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És a nossa Fé!

Novamente o «movimento de Fátima»

 

Os elementos que constituem o «movimento de Fátima» reinsistem na cadaverização do futebol nacional, pela mais recente deliberação em Assembleia Geral da Liga sobre o alargamento. Desta vez, com a adenda do sistema de «liguilha» para determinar os clubes que se vão juntar às duas principais competições. A moção foi aprovada com 35 votos a favor, onze contra e uma abstenção. Como já aconteceu pela primeira tentativa, a decisão terá que ser ratificada pela Assembleia Geral da FPF e pelo Conselho Nacional do Desporto, algo que deixa muitas dúvidas quanto à sua implementação.

Um dos principais líderes deste notório movimento é António Fiusa, presidente do Gil Vicente, que alega que o alargamento não vai contribuir para a calamidade dos salários em atraso e irá garantir que «mais dois clubes deixarão de cair ao Inferno». Além da plena falta de sustentabilidade factual quanto ao alargamento, em si, este dirigente ainda vem defender o presidente da Liga, clamando, por um lado, que ele não tem culpa dos salários em atraso, uma vez que só está há três meses na liderança mas, por outro, que «muito tem feito em prol da liga e dos clubes profissionais».

Acidentalmente, claro, omitiu o que  esse «muito» significa, face à inexistência de quaisquer melhoramentos palpáveis. Não ficando satisfeito com estas maquinações, ainda sentiu a necessidade de gritar aos céus que a união dos clubes pequenos é indicativa do «fim do tempo da subserviência aos grandes», bem esclarecido pela eleição de Hermínio Loureiro contra os maiores interesses prosseguindo pela de Fernando Gomes tanto para a Liga como para a Federação «contra os lobbies instalados». É uma afirmação risória, no mínimo, porque se não foram estes lobbies que o elegeram, será melhor iniciar uma investigação penetrante para determinar exactamente como é que veio a ocupar os dois tronos soberanos do futebol português em apenas quinze meses.

Em última análise, só é possível sublinhar a vincada ausência de competência e integridade que prevalece no dirigismo desportivo, estado que impera ser erradicado de uma vez por todas, para evitar a inevitável deterioração de uma situação que já pouco de positivo apresenta. A solução há longo reconhecida passa, indubitavelmente, pela extirpação desses insólitos dirigentes do mapa futebolístico.

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