06 Jun 12
 

« Isto não é profissional; anda um país inteiro atrás de uma selecção que passa a vida em festas e mais festas, é um circo autêntico »

-    Manuel José    - 

Observação: Disse isto, entre outras coisas, incluindo críticas aos carros dos jogadores. Não é difícil compreender a má disposição de Manuel José. Primeiro e sobretudo, esta é a sua natural personalidade, a mesma que eu tive a infelicidade de conhecer em duas ou três ocasiões que lidei com ele ao longo dos anos. Segundo, é por de mais evidente que não esquece e guarda enorme rancor por nunca ter tido a oportunidade de ser seleccionador nacional. Muito dessa lacuna no seu palmarés deve-se precisamente à sua personalidade e não à sua já demonstrada capacidade técnica, em diversos clubes. O timing das suas declarações, a quatro dias do primeiro encontro de Portugal no Euro 2012, é lamentável e só pode ser atribuído à essência do homem; rude, carrancudo e de péssimas relações. Não me parece que haja qualquer aproveitamento positivo a extrair disto, mas se acabar por motivar os jogadores, ainda mais, tudo bem. O mediatismo concedido às suas declarações pela comunicação social acaba por ser uma valorização do ridículo, independente da eventual prestação da Selecção Nacional. Se correr mal, inúmeras serão as vozes acusadoras, como é costume, se correr bem, os mesmos que agora criticam serão os primeiros a querer embarcar no comboio das celebrações, à excepção de Manuel José, claro. Sempre foi assim e sempre será.


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12 comentários:
De Duarte Fonseca a 6 de Junho de 2012 às 10:58
"Primeiro e sobretudo, esta é a sua natural personalidade, a mesma que eu tive a infelicidade de conhecer em duas ou três ocasiões que lidei com ele ao longo dos anos."
Meu caro, toda a sua análise está completamente enviesada por questões pessoais.
Porque, se analisadas de forma clara, as declarações de Manuel José não serão assim tão desprovidas de sentido. O que a selecção (toda a estrutura) até agora fez desde que começou o estágio tem sido, de facto, pouco compaginável com um nível de profissionalismo, exigência e concentração que se exige para uma competição desta natureza. Tem sido de facto um circo de vaidades e de variedades. Televisões a acompanhar as refeições, organizações como a que aconteceu no jogo de sábado (ridículas), passeios, dias de folga após exibições miseráveis, jogos de preparação em que não se preparou nada, não se testou nada de novo, e podia continuar...
Como já tenho referido inúmeras vezes, oxalá tenhamos sucesso (o facto das expectativas estarem em baixa poderá beneficiar bastante), mas esse sucesso depende da vontade de vencer de alguns jogadores (Ronaldo, Nani, Pepe, Meireles e Patrício são os únicos com nível mundial) e não da restante envolvência, que muito pouco tem acrescentado para o sucesso da selecção.
Cumprimentos.


De Rui Gomes a 6 de Junho de 2012 às 11:44
Caro Arnaldo Ventura, não confunda as minhas experiências com ele e os meus sentimentos por ele. O Manuel José é como é e eu não lhe reservo qualquer rancor pessoal. Simplesmente sei que as suas opiniões são coloridas pela sua há longo frustração de não ser seleccionador pessoal. O seu uso de alguma razão é anulado pelo timing e por vir a público, tirando proveito do seu mediatismo. A selecção terá ou não sucesso, mas quem é ele ou nós para avaliar minuciosamente os métodos. Em Portugal esta é a maneira de estar, criticar sempre que é possível. Se Portugal tivesse ganho estes dois jogos a feijões estariam todos calados, assim aproveitam o ensejo. Indiferente do que vier a acontecer, eu pergunto porquê tanta polémica por tão pouco e antes da real ocorrência. Ele até criticou os carros dos jogadores em tempos de crise. A pensar, ele deve ter andado estes anos todos lá fora a trabalhar gratuitamente. O dinheiro é deles e compram o que entenderem e ninguém tem o direito de criticar. É a sociedade universal dos nossos tempos. Cumprimentos.


De Hugo Rocha a 6 de Junho de 2012 às 12:31
Ele não criticou a existência dos carros, criticou a exibição deles. Coisas diferentes. E quanto ao circo, também tem toda a razão. A presença permanente de "jornalistas" interessados em descobrir a marca de papel higiénico da selecção, se de folha simples ou dupla, que gel usa o Cristiano Ronaldo ou como está agora o penteado do Meireles ou do Miguel Veloso, não é o tipo de coisa que se veja em equipa nenhuma com um mínimo de profissionalismo. Isso somado a passeios de charrete, jantaradas em restaurantes, treinos abertos com milhares de expectadores, etc., não augura nada de bom.


De Rui Gomes a 6 de Junho de 2012 às 14:20
Salvo isolar a selecção completamente e ignorar a também importante participação pública, é impossível evitar o mediatismo em torno de si. Para agradar ao Manuel José, e a outros com certeza, os jogadores não deveriam conduzir os seus próprios automóveis e deveriam aparecer noutros mais modestos, em segunda mão, etc., e aí o desempenho deles seria superior. É isso que pretende ?...O povo português só está bem a criticar, essa é uma verdade inegável. A outra verdade, na minha óptica, é que se a prestação desta selecção acabar por não ser a desejada, é por não ter qualidade suficiente e não pela sua preparação ou planificação.


De Hugo Rocha a 6 de Junho de 2012 às 16:24
É impossível evitar o mediatismo? De certeza? Quantos clubes há em Portugal com centros de treino com portões e segurança à porta?
Sobre os carros, o que o Manuel José disse foi simples de entender: numa altura em que há um número recorde de pessoas a ter que recorrer a instituições de caridade para não passar fome -- é preciso sublinhar este insignificante detalhe ou vai repetir que o problema é a mania dos portugueses gostarem de criticar? --, a exibição dos Ferraris e Lamborghinis é pornográfica, e terá, como ele disse, repercussões. "Estas coisas pagam-se", julgo que foi a expressão usada. Claro que não cabia aos próprios pensar nisto; duvido que muitos deles sejam capazes de apertar os atacadores sozinhos. Tinha que ser a federação a planear correctamente a preparação. Em vez disso, segue-se à deriva ou, pior, em função estrita dos desejos dos patrocinadores. Ah, sobre isso você escreveu que "existem obrigações comerciais ligadas a «sponsors» que têm que ser religiosamente cumpridas". Primeiro, as obrigações comerciais são as que a federação aceita submeter-se; segundo, a título de exemplo, ainda ontem Roy Hodgson, seleccionador inglês, decidiu cancelar um evento da Nike para que os seus jogadores pudessem descansar. Talvez ajude a esclarecer as prioridades que as federações e os seleccionadores devem ter.


De Rui Gomes a 6 de Junho de 2012 às 17:20
Sinto alguma dificuldade a discussão sobre tudo isto. Para já, cada país tem os seus critérios e métodos de trabalho. Se Roy Hodgson cancelou esse evento haverá alguma consequência relativamente à Nike que não paga milhões a troco de nada. Essa filosofia de fechar a selecção à chave compete aos responsáveis decidir e, para quem andou no futebol a sério, tem prós e contras. Quanto aos carros, é um argumento impossível. Cada um tem a sua perspectiva do estado das coisas e não serei que tentarei modificar esse modo de estar e pensar. Já se sabe que o mundo do desporto profissional está deveras inflacionado e há verdade no argumento de que as remunerações dispensadas são imorais. Mas é como é e pelo planeta fora, não apenas em Portugal. Eu, indiferente da minha condição social, aceito esta realidade de hoje, embora não concordando totalmente, e não estou preocupado a ver os carros que os jogadores conduzem nem compreendo a relevância.A federação alemã levou a selecção a visitar um antigo campo de concentração nazista. Manobra política e com objectivos mediáticos. Todos agem à sua maneira. Em análise final, as palavras de Manuel JOsé atingiram as sensibilidades de alguns portugueses o que não significa que ele tenha sido oportuno com as suas declarações. Tudo está relacionado com o seu rancor por não estar na posição que ele mais aspirava. Queirós, igualmente, nem merce comentário. Cumprimentos.


De Edmundo Gonçalves a 6 de Junho de 2012 às 12:07
Caro Rui Gomes,

Independentemente da sua relação com M.José, que me parece não ter influenciado a sua opinião (eu apenas o conheço de quando era -bom- jogador do União de Tomar e já lá vão muitos anos...), parece-me que o homem, apesar do, diria eu, natural ressabiamento por não ter nunca sido seleccionador nacional, tem razão!
Não quanto aos carros ou como cada um dos jogadores gasta o seu dinheiro, mas quanto ás festas, festinhas e festarolas em que os jogadores andaram nos últimos quinze dias.
Vejamos:
-Há dois programas diários em dois canais de televisão, que, para além de desinteressantes, aborrecidos e sem a mínima qualidade, hão-de perturbar o normal recato exigido nestas situações;
-Houve e continua a haver, diariamente, treinos abertos ao público. Saberá melhor que eu que este tipo de situações não ajuda à concentração tão necessária;
-Almoços e jantares e recepções, nas Câmaras, em empresas, o diabo a sete, também não ajudarão...

Apesar de o meu Clube ser o Sporting, tenho alguma simpatia e vibro com a selecção nacional e sofro quando as coisas não correm bem. Não me parece que tenha sido feito o melhor para que tudo corra bem, antes pelo contrário! daí a minha concordância com as palavras de Manuel José (hoje corroboradas pela eminência parda do C. Queiróz).

Cumprimentos


De Rui Gomes a 6 de Junho de 2012 às 14:39
Caro Edmundo Gonçalves,

Respeito algumas das ideias construtivas que sobem à praça pública, no enanto, penso que estamos a ser excessivamente críticos sobre aspectos colaterais menos significativos, na análise geral. Qualquer que seja a prestação desta selecção dependerá da sua mais ou menos valia em campo. Se não for tão positiva quanto todos nós desejamos, será porque não tem qualidade suficiente. Já houve alguma reconhecida dificuldade em convocar 23, com algumas discutíveis opções. Nada neste mundo, no presente, nos dará um #10 para assumir controlo do meio-campo, nem um ponta-de-lança goleador, que pela sua eficácia resolveria jogos e daria mais espaço aos alas, CR7 e Nani que, então fariam ainda mais estragos. Este é o verdadeiro problema desta selecção, tudo o resto é paisagem.
Quando ao Manuel José, devo esclarecer. Sempre o considerei o melhor treinador português do seu tempo, em tudo menos ao que concerne o seu relacionamento humano, o único factor que o travou de chegar à selecção nacional. As minhas experiências pessoais apenas serviram para confirmar muito do tudo que já constava. Isto dito, não reservo qualquer antogonismo para com o técnico. Indiferente do uso de alguma razão, como já indiquei, há meios, momentos, locais e discursos mais adequados para o tipo de «apreciação» que ele adiantou publicamente. Até pode vir a ter um efeito positivo mas deixa uma má impressão no ar. Pressentido a agradabilidade da ocasião, sirgiu logo Carlos Queirós a fazer mais do mesmo. Se tivesse o mínimo de integridade, estaria calado. Entre muito, nunca esquecerei e nunca lhe perdoarei a sua obscura participação na transferência do Moutinho para o FC Porto. Ele não o convocou deliberadamente para provocar o estado de espírito necessário para o jogador «encostar o Sporting à parede». São todos muito bons, até se aprofundar questões, e eu poderia aprofundar algumas.
Cumprimentos.


De Edmundo Gonçalves a 6 de Junho de 2012 às 15:32
Oh Rui (deixe que o trate assim, mais não seja pela afinidade clubística), de acordo quanto aos considerandos técnico-tácticos e à falta de meios humanos.

Já quanto ao mau feitio do Manuel José (que eu também considero um excelente treinador e o indicado para nós enquanto se procurava), não é Scolari conhecido pelo mesmo?

O problema de M. José e o azar da selecção em não o ter tido, é que ele, desculpe o termo, está-se cagando para lobbys e pintos e whiskys e pneus.

Olhe, neste mundo cão da bola, dá-me prazer ouvir e ver alguém que diz o que quer.
Desculpe a impertinência, mas nem o meu amigo o diz ("São todos muito bons, até se aprofundar questões, e eu poderia aprofundar algumas.").

Já quanto à alimária do Queiróz, não merece o resto da linha...

Cumprimentos


De Rui Gomes a 6 de Junho de 2012 às 15:58
No fundo, caro Edmundo, estamos em acordo quanto às questões fundamentais. Finalizando Manuel José, é de admitir que os lobbies e associados são um problema paa qualquer treinador e não me afronta, pelo contrário, que Manuel José não abrace esse compadrio. No entanto, sei que o Edmundo compreende que ser seleccionador nacional invoca, por natureza, uma determinada finesse na lida com o público e, em especial, com a comunicação social. Manuel José peca neste capítulo e Paulo Bento tem vindo a aprender. Não invejo quem assume esta responsabilidade, porque só satisfaz vencer e a margem para erro é mínima. A última questão, relacionado com um determinado aparato quer da FPF, quer da selecção quer dos próprios jogafores. Muito do público desconhece ou esquece que existem obrigações comerciais ligadas a «sponsors» que têm que ser religiosamente cumpridas. Hoje em dia, a indústria é tão relevante como a prática desportiva e isso por vezes requere recorrer a certas funções, por obrigatoriedade e não por opção. Outro aspecto que não se associa muito à forma de estar de Manuel José. Cumprimentos.


De CP a 10 de Junho de 2012 às 00:19
Com ressabiamento ou sem ele, a verdade é que o Manuel José disse umas verdades. e sim, é porno gráfico e obsceno o mediatismo da futilidade à volta dos "idolos".
Vim agora de Espanha onde estive 5 dias e é curioso verificar que sendo a selecção espanhola uma das melhores do mundo com o palmarés e mediatismo alcançado nos últimos anos, não se vê um décimo da publicidade seja ao europeu ou seja aos craques da bola. nem na tv nem nas ruas com todas as suas formas de publicidade se vê algo parecido com a parvalheira que acontece nas terras lusas. fiquei contente pelos espanóis.


De Rui Gomes a 10 de Junho de 2012 às 00:55
Cada país tem os seus costumes, para bem e para mal. A selecção alemã, por exemplo, permite que os seus jogadores fumem e bebam. O Boateng, na véspera da partida para o Euro foi apanhado numa discoteca às altas horas da madrugada. No entanto, jogou hoje contra Portugal. Tudo o que Manuel José disse foi fora de contexto e apenas por vingança. E, pergunto eu: afinal de contas quem é Manuel José para merecer tanta atenção ?...É um treinador como tantos outros. Por ter lidado com ele, sei em primeira mão que tem uma personalidade muito carrancuda e, por isso, nunca chegou nem nunca chegará à Selecção.


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