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És a nossa Fé!

Continua, obviamente

Adrien continua no Sporting. Como  aqui escrevi ontem, "se as saídas acontecessem a pedido, não haveria gestão possível em clube algum".

Reitero o que expressei  noutro texto deste blogue: alimentar folhetins sobre alegadas insatisfações de jogadores, com agentes e familiares a mandar bitaites a todo o momento, seria "incentivar comportamentos irresponsáveis, rasgar compromissos contratuais e dar asas a futuras pressões" num horizonte imediato.

O tempo em que o clube era um saco de gatos comandado do exterior terminou de vez.

"Sli-Sli-Slimani"

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Domingo passado fui um dos mais de quarenta e cinco mil sportinguistas que gritaram em uníssono "Sli-Sli-Slimani" em Alvalade enquanto o grande avançado argelino, marcador de 31 golos na época passada em competições oficiais pelo Sporting, se despedia emotivamente dos adeptos, abandonando o relvado entre lágrimas compulsivas.

Saía no momento certo e da melhor maneira: antes de se despedir com lágrimas despediu-se com um último golo, que contribuiu para a vitória da nossa equipa em mais um clássico. O sexto que marcou ao FC Porto em pouco mais de três épocas com a camisola verde e branca.

 

O percurso de Islam Slimani no Sporting chega hoje ao fim com a transferência - já confirmada com chancela oficial - para o Leicester, actual campeão inglês, em estreia absoluta na Liga dos Campeões.

Uma transferência que constitui o melhor negócio de sempre do futebol nacional: um jogador que custou aos cofres leoninos apenas cerca de 300 mil euros por 80% do seu passe ruma agora a Inglaterra a troco de 35 milhões de euros.

No Sporting, sob o comando sucessivo de Leonardo Jardim, Marco Silva e sobretudo Jorge Jesus, o técnico que mais soube potenciar as qualidades deste futebolista que trabalha como poucos e tem uma invulgar fome de golo, Slimani valorizou-se a níveis que ninguém suspeitaria ao vê-lo chegar, em Agosto de 2013.

Enuanto permaneceu connosco, o nosso número 9 - melhor marcador sub-30 da Liga 2015/16 e actual titular indiscutível da selecção da Argélia - viu a sua cotação multiplicar-se 116 vezes. O que só comprova a excelência do Sporting como fábrica de campeões. Agora não apenas no plano desportivo mas também no plano financeiro.

 

Esta partida do nosso ponta-de-lança para o Leicester constitui a vitória do mérito. E é também a vitória da persistência de Bruno de Carvalho, que soube resistir às investidas iniciais daqueles que pretendiam levar Slimani por quantias bastante inferiores ao seu valor real de mercado. Com o mais simples método negocial: sem apertos de tesouraria, o presidente do clube que a 10 de Julho viu Portugal sagrar-se campeão europeu com quatro dos seus jogadores em posições titulares deixou claro que só consentiria na saída dos principais activos leoninos pelo valor da cláusula de rescisão.

Trinta milhões, no caso de Slimani.

O Leicester não só cobriu a cláusula, que aliás caducara em Junho, como a superou: o argelino que tão bem demonstrou ter alma e fibra de Leão viaja para Inglaterra por valores que nem o mais optimista imaginava há pouco tempo. E sem necessidade de recorrer aos préstimos do mega-empresário Jorge Mendes, como aliás já sucedera dias antes, ao concretizar-se a saída de João Mário.

Prova inequívoca de que também no mundo dos comissionistas da bola ninguém é insubstituível.

 

É este, pois, um momento triste - aquele em que vemos partir o homem que tantas alegrias nos deu com os golos marcados de verde e branco. Mas é também um momento alegre ao confirmar-se que esta saída faz ascender a 80 milhões de euros (somando-a aos valores das transferências de João Mário e Naldo) o montante registado nas parcelas de crédito leonino neste mercado estival. Que para nós foi o mais proveitoso de sempre.

Orgulho-me de ter sido um dos muitos milhares que gritaram "Sli-Sli-Slimani" em Alvalade ao cair da noite de domingo. Islam Slimani bem mereceu esta homenagem que lhe fizemos em forma de grito emocionado.

 

Ponto, parágrafo

Julgo que não passará pela cabeça de nenhum membro da estrutura dirigente leonina dispensar o capitão da equipa, peça fulcral do nosso projecto desportivo, na véspera do fecho do mercado de transferências, noutro cenário que não passe pelo pagamento da cláusula de rescisão.

Alimentar este folhetim é levar água ao moinho dos adversários do Sporting, incentivar comportamentos irresponsáveis, rasgar compromissos contratuais e dar asas a futuras pressões de familiares e agentes parasitários, cujo único fito é o lucro fácil e que se estão nas tintas para as carreiras dos futebolistas.

Sobre este assunto já se falou de mais. É tempo de lhe colocar um ponto final.

E mudar de parágrafo.

Admirável mundo novo

Teorias da conspiração.jpg

 É espantosa a quantidade de teorias da conspiração que circulam por aí sobre o Sporting e a arbitragem. Mais espantosa ainda é a altura em que aparecem: passaram três jornadas apenas e dois jogos "controversos" (Benfica-Setúbal e Sporting-Porto), nos quais todos os clubes envolvidos (Benfica, Setúbal, Sporting e Porto) têm razões de queixa. Ou seja, houve erros de arbitragem, mas distribuídos com a mesma incompetente imparcialidade. Volto a perguntar: nós é que somos os calimeros? Nós é que somos os maluquinhos?

Os melhores prognósticos

Mais uma vez houve vários vencedores neste nosso concurso de prognósticos para a época em curso. Eis os nomes de quem acertou no resultado do Sporting-FC Porto: Ceoma, Cristina Torrão, Francisco Vasconcelos, Gabriel Santos, Moisés Paiva e Leão de Queluz.

Aplicado o critério de desempate, fica excluído apenas o nosso amigo Leão de Queluz, pois os restantes mencionaram Slimani como marcador de um golo. Parabéns a todos eles.

Só sai quem a direcção quiser

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O que interessa de momento sublinhar é isto: Adrien Silva mantém vínculo ao Sporting até 2020, conforme ficou estipulado em Fevereiro. Mais quatro anos de ligação contratual a Alvalade, portanto.
As saídas não acontecem à la carte, por vontade arbitrária e unilateral dos jogadores ou pressões de agentes e empresários, espezinhando os contratos em vigor: acontecem por vontade das partes com interesses legítimos e atendíveis, respeitando escrupulosamente os direitos dos clubes - neste caso o Sporting, enquanto entidade formadora e empregadora. Por mais entrevistas que alguns concedam dizendo que gostariam de mudar de ares.
Se as saídas acontecessem a pedido, não haveria gestão possível em clube algum.

Por outras palavras: Adrien só sairá antes do prazo definido contratualmente quando e se a direcção entender, calibrando os interesses financeiros com as ambições desportivas do Sporting. A menos que o clube que pretenda levá-lo cubra a cláusula de rescisão. Que neste caso ascende a 45 milhões de euros.
Como capitão leonino, ele tem a obrigação de saber isto melhor do que qualquer outro jogador.

Esclarecimentos sobre Adrien Silva

"Em virtude de todas as notícias que temos tido ao longo do dia sobre as sucessivas intervenções dos representantes do jogador Adrien Silva na Comunicação Social, a Sporting SAD vê-se na obrigação de esclarecer o seguinte:

1 – Desde que o jogador renovou o seu contrato em Fevereiro de 2016 envolvendo avultadas somas de dinheiro, que ficou absolutamente claro que esta extensão da vinculação ao Sporting CP significava que Adrien Silva iria ficar no Clube até ao final da sua carreira. Isto mesmo foi dito expressa e claramente pelo Presidente do Sporting CP ao jogador, ao pai do atleta e aos seus representantes antes de se consumar a renovação do contrato.

2 – Para além disso o jogador Adrien Silva concedeu uma entrevista a 23 de maio em que dizia que não sairia do Sporting sem ser Campeão.

3 – Nunca, ao longo destes meses, foi transmitida ao Presidente do Sporting CP qualquer intenção ou proposta concreta para a saída de Adrien Silva do Clube nem o Presidente se encontrou com o pai do atleta ou seus representantes para o efeito, pelo que se alguém andou a enganar o jogador foram os seus representantes e não o Sporting CP.

4 – Adrien Silva é um jogador do Sporting CP, com contrato, profissional, que saberá sempre respeitar o Clube que o formou como homem e como atleta, bem como a todos os Sportinguistas que vêem nele um exemplo a seguir.

5 – O Sporting CP, e nomeadamente o seu Presidente, terá sempre a defesa dos interesses do Clube mas também a defesa dos seus activos como nota máxima da sua actuação.

6 – É compreensível que, nesta fase, os agentes e representantes dos atletas sejam factor de desestabilização e de pressão enorme sobre os jogadores, nunca devendo o Clube e os seus associados deixar de ter o carinho pelos mesmos por acções que apenas acontecem por influência de terceiros."

 

Por mim, mais que esclarecido!

O dia seguinte

Bernardo Ribeiro, Record: «Longe de ter sido uma grande partida de futebol, o confronto de Alvalade mostrou duas equipas com ideias de jogo muito diferentes, casos bem decididos e o triunfo do melhor conjunto, ainda que para isso tenha tido de saber sofrer até ao fim. As lágrimas de Slimani, decisivo mesmo de saída, foram o bónus para os adeptos leoninos.»

 

João Sanches, O Jogo: «Antes desse tiro [de Gelson, a marcar o segundo golo] já os verdes e brancos tinham mão na partida, porque o "cérebro" William, atrás, com liberdades concedidas pelo miolo contrário, teve espaço e tempo para pôr a equipa a carburar, combinando rápido no meio e forçando pelos flancos. E assim prosseguiria o homem que virou o tabuleiro, juntando a isso inúmeras recuperações e até incursões na área azul e branca. Se o mercado estava a vê-lo, cuidado...»

 

José Manuel Delgado, A Bola: «O Sporting apresentou-se contra o FC Porto fortíssimo, mandou quase sempre na partida e promete a solidez que lhe faltou na época passada, comprometendo as ambições da equipa. E ainda deve ser trazida aqui à colação a fantástica dinâmica que existe em Alvalade entre a equipa e os adeptos. O estádio do Sporting está transformado num vulcão, onde os adversários sentem o calor da paixão leonina. Um caso muito sério.»

Tudo normal.

Depois da vitória do Sporting em Alvalade este domingo, o que fica:

- O Sporting comanda o campeonato

- O Sporting é a equipa que pratica o melhor futebol no campeonato.

 

(Pelo meio continuamos a ter uns Andrades vulgares, o Nuno a pedir fruta de reforço porque quer restaurar a "identidade Porto",  a "super estrutura" a facturar milhões com os Taliscas e o Taarabt's desta vida, pénaltis a favor do Benfica, o Rui Gomes da Silva com um melão, o Rui Vitória a ser comido de cebolada e o Pedro Guerra afogado em papel com o seu jingle "Oh Sousa Martins, Oh Sousa Martins").


Tudo normal, portanto.

No tempo dos mitos - Júlio Fernandes

Concentrado e de poucas palavras todos o tratávamos por Sr. Júlio. Com Pedro de Almeida (que só voltaria de Angola depois do 25 de Abril), Manuel de Oliveira, Valentim Baptista e Lídia Faria eram pouco menos que semi-deuses entre nós, uns chavalitos.

Isto numa era mesosóica, anterior ao Fosbury flop.

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Veredicto unânime: dois golos legais

Os calimeros do norte andam desde ontem a rasgar as vestes, insurgindo-se contra a arbitragem do clássico disputado em Alvalade e atribuindo ao homem do apito a terceira derrota consecutiva frente ao Sporting de era Jorge Jesus.

Têm razão?

Claro que não.

Basta ler os periódicos desportivos de hoje. Todos os analistas da arbitragem - sem excepção - consideram absolutamente legais os dois golos leoninos que arrumaram o FCP em Alvalade.

 

Nada melhor do que conferir o que escrevem, um por um.

 

Lance do primeiro golo:

Duarte Gomes, A Bola: «A bola vem do poste esquerdo para o peito de Gelson. Sem fora de jogo do leão e sem falta, pois a bola não vai ao braço. Slimani marcaria depois o golo. Legal.»

Jorge Coroado, O Jogo: «No momento da execução do livre e posterior recarga de Gelson, nunca houve fora de jogo ou outra irregularidade.»

José Leirós, O Jogo: «No momento em que a bola foi chutada, não há fora de jogo, nem Gelson tirou qualquer vantagem da sua posição.»

Marco Ferreira, Record: «Bruno César remata ao poste esquerdo da baliza de Casillas e a bola fica à mercê de Gelson Martins, que a domina com o peito e faz a recarga. O FC Porto reclama mão do jogador contrário, mas o árbitro decide bem, uma vez que Gelson domina a bola com o peito, não cometendo qualquer infracção. Slimani acaba por fazer golo na sequência do lance, espoletando protestos dos jogadores portistas. Boa decisão de Tiago Martins.»

Pedro Henriques, O Jogo: «Golo legal. Gelson não está fora de jogo e, após a bola ressaltar do poste, dominou-a com a coxa e o peito, nunca lhe tocando com o braço.»

 

Lance do segundo golo:

Duarte Gomes, A Bola: «A bola cabeceada por Felipe vai ao braço de Ruiz (a curta distância) e não o inverso. O braço está ao longo do corpo e sem aumento da volumetria. Lance bem validado.»

Jorge Coroado, O Jogo: «O ressalto foi próximo e terá batido na anca; mesmo que fosse na mão, teria sido bola na mão. Portanto, não houve ilegalidade.»

José Leirós, O Jogo: «Não há movimento do braço [de Ruiz] nem da mão na direcção da bola. Não teve um acto delibrado no contacto com a bola, que foi ao braço.»

Marco Ferreira, Record: «Boa decisão de Tiago Martins, a validar o segundo golo do Sporting apesar de a bola ter tocado no braço esquerdo de Bryan Ruiz. Após um corte de um defesa do FC Porto, a bola embateu no braço de Ruiz, colocado em posição normal e a uma distância muito próxima. O avançado do Sporting não procedeu a qualquer movimento deliberado com a intenção de jogar a bola com a mão, pelo que a decisão do árbitro foi a melhor, apesar dos protestos portistas.»

Pedro Henriques, O Jogo: «Lance legal. A bola é cabeceada de perto e vai ao braço, que está ao longo do corpo e em posição natural. Não há acto deliberado e intencional.»

Um pequeno drama que afinal foi épico

O momento crucial do Sporting X FCP de ontem acabou por acontecer cerca dos 20’ da 3ª parte, já estávamos nós nas bifanas.
Antes assistíramos a dois episódios decisivos, em tudo contrários à tradição troiana do Sporting em que um qualquer cavalo de pau traz desagradáveis surpresas na barriga.
Nos primeiros 20’ viu-se Danilo a comer Ruiz com arroz, André André a entupir Adrien e o FCP a marcar um golo contra a nossa defesa de palas nos olhos, encadeado pelo sol. Um ou dois ajustes de fine tunning de Jesus e passámos a mandar no jogo.
Nos 15’ iniciais da 2ª parte o Sporting reduziu o meio campo do Porto a um bando de canários (que lindo amarelo traziam eles vestido, em vez do habitual padrão de barracas de praia); entra então em cena o canoro Tiago Martins, apitando faltas, faltinhas e faltolas, cada vez que os nossos recuperavam uma bola, até virar a corrente do jogo.
Em face destes dois contratempos deu-se um fenómeno extraordinária em Alvalade: a equipa recompôs-se com maturidade, tino e segurança e nunca nas bancadas estivemos com o coração nas mãos como era nossa antiga sina. Todos tinham a cabeça no lugar, todos sabiam o seu lugar no campo e até o hamletiano Zeegalaar, que hesita e procrastina cada vez que lhe calha a bola nos pés, dava mostrar de saber o que fazer. Os jogadores do Sporting ressudavam tranquilidade, determinados em serem campeões como se o final do campeonato fosse já amanhã.
Só na conferência de imprensa Jorge Jesus revelou a verdadeira provação que a equipa viveu durante a semana: sempre debaixo de fogo do mercado de transferências com cada um dos jogadores alvo dos agentes-snipers; um ambiente de deixar as cabeças à roda, os nervos em franja e descontrolar o ânimo do mais austero.
Os piadéticos que peroram sobre as “vicissitudes do jogo” e especulam sobre o que deveria ter acontecido depois de tudo ter acabado, já sabíamos que eram tolos graças ao aforismo: “os diletantes discutem táctica, os profissionais falam de logística.” Também já se sabia que o futebol tem a forma de um iceberg: o que se vê no jogo resulta da enorme massa de treino escondida dos olhares.
Por isso as declarações de Jesus converteram esta simpática vitória num épico insuspeito.

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