29 Abr 12

 

O futebol pode ser uma metáfora da política. Pensei nisto esta noite, ao ver o jogo das meias finais entre o Barcelona e o Inter, com um Camp Nou cheio de adeptos a incentivar o clube catalão. Durante 90 minutos, o Barça jogou ao ataque, pressionando o último reduto italiano. E chegou a marcar um belíssimo golo, por Piqué. Insuficiente, no entanto, para anular o 3-1 da primeira mão, jogada em casa do Inter.

Sem uma jogada ofensiva, sem um remate à baliza, sem um único avançado, o clube treinado por José Mourinho ganhou o acesso à final com o Bayern de Munique. Só por ter sido eficaz a defender. O espectáculo que deu no estádio foi deprimente. A "justiça" - termo que os nossos comentadores desportivos adoram - do desfecho foi nula. Mas não estamos no reino da estética: como dizia o outro, quem quer espectáculo compra bilhete para a ópera. E também não estamos no domínio da justiça, como se um relvado fosse um tribunal: se estivéssemos, o Barça seria um vencedor obrigatório.

Estamos no domínio dos resultados. Só isso. Mourinho transformou a sua equipa num intransponível muro de betão. Dando mau espectáculo e condenando ao fracasso o futebol de ataque. Mas carimbou o passaporte para a final.

E é por isto que o futebol me parece uma metáfora da política. Não interessa se o espectáculo é feio ou se o desfecho é "injusto".

Só os resultados contam.

Reedito este texto, publicado originalmente aqui. Faz hoje precisamente dois anos.


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7 comentários:
De Rui Gomes a 29 de Abril de 2012 às 10:51
Daí, Pedro, o moto (mais apetecível em inglês): «Winning isn't everything, it's the only thing». Muito por isso, já estou levantado à cerca de uma hora para ver o Real Madrid - Sevilha. Ab


De Rui Gomes a 29 de Abril de 2012 às 11:59
Ainda estou meio adormecido... («há cerca de...»)


De Pedro Correia a 29 de Abril de 2012 às 12:58
É isso, Rui. Não há "ses", não há "justiça", não há "vitórias morais". Só mesmo os resultados contam.


De João Campos a 29 de Abril de 2012 às 18:26
Por acaso aqui tenho de discordar, Pedro. O tal "espectáculo" do futebol a que te referes - a que quase toda a gente se refere, aliás - parece-me a mim um tanto ou quanto enviesado. É certo que também eu gosto de jogos com muitos (e bons) golos, mas se uma equipa como o Inter, a jogar com dez desde cedo, consegue fazer o tal "muro de betão" de que falas e impedir uma equipa como o Barcelona de marcar mais um golo através de um jogo defensivo extremamente bem coordenado, então tem mérito e merece passar. Como mereceu, aliás.

Diria que nestes casos, a emoção reside não nos golos que se marcam (pois não se marcam), mas no acompanhar de uma estratégia defensiva que tanto pode aguentar até ao final como pode ceder no último momento. Ou no acompanhar de um ataque cada vez mais desesperado, à medida que o tempo se esvai e as soluções para marcar aquele golo salvador começam a escassear.

Caso contrário, mais valia as equipas jogarem todas em 1-1-8. Em nome do tal "espectáculo", claro.

Abraço.


De Pedro Correia a 29 de Abril de 2012 às 19:30
Já estranhava que alguém não discordasse, João. Não sei, de qualquer modo, se o desacordo entre nós será assim tão grande. Prefiro boas exibições conjugadas com bons resultados, claro. E, como é evidente, uma equipa também pode dar 'show' com uma defesa intransponível. Mas o meu ponto é mesmo este: em futebol, o resultado está acima de tudo o resto. É por isso que os teóricos da bola, ao perorarem horas e linhas a fio sobre a 'justiça' ou a 'injustiça' dos resultados, passam sempre ao lado do essencial. Um estádio de futebol não é uma sala de audiências de um tribunal.
Um abraço.
(É sempre um prazer receber a visita de benfiquistas civilizados nesta casa)


De João Campos a 30 de Abril de 2012 às 09:49
Estamos de acordo, então. Mas sabes como é, os "comentadores" televisivos de futebol têm de ter alguma coisa para dizer, mesmo que essa coisa seja... rigorosamente nada. No fundo, é mesmo isso: só os resultados contam. A história do futebol está cheia de casos em que equipas francamente superiores se viram derrotadas por contra-ataques fulminantes, lances fortuitos e uma generalizada falta de sorte. E a sorte, como se sabe, também faz parte do jogo, e é alheia a qualquer noção de "justiça".

Aliás, podemos argumentar que se o futebol fosse "justo" não poderia ser um jogo, mas isso já é filosofia a mais para uma Segunda-feira.

(Apesar de benfiquista, frequento o espaço regularmente e com gosto. Já agora, deixa que te diga que gostei muito de ver o Sporting na semana passada - uma excelente exibição, que lamento não ter sido coroada com a passagem à final da Liga Europa)


De Pedro Correia a 30 de Abril de 2012 às 12:15
É isso, João: se o futebol fosse "justo" não poderia ser um jogo. Obrigado pelas tuas palavras. Um abraço amigo.


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