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És a nossa Fé!

Logo à noite

 

foto de Andreas Gursky, Dortmund, 2009

(a célebre e intimidante "Die Wand" no topo norte do estádio do Borussia Dortmund)

 

Hei de ir para o estádio com pés de chumbo, maldizendo 7 vezes a sorte que me fez ser sportinguista. Malvada paixão em literal sentido bíblico, legítima tragédia grega, este sofrimento ao qual nos entregamos como se fosse inevitável e não houvesse a alternativa de ficar em casa descansado a ver o jogo na TV. Não há desafio, destes carregados de eletricidade, em que mal entreveja o céu de chumbo iluminado pelo halo do estádio, não me acometam angústias: o que faço aqui? Porque entrego desta maneira a minha alegria ao que podem conseguir 14 futebolistas?

Quando o árbitro (e logo que bisca nos havia de ter calhado!) apitar o início, hei de desejar que já tivessem passado os 90’ para acabar com aquele sofrimento e desde logo sonho como seria bom marcarmos 3 golos no primeiro quarto de hora, para que o resto da partida fosse uma festa, sabendo que isso não vai acontecer e hei de beber esta taça de veneno até ao fim.

 

Hei de ser constantemente atravessado pelo arrepio dos moribundos quando os outros, infames, ganharem um lance, se aproximarem a menos de 20 metros da nossa baliza, ou marcarem um canto. E se o Polga esquece que já não estamos no ano passado? E se o Onyewu escorrega? E se o Carriço jogar?

Hei de ficar desiludido cada vez que o Capel o Elias ou o Ricky peguem na bola e não fizerem aquele golpe de magia que tudo decide; abre o livro!, grito eu da bancada e eles surdos ao meu tormento.

Hei de ficar prostrado com o nosso primeiro golo, sem forças para exultar, por achar que veio ou cedo ou tarde demais e será efémero se não lhes aplicarmos um golpe que os ponha KO. Como é pequena a alegria dos sacrificados, sempre ensombrada pelo desastre.

 

Se eles, os outros, os infames, marcarem um golo, hei de olhar para o lado estupefacto, para o silêncio dos que me rodeiam, a tentar perceber se aquilo foi verdade e aconteceu mesmo; talvez tenhamos visto mal e a bola foi fora, talvez tenha havido uma falta antes e o árbitro ainda anule aquela desfaçatez.

Se perdermos hei de concluir que aqui está de novo o Sporting do Mirko Jozic, muita parra e pouca uva; se ganharmos hei de fazer contas para os pontos que ainda nos falta recuperar, se empatarmos não saberei o que hei de pensar.

 

Ir ao futebol não é um passatempo, não é um divertimento, é uma provação que haveremos de atravessar. Então porque vais, pergunta-me a minha mulher, sensata e atónita? Porque não tenho outro remédio…

Tomara que já fosse domingo de manhã.

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