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És a nossa Fé!

Um Sporting blindado

A 'instituição' arguido, feita para proteger o cidadão nos seus direitos de defesa, foi transformada por uma imprensa ao serviço de interesses comerciais e de fontes anónimas em julgamento na praça pública. O arguido é equiparado logo a culpado, apresentado como tal perante a opinião pública e criminalizado moralmente. A função dos media é tambem investigar, denunciar, tornar público o que é do interesse público. Essa é a sua função em democracia (o presidente americano Jefferson já dizia que, se tivesse de escolher entre um governo democrático e uma imprensa livre, escolheria a imprensa livre).  Mas não é função da imprensa julgar, de facto, o cidadão - antes deste ter tido a possibilidade de conhecer a acusação, se a houver, de se defender e de ter um julgamento justo. Se não fosse assim, os cidadãos seriam vítimas de uma qualquer suposta acusação, estariam dependentes do arbítrio e do alarido popular, quantas vezes determinado pela emoção do momento e pela excitação dos media. Os jornalistas, nesta matéria, têm uma responsabilidade particular e estão balizados pelo seu código deontológico - o que nem sempre acontece.

No caso vertente, derivado da situação Cardinal, o Sporting deve ficar tranquilo, mesmo se interrogado, e esperar um aclarar da questão. A preocupação é ética, e estou de acordo com o afastamento de PPC das suas funções por esse motivo. Mas creio que o Sporting deve resistir, de forma sensata, à pressão dos media e dos que lhe fornecem 'informação' debaixo de anonimato. O Sporting tem de se defender e de se proteger, mas não pode estar à mercê de um qualquer caso mediático, antes de um suspeito ser acusado e julgado. Temos um exemplo, que decerto terá pesado nalgumas declarações de Godinho Lopes: ele próprio foi arguido e depois acusado de muitos males, no caso da Expo, para depois ser inocentado e absolvido nos tribunais. Que outro recurso resta aos cidadãos, para defesa da sua honra, se não os tribunais?

Forte como é, o FCP não se deixou abalar, num caso aparentemente bem mais grave, aguentou e viu depois se esfumarem as acusações. Não invejo alguns dos princípios éticos que regem o FCP, mas invejo, sinceramente invejo, a sua capacidade de se blindar, se defender dos seus inimigos, para ficar mais forte. No Sporting não há essa cultura. É tudo volátil, uns senhores começam logo a falar à toa, a pedir escalpes, a tornar o clube mais frágil. Uma coisa é querermos o apuramento dos factos, apoiarmos a justiça no que for necessário. Outra fazermos logo o jogo dos inimigos. Dos externos e... dos internos (uma especialidade muito nossa).

{ Blog fundado em 2012. }

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