação, especialmente considerando que falhou dois golos de forma quase incrível no dia em que foi escolhido o melhor jogador da liga espanhola, superando o seu inevitável rival. Não tenho quaisquer dúvidas que ele vai ressurgir... com golos.

O segundo aspecto, porventura mais preocupante, é a menor solidez e contribuição ofensiva do meio-campo português, onde, surpreendentemente, o jogador mais equilibrado tem sido Miguel Veloso. Raul Meireles muito em baixo de forma, com pouca ou nenhuma criatividade, e João Moutinho a um nível igualmente inferior ao que nos habituou, embora muito lutador. A não existência de um #10 já é, em si, um factor determinante, e se não é devidamente compensada pela eficácia em conjunto no sector, a situação agrava-se significativamente. Não me surpreenderá, minimamente, que Paulo Bento insista com os exactos mesmos onze no terceiro e último embate da fase de grupos frente à Holanda, não obstante existir ampla evidência para repensar o miolo da equipa, por limitadas que as opções sejam.

Por fim, considerando o momento inspirado de Silvestre Varela, nos dois jogos, fica a ideia de que pela substituição de Helder Postiga alguma maior imaginação seria necessária a fim de permitir que o extremo entre mais cedo em campo. Salvo situações de desespero ofensivo como surgiram nestes dois jogos, não se apresenta qualquer outro sistema táctico em que Varela possa ser enquadrado, mesmo admitindo esse desejo de Paulo Bento, algo muito pouco expectável.

Contra a Holanda é de anticipar uma estratégia muito semelhante à que foi utilizada com a Alemanha. Os holandeses necessitam de vencer e de marcar golos, enquanto Portugal poderá ser um pouco mais cauteloso e esperar pelas boas oportunidades. Será neste capítulo que Cristiano Ronaldo numa ala e Nani na outra poderão fazer a grande diferença. Tanto um como o outro já merecem golos e esta será a ocasião ideal para inaugurar o marcador. Apesar de um ou outro lapso, a defesa tem estado em bom nível e é de desejar que Fábio Coentrão recupere a forma que demonstrou contra os germânicos. João Pereira vai continuar mais conservador, com maior preocupação defensiva do que ofensiva. A surgir uma mudança no meio-campo, a opção mais viável seria Custódio a «trinco», não vejo outras soluções no banco.

Partindo do muito desejado princípio que Portugal vai passar à próxima fase, a repetida utilização dos mesmos onze ou doze jogadores esgotará a capacidade física de alguns. Outra preocupação para o seleccionador. Claro, primeiro é preciso lá chegar.


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2 comentários:
De Pedro Correia a 14 de Junho de 2012 às 23:50
No caso do Ronaldo, adianto três explicações, todas elas plausíveis e de carácter complementar:
1. Desgaste: teve uma época invulgarmente cansativa, em dezenas de jogos nos quais fez praticamente os 90 minutos;
2. Pressão: para onde quer que vá, encontra multidões a gritar-lhe 'Messi'. Isso mesmo aconteceu no jogo contra a Dinamarca, como me confirmaram portugueses que estiveram no estádio.
3. Ansiedade: a conquista da Bota de Ouro, que pode fugir-lhe por um triz neste Europeu, está a condicionar negativamente a prestação de CR.


De Rui Gomes a 15 de Junho de 2012 às 00:08
Mais do que plausível Pedro, tudo é realístico. Não mencionei o desgaste por ser um factor evidente. Compreendo a sua irritação sobre o tema «Messi» (ver o meu outro post), mas ao nível que compete tem que saber lidar com isso. Quanto à pressão, mais generalizada, sempre o vi superá-la mas é evidente que algo não está bem. Não sei se José Mourinho já o fez, mas veio-me à ideia de que um telefonema seu discreto, poderia ir longe para recuperar o Cristiano. No que concerne o prémio FIFA, espero que não seja um factor que domine o seu íntimo durante esta competição. Se for, está mal. Estou convencido que este problema será resolvido com um golo ou dois e, muito em especial, se Portugal atingir a fase seguinte. No todo, a minha maior preocupação continua a ser o meio campo e não vejo muitas soluções à mão. Salvo uma vira-volta enorme, não antecipo a recuperação de Raul Meireles ao nível desejado. Pode ser que me engane.


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