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És a nossa Fé!

Comprem, comprem

Se não circularem, os activos deixam de ser activos. Se não houver movimento de capital não há tesouraria, o negócio estagna e os activos ficam passivos e desvalorizam-se. Além de que não podem ser cobradas as percentagens, o ganha-pão dos empresários.

Se não houver casos do jogo, arbitragens duvidosas, jogadores a reclamarem contra os treinadores, dirigentes lançando farpas obtusas e candidatos derrotados a proclamarem que se estava mesmo a ver, enfim, se não houver campeonato como habitualmente, as folhas de couve dos jornais desportivos fenecem à míngua de chamariz.

É a associação de interesses entre uns e outros que levanta todos os anos pelo verão a tenda de circo das transferências. É um estranho, cheio de equilibristas e palhaços, só com elefantes brancos.

Tomemos o caso de Lelé, jogador brasileiro do Scheiser da Bundesliga. Há dois anos que Lelé foi despachado do Curitiba para a Europa por 1 Milhão. O Scheiser precisa de capitalizar e o seu empresário, o célebre M. Landro, quer dinamizar a sua carteira.

M. Landro é a “fonte” de Valentim Becil, jovem e valoroso jornalista do diário “O Esférico”, que só subirá na carreira se continuar a fornecer cachas ao editor

Num dos cafezinhos que periodicamente tomam, Landro confidencia a Becil: o Desportivo tem enviado olheiros aos jogos do Scheiser para observar Lelé. No dia seguinte “O Esférico” ostenta em gordas: “Lelé debaixo de olho do Desportivo”.

O director do jornal concorrente “Sprint” chama o jornalista Alacre Tino ao seu gabinete e dá-lhe um responso. Como lhe pôde escapar aquela cacha?

Contactados os dirigentes do Scheiser estes garantem que Lelé só sairá por uma verba de 5 milhões, nem menos um tostão. À pergunta de Tino se já receberam alguma proposta, fecham-se em copas: não é ético revelar detalhes do negócio.

No dia seguinte, título do “Sprint”: “Desportivo em negociação por Lelé: 5 milhões em cima da mesa”.

Lelé, a leste disto, quando lhe perguntam, acha que é melhor não estragar o quer que seja e responde taxativamente: “Neste momento só penso no Scheiser”. Mais adiante: “Seria uma honra representar o Desportivo”.

Um exclusivo de “O Esférico”: “Lelé honrado em jogar pelo Desportivo”.

Alarmados, os dirigentes do União, arqui-rival do Desportivo, telefonam a M. Landro: “o rapaz é assim tão bom?”. ”É”, responde o agente, “mas as notícias são uma treta. Por quaisquer 4 milhões ele assina. Para mais o Desportivo está encanar a perna à rã. Despachem-se.”

Os dirigentes do União falam com o Desportivo. Nunca houve qualquer negociação. Lelé só não fica no Scheiser porque entretanto um clube polaco comprou o seu passe por 3 milhões – uma pechincha.

Para a semana parece que Totó, promissor avançado do campeonato búlgaro, está na calha do União.

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