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És a nossa Fé!

A ver o Europeu (2)

Aconteceu ao minuto 53 do Espanha-Itália, disputado esta tarde em Gdansk (Polónia). No meio-campo espanhol, Sergio Ramos perdeu a bola, que foi parar por capricho aos pés de Mario Balotelli. O dianteiro italiano que joga no Manchester City passou a ter apenas à sua frente, como obstáculo para fazer golo, o guardião Casillas. Com o jogo ainda empatado a zero, esperava-o daí a instantes um clamor de glória ecoando nas bancadas. Mas algo estranho aconteceu: Balotelli pareceu desinteressar-se do lance. Como se não lhe apetecesse estar ali, como se não quisesse marcar golo. Durante uns segundos, que pareceram uma eternidade, hesitou. E foi então que Ramos, que vinha de trás em corrida desenfreada, corrigiu o erro anterior e retirou-lhe a bola.

Não houve glória para Balotelli. Nem mais lugar para ele na squadra azzurra. O técnico Cesare Prandelli não tardou a mandá-lo abandonar o relvado, ordenando a entrada de Di Natale, melhor marcador italiano do campeonato. E este não entrou em campo com as dúvidas existenciais do colega, filho de imigrantes ganeses que um dia aportaram à Sicília em busca de um futuro melhor. Três minutos depois, Di Natale marcava, mostrando que não havia sombra de temor reverencial dos azuis frente à "fúria" espanhola.

Há momentos capazes de virar um jogo. Prandelli tomou a decisão correcta ao ordenar aquela substituição sem qualquer demora. Consciente de que o futebol que perdura na memória colectiva não é o que resulta da soma de falhanços: é o que resulta da acumulação de êxitos, no espaço e no tempo. A partir daí, e até ao apito final, o jogo tornou-se ainda mais emocionante, ganhou ainda mais qualidade - no plano técnico e no plano táctico. Um verdadeiro jogo de Europeu, como o José Navarro de Andrade já sublinhou aqui. Com artistas como Pilro e Thiago Motta nas fileiras italianas e os nossos bem conhecidos Iniesta, Silva e Xaví do lado espanhol.

Acabou empatado, com Fabregas a marcar para Espanha aos 63', mas não foi um jogo de empatas. Embora os italianos tenham mais motivos para sorrir: há sempre um sabor a vitória quando se empata com a selecção que ostenta os títulos de campeã da Europa e campeã do Mundo. Tudo funcionou afinal como uma eficaz acção de propaganda ao futebol de alta competição. Só mesmo Balotelli parecia deslocado naquele filme.

 

Espanha, 1 - Itália, 1

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