04 Mai 12

 

Os elementos que constituem o «movimento de Fátima» reinsistem na cadaverização do futebol nacional, pela mais recente deliberação em Assembleia Geral da Liga sobre o alargamento. Desta vez, com a adenda do sistema de «liguilha» para determinar os clubes que se vão juntar às duas principais competições. A moção foi aprovada com 35 votos a favor, onze contra e uma abstenção. Como já aconteceu pela primeira tentativa, a decisão terá que ser ratificada pela Assembleia Geral da FPF e pelo Conselho Nacional do Desporto, algo que deixa muitas dúvidas quanto à sua implementação.

Um dos principais líderes deste notório movimento é António Fiusa, presidente do Gil Vicente, que alega que o alargamento não vai contribuir para a calamidade dos salários em atraso e irá garantir que «mais dois clubes deixarão de cair ao Inferno». Além da plena falta de sustentabilidade factual quanto ao alargamento, em si, este dirigente ainda vem defender o presidente da Liga, clamando, por um lado, que ele não tem culpa dos salários em atraso, uma vez que só está há três meses na liderança mas, por outro, que «muito tem feito em prol da liga e dos clubes profissionais».

Acidentalmente, claro, omitiu o que  esse «muito» significa, face à inexistência de quaisquer melhoramentos palpáveis. Não ficando satisfeito com estas maquinações, ainda sentiu a necessidade de gritar aos céus que a união dos clubes pequenos é indicativa do «fim do tempo da subserviência aos grandes», bem esclarecido pela eleição de Hermínio Loureiro contra os maiores interesses prosseguindo pela de Fernando Gomes tanto para a Liga como para a Federação «contra os lobbies instalados». É uma afirmação risória, no mínimo, porque se não foram estes lobbies que o elegeram, será melhor iniciar uma investigação penetrante para determinar exactamente como é que veio a ocupar os dois tronos soberanos do futebol português em apenas quinze meses.

Em última análise, só é possível sublinhar a vincada ausência de competência e integridade que prevalece no dirigismo desportivo, estado que impera ser erradicado de uma vez por todas, para evitar a inevitável deterioração de uma situação que já pouco de positivo apresenta. A solução há longo reconhecida passa, indubitavelmente, pela extirpação desses insólitos dirigentes do mapa futebolístico.


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5 comentários:
De Leão Magno a 4 de Maio de 2012 às 09:58
E como se extirpam estes "condottieris suburbanos" (feliz expressão que em tempos usada por António Mega Ferreira), de que o tal Fiúza e o Bartolomeu de Leiria são a actual expressão máxima?..


De Rui Gomes a 4 de Maio de 2012 às 11:49
Bem...o Bartolomeu já há longo que merecia ser alvo de um qualquer processo jurídico, pelas suas diversas actividades nebulosas. Não conheço a vida particular do Fiusa. De qualquer modo, tanto um como o outro serão extirpados através do afastamento dos clubes que representam das competições principais. No mínimo, reduzi-los ao ridículo da sua real dimensão através de mão forte por quem está no poder.


De Rui Gomes a 4 de Maio de 2012 às 15:31
Quando lhe enviei a primeira resposta ao seu comentário ia a «correr» para o escritório e nem tive oportunidade de ponderar bem a questão. Na realidade, a temática é tão extensa e complexa que daria para escrever um livro. Em síntese, diria que o problema necessita de ser extirpado, por definição à raiz, de cima para baixo. Ou seja, a começar pelos líders dos orgãos soberanos, com a implementação de regulamentos rigorosos que não permitam que um qualquer oportunista se aproveite do seu protagonismo num qualquer clube, de maior ou menor dimensão, para usufruir de benefícios impróprios e inverter a boa ordem da modalidade, no seu todo. Claro, tudo isto depende de se ter pessoas competentes e isentas nos locais próprios.
Sem isso, nada é possível. A exemplo da União de Leiria, que se chama um «clube», mas que na realidade é uma empresa particular do sr, Bartolomeu há muitos anos. Nunca ninguém se preocupou a averiguar como é que a sua sustentabilidade tem vindo a ser assegurada com apenas umas poucas centenas de pessoas a assistirem aos jogos. Sempre me constou que é melhor ter qualidade do que quantidade, neste contexto, por conseguinte, é necessário levar a cabo a escolha das maçãs podres através de rigor de gestão e não apenas para «inglês ver». O problema é que o leque de interesses e influências obscuras é vasto e estas têm vindo a dominar o meio. Estranho, por exemplo, que os «grandes», com todo o seu poder, não se manifestem mais abertamente nestas questões. Quem diz eles, também outras autoridades competentes. Enquanto todos não se reunirem à volta da mesa, com paixões clubísticas à parte, e decidirem o que é melhor em prol do todo do futebol, nada se vai conseguir. O sócio e o adepto também se distancia e dá maior preferência aos seus interesses emblemáticos, aos resultados dos jogos e convenientemente fecha os olhos ao resto...«o problema não é meu». Infelizmente, o problema é de todos e afecta todos. Quem é que coloca as pessoas nas pessoas nas posições de poder através dos seus votos ?...É o sócio e o adepto. Bem, esta resposta já é um pouco mais detalhada mas ainda fica longe de solucionar o relevante dilema. É caso para se ir discutindo aos poucos. Cumprimentos.


De Leão Magno a 5 de Maio de 2012 às 11:27
Agradeço a sua resposta pronta, atenciosa e detalhada.
Tenho para mim que o futebol é um microcosmos de ouros vícios muito maiores que continuam a afectar a transparência da vida pública em Portugal e, no fundo, é o reflexo mais acabado de uma cultura cívica (melhor dizendo, da falta dela) que nos trouxe até ao ponto onde nos encontrarmos. Mudar tal “cultura” e as mentalidades que a mesma impõe é o paradigma a seguir, ou seja, é um trabalho para mais um quarto de século, na medida em que os últimos vinte cinco anos, nesse aspecto, deixaram muito a desejar…


De Rui Gomes a 5 de Maio de 2012 às 12:38
Esperamos, de facto, que um quarto de século seja suficiente. Tenho algumas dúvidas mas há que ser optimista. Cumprimentos.


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