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És a nossa Fé!

O anacronismo vigente

Já tive oportunidade de abordar esta temática num dos meus escritos no jornal do Sporting e até já a comentei, brevemente, neste espaço. Vale o que vale, mas muito embora não subscreva um qualquer preconceito sobre a idoneidade de Fernando Gomes, não estou persuadido de que não estamos perante mais um engenhoso conluio destinado ao preeminente reforço dos corredores do poder instítuído. Na origem da contenda, afigura-se um difícil de equacionar «fascínio» pelo gestor portista em diversos cantos da praça futebolística e algures, que o conduziu inicialmente à liderança da LIga em Junho de 2010 e, mais recente, ao trono da Federação Portuguesa de Futebol.

Recuando nos tempos, se alguma coisa a história do nosso futebol nos ensina é que é sempre prudente reservar uma boa dose de cepticismo, até prova em contrário, sobre qualquer «maquinação» que abrange a cúpula portista comandada por Pinto da Costa. Muito por esta consternação, sempre senti imensa dificuldade em aceitar a fidedignidade das alegadas incompatabilidades sobre contratações de jogadores, como a causa fulcral que levou Fernando Gomes à renúncia do cargo de dirigente do FC Porto, após cerca de dez anos de comunhão de esforços e associação íntima com o presidente.

Na realidade, seria mais ajuizado admitir que a ter havido inconciliabilidades incitadas pelo transpor da autoridade e da idoneidade institucional, passíveis de ruptura, esta deveria ter emergido, lógica e moralmente, pese arriscar o paradoxo, antes ou durante o degradante período do notório processo Apito Dourado. A preeminente incoerência só pode nutrir suspeitas consideráveis.

Não obstante o Barão de Montesquieu ter considerado a sisudez como a «armadura dos parvos», não a injuria admitir que o afastamento do então vice-presidente tenha sido idealizado precisamente para posicionar uma figura de «total confiança» no assento soberano do futebol profissional. Com os poderes estatutórios a serem devolvidos à FPF, faz sentido que o escopo veemente tenha sido a recolocação da pessoa para esse organismo. Após cerca de quinze meses na Liga e com o declarado mandato de «abrir caminho para consolidar a profissionalização da gestão do futebol português», os resultados evidenciaram-se pela sua não existência. Aliás, o que se verificou foi mais um muito conturbado período no que concerne os conselhos de arbitragem e disciplina e total improficuidade em quaisquer outras matérias de importância superior.

Abandonada a «obra» perceptivamente incompleta e assumida uma nova responsabilidade de vitalidade transbordante para o futebol português, continuamos à espera de melhoramentos palpáveis. Vivemos em tempos modernos antagonizados por hábitos e valores arcaicos e, muito por isso, os sinais estão à vista, para quem os entender, que Fernando Gomes, por mérito discutível ou anuência apadrinhada, lidera o poder futebolístico instituido e, com ele, perpetua o controlo de Jorge Nuno Pinto da Costa e do FC Porto, pese o reconhecimento tardio de Luís Filipe Vieira e do Benfica.

O Sporting, condicionado pela sua inaptidão de há uns anos a esta parte, faz o seu melhor para navegar as águas turbulentas e minimizar os inerentes danos. Salvo existir algo muito significativo que ilude o domínio público, esta generalizada asserção entoa noções esclarecidamente indiciadas pela estado das coisas. A ausência de relevante discussão nos locais próprios não a invalida.

{ Blog fundado em 2012. }

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