06 Mai 12
Porque será?
Jose Manuel Barroso

Independentemente de outros fatores, os resultados do FCP e do Braga estão ligados a realidades, que deveriam fazer refletir os adeptos dos clubes a sul. Primeiro: estabilidade, estabilidade, estabilidade. Segundo, resultante do primeiro: capacidade para seguir, em contínuo, uma linha coerente na definição e constituição dos plantéis, ciclos estáveis de permanência dos treinadores e diretores desportivos, de toda a estrutura de apoio. Terceiro, ainda resultante do primeiro: capacidade crescente de atuar no xadrez do futebol, nomeadamente junto da arbitragem e, até, das equipas adversárias (vide golo que deu os 3 pontos aos arsenalistas). Enquanto os sócios e adeptos dos clubes de Lisboa não entenderem isto e pedirem, sistematicamente, a cabeça de dirigentes e de treinadores, não vamos chegar a lado nenhum. Conhecer como se constrói o sucesso dos adversários, no bom e no mau, é meio caminho andado para o nosso sucesso.

 

PS I: já repararam que a equipa de juniores do Braga já está, também, a discutir os primeiros lugares com SCP, SLB e FCP? porque será?

PS II: apesar de haver razões éticas para contestar o PC, houve alguma onda de auto-vitimização no caso (bem mais grave e documentado) do 'apito dourado'? porque será?


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11 comentários:
De Rui Gomes a 6 de Maio de 2012 às 15:20
Caro Zé Manel,

Há muita verdade no que diz, mas permita-me a seguinte consideração: não conheço António Salvador, nunca privei com ele, mas sou amigo íntimo de um bracarense que é amigo íntimo dele e igualmente ligado ao clube, que me garante que a pessoa é um bom gestor mas que de futebol não percebe patavina. Entre a minha leitura do estado das coisas e conversas desta natureza com pessoas mais directamente ligadas à questão, já há longo deduzi - certo ou errado - que o verdadeiro obreiro em diversos aspectos do sucesso do SC Braga, é Pinto da Costa. Será, então, o caso do aluno aprender com o professor, o que não está errado, mas que ajuda a explicar como o Braga tem passado à margem de quaisquer polémicas com a arbitragem e fez o seu percurso sem obstruções indevidas, enquanto nós andámos inseridos na guerra que nos afrontou, do primeiro ao último dia.
A minha última consideração, que também já vem de longa data, é que tudo quanto PC e os seus associados têm vindo a obrar ao longo dos anos só é possível naquela região do país, por variadíssimos motivos. Nunca aconteceria em Lisboa, não por falta de querer e, de certo modo, até saber, mas as circunstâncias do «milieu» são radicalmente diferentes. O que é que diz o velho provérbio «mais vale ser rei na aldeia do que....


De Jose Manuel Barroso a 6 de Maio de 2012 às 17:16
Caro Rui: o 'segredo' de António Salvador não é ser (por agora...) um grande conhecedor do futebol, como PC, mas sim de ser um bom gestor e de aplicar esse conceito ao futebol. Aprendeu com PC? Decerto, qualquer pessoa inteligente que chegue ao futebol tem muito a aprender com ele. Independentemente dos clubismo, PC é o melhor e mais competente dirigente de futebol dos últimos 30 anos -ele fora, antes, dirigente de secções e diretor do futebol do FCP. António Salvador é um lider, que está fazendo (com tempo e com o tempo) história no seu clube. Estabilidade é o seu segredo e ja repararam quantos e quais treinadores ele soube escolher (Jesualdo, Jesus, Domingos, L.Jardim, etc)? Isso dá bem a ideia que ele não é assim tão ignorante. A carreira do Domingos, no Braga, para além dos méritos do treinador, teve a ver com a forma como AS supriu as deficiências de liderança do técnico. Isso dá ideia de quanto ele aprendeu rápido. SL


De Jose Manuel Barroso a 6 de Maio de 2012 às 17:44
É certo, caro Rui, que os factores democracia, poder autárquico, até demografia e economia das regiões, influiram - e muito - no acesso do FCP e dos clubes do norte ao poder no futebol. Claro que a guerra de afirmação cidade/região versus capital/centralismo deu força à ascenção do FCP. Mas houve um pressuposto primeiro: JMPedroto e Pinto da Costa eram, em 1980, homens da modernidade, ultrapassando em muito as gentes do sul. Depois, conquistaram o poder na Federação, derrubando a coligação tradicional SLB-SCP-CFB, para garantir as suas conquistas. SL


De Jose Manuel Barroso a 6 de Maio de 2012 às 18:00
Terceiro aspecto, meu caro Rui. O evento da democracia e do poder autárquico foram fatores políticos muito importantes, pois potenciaram a multiplicação e a força dos clubes do eixo norte, em detrimento do eixo sul. Os clubes de Lisboa, tal como os do norte, hoje, tinham excelentes equipas, nos anos 50, 60 e 70 e dominavam os campeonatos. Mas mais. Tinham o poder na FPF, o 'sistema' de então era dominado por eles. O que aconteceu, entre os anos de ouro do SCP e do SLB e os do FCP foi uma rotação do poder. E isso possibilitou também ao FCP tornar-se, de um forte clube regional, num grande clube nacional e europeu. É esse o seu estatuto, hoje. SL


De Rui Gomes a 6 de Maio de 2012 às 19:04
Caro Zé Manel,

Apenas uma mais breve consideração, adiantando, no entanto, o meu apreço pela exactidão da sua observação. Muito além de já ter tido ocasião de privar com Pinto da Costa, convívios que me deixaram impressionados pela sua simpatia e amabilidade, há longo que reconheço as suas raizes e, por isso, já disse e escrevi muitas vezes que nestas últimas décadas ele tem sido o melhor, porventura o único verdadeiro dirigente de futebol em Portugal. Não posso concordar com a filosofia que ele adoptou a um determinado ponto, que os fins justificam todos e quaisquer meios, mas compreendo perfeitamente as suas razões. Nunca teria conseguido derrotar o poder do sul (Lisboa) por outras vias. Ninguém melhor que ele se identifica com o quotidiano futebolístico. Mérito a quem o mérito é devido. Quanto a António Salvador, o cenário é um pouco diferente. O nosso mútuo amigo também me confidenciou que, não obstante o sucesso dos seus consulados, ele está saturado do «milieu» e já no último processo eleitoral ele teve que ser quase «forçado» a permanecer. As suas razões são caso para conversa «in loco». Ele é um gestor sábio e soube fazer a leitura do que era imprescendível para o progresso do Braga, nomeadamente a parceria com PC e o FC Porto. No que concerne as escolhas de treinador, a temática é discutível, já que quem tem a obrigação de saber afirma que foram por sugestão imperiosa de PC. Acho que a de Jardim, por exemplo, não deixa margem para dúvidas. A não prorrogação do vínculo de Domingos Paciência é outro. Não acha suspeito que PC tenha ido à Académica recrutar um treinador com cinco meses de experiência, quando tinha à sua mão o Domingos ?...Enfim, questões para reflexão. Ab


De Jose Manuel Barroso a 6 de Maio de 2012 às 20:56
Interessantes essas questões, sim, meu caro Rui. Com mais detalhes eu poderei formular uma opinião. Mas que são interessantes, são. Além do que se não sabe, uma coisa se sabe: AS é um empresário, emporestado ao futebol; PC um dirigente profissional do futebol, o primeiro, a esse nível, creio, do futebol português. O que não émenor no percurso do FCP. SL


De Rui Gomes a 6 de Maio de 2012 às 21:30
Conheço o Domingos desde os seus tempos como jogador e quando me encontrei com ele no início da sua estadia no Sporting senti a tentação de abordar esse foro «proíbido». Não o fiz por uma questão de respeito. Tudo é possível, claro, mas duvido muito que jamais vá parar ao FC Porto, por questão do seu carácter. Nem todos conseguem digerir a «gestão» portista. Recorda-se da estranha reacção de José Mourinho, em pleno estádio, quando venceu a Champions pelo FC Porto ?...Outra questão para conversa «in loco».


De A. Santos a 6 de Maio de 2012 às 15:59
Caro José Manuel Barroso
Quando questiona se houve alguma onda de auto vitimização no caso "Apito Dourado", refere-se a um comportamento de resignação por parte dos clubes de Lisboa, ou à falta de "chá" ou mesmo "vergonha" por parte das pessoas envolvidas no referido processo? É que me parece que estes dois "estados de alma" têm convivido lado a lado nos últimos 30 anos...

Saudações Leoninas


De Jose Manuel Barroso a 6 de Maio de 2012 às 17:22
Meu caro A.Santos: apenas me referi ao facto de não ter havido auto-vitimização para o exterior no FCP. Isto é, o clube fechou-se, blindou-se - o que é uma das razões dos sucessos, as questões resolvem-se em família e pouco transpiram para fora. Com chá ou sem chá, com vergonha ou sem vergonha... é assim. Constatação. SL


De Rui Gomes a 6 de Maio de 2012 às 21:58
Esta blindagem, Zé Manel, não se deve apenas a boa ordem, respeito, qualidade de gestão e perícia futebolística. Ao muito do que se deve, na sua total profundidade, é impossível implementar nos clubes de Lisboa, impune. Sem querer inferir paralelos, o caso de PPC serve como um pequeno exemplo.


De Jose Manuel Barroso a 7 de Maio de 2012 às 00:46
Rui, realmente é assim, faz toda a diferença estar-se em Lisboa ou no Porto (Norte). Eu, que vivi seis anos no Porto e, por junto, 40 em Lisboa creio ter entendido essa diferença. Que tem raízes historicas.


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