30 Mai 12
 
 

Em 2003, a pedido de um clube de futebol amador, organizei uma digressão com cinco jogos amistosos, entre os quais um com Os Belenenses - gentileza do dr. Sequeira Nunes, presidente e António Cascais, vice-presidente - e outro com o Sporting. O conjunto de Belém, então orientado por Manuel José, era composto por jogadores da não oficial equipa B e diversos juniores à mistura. O único nome de relevo que registei foi Rúben Amorim que, por coincidência, tinha marcado um golo ao FC Porto escassos dias antes. O jogo com o Sporting teve lugar na Academia e os 20 jogadores equipados - 16 dos quais utilizados - constavam de um misto de elementos da equipa B treinada por Yordanov, que então militava na II Divisão Nacional, juniores orientados por João Couto e dois ou três juvenis. A supremacia «leonina» nunca esteve em dúvida com uma esmagadora vitória por 7-1. No dia seguinte, a manchete noticiosa mais notável referia aos «super-mini-leões». Já o encontro no Estádio do Restelo foi mais equilibrado, resultando num empate a duas bolas. Passados nove anos, é deveras impressionante verificar os nomes agora sonantes que constituiram aquela equipa do Sporting, incluindo quatro jovens que fizeram parte dos campeões europeus sub-17, alguns que atingiram o topo competitivo, mas também, dolorosamente, aqueles que desapareceram na obscuridão de campeonatos e divisões inferiores, em Portugal e algures no mundo.

 

Mário Felgueiras (Cluj) / Christopher Pilar (outro guarda-redes agora na União da Madeira) / Pedro Cardoso (Cova da Piedade) / Miguel Mateus (Clube Futebol Benfica) / Zezinando (Samut Songkhram da Premier League da Tailandia) / Carlos Marques (Olympiacos Nicosia do Chipre) / João Pimenta (Oliveirense) / Fábio Ferreira (Amora) / Zé Semedo (Sheffield Wednesday da 1.ª divisão inglesa) / Bruno Filipe (Tirsense) / Fábio Paim (Benfica Luanda ) / Emídio Rafael (FC Porto) / Silvestre Varela (FC Porto) / João Moutinho (FC Porto) / Carlos Saleiro (Servette da Suiça) / Yannick Djalo (Benfica) / Miguel Veloso (Génova) / Sabino Fernandes (Real Massamá) / Fernando Ferreira (Os Belenenses) e Nani (Manchester United). Para não destoar, os golos foram marcados por Nani, logo aos 5 minutos, Carlos Saleiro (2), Yannick Djalo, Fábio Ferreira, Fernando Ferreira e João Moutinho, na conversão de uma grande penalidade.

 

No almoço-convívio que teve lugar no mesmo dia do jogo na «Cada vinte e um» em Alvalade, com a presença do presidente, dr. Dias da Cunha e da vice-presidente, dra. Margarida Caldeira da Silva, entre outros, passou-se algo muito estranho, até bizarro. Os visitantes fizeram questão de patentear o seu apreço pela hospitalidade do Sporting, ofertando uma travessa de porcelana com a pintura de um leão, uma antiguidade com cerca de 150 anos, que se encontra em exposição no Museu desde essa data. Consciente da cerimónia que seguiria e antes de chegar ao restaurante, o dr. Dias da Cunha fez saber que o Sporting receberia a oferta, mas não por sua mão. Perante este nada expectável dilema e após longos momentos de visível embaraço, na presença da comunicação social, a peça foi eventualmente aceite pela igualmente perturbada dra. Margarida Caldeira da Silva. O presidente não adiantou qualquer explicação para a sua muito peculiar atitude e ninguém se atreveu a perguntar-lhe. Matéria ainda hoje preservada ao segredo dos deuses.

 

Para ser justo, devo também mencionar que após contactos meus com Luís Filipe Vieira, o Benfica estava igualmente receptivo a realizar um jogo. Este acabou por não acontecer apenas pelo nosso muito congestionado itinerário, mas a comitiva de cerca de 30 pessoas foi convidada a assistir ao primeiro jogo oficial internacional no novo Estádio da Luz (6 de Novembro de 2003), a contar para a Taça UEFA, frente ao Molde FK da Noruega, em que o Benfica saiu vitorioso por 3-1.


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4 comentários:
De pedro oliveira a 30 de Maio de 2012 às 22:10
Excelente «post» e muito relevante o trabalho de pesquisa efectuado.
Exceptuando os óbvios, a maior parte de nós, sportinguistas, teria apostado nessa altura em Fábio Paim, não seria a minha opção; se me perguntassem nessa altura teria apostado em dois miúdos: Zezinando e Emídio Rafael... nem um, nem outro tiveram muita sorte na carreira.


De Rui Gomes a 30 de Maio de 2012 às 22:42
Foi trabalhoso mas valeu a pena. Sou muito metódico e mantenho arquivos das minhas experiências ao longo dos muitos anos no «milieu» futebolístico, aqui, em Portugal e noutras partes. Quanto aos então jovens, é sempre uma icógnita. Recordo-me perfeitamente de estar na Academia a observar os juniores e contrário ao que muitos pensam, o grande craque da fornalha que deu Cristiano Ronaldo não era ele mas sim o Quaresma. Tiveram curso e sorte diferentes. O timing em tudo é importante e não menos na evolução destes miúdos. Por vezes chego a pensar que os sportinguistas pensam que a formação é uma ciência exacta; 4 ou 5 anos na Academia e saiem grandes jogadores. De qualquer modo, já há muito que andava para escrever esta crónica precisamente pelo lote de jogadores que sairam daquele grupo que enfrentou a equipa que levei à Academia. Tenho histórias muito interessantes para relatar e, aos poucos, vou escrevendo sobre algumas.

Cumprimentos.


De pedro oliveira a 30 de Maio de 2012 às 23:10
«Conversava muitas vezes com o senhor Osvaldo, no café Sagres (ainda hoje existe, o senhor Zé, o dono, era um grande amigo do ex-futebolista que morava, precisamente, nesse prédio, uns andares acima).
Muitas vezes as nossas conversas versavam futebol, na altura, Osvaldo trabalhava nas camadas jovens do Sporting, em Alvalade e lembro-me de o ouvir dizer: temos lá um miúdo madeirense que poderia ser um dos melhores jogadores do mundo mas é muito individualista, pouco humilde embora goste de ouvir conselhos, vamos ver, vamos ver...»

in:
http://sportingautentico.blogspot.pt/2011/09/osvaldo-silva-eficacia-dum-eterno.html

Vai ao encontro daquilo que falamos, nem Osvaldo Silva, na altura, acreditava muito em Cristiano.
Lembro, no entanto, um Cristiano puto, como juvenil, num jogo disputado sob intensa chuva, tendo como opositores os miúdos do Estrela da Amadora e o agora conhecido como CR7 marca um um golo picando a bola sobre o guarda-redes amadorense com um remate efectuado do nosso meio campo defensivo, um grande golo, que o puto comemorou, como faz hoje com a camisola do Real Madrid, sorrindo, apontando para ele próprio como que dizendo: «o meu Lamborghini é maior que o teu»


De Rui Gomes a 30 de Maio de 2012 às 23:28
Também tive ocasião de falar com Osvaldo Silva duas ou três vezes e recordo-me bem de o ver jogar.Relativamente ao Cristiano, dizia-me o Mário Lino e o José Manuel Trocato que o «puto» tinha tudo para ser um grande jogador «mas aquele temperamento dele»...Depois contavam-me a história de quando ele atirou uma cadeira a um professor na escola. Via-se que existia talento mas a grande promessa era de facto o Ricardo Quaresma.Sempre lamentei ele ter ido parar à mãos do Ryckard no Barcelona, treinador que não se importava com jovens e não tinha a indispensavel tolerância. Já o Alex Ferguson é outra história e, aí, a sorte grande do Ronaldo.


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