Domingo, 20 de Agosto de 2017

A linguagem empregue hoje pelo árbitro Jorge Sousa para com o jogador Vladimir Stojkovic, durante o Real Massamá - Sporting B, deveria merecer por parte do Conselho de Arbitragem da FPF um conjunto de acções de formação destinadas a criar um padrão de comportamento dos árbitros no seu relacionamento com os jogadores de futebol.

O caso é ainda mais grave porque Jorge Sousa foi eleito o melhor árbitro da temporada 16/17, tem as insígnias da FIFA e, no dealbar da referida partida expulsou um jogador da equipa leonina, Abdu Conté, por motivos que os comentadores SportTV não conseguiram descortinar e que, tanto quanto se vai lendo, se prenderiam com "palavras".

É certo que Jorge Sousa, segunda o mesma Estação, já se terá retratado das palavras usadas, em telefonema feito a Luis Martins (treinador do Sporting B), o que certamente será uma atenuante no julgamento que se poderia fazer sobre o seu carácter, mas a verdade é que errou e, tal como o jogador leonino expulso, deveria ser penalizado pela Justiça desportiva.

Mais uma vez se insiste: a maior parte dos problemas resultam da falta de regras e procedimentos. A quem interessa isso? Não acredito que o CA da FPF fique contente com o que aconteceu, considero até elogiável o esforço que têm feito de divulgação do protocolo do Vídeo-árbitro e a justificação das decisões tomadas após as jornadas, mas impõe-se uma explicação de Fontelas Gomes sobre esta matéria.

E o nosso auditório, o que pensa destes acontecimentos?

 

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Depois dos cinco a zero
António Manuel Venda

Adorei o jogo do Sporting em Guimarães, e achei-o tão bom que até dei comigo um pouco frustrado por o resultado não ter chegado a sete ou oito. O jogo aconteceu poucas horas depois de um post aqui em que falei do que poderíamos fazer se tivéssemos de substituir Jorge Jesus (não consigo arranjar alternativas, mas alguma apareceria, se fosse necessário).

Continuo com a mesma opinião. É preciso exigência sobre o treinador, para ver se regressa ao espírito que tinha quando chegou; e com as condições que tem e a fama que transporta consigo só pode haver mesmo essa palavra: exigência. Tenho opinião sobre os jogadores, mas não quero alongar-me aí. Do treinador gostava de ter sempre trabalho, dedicação e também muita ambição. Custa-me vê-lo armado em fraco umas vezes e todo gabarolas noutras, custa-me que fale de excelentes exibições quando os jogos são entediantes e desvalorize exibições como a de Guimarães. Custa-me também as asneiras que diz. Mas o seu lugar não está em causa para mim; se fizer bem o seu trabalho. Se não fizer, nem precisarei de falar: uma trupe de críticos implacáveis há-de aparecer. Como apareceram depois do jogo, em comentários no post referido e em posts de colegas do blogue.

Nesses comentários, lá aparece o que sempre se espera: referência a melancias do vermelho por dentro e verde por fora, traidor, anti-Sporting… E também a nova expressão «cartilheiro». Posts anónimos (uma cobardia) mas também assinados (o que valorizo). Não condicionam a minha opinião. Não sou controlável, digo aquilo que acho. E vou continuar a fazê-lo.

 

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Apoiem o Sporting.
Luís de Aguiar Fernandes

Critica-se a contratação de Mathieu, porque é velho. Dois meses depois, todos se levantam para lhe bater palmas.

 

Critica-se a colocação de Bruno Fernandes atrás de Bas Dost, há dois jogos atrás. Ontem, fizeram-lhe vénias.

 

Critica-se o nosso ataque por não marcar golos. Ontem, cinco no difícil terreno do quarto classificado da última liga. 

 

Que os jornalistas desportivos o façam, eu percebo. Mas que a grande maioria dos sportinguistas sejam bipolares, não. Critiquem quando têm de criticar, e eu também o faço, mas apoiem o Sporting.

 

Lembrem-se: não gostar dos jogadores, do treinador ou do presidente não é razão para não se sentir o nosso clube, que é maior do que qualquer um. 


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Convido-os a analisar, detalhadamente, este vídeo.

As pessoas menos habituadas à subtileza da língua portuguesa vão ouvir ali uns palavrões.

Jorge Sousa manda o guarda-redes para a baliza, "vai p´ra suta da baliza" (a suta é um instrumento que mede os ângulos) diz ainda: "estou a brincar com quem? Trabalho! A brincar com quem? Trabalho!" repete com convicção.

A arbitragem é um trabalho.

Mais à frente, neste jogo, Jorge Sousa expulsa o lateral esquerdo do Sporting com um vermelho directo... por palavras.

Vai p' ó trabalho, Jorge; apesar de tudo o Sporting derrotou os fingidores de Massamá (1-2).


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Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no V. Guimarães-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Bruno Fernandes: 21

Bas Dost: 19

Fábio Coentrão: 17

Gelson Martins: 17

Mathieu: 16

Adrien: 16

Battaglia: 16

Acuña: 15

Coates: 15

Piccini: 15

Rui Patrício: 15

Iuri Medeiros: 14

Jonathan Silva: 7

André Pinto: 6

 

Os três jornais elegeram Bruno Fernandes como melhor jogador em campo.

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Em plena cidade berço da Nação, o Sporting revelou-se (a)fundador das naufragadas pretensões vimaranenses, saqueando reiteradamente as redes da baliza de Miguel Silva, estreando o penta de golos para o campeonato. Perante uma ruidosa massa adepta que imprimiu um vibrante apoio à equipa da casa, os leões souberam circular bem a bola, unir-se, ser solidários (uma equipa) e beneficiaram da sua superior capacidade individual e da extrema inspiração de Bruno Fernandes. Ainda não estavam jogados 3 minutos e já este, ainda longe da área, aplicaria um forte remate que levou a bola a entrar lá onde a coruja dorme, ou dormia, pois foi acordada por este potente e colocado remate que lhe desfez o poleiro do lado esquerdo. Bruno teria ainda, durante a primeira parte, duas soberanas oportunidades de golo que viria a desperdiçar. Bas Dost não, e o placar subiu para 0-3 ao intervalo. 

Na segunda parte, a diferença entre as equipas foi ainda mais abissal. Os leões viriam a ter inúmeras ocasiões de golo, concretizando apenas duas, por Bruno Fernandes (outra vez!!!) e pelo capitão da nau leonina, Adrien Silva. No entretanto, Acuña, Iuri Medeiros, Gelson Martins, Piccini e, sempre ele, Bruno, falhariam outras boas oportunidades. Para amostra do Vitória apenas um equívoco de Piccini que, involuntáriamente, assistiu Raphinha, o qual não conseguiu superar o imbatível Rui Patricio. Assim, em vez de um justo 1-12, tivemos um resultado final de 0-5, o suficiente para nos despedirmos de Guimarães com uma "manita".

O árbitro estava a fazer uma exibição razoável quando, a meio da segunda-parte, começou a "meter àgua", provavelmente por osmose com a claque vitoriana que insistiu em untar Coentrão. É hábito dizer-se que no melhor naperon, perdão Macron, cai a nódoa e assim foi quando Hugo Miguel decidiu dar uma cartolina amarela a Adrien, apenas por este ter evitado atropelar um vimaranense prostrado aos seus pés, pedindo clemência. Já as duríssimas entradas de Celis, sobre Coentrão e o seu calcanhar de aquiles, e Bruno Fernandes (acho que lhe acertou no corpo todo) passaram sem qualquer admoestação. Em vez de consultar o Vídeo-árbitro, proponho que visite o consultório de um bom oftalmologista...

Vamos então aos protagonistas:

 

Rui Patricio - o guardião da virtude leonina continua inviolado. Defendeu com as unhas um remate com selo de golo desferido por Raphinha, mas não consta que daí tenha resultado uma ida à pharmácia. O jogo terminaria com Rui a não voltar a ser importunado, motivo pelo qual não teve "manitas" a medir para atacar um sarrabulho, uns rojões, bem regados de vinho verde, terminando com um bom toucinho que o deixou no Céu, tudo iguarias regionais que ameaçam ser tradição para sossego da nossa alma.

Nota:

 

Piccini - parece que com ele o imprevisto está sempre à espreita. Estava a realizar uma belíssima exibição, subindo com segurança e propósito pelo seu corredor, quase marcando um golo, não fora a boa defesa de Miguel Silva, quando subitamente teve mais uma falha de memória, à semelhança da vivida na Vila das Aves. Ainda assim, e porque Rui defendeu, merece uma boa nota, além de uma receita de Memofante, claro.

Nota: Sol

 

Coates - o Ministro da Defesa continua a controlar na plenitude as Forças Armadas leoninas. Insuperável durante todo o tempo, não permitiu que a sua área fosse invadida por atacantes vimaranenses, ajudado pelo patrulheiro, o sentinela Battaglia que é sempre um descanso para um defesa. 

Nota: Si

 

Mathieu - o gaulês parece que joga de luva branca, com uma "souplesse" extraordinária. É craque, dotado de um pé esquerdo muito bom e resolve a maioria dos problemas com uma aparente enorme facilidade. Além disso, a sua rapidez permite à linha defensiva subir mais uns metros, juntando mais a equipa. Saiu antes do fim do jogo, aparentemente lesionado, pondo em causa a "souplesse" do meu coração.

Nota: Si

 

Coentrão - nas duas primeiras arrancadas pelo seu flanco foi, primeiramente, carregado em falta junto à linha de fundo em lance donde resultaria o segundo golo do Sporting. Seguidamente, assistiu Bas Dost para o 0-3. Ainda teve tempo e engenho para oferecer um golo ingloriamente desperdiçado por Acuña. Defensivamente, teve o melhor jogador vimaranense pela frente (Raphinha), mas nunca lhe concedeu grandes veleidades. A sua melhor exibição até agora.

Nota: Si

 

Battaglia - o homem não dá uma bola como perdida, é uma autêntica carraça. Com ele em campo, os centrais jogam de cadeirinha. Na sua presença, o único que faz "farinha" é ele: mói e mói e mói, tanto que até dói (aos adversários) só de ver. Atente-se ainda para um importante passe de ruptura que isolou Coentrão pela esquerda, em lance donde resultaria o terceiro golo leonino, desmentindo as criticas de excessiva lateralização.

Nota:

 

Adrien Silva - menos exuberante que o seu colega de meio-campo, foi subindo de produção ao longo do jogo, começando a entrar no ritmo certo das jogadas e marcando o último golo após uma gloriosa jogada de tique-taque de toda a equipa, um hino à escola de Formação do clube, lance em que estiveram também, em particular evidência, Gelson e Iuri. Queremos mais deste Adrien, o nosso capitão.

Nota:

 

Acuña - começou na esquerda, mas a meio da primeira parte mudou-se para a direita. Assistiu Bas Dost para o segundo do dia. Falhou incrivelmente, na segunda-parte, uma finalização. Mais letal na bola parada do que em jogo corrido, foi substituido por Iuri Medeiros por volta da hora de jogo.

Nota: Sol

 

Gelson - simétrico de Acuña, começou na habitual faixa direita, mas cedo partiu para a esquerda. Deu literalmente cabo dos nervos ao lateral vimaranense, passando-o vezes sem conta, por dentro e por fora, como uma enguia. Tem de definir melhor e não pode falhar um golo isolado perante o guarda-redes.

Nota:

 

Bruno Fernandes - a melhor qualidade de remate vista em relvados portugueses desde Carlos Manuel e Maniche (o que não era alto, louro e tosco). Alia essa característica a uma visão esplêndida do jogo, que lhe permite tomar quase sempre a opção que a equipa precisa, guardando ou passando a bola ou arrancado com ela em drible ou em profundidade. O debate sobre a sua melhor posição está concluido. O veredicto é: qualquer uma, desde que jogue. O melhor em campo.

Nota: Dó Maior

 

Bas Dost - duas oportunidades, dois golos. O que mais se pode pedir a um ponta-de-lança? À atenção da Porto Editora, incluir, numa próxima edição, um novo verbo que seja sinónimo de marcação de golos: Dostar. Ontem, não destoou, dostou 2 vezes. Ele dostou e o adepto gostou!

Nota: Si

 

Iuri Medeiros - substituiu Acuña e desta vez aproveitou a oportunidade que Jesus lhe concedeu. Falhou um golo fácil, pós assistência de Gelson, mas redimiu-se ao assistir Adrien para o quinto. Pareceu mais solto e menos preocupado em querer mostrar logo tudo, provavelmente porque lhe deram um pouco mais de tempo de jogo (30 minutos).

Nota: Sol

 

Jonathan - substituiu Coentrão já com o jogo resolvido e não comprometeu, envolvendo-se nos movimentos atacantes, sem necessitar nem da garrafa de oxigénio, nem do desfibrilhador que habitualmente partilha com Bruno César.

Nota:

 

André Pinto . muito pouco tempo em jogo para uma avaliação.

Nota: -

  

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes

 


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Ofuscados todos pelos 5-0, uma barriguinha cheia como há muito se não via, talvez não tenhamos percebido que nas camadas jovens obtivemos boas vitórias na respetiva jornada inaugural.

Em juniores vencemos o Alcanenense por 2-0. E em Juvenis tivemos uma vitória folgada por 5-0 frente ao Caldas. Lembro que na época transata, apenas não fomos campeões em iniciados. 

Em breve teremos o futsal, o hóquei, o andebol e o voleibol, já no nosso pavilhão. E as leoas, que são um grande motivo de orgulho para todos os sportinguistas, começam a sua participação no mais alto escalão europeu na próxima semana. Não se esqueçam e marquem nas vossas agendas o dia 3 de setembro para irem a Coimbra para apoiar o Sporting feminino na luta pela Supertaça. Depois da inesquecivel final do Jamor, a Supertaça.

Cultura de vitória, com esforço e dedicação. Na próxima 4a feira teremos o jogo da época, contra o Steua de Bucareste. Se mantivermos a classe e a competência demonstradas hoje contra o Guimarães, então acredito que a fase de grupos da Champions está ao alcance do Sporting. Importante pelo encaixe financeiro que permite e pela montra para o mercado que possibilita. Citando uma figura histórica, "eu acardito". Bom domingo 


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Nenhum sportinguista nos melhores pensamentos julgaria que o Sporting passaria por Guimarães com tamanha felicidade e facilidade. Mas o futebol é mesmo assim... uma caixinha de surpresas.

Posto isto coloco a questão: quem foi para vocês o melhor em campo neste fim de tarde?

Fico à espera das vossas respostas.

 


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Foi provavelmente o melhor jogo do Sporting até agora no ano civil em curso. Correu tudo bem nesta deslocação da nossa equipa ao estádio do V. Guimarães, onde não ganhávamos desde 2013.

Saímos de lá com uma goleada: cinco golos sem resposta. Continuamos com a nossa baliza invicta ao fim de quatro jogos oficiais na nova temporada.

O triunfo desta noite começou a ser construído logo aos 3' com um grande golo de meia distância marcado por Bruno Fernandes, que bisou na segunda parte: foi ele o melhor em campo.

Também Bas Dost fez o gosto ao pé (e à cabeça) marcando dois golos. Leva já três na contabilidade oficial do campeonato: um por jogo, mantendo a média da época passada, em que foi o goleador da Liga.

Nem parecia a mesma equipa que empatou em Alvalade frente ao Steaua na terça-feira. E Jorge Jesus até não mexeu muito no onze titular: limitou-se a trocar Podence por Bruno como médio mais avançado, mandando Adrien e Battaglia jogarem mais próximos e invertendo as habituais posições em campo de Acuña (que jogou no corredor direito) e Gelson Martins (que alinhou à esquerda), potenciando as nossas manobras ofensivas pelo corredor central.

Continuamos na frente do campeonato. E agora mais convictos de que passaremos a pré-eliminatória da Liga dos Campeões no decisivo jogo de quarta-feira em Bucareste.

 

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RUI PATRÍCIO (7). Manteve a nossa baliza novamente intacta - pelo quarto jogo oficial consecutivo. Um semideslize prontamente corrigido não chega para ensombrar uma boa exibição. Transmite segurança à equipa.

PICCINI (5). Estava a rubricar talvez a melhor exibição desde que chegou ao Sporting, sobretudo na vertente defensiva. Mas um péssimo atraso de bola que quase resultou em golo adversário, aos 57', revelou desconcentração inaceitável.

COATES (7). Maturidade, confiança, capacidade de comando no sector que lhe está confiado: o internacional uruguaio voltou a revelar tudo isto. Um pilar defensivo.

MATHIEU (7). Ganha todos os lances aéreos que é chamado a resolver. E tem precisão no passe e rapidez de execução - características que já fazem dele um elemento  imprescindível do nosso reduto mais recuado. Magoado, aos 84' deu lugar a André Pinto.

FÁBIO COENTRÃO (8). A melhor partida do ex-titular do Real Madrid desde que chegou ao Sporting. Foi um lateral dinâmico e criativo, sobretudo na primeira parte, com grande influência na manobra ofensiva da equipa. Conseguiu o livre que gerou o segundo golo e fez assistência para o terceiro. Saiu aos 78'.

BATTAGLIA (7). Não se limita a tapar bem o acesso dos adversários à nossa grande área nem a transportar bem a bola: também já faz lançamentos à distância com qualidade. Foi assim, num passe longo, que originou o nosso terceiro golo.

ADRIEN (7). Hoje combinou muito bem com Battaglia: a combatividade de ambos somou qualidade à dinâmica colectiva da equipa e foi essencial para ela. Exibição coroada com um toque suplementar de classe, ao assinar o quinto golo.

ACUÑA (6). Jogou "de passo trocado", actuando hoje pelo flanco direito - posição a que não está tão acostumado. Continua a marcar bem as bolas paradas: num desses lances, um livre em jeito de canto mais curto, assistiu Dost para o segundo golo leonino. Pena ter falhado depois um remate decisivo, com a baliza à sua mercê, atirando para a bancada. Substituído aos 62'.

GELSON MARTINS (7). Exibição um pouco mais apagada do que é habitual no primeiro tempo. Mas no segundo voltou a ser o jogador a que nos acostumámos: desequilibrador, veloz, com fintas estonteantes - desta vez pela ala esquerda. Teve intervenção decisiva no melhor lance colectivo do desafio, aos 85', culminado no quinto golo.

BRUNO FERNANDES (9). Foi titular, actuando entre a linha média e Bas Dost no eixo do terreno, e cumpriu de forma exemplar a missão. Desde logo com um pé canhão: aos 3', colocou a equipa a ganhar rematando com força e colocação a longa distância da baliza. Marcou outro golo, o quarto do Sporting, em moldes idênticos. E ainda levou a bola a embater na trave. O melhor em campo.

BAS DOST (8). O homem-golo está de volta - alguém duvidava? Elevou-se de forma exemplar, cabeceando para o melhor ângulo na sequência de um livre. Depois recebeu de Coentrão um centro bem desenhado, rematando para golo. Em quatro minutos, ampliou a vantagem leonina de 1-0 para 3-0. Tranquilizando de vez os adeptos.

IURI MEDEIROS (6). Substituiu Acuña aos 62'. Manteve a dinâmica da equipa, integrando-se bem no colectivo. Bom nas bolas paradas. Assistiu Adrien para o quinto golo. Podia ter marcado ele também, aos 79', mas atirou por cima.

JONATHAN SILVA (5). Rendeu Coentrão aos 78', sem o brilhantismo do colega, numa altura em que ao Sporting só interessava segurar a larga vantagem, doseando o esforço. Mesmo assim, ainda participou na construção do lance do quinto golo.

ANDRÉ PINTO (-). Estreia oficial do ex-central do Braga como jogador do Sporting. Substituiu Mathieu aos 84'. Escasso tempo em campo, não justificando classificação.


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Sábado, 19 de Agosto de 2017

Gostei

 

Da vitória categórica em Guimarães.  Desde 2013 não vencíamos ali. Desta vez rompeu-se a tendência: ganhámos por 5-0 no estádio D. Afonso Henriques, com golos de Bruno Fernandes (2), Bas Dost (2) e Adrien. Primeira goleada da época numa partida que dominámos do princípio ao fim. E estivemos mais perto de marcar o sexto do que o V. Guimarães de marcar o primeiro.

 

Da dinâmica da nossa equipa. Entrámos em campo com muita intensidade, rapidez de movimentos e uma clara vontade de resolver a partida ainda antes do apito para o intervalo. Objectivo concretizado em pleno.

 

Da organização colectiva do Sporting. Aos 85' desenhámos aquela que foi provavelmente a melhor jogada do desafio, confirmando o excelente entrosamento dos nossos jogadores. Com Bruno Fernandes a iniciar o lance ofensivo, deixando a bola para Jonathan que a endossou a Gelson e este a centrar para Adrien, que remeteu a Iuri e este a devolvê-la ao capitão leonino, que fuzilou a baliza vimaranense. Futebol de ataque em estado puro.

 

De estarmos a ganhar por 3-0 antes da meia hora. Uma diferença folgada que nos permitiu gerir a vantagem e poupar algum esforço para a decisiva partida de quarta-feira, em Bucareste, frente ao Steaua.

 

De continurmos sem sofrer golos. Quatro jogos oficiais, com balanço muito positivo: oito golos marcados e nenhum sofrido. Sinal de robustez, maturidade e competência da nossa defesa.

 

De Bruno Fernandes. Autor de dois golos à meia-distância, o primeiro marcado logo aos 3', o outro quando iam decorridos 60'. E ainda rematou à barra, aos 80'. Fez toda a diferença, desbloqueando a partida nos minutos iniciais e revelando-se fulcral na manobra ofensiva do nosso corredor central ao preencher da melhor maneira o espaço entre linhas. Foi a grande figura deste desafio, preponderante na construção do jogo leonino.

 

De Bas Dost. O holandês pôs fim ao breve jejum voltando aos golos. Marcando primeiro de cabeça, na sequência de um livre, aos 21', e pouco depois de pé direito, assistido por Fábio Coentrão, aos 24'. Grande eficácia do nosso ponta-de-lança, que retoma a média de golos da época passada: à terceira ronda, leva três marcados.

 

De Fábio Coentrão. Melhor partida do lateral esquerdo desde que veste a camisola verde e branca. Sempre em jogo, sempre acutilante, subindo sem complexos no terreno. Foi ele a sofrer a falta que originou o livre de que resultaria o nosso segundo golo. Foi ele a assistir Bas Dost para o terceiro.

 

 

Não gostei

 

Do V. Guimarães. Não parecia a equipa que há três anos nos derrotou em casa por 3-0. Nem a que conseguiu empatar 3-3 (embora com um golo mal validado) na época passada. Nem sequer aquela que nos venceu 3-0 em Rio Maior, durante a pré-temporada. Há nove anos que o V. Guimarães não sofria uma derrota tão pesada no seu estádio. Absolutamente irreconhecível.

 

Das oportunidades de golo desperdiçadas. Marcámos cinco, mas ficaram mais alguns por marcar. Registei, por exemplo, falhanços de Acuña aos 56' e de Iuri Medeiros aos 79' - ambos em posição frontal, a escassos metros da baliza.

 

De Piccini. Quase ofereceu um golo de bandeja ao Vitória com um atraso disparatado a Rui Patrício, aos 57'. Foi o elemento com prestação menos positiva num onze quase sem falhas.

 

Da lesão de Mathieu. O central francês, novamente com uma grande exibição, viu-se forçado a sair aos 84', dando lugar a André Pinto - finalmente em estreia oficial pelo Sporting. Oxalá recupere a tempo do jogo de Bucareste.

 

De ver os adeptos vimaranenses atirarem garrafas de água a Coentrão. Atitude inadmissível por parte de uma massa associativa que o país futebolístico se habituou a respeitar.


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E se for preciso escolher?
António Manuel Venda

E se for preciso escolher um sucessor de Jorge Jesus, o treinador que ontem disse que se ganharmos em Guimarães hoje e em Bucareste a meio da próxima semana «não ganhamos nada»? Que opções temos? Dou voltas à cabeça e a verdade é que não sei. O que sei é que não me agrada nada de cada vez que ouço Jorge Jesus a falar à comunicação social (faz-nos corar de vergonha). E também sei que deixa muito a desejar a forma como a equipa é posta a jogar, com o treinador a dizer maravilhas das exibições (quais?), já para não falar da desastrosa gestão do plantel. Será que Jorge Jesus ainda vai a tempo de mudar? Será que indo a tempo quererá mudar? E terá futuro como treinador saindo do Sporting?

 


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É sempre um bom momento para pensar e partilhar no blogue, o exercício interior que a madrugada nos permite. Dias de convulsão, onde a par da tragédia do terrorismo, aqui tão perto, temos a tragicomédia da administração Trump - só coisas que nos ralam -, a observação do estado de espírito de muitos Sportinguistas, nas redes sociais em especial, dá que pensar. Não há como nós para tudo questionar e pôr em causa, mesmo que, ou sobretudo, a procissão ainda vá no adro. Ainda nem cumprida que está a terceira jornada, e já se vaticina o pior. Calma. A equipa ainda não está a corresponder à expetativa coletiva, eu diria até à ansiedade generalizada, mas estamos no início. Nem se ganhou nem se perdeu nada.Temos de dar tempo ao tempo, de nos dar o benefício da dúvida. Há, sobretudo, um fator muito importante que precisamos de interiorizar. O Sporting precisa de unidade à volta da equipa, dos adeptos, do clube em geral. Se queremos vencer, temos de afastar uma certa bipolaridade emocional. Bem sei que pessoas com responsabilidade falam demais, ou fora de tempo. E que por vezes mais valia estarem calados. Mas a tentação do microfone à frente... Sou dos que acredita, sobretudo na nossa força e na nossa superioridade, a vários níveis (eles não gostam de ouvir... e querem calar-nos...eles!). Não é por acaso o tratamento noticioso que nos dedicam e as decisões disciplinares cirúrgicas para nos enfraquecer. Mas nisso devemos encontrar forças, resistências, engrandecermo-nos. Sendo um exemplo. Acredito no nosso lema, nas nossas cores, nos nossos atletas das várias modalidades, não entro em crise só porque empatamos um jogo. Vibro no andebol, no futsal, no ciclismo, no ténis de mesa, no judo, na natação, no atletismo, no goalball, etc., no masculino e no feminino, nos jovens e nos seniores. E na nossa obra social, na IPSS Leões de Portugal. Apenas porque o Sporting Clube de Portugal é tudo isso. Aquém e além mar. Sim, logo vamos vencer em Guimarães e dia 3 de setembro lá estarei em Coimbra para apoiar as leoas na supertaça de futebol. Se cada um de nós der mais um pouco de si ao clube, a fasquia da exigência sobe relativamente a todos os que nos representam, impondo-lhes mais esforço e mais dedicação. No alto da madrugada fica este pensamento. Temos de ter cultura de vitória, sim, e de conviver mal com a derrota, mas também espírito de unidade e de coesão à volta do clube, como temos demonstrado nas bancadas.Todos, sem exceção. Acreditar e ter esperança. Afinal temos tanta coisa para ganhar esta época!

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Jorge Jesus é o líder da equipa de futebol do Sporting. Um líder é, primeiramente, um gestor de recursos humanos. No Sporting, estes significam um custo anual superior a 60 milhões de euros.

Hesitei em escrever esta peça hoje. Amo o meu Sporting, quero o melhor para o meu clube, acredito que os sócios, adeptos e simpatizantes do Sporting são os melhores do mundo, mas, por um lado, tenho receio da jornada dupla que se inicia amanhã, por outro que as minhas palavras sejam mal interpretadas.

Já disse inúmeras vezes que seria incapaz de escrever com uma agenda secreta - considero isso profundamente desonesto intelectualmente -, que apoiei anonimamente, como tantos, Bruno de Carvalho desde a primeira hora, quando nenhum dos meus amigos estava com ele, e que não conheço nem pessoalmente, nem institucionalmente (nem tinha de conhecer) qualquer membro da direcção/administração do clube/SAD.

Não tenho, por isso, qualquer informação privilegiada pelo que aceito o risco de as minhas reflexões, que convosco partilharei, poderem vir a ser consideradas especulativas. Ainda assim, farei uma interpretação baseada naquilo que resulta de informações que, aqui e ali, vão saindo na imprensa e que são do conhecimento geral.

Depois de uma extraordinária época de 15/16, o que é que correu mal no ano passado e quais os meus receios para esta temporada? 

Antes do fecho do mercado de Agosto, foi noticiado, até pelo próprio, o interesse de Adrien em aceitar o convite do Leicester. Sendo o 1º capitão, julgo que este episódio teve algum impacto na equipa. Mas, o pior estava para vir: no rescaldo da infeliz derrota em Madrid, epíteto que só pode ser atribuido devido à surpreendente e superior exibição conseguida (mérito de Jesus), o treinador, que no decorrer do jogo havia sido expulso, produziu a afirmação de que "com ele na zona técnica, a equipa não teria perdido". 

Um líder deve estabelecer uma linha de comando e deve descentralizar poderes. Assim, na sua ausência e mesmo na sua presença, deve dar "empowerment", em primeiro lugar, aos seus adjuntos. Ao transmitir que com ele não teríamos perdido transmitiu um sinal muito negativo sobre a competência da sua equipa técnica, a sua primeira linha de condução do grupo de trabalho.

A segunda linha de comando é a do balneário. Os capitães e os jogadores com mais protagonismo na equipa são os naturais líderes, os quais tanto podem ser uma grande ajuda para o treinador como constituir-se como uma enorme dor de cabeça. A dado momento e referindo-se a Slimani, o treinador afirmaria que a sua opinião (dele, argelino) valeria "bola", a dele (Jesus) é que seria importante. Estes excessos de Jesus merecem aqui um aparte: ser autoconfiante é ter a convicção de que, com mais ou menos trabalho, com dispêndio de mais ou menos massa cinzenta, eu, perante um problema, vou conseguir encontrar a solução. Outra coisa completamente diferente é ser arrogante, prepotente ou autoritário e tratar assim um dos jogadores mais importantes. É evidente que os jogadores não gostam de ver isso, como certamente não gostarão e, admito, não perceberão porque é que três jogadores titulares da época passada se encontram a treinar à parte. Refiro-me concretamente aos casos de Bryan Ruiz, Schelotto e Zeegelaar.

Quando a imprensa nos diz que todos os capitães de equipa pediram para saír ficamos sem saber se isso obedece a legitimas (desde que respeitem o clube) aspirações de darem mais um passo na carreira (afirmação que a mim me faz confusão estando eles no melhor clube do mundo) ou se existe um ambiente de crispação com Jesus, o que por vezes transparece nos jornais, embora não saibamos se essas noticias não são encomendas dos nossos concorrentes.

De uma maneira ou de outra, aqui, julgo eu, reside o maior problema. Se os restantes jogadores da equipa se apercebem que os colegas com maior autoridade querem saír, quem controla a exigência para com o clube e quem garante a integração dos novos recrutas e o saudável ambiente no balneário?

Jesus esteve quase a ganhar o campeonato. Se o tivesse conseguido seria hoje, provavelmente, um deus em Alvalade e estas situações seriam relativizadas, até porque os jogadores trocariam na sua cabeça o autoritarismo do técnico pela autoridade de lhe reconhecerem mérito e competência no "título"- porque Jesus pode ter poder, que lhe é conferido pela administração, mas autoridade é outra coisa, é quando os que lideramos nos reconhecem e eu não estou certo que isso, neste momento, seja real - mas, como tantas vezes no meu querido Sporting, a sorte foi-nos madrasta e Jesus não soube adaptar-se à má fortuna. mantendo o seu estilo habitual de quero, posso e mando.

Está tudo perdido? Não. Então, o que é que eu penso que deve ser urgentemente feito?

Jesus tem de começar por reestabelecer o elo emocional da equipa. A gestão é feita de erros, não há mal nenhum, nem constitui perda de autoridade, reconhecer algumas más decisões no seio do grupo. Jesus já terá percebido que, sem os jogadores, não vai lá. Bem pode trazer 11 ou 12 todas as épocas que os jogadores passam a palavra, trocam informações, pelo que o sentimento se manterá. Além disso, sempre que Jesus adia o que deve ser feito, apertando os laços do grupo, e pede mais um jogador ganha mais um "inimigo", o jogador que sente que o "newcomer" lhe vai tirar o lugar.

Assim, Jesus deveria terminar de pedinchar mais jogadores e concentrar-se, isso sim, naquilo que tem de melhor: o desenvolvimento unipessoal de cada uma das individualidades do plantel. Só o "upgrade" destes jogadores ajudará o clube a ser sustentável. Sem resolver os problemas atrás descritos, bem pode trazer uma legião de craques que alguns problemas graves continuarão por resolver.

Dirijo-me agora a si, Jesus. Por favor, mude. O Sporting este ano não pode falhar. Tem o plantel mais caro da sua história, mas precisa de formar uma equipa coesa, em que todos sejam vencedores, todos sejam importantes. A ausência do título aumentará para três anos o seu insucesso em Alvalade e para 16 anos a nossa infelicidade. Mais, a nossa (eventual) não presença na fase de grupos da Champions terá como consequência quase inevitável a necessidade de promover receitas extraordinárias, ou seja, a perda das nossas pérolas da formação, independentemente da boa gestão desta direcção/administração que já terá receitas mais substanciais na próxima temporada devido ao acordo (óptimo) conseguido com a NOS.

Jesus, está tudo nas suas mãos. Abrande um pouco a sua soberba (os nossos pontos fracos nunca conseguimos de todo irradicá-los, mas podemos disfarçá-los), toque a reunir, (re)afirme a sua humanidade, restaure a cultura táctica que me mostrou a equipa (de 15/16) que jogou o melhor futebol que me recordo nos 43 anos que tenho de idas ao estádio e faça cumprir o seu sonho, o sonho de seu pai, o meu sonho enquanto pai que quer que os seus filhos vivam um título, o sonho do meu amigo António Miguel que há pelo menos 30 anos me acompanha nestas lides e que comigo chorou "baba e ranho" quando um golo fortuito de Roberto nos eliminou injustamente perante o Barcelona, o sonho de todos NÓS, os melhores adeptos do mundo, o de fazer este clube, mais que um clube, uma grei, uma nação, um clã, finalmente CAMPEÕES. 

Eu vou estar lá!!!


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A voz do leitor
Pedro Correia

«Francisco Geraldes é decisivo no jogo do Rio Ave. Sendo menos eficaz na fase defensiva - não é muito de meter o pé mas compensa com um posicionamento inteligente - é brilhante na fase ofensiva. O lance do segundo golo [do Rio Ave, ontem à noite, frente ao Portimonense] devia ser enfiado pelos olhos a dentro de JJ e BC até um ou o outro perceberem que é disto que o Sporting tem falta. É desta classe que o Sporting tem que se alimentar. Isto não vai lá com o sangue, suor e lágrimas do Battaglia.»

JG, neste texto do António Manuel Venda


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Sexta-feira, 18 de Agosto de 2017

É que a paciência tem limites!


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Tristeza
António Manuel Venda

Vejo jogar Francisco Geraldes no Rio Ave contra o meu vizinho portimonense, e ele joga com o mesmo (ou mais) brilhantismo que nas duas jornadas iniciais do campeonato. E ouço o que diz Jorge Jesus na antevisão de um novo jogo do Sporting: a mesmo egoísmo de sempre, a mesma arrogância, a mesma falta de vista ao longe, a mesma indigência até. Que tristeza!...

 


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Feito de Sporting - um desabafo
Frederico Dias de Jesus

Feito de Sporting. Somos todos. Cada um de nós tem uma história de descoberta deste amor e desta essência. Não me lembro bem quando foi, apenas sei que comecei a sentir este grande amor, e este sentido de ser numa idade muito jovem. 

Andava nos pátios da escola com a bola. Quando ocorria fazer uma jogatana contra outra turma, cada um escolhia o jogador que queria personificar em campo. Lembro-me de no ínicio não ser muito bom de bola, de dar chutos nela e cair para trás. Invariavelmente não me deixavam jogar, indo sempre parar ao banco, com direito a entrar nos últimos minutos do intervalo. Mas uma coisa era certa, escolhia sempre jogadores do Sporting Clube de Portugal.

 

Os craques eram muitas vezes escolhidos por aqueles que na época acertavam mais no esférico. Eu escolhia sempre um de dois, ou o Vidigal ou o Duscher. Para mim eram craques. Lembro-me de dizerem "se passa pelo Duscher não passa pelo Vidigal e vice-versa". Mas porquê? Hoje penso que é por eles serem combativos. Sempre gostei de jogadores combativos que deixavam o suor em campo, fosse pelo jogo ou pelo Clube.

Houve um dia que o "Vidigal" chegou feliz a casa, o jogo tinha ficado 3-2 para nós, com 4 golos do Vidigal (dois autogolos, e os dois golos que levaram ao empate). Foi nesse momento que comecei a treinar, a treinar. Primeiro no jardim de casa, depois numa escolinha. O bichinho do futebol nunca mais despareceu, mas a identidade Sportinguista estava lá:

Esforço, Dedicação, Devoção e Glória.

Mesmo sem conhecer nessa tenra idade o mote, estava dentro de mim porque já era Sportinguista. E sempre tive orgulho de dizer que o sou. Como eu existem milhões. Milhões que nunca tiveram a oportunidade de representar o Sporting Clube de Portugal em nenhuma modalidade. Nunca tiveram a oportunidade de entrar na Academia. Nunca pisaram o relvado, a pista ou o piso. Mas esses milhões sempre fizeram esforços para comprar o bilhete, fazer a viagem de carro, comprar a camisola do Leão, ser sócio do Clube, defender o nome do Clube em rixas amadoras de bate-bocas, tudo pelo Sporting.

 

O pagamento que queremos não são milhões, não são contratos milionários, vidas luxuosas, tribunas VIP em Alvalade. O único pagamento que queremos é a Glória. Não do A, B ou C, mas do Sporting Clube de Portugal. Que o Sporting seja um "clube tão grande como os maiores da Europa".

 

Somos nós, estes milhões representam verdadeiramente o clube. Treinadores passam, dirigentes passam, mas nós continuamos. Aqueles que vão ao estádio, vêem na televisão, ouvem na rádio, aguentam as falhas do streaming, ficam felizes quando se ganha cantando nas ruas, ou tristes quando se perde mantendo a esperança, são quem dá verdadeiramente tudo pelo Clube. São aqueles que já se imaginaram personificados num jogador do passado e que ainda hoje têm um pasmo na perna quando a bola vai para um dos nossos e sentimos que podíamos ser nós, a fazer o passe, o cruzamento, o corte, a simulação, a arrancada ou o golo. Seja em que parte for, seja que modalidade for. Isto é ser feito de Sporting, é ser Sporting, é viver o Sporting. Por isso somos diferentes dos outros. Não admitimos equipas banais, que não deixem tudo o que podem dar em campo. Nós deixamos nos campos em que somos titularíssimos toda a gota de energia que nos corre no corpo. É isso que pedimos, que façam o mesmo que nós. Que tenham amor ao Clube e se não têm pelo menos que respeitem a camisola que vestem e respeitem todos aqueles que fazem esforços para apoiar-vos em todos os momentos. Isto serve para os contratados e os da casa, os que são e não são Sportinguistas.

 

Quando correm, corremos juntos. Quando estão desanimados, estamos todos desanimados. Quando festejam, festejamos mais que todos.

O Clube do Leão rampante é feito de Mulheres e Homens que o representam com brio e orgulho. É isto que se joga a cada partida, a dignidade de cada Leão anónimo, o esforço que cada um faz fora do terreno de jogo para que um de vocês, os 11, os 23, os que forem sejam intermediários da Glória do todo.


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Indo de encontro às preocupações do Pedro, neste texto, convém que os jogadores e atletas do Sporting tenham sempre presente esta frase:

 

«Não é o Sporting que se orgulha do nosso valor, nós é que devemos sentir-nos honrados por ter esta camisola vestida.»

Francisco Stromp


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O Sporting nunca teve um plantel tão caro. Nunca teve um treinador tão dispendioso. Nunca teve um orçamento tão elevado para uma época futebolística.

Por mim, até dispenso a devoção. Mas exijo-vos esforço e dedicação. Nada menos que isto. Vocês não sonham com a glória?

Então deixem-se de desculpas da treta e joguem à bola, como dizia o outro.


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Há três anos, percebemos em Guimarães que Marco Silva não ia ganhar o campeonato (e que já lhe tinham enfiado uns patins), quando sofremos uma copiosa derrota por 3-0. Há dois anos, percebemos em Guimarães que Jesus não ia ganhar o campeonato, quando Bryan Ruiz falhou o primeiro dos seus dois históricos golos de baliza aberta. O ano passado, percebemos em Guimarães que Jesus não ia ganhar nada, depois daquele empate assombroso. Este ano também cheira a decisivo.


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Mais do que desporto
Francisco Chaveiro Reis

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"Eu te amo, Sporting!"

Jorge Perestrelo

 

Esta frase, teria que ser, obviamente, a frase inicial.


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Leoas às sextas
Pedro Correia

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Vale a pena ser Leoa:

torna a vida mais feliz.

Uns clubes são de Lisboa,

o Sporting é do País.

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Num país onde, infelizmente, o dinheiro é praticamente a única fonte de reconhecimento, os valores estão em profunda crise e a educação, sentido de cidadania e boa formação humana já há muito foram mandadas às malvas e passaram para segundo plano, o Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol (a)parece muito preocupado com a "lesão de honra e de reputação".

Entretanto, sobre o famigerado caso dos emails (e dos sms) continuamos a não saber nada, como se a demora, essa sim, não ferisse, aos olhos dos adeptos (no final do dia, o consumidor do "produto"), a reputação das competições profissionais e dos alegadamente envolvidos (que também têm o direito a um esclarecimento cabal dos factos). Observo que, enquanto no caso do túnel foram sendo produzidas diversas fugas (de onde, não sei) que permitiram à Comunicação Social ir acompanhando os seus desenvolvimentos, informando o público, alvitrando cenários penais, sempre pondo a espada sobre o Dâmocles do costume (o qual, durante esse tempo, também deveria ter tido o seu direito a "honra e reputação"), sujeito ao anátema da "cuspidela", estranhamente sobre o caso dos emails ainda não surgiu qualquer "noticia".

Em que mundo vive este CD? Um mundo onde Bruno de Carvalho viveu nove meses "lesionado" na sua honra e reputação, acusado na opinião pública de ter praticado um acto infame.

Pouco interessa que o (outro) presumível lesado na sua honra e re-pu-ta-ção tenha sido apanhado pelas câmaras do estádio gesticulando abundantemente e apontando o dedo ao opositor, atitudes tipicamente marialvas de um lutador durante as pesagens, que posteriormente, durante o "combate", tenha mostrado uma perícia de "boxeur", perante dois stewards de serviço, de fazer corar um Mike Tyson, tudo isto em simultâneo com uma atitude desafiante que expôs à saciedade o seu talento enquanto sentinela de porta-de-armas, arregimentando ao grito todo o balneário arouquense, e, ainda (uff,uff), a sua codícia no lançamento do martelo, perdão, da garrafa de água, muito embora o seu ensaio tenha sido invalidado pelos jogadores da sua equipa.

O resultado final disto tudo foi esta semana apresentado: uma suspensão de vinte meses para o senhor e de seis meses para o presidente leonino. Bem feito, Bruno, quem o mandou "atentar" contra o acima descrito? Claro que Bruno não joga, nem no campo, nem fora dele, presumo, pelo que os efeitos da referida suspensão são quase nulos. Já irreparáveis foram as perdas e danos para a imagem do presidente e do próprio clube, expostos ao "anátema da cuspidela" devido à falta de uma decisão célere da justiça desportiva, tudo isto para no fim se provar que estava inocente desse acto.

Vá lá que Bruno de Carvalho ainda é um rapaz jovem e goza de boa saúde porque, se já tivesse uma provecta idade, dado os factos reportarem a 6 de Novembro do ano transacto, muito provavelmente já teria falecido e a sua familia, em vez de um cartão de condolências, estaria agora a receber uma carta informando a sua suspensão, dir-se-ia, eterna ou etérea.


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A voz do leitor
Pedro Correia

«Fica mais fácil perceber os valores da contratação do Guedes. Afinal foi contratado para substituir o Messi como sombra do Neymar.»

Thor, neste meu postal


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Quinta-feira, 17 de Agosto de 2017

Só ontem, registámos 6378 visualizações no És a Nossa Fé. Em média, 264 visualizações por hora. Prova evidente do crescente interesse que o nosso blogue continua a suscitar. Junto dos sportinguistas e até entre os adeptos de outras agremiações.

Sentimo-nos honrados com esta popularidade em grau crescente e prometemos não defraudar os nossos leitores. No campeonato da blogosfera, nunca jogamos para o empate.


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Estela de Carvalho, a primeira campeã.

 

«(...) Em 1927 o Sporting teve, de facto, a primeira campeã: Estela de Carvalho. (...) Nascera em Lisboa em 17 de Junho de 1906. Seu pai era português, sua mãe era espanhola. Começou a particar sport aos 15 anos, iniciando-se na ginastica sueca, no Ginásio Club Português. “Aos 16 anos, ainda não conhecia os mais rudimentares preceitos da natação, entrei numa prova da milha interstícios do Ginásio. Levei no percurso cerca de uma hora e os dirigentes não ficaram satisfeitos com o resultado e resolveram não aceitar a minha inscrição para a Travessia do Tejo, no mesmo ano. Desgostosa com essa atitude, que vinha ferir em cheio a minha apurada sensibilidade, resolvi ingressar no Sport Algés e Dafunfo. Nesse clube me mantive três anos. Devido a pequenos incidentes que surgiram a propósito do Portugal-Espanha (...) resolvi abandonar o clube. (...) E assim, (...) surgiu, em 1925 no Sporting, passando a treinar-se na Doca de Alcântara, como os demais. E a ganhar todas as competições de rio que se disputavam, então, um pouco por toda a aparte, em Portugal.

E assim, (...) surgiu, em 1925, no Sporting, passando a treinar-se na Doca de Alcântara, como os demais. E a ganhar todas as competições de rio que se disputavam, então, um pouco por toda a parte, em Portugal.

 

As faca e as críticas...

De uma vez, em 1926, esteve à beira de uma proeza épica: ganhar a todos os homens, numa travessia do Douro, no Porto. “Seguia à frente, com o Cortez, ambos em luta pelo primeiro lugar. A certa altura, olho em redor de mim e não vejo o Cortez. Calculei que estivesse fora de combate e se tivesse deixado atrasar. E ia já de antemão contando com o primeiro lugar quando, ao chegar à meta, encaro com ele. Fiquei desolada. Fora o caso que ele se afastara de mim em busca de melhores águas e conseguindo encontrá-las fácil lhe foi vencer-me. Os barqueiros e outros marítimos que acompanhavam a prova queriam a todos o transe que eu ganhasse. Para isso não cessavam de me entusiasmar com toda a animação. Chegou a tal ponto o entusiasmo entre eles - que chegaram a puxar de facas uns para os outros, para aqueles que não estavam a meu favor...”

No ano anterior, naquelas mesmas águas do Douro, a maior tristeza da vida de Estrela, que para além de natação foi praticante de muito bom nível de esgrima, ténis e remo: “À frente marchavam António Soares e Alves Miguel [como ela do Sporting]. Foram os primeiros a ser desclassificados, por não cortarem a meta no sítio determinado. A mim, que vinha em quito lugar, entre tantos homens, sucedeu-me o mesmo. Depois do esforço titânico que realizara para dobrar aquela distância de oito quilómetros, não era justo que me desclassificassem por tão pouco. E então chorei, chorei, chorei... Chorei tanto e a tal ponto que um homem se chegou a lançar à água não fosse eu morrer afogada nas lágrimas que me corriam pelos olhos. Como compensação deram-me uma estatueta e uma medalha...”

Desgosto também por não ter tido a possibilidade de fazer a Travessia da Mancha. Em 1927, Estela acreditava que podia sonhar...

Em Portugal foi nadando rios, mais alguns anos, ganhando. Sempre com o maillot do Sporting, mas sendo mulher a Mancha talvez fosse ousadia demasiada. “Vou começando a ter receio de que me critiquem por com esta idade [21 anos!], nadar ainda. Também, criticam-me por tudo, não me admira que tal suceda...».

Um outro sinal dos tempos. Na edição de “Eco dos Sports” de 20 de Novembro de 1927, em que fizera tais confidências, na página que lhe fora reservada, havia ao fundo seis palavras que , malfadadamente, o tempo tornaria famosas e estúpidas: “Este número foi visado pela censura”»

 

In: Glória e vida de três grandes. A Bola, 1995, p. 50-51


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Este campeonato, que apesar de tudo não começou mal, tem também uma das equipas mais bem vestidas.

O novo equipamento do Sporting é lindo e este filme está muito bem feito. Acredito, quanto mais não seja por deformação profissional, que um bom hábito faz um bom monge. Assim lhes sirva de inspiração.

Por aqui, também vamos ter, muito em breve, novidades no blog. Fiquem atent@s.

 

 


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Mercado
Francisco Chaveiro Reis

André Carrillo está a caminho do Watford por empréstimo. O clube detentor do seu passe receberá cerca de um milhão de euros pelo negócio. Para trás, ficam negócios milionários com Manchester United ou com o Atlético de Madrid

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A minha costela Jota Jota
Edmundo Gonçalves

Sábado próximo, no D. Afonso Henriques frente a uma equipa aguerrida e com uma massa adepta vibrante, será disputada a terceira jornada, pelas 18.30 horas.

Entre jornadas europeias, em quem apostará Jesus para iniciar o jogo, tendo em atenção que trocou as voltas aos participantes neste "passatempo" singelo na última jornada?


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Teste complicado pela frente: vamos a Guimarães, jogar com o Vitória, a partir das 18.30 do próximo sábado. Na terceira jornada do campeonato, com arbitragem de Hugo Miguel.

Quais são os vossos prognósticos para este jogo?


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No pasarán!
Edmundo Gonçalves

Seis meses.

Se isto não é uma mensagem de uma organização criminosa, que demonstra que quer pode e manda, será o quê?

Andamos por aqui a malhar no presidente e no treinador e nos jogadores e acabamos por ser coniventes com estas atitudes e decisões que, também por isso, a organização se sente impune para tomar.

Só me resta constatar o óbvio: Fomos, há muito, ultrapassados pela Itália! O nosso polvo tem mais que oito tentáculos, é uma aberração judíco-administrativa que visa a impunidade de uns face ao castigo sistemático de todos os outros.

 

Força equipa!

Força treinador!

Força presidente!

 

Vai ser difícil e complicado, mas um dia eles cairão, com estrondo.


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Balakov
AntónioF

«Quando vim para o Sporting Clube de Portugal, o empresário que fez o negócio com o Sousa Cintra, presidente da altura, foi o Lucídio Ribeiro. Eu estava numa equipa que foi nesse ano campeã da Bulgária, era jogador da Selecção Nacional e o Lucídio Ribeiro teve várias conversas connosco até que aceitámos ir fazer exames médicos ao Sporting. Fui comprado por um milhão e duzentos mil dólares; em 1990 não acontecia todos os dias. O mercado búlgaro abriu em 1989, a seguir à queda do regime comunista e eu saí logo depois.

Ao chegar ao aeroporto de Lisboa tinha à espera o presidente Sousa Cintra, vários directores e o preparador físico Terzinsky, também búlgaro e que na altura trabalhava no Sporting. Cumprimentei toda a gente, o Sousa Cintra fez várias perguntas, eu não falava português e ele só se ria.

O treinador era o Marinho Peres e no início nós não comunicávamos bem. Eu não jogava, só entrei ao terceiro ou quarto jogo e a partir daí não saí da equipa. Passados dois ou três meses ouvi dizer que tinha sido comprado para ponta-de-lança. Eu nunca joguei a ponta-de-lança!

Muito tempo depois, o Terzinsky lá me explicou que no aeroporto o Sousa Cintra tinha perguntado se eu é que era o ponta-de-lança. Eu não sou grande, tenho 1,76 m e sempre joguei no meio-campo. E foi como médio que saí da Bulgária, nunca pensei que tinha sido vendido pelo Lucídio Ribeiro como ponta-de-lança. Por isso é que o Sousa Cintra não parava de rir.

O Marinho Peres também pensava que eu era ponta-de-lança, e até todos ficarem esclarecidos passou um mês. Depois o Terzinsky contou-me que o Sousa Cintra no aeroporto disse “não sei se é ponta-de-lança, mas ele tem cara de jogador, de grande craque.” Aceitou ficar comigo à mesma e foram uns anos maravilhosos.

 

Passou cinco épocas em Alvalade onde, apesar do talento e dos seus 60 golos, apenas venceu uma Taça de Portugal. Contudo, tornou-se num dos melhores jogadores estrangeiros da história do clube.»

 

VINAGRE, Hugo, [et al.] - Relato. 1ª ed. Estoril : Saída de Emergência, 2016. 255 pp. 23 - 24

 

P.S.: Um dos melhores futebolistas estrangeiros a jogar em Portugal, detém o record do golo mais rápido num Sporting - Benfica (creio que meio minuto), tão rápido que quase nem se viu.

 

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Dez contra onze
Pedro Correia

O Real Madrid venceu a Supertaça espanhola. No jogo decisivo, no Santiago Bernabéu, os merengues derrotaram ontem o Barcelona por 2-0 (tinham vencido o desafio da primeira mão em Camp Nou por 3-1). Os adeptos do Barça devem estar destroçados. Mas têm uma atenuante, pelo menos no confronto da noite passada: só jogaram com dez. André Gomes alinhou de início.


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Houve algum excesso de optimismo na maioria dos prognósticos aqui feitos pelos nossos leitores e pelos meus estimados colegas de blogue no jogo anterior, em que recebemos o V. Setúbal em Alvalade. Mesmo assim, registaram-se dois vencedores: Octávio e Leão da Savana.

Estes leitores acertaram não apenas no resultado (1-0) mas no nome do marcador (Bas Dost). Dois outros anteciparam igualmente o desfecho da partida mas com menos pontaria ao prognosticarem quem marcava: DD e Leão de Quiosque.

Este nosso campeonato dentro do campeonato promete...


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A voz do leitor
Pedro Correia

«Mais do mesmo. O JJ não é treinador para o SCP. E o BdC tem muito que explicar...»

 

Romão, neste postal do Francisco Almeida Leite


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Quarta-feira, 16 de Agosto de 2017
Ligar o jogo
Duarte Fonseca

Pedro Azevedo, o Edmundo Gonçalves e o Pedro Correia já fizeram, e bem, a análise ao paupérrimo jogo de ontem frente a um adversário cujo nível não pode sequer ser comparado ao que Sporting, com o plantel que tem, deveria apresentar. O Francisco Vasconcelos fez um balanço dos três primeiros jogos oficiais.

 

Os principais problemas identificados por cada um deles têm bastantes semelhanças, o que apenas significa que estamos todos a ver o mesmo.

 

Da minha parte, proponho-me acrescentar aquela que é para mim a principal razão para as dificuldades apresentadas pelo Sporting neste início de época (e que é o mesmo de toda a época passada): ligação do jogo interior.

 

No primeiro ano de Jesus havia um senhor chamado João Mário que, apesar de jogar descaído para a direita, era o cérebro do jogo ofensivo da equipa e era ele que garantia a capacidade de jogo interior. Bem acompanhado, em metade da época, por um Teo Gutiérrez que foi o último avançado da era Jesus a conseguir ligar o jogo ofensivo, descendo para jogar com os médios. Mas essencialmente era João Mário que assegurava a qualidade interior e com essa forma de jogar praticamente garantia um meio-campo a 3. Era ele o criativo, o líder de jogo.

 

O maior beneficiado desta realidade foi Adrien, como referi aqui. Tinha sempre opções perto e não tinha que assumir o papel de criação.

 

Quando João Mário saiu, o seu substituto foi Gelson Martins. Um craque. Mas muito diferente na forma de jogar, muito mais vertical e explosivo, apesar de ter capacidade para jogar por dentro, mas ainda com pouca pausa e a criar pouco jogo interior. Aliás, quando o faz é quando o Sporting cria mais perigo e não com os cruzamentos laterais e/ou com as fintas para a linha.

 

A juntar a isto, Jesus não conseguiu durante toda a época passada encontrar um avançado que fizesse a ligação com os médios, com excepção de um período da época em que Alan Ruiz conseguiu, ainda que apenas a espaços, fazê-lo.

 

Com esta conjugação de factores, o maior prejudicado tem sido Adrien. Porque cada vez que tem a bola tem muito menos opções por perto (Gelson está mais longe que João Mário e não tem um Teo para tabelar), o que o obriga a arriscar mais passes, a ter que conduzir mais, o que invariavelmente resulta em piores decisões com bola, a mais passes errados, a mais recuperações em esforço e a mais transições defensivas. Porque Adrien não tem criatividade suficiente para jogar num meio-campo a 2. Foi assim durante toda a época passada e está a manter-se assim este ano.

 

Jesus sabe-o e é por isso que aposta em Podence (veremos até quando) porque é o único do plantel com a capacidade de ligar ofensivamente o jogo. Mas para que o jogo interior do Sporting melhore, Acuña tem que jogar mais dentro (para isso acontecer, o lateral esquerdo tem que dar mais garantias de fazer todo o corredor) e juntamente com Adrien terão que jogar muito mais com Podence (ainda ontem, o único lance de verdadeiro perigo resulta de um passe de Podence a rasgar a defesa e a colocar Acuña isolado). Gelson terá mais espaço para o jogo exterior (não vejo Piccini a dar profundidade suficiente) e para dar variabilidade entre jogo interior e exterior.

 

Se isto acontecer, não tenho dúvidas que o jogo do Sporting melhorará bastante. Tenho para mim que é isto que Jesus está a trabalhar, mas as condições físicas e cognitivas (sobre o modelo de Jesus) de alguns elementos ainda não estão no ponto. Espero que não demorem muito a alcançá-las, caso contrário será mais uma época perdida.

 

Doumbia, em condições normais, será uma alternativa directa a Bas Dost. Ou jogando os dois quando for necessário um jogo mais directo (caso do jogo com o Setúbal). Não o vejo com capacidade para ligar o jogo e ser o parceiro de Bas Dost. Mas acredito que fará muitos jogos no lugar do holandês, porque Bas Dost quando não marca é menos um em campo. Não sabe fazer um passe a mais de 2 metros e a sua forma de jogar (e os golos que marca, claro) propiciam a equipa para um jogo mais directo, tornando-se assim muito mais fácil a missão dos nosso adversários. É isso que está a acontecer actualmente com o Sporting e aconteceu na última época.

 

Cabe a Jorge Jesus inverter a situação e acelerar o processo de melhoria do jogo interior ofensivo.


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Jesus herdou um orçamento de 25 milhões de euros em custos com pessoal. Rapidamente, ajudou a ampliar este número para 48,8 milhões de euros (temporada de 15/16) e (uma estimativa) entre 60 e 64 milhões de euros, na época 2016/2017 (48,4 milhões de euros de custos acumulados no final do 3º Trimestre).

Onze contratações depois e um aumento exponencial do custo com o plantel, Jesus continua a pedir mais jogadores. A ideia que transparece é a de que o treinador parece não ter soluções, não consegue montar uma equipa minimamente competitiva e, nesse transe, vai levando o clube às costas para um perigoso abismo.

O Sporting é mais antigo e tem mais história do que o seu treinador. O clube tem um passado futebolistico de 22 títulos nacionais, um legado de figuras como "Os cinco violinos", Azevedo, Canário, "Os heróis de Antuérpia", Yazalde, Damas, Manuel Fernandes, Jordão, enfim, um sem número de ídolos que ajudaram a que o Sporting fosse reconhecido como um Grande do futebol português. Mas, não somos só isso, somos o clube eclético por excelência, o grei de Carlos Lopes, Mamede, Livramento, Chana... Já Jesus, apresenta no seu currículo três títulos nacionais pelo Benfica.

A sustentabilidade de um clube não pode assentar numa "cava" num treinador, qualquer que ele seja. Jesus pesa no nosso orçamento não só pelo salário que aufere (6/7 milhões de euros), mas também pelas suas exigências junto da Administração, numa catarse de pedidos de jogadores que parece não ter fim.

Apesar do mau tratamento que dá à lingua portuguesa, Jesus é bastante sagaz e vende bem o "seu peixinho". A sua "descontrolada" verborreia destina-se a sustentar uma pose altiva e arrogante, uma imagem de exigência e de autoridade, que reforcem uma percepção de desenvolvimento de jogadores e uma ilusão de habilidade táctica. Até acredito na sua auto-confiança, agora "spin" de comunicação como o de ontem, a transmitir que o Steaua era uma equipa do nosso nível, isso não, não nos tomem por tolos...

Entre a realidade e a percepção que Jesus quer que tenhamos dela há todo um abismo. Na realidade, o treinador parece ter perdido a equipa e os jogadores desde a trágica derrota em Madrid, contra o Real. Nunca mais o Sporting teve a consistência que tão brilhantemente alardeou em 15/16. O ego de um treinador não se pode sobrepor ao da equipa. Os jogadores são as verdadeiras estrelas e a eles deve ser atribuido o mérito das vitórias. O treinador deve aparecer como líder de um grupo, dando a cara no momento das derrotas. Ora, em Madrid, Jesus afirmou que nunca teríamos perdido o jogo com ele no banco. Para além dessa afirmação não poder ser provada, houve episódios no seu passado (Golos de Kelvin ou do Chelsea) que mereceriam outra contenção da sua parte; por outro lado, foi com Jesus no banco que saiu Gelson (o pesadelo de Marcelo) para entrar Markovic ou saiu Adrien (patrão do meio-campo) para entrar Elias...

Para além de parecer que a mensagem do treinador já não chega aos jogadores, a fluência de jogo do Sporting está em perda desde o final do seu primeiro ano. As saídas de João Mário e de Teo não foram devidamente colmatadas e o jogo interior da equipa ressente-se. Gelson, óptimo jogador, é demasiadamente rápido para a restante equipa e daí resulta que quando chega à linha só tem Dost na área para finalizar, e este está geralmente acompanhado por quatro adversários. Faz falta pensar mais o jogo, maior contemporização e exploração do jogador que joga atrás do ponta-de-lança. Bryan Ruiz trazia isso à equipa, mas estranhamente (ou talvez não, haverá causas profundas?) eclipsou-se na época passada. Desde Teo, o Sporting não voltou a ter um jogador com a capacidade de arrastar marcações, a inteligência táctica do colombiano. Alan Ruiz não é esse tipo de jogador, é mais médio do que avançado, joga melhor de frente para a baliza. Bruno Fernandes, idem. Podence poderia ser mais útil na ala esquerda como alternativa a Acuña. Doumbia poderia ser esse jogador que a equipa necessita, mas o treinador parece remetê-lo ao banco ou vê-lo como alternativa a Bas Dost. Entretanto, Gelson Dala parece ter sido ignorado, não figurando nas convocatórias. É aqui que deveria aparecer a fama de bom criador de jogadores que é atribuida a Jesus, mas não temos visto isso em Alvalade. É sempre mais fácil pedir mais um jogador ao presidente do que apostar naquilo que se tem. 

Contra o Steaua de Bucareste vários equívocos emergiram. A velha rábula dos laterais, desta vez protagonizada por Piccini - que não parece fazer a diferença face a Schelotto - e Coentrão, este último que o treinador pretendia substituir por Jonathan a 10 minutos do fim. Os médios centro bloqueados pela sagacidade do treinador romeno que plantou dois "policias de giro" nessa zona do terreno. Gelson, que deveria receber a bola no último terço e com a equipa toda posicionada de forma atacante, a sprintar desde o seu meio campo e a não encontrar ninguém para receber os seus passes, Podence perdido entre o médio de cobertura e um dos centrais romenos, Acuña sem apoio do lateral, tudo isto a contribuir para um jogo mastigado, engasgado, de vez em quando abanado pela vertigem quasi-suicida de Gelson, o que, imagine-se, ainda pioraria nos segundos 45 minutos.

Para finalizar, o Sporting não deve ceder mais aos caprichos de Jesus. Nem Gabigols, nem centrais, agarre-se aos recursos que tem, ainda assim muito mais e melhores do que aqueles que Jardim, por exemplo, teve ao seu dispor, e faça uma equipa. Cada vez que o treinador pede mais um jogador, diminui a confiança no balneário, pelo menos a dos jogadores para essa posição. Será que não vê isso? Um líder deve antecipar cenários, motivar, montar uma estratégia e fazer cumprir objectivos. E Jesus?

Sportinguistas, desculpem-me o desabafo, mas o meu coração verde está dilacerado, ontem vivemos mais uma

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humilhação pública como se os orçamentos dos dois clubes fossem comparáveis. Alguma coisa se tem de fazer e com a máxima urgência. a fim de não comprometer uma obra meritória. Assim não...


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William Carvalho é o jogador mais difícil de substituir no Sporting. E aquele que tem mais influência no desempenho da equipa. Hoje estará entre os dez melhores médios defensivos europeus. Joga quase de olhos fechados.

Dizem que é "lento". Mas é um falso lento: ele controla como ninguém o tempo do processo de decisão. Não perde uma bola em lances disputados e nenhum adversário consegue roubar-lha - como bem se viu no jogo contra a Fiorentina da pré-temporada e na partida frente ao Chile na Taça das Confederações, só para citar dois exemplos.

 

Visão de jogo, antecipação sagaz da manobra adversária, colocação milimétrica da bola à distância, capacidade de variação de flancos, habilidade natural para recuperar e reter a bola: ele oferece tudo isto em doses generosas.

É muito bom no momento defensivo, patrulhando com rigor a vasta zona que lhe é confiada, e é ainda melhor no momento ofensivo, ao desenhar linhas de passe que por vezes só ele vislumbra e ao colocar com precisão de relojoeiro a bola nos pés dos companheiros em movimentos de inegável classe, sobretudo na meia distância ou na distância longa.

Não é um transportador da bola: é um artista do passe. Os primeiros são os que cativam com mais facilidade as bancadas de Alvalade. Mas os segundos, quando  atingem o patamar de William Carvalho, têm um grau de eficácia muito superior no futebol moderno.

 

Vai fazer-nos muita falta.

Dos que ficam, apenas Palhinha tem características que podem assemelhar-se. Mas Palhinha, comparado com o colega prestes a rumar a Inglaterra, é ainda apenas um projecto de jogador. Falta-lhe aprimorar muitos processos. E falta-lhe sobretudo ganhar confiança no seu talento - espécie de diamante por lapidar.

Vamos ter imensas saudades do William. Eu já tenho.


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Porque hoje é quarta-feira fala-se do Sporting europeu.

Porém, como se poderá falar do jogo de ontem senão como a continuação do jogo de sexta-feira?

Somente o adversário era outro e os jogadores estavam, naturalmente, mais cansados - mas assim não devia ser nesta altura - e sem ideias.

 

A minha leitura:

Ouro - Alvalade. Público incansável não merecia a exibição e o resultado.

Prata - Gelson. O genial «espalha-brasas» anda cansado.

Bronze - Mathieu.

 

Latão - Muitos, porém destaco os laterais. Um, nota-se que desaprendeu algo - parece que atingiu o limite dos pontos e tem que tirar novamente a carta de condução -, o outro não sei se alguma vez saberá conduzir.

 

Sim, havia um schwein.

 


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