Segunda-feira, 30 de Junho de 2014

A Alemanha ganhou a Portugal que ganhou ao Gana

que perdeu com os Estados Unidos que

empatou com Portugal e com a Alemanha

que também empatou com o Gana.

Portugal foi eliminado,

o Gana idem idem e os Estados Unidos jogam amanhã.

A Alemanha eliminou hoje a Argélia

que não tinha entrado na história.


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Preparámos-nos bem, estivemos bem. Mas as coisas correram mal.

As coisas, essas malditas.


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Cuidados Intensivos (7)
João Paulo Palha

photo-lemmon

 

Ontem, durante a transmissão pela Sport TV do Costa Rica - Grécia, após um lance na grande-área grega em que, por causa de uma na mão na bola, foi reclamada grande penalidade, o jornalista Rui Pedro Rocha decidiu dar, em primeira mão, público conhecimento de uma alteração das regras do jogo de que, misteriosamente, a própria FIFA ainda não se tinha apercebido. Disse então este jornalista, comunicando-nos a palpitante novidade, passo a citar, E é penalty. Não é intencional, mas a generalidade dos penaltys não é intencional... nem é normal fazer um penalty intencional...A não ser cortar com a mão em cima da linha de golo uma bola que vai entrar...De resto, não há muito mais situações em que haja um penalty intencional.Até esta alteração, tanto quanto sabíamos e como qualquer interessado poderá facilmente confirmar, a lei XII do jogo determinava que fosse concedido um pontapé-livre directo - ou uma grande penalidade, de acordo com a lei XIV, quando a falta tivesse lugar dentro da grande-área - à equipa adversária do jogador, salvo o guarda-redes na sua área de grande penalidade, que, no entender do árbitro, tivesse tocado deliberadamente a bola com as mãos. 

 

Numa altura em que o jornalismo é tão insistentemente vilipendiado por tanta gente e acusado, entre muitas outras perversões, de desonroso alheamento dos trabalhos de investigação, é recompensador verificar que ainda há profissionais que se esforçam por ir ao fundo das coisas, esclarecendo conceitos ultrapassados e anunciando descobertas como a da Sport TV, graças à qual somos os primeiros a saber da modificação. Não somos só os primeiros, somos também os únicos, pelo que, para evitar confusões e a descoordenação das equipas de arbitragem, talvez conviesse alertar o International Football Association Board, que parece estar inadmissivelmente desatento a toda esta evolução, para a necessidade de informar o mundo do futebol sobre uma mudança tão radical. 


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A minha preferida nesta fase, a Holanda, continua em prova.

Não é por nada, são ainda recordações daquelas fabulosas equipas dos anos setenta e do futebol total de Cruiff, Neeskens, Rensenbrink, Rep e companhia.

E também porque aquela camisola, apesar de laranja, tem um enorme... LEÃO!

Pela garra demonstrada, até parecem os nossos na ultima época...

Agora espera-os a Costa Rica. Não é fácil, mas as meias estão mesmo aí.


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Domingo, 29 de Junho de 2014
Saiam da frente
José Navarro de Andrade

O Brasil pode jogar mal, um direito conquistado por ser uma penta-potência, por ter gasto uma dinheirama a implantar estádios em cidades meticulosamente escolhidas por não haver futebol decente nelas e por apresentar jogadores que jogam nas mais finas ligas europeias e passeiam de Bentley descapotável nas grandes metrópoles historicas do Velho Continente. Devia, aliás, o Brasil reclamar uma espécie de wild card para só se apresentar na final, no dia marcado, sem essa trabalheira de jogar com selecções domésticas como a dos Camarões ou a do Chile. Mas os gregos, senhores? Ter-se-ão imbuído de Euripedes para fazerem de cada jogo uma tragédia só desenlaçada nos segundos finais? Será que conspiram contra a língua portuguesa e vêm para o Brasil estragar a festa como fizeram em 2004 em Lisboa? Mas não haverá quem lhes espete uns cinco secos para nos desampararem a loja? Por quanto mais tempo iremos aturar aquele futebol de quem luta para não descer?


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É certo que houve este, que já destaquei. Mas o primeiro de James Rodríguez ontem contra o Uruguai foi tão bom que também justifica lugar à parte.


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Três minutos, à beira do fim, ditaram uma das mais impressionante reviravoltas em jogos do Campeonato do Mundo. Em benefício da Holanda contra uma das equipas-sensação da prova: o México de Herrera, Guardado, Aquino, Guillermo Ochoa e Rafa Márquez. Com arbitragem de Pedro Proença.

Foi um jogo muito calculista, disputado com extrema lentidão na primeira parte, na tarde húmida, viscosa e soalheira de Fortaleza. Com o técnico mexicano, Miguel Herrera, a vencer o duelo táctico nesse período da partida ao montar a sua equipa com um dispositivo eficaz, impedindo as habituais cavalgadas ofensivas dos holandeses. Foi recompensado logo a abrir o segundo tempo quando o México pareceu embalado para a vitória com um golo de Giovani dos Santos em que o guardião Cillessen pareceu mal batido.

 

A partir daí, a supremacia táctica coube ao treinador holandês. Herrera mandou recuar demasiado as linhas, defendendo o resultado tangencial quando ainda havia mais de 40 minutos para jogar. Por sua vez Van Gaal trocou Van Persie, hoje marcadíssimo, por Huntelaar: a partir daí, e pela primeira vez neste desafio, a Laranja Mecânica fez jus ao cognome, comandando as operações. Poderia até ter chegado à vitória mais cedo: uma defesa extraordinária de Ochoa aos 57' travou-lhe o passo na sequência de um canto marcado por De Vrij. Depois, aos 74, o excepcional guardião mexicano impediu Robben de chegar ao golo.

Mas a pressão holandesa era fortíssima: adivinhava-se o empate a qualquer momento. Que chegou enfim aos 88', com um potente remate de Sneijeder, aproveitando uma bola de ressalto. Três minutos depois, já no período complementar, Robben voltou a ser protagonista de um lance polémico dentro da área mexicana: aparentemente, Rafa Márquez prendeu-lhe o pé de apoio em zona proibida. Pedro Proença não hesitou, apontando para a marca de grande penalidade.

Já aos 44' um lance semelhante - culminando com outra queda de Robben, derrubado por Andújar - motivara fortes protestos holandeses, aos quais o árbitro português fez orelhas moucas. Desta vez tudo foi diferente: Huntelaar, chamado a converter o penálti, não falhou. Herrera protestou contra Proença, como lhe competia, mas a meu ver sem razão.

 

Já não havia tempo para reagir. Caía o mito Ochoa - até ao momento, o melhor guarda-redes do Mundial. Caía a selecção mexicana. Mas de pé, com o orgulho de quem se bate sem temor até ao fim. Merecia ter seguido em frente. Mas esta Holanda, já se percebeu, está imparável. Até onde chegará?

 

Holanda, 2 - México, 1


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Feira da ladra
Luciano Amaral

Não percebo porque é que, nesta altura do ano, os jornais desportivos parecem um Jornal de Ocasião (um olx.pt, vá lá, para ser mais moderno) de jogadores de futebol. Bem, lá perceber percebo, o que não percebo é porque se chama àquilo jornalismo.


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...mas acho que o Holanda-México foi um verdadeiro hino ao futebol.

 

PS - Não se preocupem, uma análise de jeito ao jogo vem mais logo pelas mãos do Pedro Correia.


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Os homens ilustrados
Antonio Figueira

Comi alguma coisa estragada ao jantar e tive um pesadelo horrível: que no Mundial de 2054, disputado na Gronelândia (era em Junho, os dias nunca mais acabavam e fazia muito calor), os jogadores equipavam apenas de calções e as selecções distinguiam-se umas das outras pelas tatuagens que os jogadores usavam no tronco (os brasileiros com uns tucanos e uns sabiás sobre fundo amarelo, os do Emirado da Síria e do Levante todos pintados de negro, só com uns dizeres do Profeta a enfeitar, etc.); os árbitros, por seu lado, distinguiam-se dos jogadores por serem autorizados a usar cabelo, e usavam todos o mesmo corte, dito à Meireles (em homenagem a um jogador português do princípio do século); e Portugal lixou-se, mais uma vez, por acumulação de cartões (que no novo código FIFA eram amarelos por pensamentos impuros, cor-de-laranja por dentadas e vermelhos por blasfémias & insultos politicamente incorrectos): o detector telepático apanhou um dos nossos defesas carecas a dar uma cabeçada virtual num avançado da Prússia e a partir daí foi o descalabro.


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Ele chama-se Marcelo. Não quer dizer onde vive. É fácil adivinhar que a sua realidade não é a porta da frente, que nasceu do lado errado da cidade. De um dos demasiados lados errados de São Paulo.

 

É um mulatinho de calções curtos, pernas finas, cabelo crespo, olhos como a noite, brilhantes. Dá vontade de lhe perguntar o que esconde a atrás desses olhos. Tem 12 anos, diz, tamanho de nove, no máximo. Desde manhã cedo que peregrina pela Vila Madalena, bairro boémio de São Paulo que se tornou no epicentro dos festejos da Copa, com uma caixinha de cartão. Dentro da caixinha pacotes de balas (rebuçados) coloridas. Cada pacote um real. Marcelo, como a maioria dos meninos vendedores, não está lá sozinho, há toda uma rede por detrás. Mas disso também nao quer falar. Em São Paulo há mais de cem mil crianças e adolescentes, numa estimativa por baixo, que trabalham vendendo doces, panos de louça, engraxando sapatos, mendigando, fazendo malabarismos nos semáforos. A versão moderna da muralha medieval? Em São Paulo, como em Lisboa, é a janela do carro.

 

Marcelo, o menino desajeitado, entrou no José Menino Botequim, um bar na Mourato Coelho. Uma pequena subversão. A porta da frente é uma fronteira invisível. Entre os que podem pagar cem reais de entrada – com direito a cinco chopes ou duas caipirinhas – pelo privilégio de ver o Brasil jogar contra o Chile num écran plano, num ambiente “seleccionado”, vendo a rua a uma distância segura, e a rua. A rua, neste sábado, é compacta, tecida por homens e mulheres vestidos de verde e amarelo com as cabeças cobertas pelas mais inventivas variações de chapéus. O Inverno fez uma pausa. O calor é tão pesado que quase se toca com os dedos. Chove cerveja. Vuvuzelas, tambores, apitos.Uma explosão de som. Alegria seminal. Infernal.

 

Na mesa em frente à minha alguém vê o menino e prepara-se para o denunciar. “Trabalho infantil é crime”. “Deixa o menino ficar. Senta aqui”, diz um homem noutra mesa. São as pequenas delicadezas que dão sentido à vida. “Você quer alguma coisa?”. “Ver o jogo”, diz Marcelo. Tão pouco, tudo. Os anseios do  daquele menino eram iguais aos de todos no bar e o seu coração batia com o mesmo descompasso.

O Brasil empata com Chile. “Como vai ficar o jogo, Marcelo?”. “O Brasil vai ganhar. Vai ganhar sim”. Sopra com força na corneta amarela. Em torno todos riem com o menino. “Sou brasileiro com muito orgulho”, canta com uma voz que o corpo franzino não fazia supor. O bar chique enternece-se com o menino do morro. “Você vai dar-nos sorte?”. Enquanto se acredita no improvável há sempre uma oportunidade. “Dou sim”.

 

O Brasil vai a penaltis. De Roraima ao Rio Grande do Sul há uma nação suspensa das luvas de um goleiro com nome de imperador. “Assim ninguém vai poder dizer que o Brasil comprou a Copa, pô”. Deu Brasil e o menino chora. O bar abraça-se numa loucura. Um e outro e outro pegam no menino ao colo, atiram-no ao ar. “Você foi a nossa mascote. Nos deu sorte”. O bar compra a caixinha completa de balas ao Marcelo-mascote-herói e ainda paga o dobro. O Marcelo sorri, sorri sem reservas. Cumpriu um sonho “ver o jogo como os ricos da Vila (Madalena)” e hoje a mãe “não vai bater, nem chingar”.

O futebol inventou um jeito de igualar todos, pelo menos  por um dia.

 

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Junya TANAKA
Rui Cerdeira Branco

Será avançado, será número 10, é japonês, tem 26 anos, internacional pelo seu país sobre o qual poucos entenderam o porquê de ter ficado de fora do mundial. O Sporting foi buscá-lo ao Kashiwa Reysol procurando reforçar a sua linha ofensiva, patrocinando aquele que será o primeira ingresso de Tanaka nos campeonatos europeus.

Segundo o comunicado oficial do Sporting Clube de Portugal, foi firmado contrato até junho de 2019. E agora o vídeo da praxe (certamente já visto há alguns dias por James Rodriguez):

 


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Amarelos
Luciano Amaral

Ontem, no Mundial, duas equipas jogaram de amarelo e a que jogou melhor não foi a do costume. Daqui a uma semana jogam uma contra a outra. Vai ser muito interessante.


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Caro Carlos: percebes muito de futebol e gosto de te escutar, sobretudo depois dos jogos. Mas também tu precisas de melhorar em termos técnico-tácticos: deves falar de forma menos codificada, tendo em atenção a vasta audiência da RTP. E procura sobretudo falar de forma mais pausada. Direi mesmo: mais de-va-gar. Quase nunca consigo acompanhar a tua velocidade verbal. E não devo ser só eu.

Um abraço deste teu admirador.


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Cuidados Intensivos (6)
João Paulo Palha

 

Luís Francisco, há pouco, na TVI24: Eu estou convencido de que temos campeonato do mundo até ao fim. Até pode ser que me engane, mas quer-me parecer que este tipo tem razão.


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Sábado, 28 de Junho de 2014

Há jogos que começam a ser perdidos muito antes do apito inicial do árbitro. Aconteceu com o jogo desta noite, dos oitavos-de-final do Campeonato do Mundo, que opôs no mítico Maracanã a Colômbia ao Uruguai. Terminou com uma vitória indiscutível dos colombianos, que há 16 anos não participavam num Mundial e atingem pela primeira vez uma fase tão avançada da prova máxima do futebol a nível de selecções.

Foi também o jogo da vida do ex-portista James Rodríguez, actual médio ofensivo do Mónaco, com apenas 22 anos. Autor dos dois golos desta partida: já contabiliza cinco no Brasil, tantos como Neymar, tendo ultrapassado Messi e Müller na lista dos melhores goleadores do Mundial.

 

São dois golos extraordinários, por motivos diferentes.

O primeiro é uma obra de arte individual, que haveremos de rever inúmeras vezes: servido de cabeça por Aguilar, a cerca de 15 metros da baliza, em zona frontal, James recebe muito bem a bola, ampara-a com o peito e sem a deixar cair remata à meia-volta num pontapé seco, forte, intencional e bem colocado. O guardião argentino ainda lhe tocou com a ponta dos dedos, sem conseguir travá-la: entrou pela zona superior direita da baliza, sem hipóteses de defesa.

O segundo é uma obra de arte colectiva, que a partir de agora devia ser exibida em todas as academias de futebol. Uma fabulosa jogada ao primeiro toque, com a bola sempre em movimento. De Gutiérrez para Jackson, de Jackson para Armero, de Armero para Cuadrado, de Cuadrado para James.

E a propósito de Cuadrado: o jogador da Fiorentina voltou a fazer uma partida magnífica, tendo já a seu crédito um golo e quatro assistências no Mundial.

Jogos como este, golos como estes, são uma extraordinária homenagem ao futebol de ataque, confirmando este Campeonato do Mundo como um dos melhores de sempre.

 

Sou suspeito, porque torcia pela quarta vitória consecutiva da Colômbia: não consigo assistir a uma partida de futebol sem tomar partido. E considero que o Uruguai já entrou em campo derrotado pela inqualificável consulta antidesportiva do seu goleador, Luis Suárez, justamente castigado com uma sanção duríssima pela FIFA por ter mordido um adversário no jogo Itália-Uruguai - conduta em que é reincidente (é pelo menos a terceira vez que protagoniza um lamentável lance deste género).

Os uruguaios passaram aos oitavos, mas Suárez regressou a casa. Estará afastado da selecção por nove jogos, o que lhe dará imenso tempo para reflectir sobre a sua conduta. Prejudicou-se a si próprio. E também prejudicou a equipa, que hoje entrou em campo já psicologicamente batida sem o colega que figurou entre os melhores marcadores do Mundial de 2010 e marcou 11 golos na fase de qualificação.

Este foi um Uruguai irreconhecível, sem soluções de ataque, em nada semelhante à selecção classificada em quarto lugar no Campeonato do Mundo da África do Sul. Com Forlán, distinguido com o título de melhor jogador nesse torneio, agora substituído na segunda parte após uma exibição apagadíssima, sem conseguir estabelecer a ligação entre o meio-campo e o ataque. Um Uruguai que fica por aqui após ter eliminado ingleses e italianos na fase de grupos.

 

....................................................................

 

A Colômbia vai jogar agora com o Brasil, que derrotou também hoje o Chile com o recurso ao desempate por grandes penalidades após o jogo ter terminado 1-1, já após o prolongamento, no estádio do Mineirão, em Belo Horizonte. Scolari deve ter acendido uma vela à Senhora de Caravaggio por este triunfo tão suado.

Mas terá de fazer bem mais que isso nos quartos-de-final se quiser ultrapassar esse poderoso obstáculo chamado Colômbia. Que pode estar para o Brasil em 2014 como o Uruguai esteve em 1950, quando o escrete - também na condição de selecção anfitriã - saiu derrotado do Maracanã, sem apelo nem agravo. Um trauma que chegou aos nossos dias.

"Brasil toca madera", escreve a Marca. Depois do que vimos hoje, no Maracanã e no Mineirão, não admira nada.

 

Colômbia, 2 - Uruguai, 0

Brasil, 1 - Chile, 1 (3-2 nas grandes penalidades)


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Vencedores & vencidos (5 notas)
José Navarro de Andrade

É verdade que a selecção da Grécia joga um futebol brusco e picotado e tem um treinador que lhes grita – vimos todos – “calma, car@#§&!”, comprovando a perfeita capacidade comunicacional do calão português. Mas os gregos são a mais nostálgica colecção de cromos deste Mundial; cada um deles ostenta o fácies proletário dos jogadores dos anos 50 e 60, como se tivessem sido recrutados nas docas do Pireu. Katsouranis está ao nível de selvajaria a que sempre nos habituou e Karagounis segue demonstrando a sua incompatibilidade com as lâminas de barbear e com as decisões dos árbitros. Eles são a perfeita reminiscência física do futebol de outrora, antes desta gentrificação feita de penteados espampanantes e palmadinhas nas costas.

 

É de lamento a eliminação da paradoxal selecção inglesa. Por uma vez não entrou em campo com aquele tradicional sense of entitlement de quem vem repor uma verdade histórica, nem  encarou a derrota com o stiff upper lip presunçoso de quem acha que foi espoliado de direitos naturais. Os ingleses vieram jogar e fizeram-no com franqueza e elegância, tanto que perderam os dois jogos que necessitavam de ganhar aos pés da pragmática Itália e do furibundo Uruguai. É pena porque constituíam um agradável intermezzo ao futebol assanhado que veremos daqui em diante. Além de que a sua prematura eliminação redundará em grande rombo económico na indústria cervejeira mundial.

 

Em vez dos 90 e picos minutos da praxe os jogos da Argentina só têm 5’’ – os 5’’ de Messi. Da primeira vez foi o tempo necessário para partir a Croácia, da segunda venceu o Irão. No resto do tempo a selecção argentina troca a bola entendidamente à espera do instante em que o pequenote liga o botão, é uma espécie de desacelerador de partículas. Com isto, mesmo ostentando o pior treinador do certame (demasiados jogadores, demasiado bons, para fazer confusão a um táctico simples), querem ver que ainda chega à final?

 

Num ranking da revista Forbes do rendimento anual auferido pelos treinadores deste Mundial Paulo Bento está em 12º (nada a contestar) e o do Professor Carlos Queiroz, treinador do Irão, em 13º, com uma diferença de apenas €62.110 – menor que o preço de um Porsche. Diferença essa que daria singelo por dobrado em como não cobre a expropriação do fisco português a que Bento está sujeito. Ambos saíram no final da primeira ronda, Queiroz saiu felicíssimo por ter conseguido empatar um jogo em resultado da inovadora táctica do autocarro; Bento saiu acabrunhado por só ter vencido um jogo. Quem é o esperto, quem é?

 

Foi preciso chegar ao último jogo da fase de qualificação para descobrir a selecção que dá vontade de odiar. Consuetudinariamente reservado ao futebol panzer da Alemanha ou ronhoso da Itália, capazes de tirar do sério o adepto mais cerebral, desta vez a desonra a cabe ao sórdido Uruguai. Se Freitas Lobo viu 3 milhões de uruguaios a rematar com o pé de Suarez no golo contra a Inglaterra (uma imagem maior que o cinema, cujo máximo até hoje foi o filme “300”) então que não lhe tenha doído a dentada do mesmo Suarez em 61 milhões e 321 milhares de italianos por via do ombro de Chiellini. Felizmente os pigmeus da América Latina caíram aos pés do belíssimo James da Colômbia. Agora é preciso detestar outros – talvez o sorumbático Brasil, convencido que não precisa de jogar bem porque joga em casa?


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«Todos nós, a cada 365 dias, cumprimos mais um ano.»

Há pouco, na SIC Notícias


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William Carvalho


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Sexta-feira, 27 de Junho de 2014

Segundo leio no Record, o Sporting emitiu um comunicado a explicar as razões por que, ao contrário do anunciado, o arranque da Sporting TV não se efectuará, afinal, no dia 1 de Julho. De acordo com esta informação, o início das emissões está sujeito a autorização da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), que não terá ainda sido concedida. Deixando de lado a imprecisão do comunicado - fala-se indistintamente de licenciamento e autorização quando a actividade de televisão, neste caso, uma vez que não se trata da utilização do espectro hertziano terrestre, não está sujeita a licenciamento mas, tão só, a autorização - a situação é exactamente aquela sobre que escrevi em Março de 2013. Ou seja, não certamente por culpa da ERC, que se limita a exercer as suas atribuições em conformidade com o ordenamento jurídico aplicável, os sportinguistas, ou o clube, sem que se saiba exactamente porquê, vão ter, em obediência a valores e interesses desconhecidos, as suas liberdades de imprensa e de expressão condicionadas pela necessidade de autorização, a conceder pelo Estado, para a actividade do seu canal de televisão por cabo (transcrevo o meu post, a que acima aludi). Como então disse, A RTP, a SIC e a TVI, bem como outras da mesma natureza que possam, nos termos da lei, vir a ser constituídas, utilizam um bem do domínio público, o espaço radioeléctrico, um recurso escasso (embora a evolução tecnológica, com a Televisão Digital Terrestre, permita um muito maior aproveitamento do espaço disponível) que o Estado deve, portanto, gerir, disciplinar e fazer partilhar em obediência aos valores e interesses consagrados na nossa ordem jurídica. É bom de ver que, considerando tais circunstâncias, a lei não pode deixar de fixar  um conjunto de regras que determinem, até certo ponto, os princípios por que deve orientar-se o funcionamento e a programação destes canais, bem como o regime da atribuição das respectivas  frequências. Nada, pois, mais natural do que as licenças serem atribuídas no âmbito de um concurso regido por normas e procedimentos razoavelmente complexos. Mas, os canais por cabo? O que é que o Estado tem a ver com a decisão de seja quem for que  queira dedicar-se a esta actividade? Se alguém ou alguma sociedade ou associação (por exemplo, o Sporting) dispuser dos meios necessários e negociar a distribuição do canal com algum operador  licenciado para o efeito (a Zon, A Meo, a Vodafone,etc.), onde é que existe algum interesse que possa justificar a necessidade de o gozo de uma liberdade fundamental estar dependente de autorização prévia do Estado? 

 

Não vou agora repetir a totalidade do texto citado, que é um pouco extenso e poderá ser lido por algum possível interessado, mas, mais preocupado como cidadão do que como sportinguista, reafirmo a minha conclusão de então: ... tendo em conta o valor decisivo da liberdade de imprensa e da liberdade de expressão no nosso modelo de sociedade e nas nossas aspirações colectivas, esta, do ponto de vista das escolhas políticas, está longe de me parecer a melhor solução legal.

 

P.S. Já depois de publicado este texto, ocorre-me a resposta que, na sequência do post cuja ligação incluí acima, dei a questões que me foram colocadas pelo co-autor do És a Nossa Fé Filipe Moura. Admitindo que esta resposta possa ter algum interesse, renovado pelo iminente início de actividade da Sporting TV, publico-a novamente:

 

a)Quando se fala em liberdade de imprensa inclui-se todos os meios de comunicação social. Aquilo a que chama liberdade de emissão de televisão é, pois, uma manifestação da liberdade de imprensa, tal como a que se revela através da rádio, dos jornais, de outras publicações, da internet, etc.

b)A tecnologia de cabo também não permite a criação de um espaço de comunicação infinito, mas não é essa a questão a que me refiro. O que eu digo é que o espaço radioeléctrico é um bem do domínio público, um bem, portanto, cuja utilização implica algum controlo do Estado, a começar pela definição de regras respeitantes à sua partilha. Há múltiplos interesses que devem ser articulados, pelo que, até porque a constituição o exige, o Estado não pode deixar de determinar o número e as condições em que devem ser licenciados os canais que usem o espectro radioeléctrico. Parece-me, pois, evidente, que neste caso o Estado tem toda a obrigação e legitimidade, desde logo jurídica, para condicionar o uso deste meio para o exercício da liberdade de imprensa.
Mas isto é argumentação que só colhe relativamente às emissões no espaço radioeléctrico. Os operadores de televisão por cabo não utilizam o domínio público, isso acontecerá com os operadores de distribuição, o que constitui um problema completamente diferente e não tem aqui qualquer cabimento. Para o efeito em causa, não há qualquer diferença entre um jornal e um canal por cabo. O que é que pode legitimar a necessidade de autorização prévia do Estado para uma transmissão por cabo, não o sendo exigido para o lançamento de um jornal? Nada, há só um pequeno pormenor-repito o que disse no post: quando a Constituição foi aprovada não ocorreu ao legislador, como era normal, esta possibilidade, só pensou em jornais e outras publicações e na televisão e rádio no espaço radioeléctrico. Já desafiei várias pessoas a apresentá-los, mas nenhuma conseguiu ainda fornecer-me um argumento razoável a favor da solução legal. Os mais francos foram os que invocaram a necessidade de algum controlo pelo Estado. E mesmo esses esquecendo que o único controlo legítimo é o que é efectuado pela regulação, seja qual for o modelo para o efeito escolhido. A esta, de facto, nenhum canal poderá escapar, seja qual for o espaço ocupado, público ou não.
c) Quanto à terceira questão que refere, aquela em que faz a comparação com comboios e autocarros, não tenho a certeza de ter percebido a sua intenção, mas, se era a de estabelecer a diferença entre os diferentes meios de comunicação social com base na dimensão das estruturas a que recorrem, estou em desacordo consigo. A tecnologia utilizada não tem qualquer relevo para este efeito. O que interessa, face à magnitude dos valores de que falamos, é saber se há algum interesse que justifique a autorização prévia do Estado para o exercício da liberdade de imprensa quando a comunicação não utiliza o espaço público.
Eu não encontro nenhum. Continuo por isso a pensar que a necessidade de autorização, fixada pela lei, para as emissões da Sporting TV é um abuso.


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Falar sobre a má prestação da selecção portuguesa neste Mundial vai ser o tema principal nos cafés, transportes ou emprego, ocupando muitos dias, quiçá semanas. Virão outrossim a terreiro todo o tipo de comentadores (eu incluído!) munidos de certezas e nenhumas dúvidas (eu não incluído!) sobre o (mau) percurso dos nossos “Conquistadores” em terras brasileiras.

Normalmente gosto de pensar que há sempre uma razão para aquilo que nos acontece. Talvez seja a minha opção religiosa que me leva a pensar assim. Ou talvez não!

Observando bem as exibições da selecção portuguesa neste Mundial, direi que não jogámos de forma muito diferente daquela que foi a campanha de apuramento para o Brasil. Exibições paupérrimas deixaram os portugueses à beira de um ataque de nervos. E não fosse Cristiano Ronaldo estar num dia perfeito e hoje não estaria também aqui a esmiuçar este passado recente, dos nossos jogadores.

Lembro-me como era a nossa selecção vai para 30/40 anos. Cada jogo que fazíamos com equipas supostamente mais fortes era uma final. E quando ganhávamos era uma verdadeira festa. Depois vieram os mundiais de sub-20 e sub-21 de Riad e Lisboa respectivamente, onde Portugal foi em ambas justo vencedor. A partir desta altura pensou-se que tudo estaria mudado no nosso futebol. A “geração de oiro” habituou (mal) os portugueses a ganharem jogos, todavia sem que essas vitórias se traduzissem em qualquer título sénior. Basta recordarmos o Euro2004…

Mas foi esta espécie de soberba que atirou Portugal para o rol das equipas que-nem-necessitam-jogar-para-ganhar. Este terá sido o primeiro grande erro dos jogadores, treinadores e acima de todos eles os dirigentes federativos. Assim que a tal geração de Figo, Rui Costa e João Pinto deixou de jogar, a qualidade da nossa selecção caiu vertiginosamente até assentar agora num nível quase sofrível, do qual vai ter alguma dificuldade em sair. E nem mesmo Ronaldo conseguirá inverter esta queda a que a nossa selecção está condenada.

Em Setembro inicia-se nova campanha. Desta vez é o apuramento para o Europeu de 2016 em França. O grupo de Portugal até nem é muito mau, todavia tendo em consideração o que se passou recentemente no apuramento para o Mundial, tudo pode acontecer.

Por isso, e à distância de alguns meses, urge redefinir vontades, desejos e apostas. Há essencialmente que renovar. Não só os jogadores obviamente mas prioritariamente as mentalidades de todos quantos trabalham no mundo do futebol. A começar pelo dirigismo desportivo que como é notório raia a mediocridade.

Sem esta profunda alteração de visão estratégica e não só, as futuras selecções portuguesas arriscam-se a uma longuíssima travessia do deserto. Gostaria que não!

 

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De vez em quando ouço alguns sportinguistas dizer que Manuel José é que seria a pessoa indicada para conduzir os destinos da selecção nacional de futebol. Pensei hoje nessas opiniões ao ler no Record uma catilinária deste treinador contra o nosso William Carvalho. Sim, contra o William - que ele aponta como um dos piores elementos do Portugal-Gana de ontem. A par de Éder, vejam lá.

Diz ele, textualmente: «Não gostei da exibição de William Carvalho. Falhou muitos passes e esteve apático, sem correr riscos. Também Éder me desiludiu. Tem muitas dificuldades técnicas e, no que diz respeito ao domínio de bola, esteve péssimo.»

 

Ao equiparar William a Éder, Manuel José dá a entender que mal reparou no desafio. Não pode ter visto o mesmo jogo que eu vi. Não pode ter visto o mesmo jogo que viu António Oliveira, que também nesta edição do Record, umas tantas páginas adiante, escreve o seguinte: «William Carvalho trouxe segurança à equipa e mostrou que a sua capacidade de recuperação de bolas fez imensa falta nos jogos com Alemanha e EUA. Era a melhor solução para a posição de trinco.»

Oliveira viu o mesmo jogo que eu vi. Tal como viu Vítor Pinto, ainda no Record, que avalia os jogadores um a um. Sobre William, escreveu isto: «Chegou a parecer ter pouca confiança por insistir no jogo posicional, onde foi importante como guarda-costas dos centrais nas segundas bolas. Todavia, também foi uma solução fiável como ponto de apoio para o início de construção e cumpriu.»

E para não me ficar só pelo Record, transcrevo igualmente a apreciação que José Manuel Freitas faz de William na edição de hoje do jornal A Bola: «Face ao conservadorismo de Paulo Bento não esperávamos ver o sportinguista na posição 6. Fez bem o técnico em confiar-lhe o lugar, pois a sua serenidade, não a sua velocidade e é aí que deve apostar, trouxe a calma que o sector necessitava. O futuro da selecção nesta posição está garantido! Vamos vê-lo titular no Euro-2012.»

 

Todos viram o que Manuel José não viu. Conclusão: o ex-treinador do Al-Ahly precisa urgentemente de óculos com graduação muito forte. Apetece-me perguntar: é mesmo este homem que alguns sportinguistas gostariam de ver como seleccionador nacional?


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Conceição Alves, mais um nome gigante na história do Sporting e do atletismo português. Tal como as atletas a que foram dedicados os números anteriores desta série, Conceição Alves foi uma desportista que representou o Sporting a um nível elevadíssimo, muito difícil de atingir por qualquer atleta de qualquer modalidade, como facilmente concluiremos se prestarmos uma pequena atenção aos extraordinários resultados que obteve no decurso da sua carreira, tanto a nível individual como integrada em equipas do clube.

 

 

Conceição Alves, com a sua irmã gémea Manuela, também nossa grande atleta, para quem está reservado um próximo número destas evocações, veio para Portugal, oriunda de Moçambique, onde se distinguia com as cores do Desportivo de Lourenço Marques, e ingressou no Sporting em 1974, ano em que logo começou a dar nas vistas no salto em altura, disciplina em que viria a fazer-se notar, para a época e tendo em conta as limitações do atletismo português, num plano quase estratosférico. Naquele tempo, em que a especialização começava, no atletismo, a dar, entre nós, os primeiros passos, Conceição Alves conseguiu, ao longo de muitos anos de carreira, resultados excepcionais numa notável variedade de disciplinas. Muito sinteticamente, deixando, como tenho feito, a quem quiser uma relação mais pormenorizada, a indicação deste sítio, a que agradeço os elementos a seguir referidos, podemos destacar:

 

- foi campeã de Portugal dos 100 metros barreiras em quatro ocasiões, batendo várias vezes o respectivo record nacional;

- foi três vezes campeã de Portugal de salto em altura;

- bateu 12 vezes o record nacional da disciplina, fazendo progredir a respectiva marca de 1,61 m até 1,77 m, tendo esta última permanecido inultrapassada durante 9 anos;

- foi campeã de Portugal de salto em comprimento em duas temporadas, tendo também obtido três vezes o respectivo máximo nacional;

- foi, uma vez, campeã nacional do lançamento do peso;

- tendo-se dedicado, atendendo ao seu ecletismo, às provas combinadas, Conceição Alves foi, ainda, campeã nacional e recordista nacional do pentatlo e, depois, do heptatlo

e

- em pista coberta, obteve muitos títulos e máximos nacionais nos 60 metros barreiras, salto em altura e salto em comprimento.

Isto é apenas o essencial, o mínimo que podemos salientar na sua carreira, nem sequer refiro os contributos que teve para os muitos títulos colectivos do Sporting. Acrescentando uma especialidade às que acima menciono, poderíamos, por exemplo, dar o merecido relevo à sua participação em duas equipas do clube que venceram campeonatos de Portugal da estafeta de 4x100 metros. E poderíamos, também, destacar as muitas competições em que participou em representação do país.

 

Estes resultados e uma carreira devotada ao clube parecem-me mais do que suficientes para que incluamos Conceição Alves entre as grandes figuras da história do Sporting. Podemos ter a esperança de que este nome enorme não seja facilmente esquecido, tanto mais quanto tivermos em conta que lhe foram atribuídos um Prémio Stromp, em 1979, e, mais recentemente, em 2012, um prémio Rugidos de Leão. Mas é bom que, de vez em quando, relembremos a figura inesquecível de Conceição Alves entre as de grandes atletas do clube, praticantes de muitas modalidades, a que devemos a grandeza do Sporting Clube de Portugal.

 

Pelo seu contributo para a história de um Sporting com a dimensão que os seus fundadores sonharam e com a grandeza que nós, sportinguistas, queremos que se mantenha, uma calorosa saudação, de sincero reconhecimento, a Conceição Alves.


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Oracular
Antonio Figueira

Tarde descobri este manuscrito do Mar Morto, mas tem de ser dado a conhecer aos fieis.


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Argentina
Duarte Fonseca

Finalizada a fase de grupos e concretizada a mais que expectável mediocridade da nossa equipa, vou continuar a torcer pela albiceleste.


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Paulo Bento forever.


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Leoas às sextas
Pedro Correia

 

 

Sofia Alves

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O dia em que Portugal "caiu fora"
Helena Ferro de Gouveia

Acabo de chegar da Casa de Portugal em São Paulo. Fui assistir sozinha ao jogo entre Portugal e o Gana.

Gosto de exercitar a dúvida - será que é mesmo assim? será que tudo está perdido? - e sou por natureza uma optimista. Acredito que há sempre um novo dia, vinte quatro horas em que nos podemos reinventar. E por isso quis acreditar num milagre. O taxista bem disposto lá foi dizendo "Portugal vai marcar, nê? Tem que" e me dá tchau com um sorriso do tamanhão do Brasil.

 

Embrulhada na bandeira, rodeada por "patricios", fiz promessas cabeludas - se a selecção se qualificasse beijaria todos os Manueis, os protagonistas das piadas sobre portugueses Brasil, que conheço - , coloquei um chapéu ridículo com um galo de Barcelos na cabeça - se todas as cartas de amor são ridículas o que dizer dos fanáticos (as) pelo futebol -  e desejei muito a vitória.

Desejar, verbo intransitivo, é a insatisfação que nos faz mover, estar a caminho. Mesmo sabendo que o Happy End pode não se concretizar resta a hipótese. Ainda que os momentos de felicidade escorram por entre os dedos como areia, sejam auto-golos, ou aqueles que o Ronaldo não celebrou (infelizmente porque aqueles abdominais deixam saudades). Aprendi com o meu pai, que chorava a cada golo, que os sonhos não devem ser desperdiçados.

 

Tantos se esquecem de viver o quotidiano, as pequenas alegrias, em troca dessa quimera chamada perfeição. Se a vida fosse um "comercial", um desses geniais da Skol, o "craque", transportando  a esperança de tantos na ponta dos pés, teria marcado, um e outro e outro golo fantásticos, levando ao êxtase as arquibancadas. Porém na vida, aquela a sério, não a do photoshop, há mais príncipes encantados a transformarem-se em sapos do que sapos a transformarem-se em príncipes encantados. Ou dito de outra forma, os dias são imperfeitos, como as famílias, os filhos - surpreendo-me sempre com o que sinto quando me despeço da minhas filhas e sobre como é possível gostar tanto, tanto - ou um grande amor. É essa imperfeição, são esses cantos que às vezes ferem que nos recordam que estamos vivos e nos fazem mover. Desejar, verbo intransitivo. Escolher como olhamos para a vida é um acto de liberdade.

 

E o que é isto tudo tem a ver com a Copa? Tudo. Porque "futebol se joga na alma./ A bola é a mesma: forma sacra/para craques e pernas-de-pau. /Mesma a volúpia de chutar /na delirante copa-mundo/ ou no árido espaço do morro".

 

O futebol é assim. Cheio de desimportâncias. 

 

Enfim, reconciliei-me com o Ronaldo. Lembro-me que o Baggio, o melhor do mundo em 1993, falhou o penalti decisivo contra o Brasil, Ronaldinho, o melhor do mundo 2005, não fez um único golo na Alemanha em 2006, Messi, o melhor do mundo(gassppp como me custa escrever isto) passou o Mundial da África do Sul sem marcar e viu a Argentina ser afastada pela Alemanha por 4 a 0. Para o Ronaldo "aquele abraço" e agora só tenho de resolver um dilema, uma vez que vou estar até à final no Brasil: apoiar esse amável Brasil (que amo tanto), apoiar a rainha má Alemanha (a minha pátria afectiva) ou torcer por um underdog ou uma underbitch (a Grécia não, a Grécia não).

 

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Quinta-feira, 26 de Junho de 2014

Digam o que disserem, a verdade é que nos jogos em que William Carvalho actuou Portugal não perdeu.

 

Um empate e uma vitória!


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Até agora os jogadores estrangeiros do Sporting que representam as suas selecções já marcaram tantos golos (3) como toda a selecção portuguesa.

 

E ainda continuam em prova!


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É a história de sempre, que faz o sortilégio e o drama do futebol: por vezes a barra de uma baliza atravessa-se na trajectória da bola e é quanto basta para reescrever toda a história de um jogo.

A verdade é que iam decorridos os primeiros 20 minutos do Portugal-Gana, dominados por completo pela selecção nacional, com duas hipóteses flagrantes de golo para o onze comandado por Paulo Bento.

A primeira, logo aos 5', resultou de uma incursão de Cristiano Ronaldo pelo lado direito: o capitão português fez um remate forte e bem colocado, sem hipóteses de defesa para o guardião ganês. A barra encarregou-se de travar a bola.

A segunda, também por Cristiano Ronaldo, ocorreu aos 18' após um grande cruzamento de João Pereira. Um tiro à baliza a que o guarda-redes correspondeu com uma excelente defesa.

 

Tudo poderia ter sido bem diferente. Até porque no Alemanha-Estados Unidos, que decorria à mesma hora, a selecção alemã cumpria o seu papel de favorita derrotando os norte-americanos, embora pela margem mínima - com mais um golo de Müller.

Precisávamos de uma goleada no estádio Mané Garrincha, em Brasília: quatro a zero ou a cinco a um.

Só marcámos dois.

E deixámos até o Gana assumir o controlo da partida nos últimos 20 minutos da primeira parte. Isto apesar de termos ido para o intervalo a vencer 1-0, graças a um brinde de um defesa africano, que viu um mau alívio transformado em autogolo.

 

Na etapa complementar, quando se impunha que tomássemos em definitivo as rédeas da partida, cedemos demasiado terreno ao Gana e sofremos alguns calafrios - desde logo o golo do empate, conseguido por espaço em excesso na lateral direita e deficiente marcação na zona da nossa defesa central.

Foi só aí que soou o alarme do tudo ou nada, tipicamente à portuguesa.

Paulo Bento - que enfim se convenceu a trocar Raul Meireles e Miguel Veloso por Rúben Amorim e William Carvalho no meio-campo - tardou demasiado em substituir o ineficiente Éder pelo acutilante Vieirinha, que ajudou a pôr os ganeses em sentido. Antes entrara Varela, que devia ter sido titular: nem sempre meia hora basta para o habitual talismã da selecção marcar o golo da praxe.

Desta vez não bastou.

 

Faltavam dez minutos quando Cristiano Ronaldo marcou finalmente o seu primeiro (e último) golo do Mundial, após excelente cruzamento de Nani. O número 7 teve a lucidez de não festejar: os minutos escoavam-se, havia mais que fazer. Tanto mais que tínhamos outro jogador lesionado, a somar-se a tantos outros: desta vez foi Beto, que teve de ser substituído na baliza in extremis pelo veterano Eduardo.

Se tivéssemos chegado aos oitavos, contaríamos com apenas um guarda-redes dos três que viajaram para o Brasil: este é, no entanto, um problema que Paulo Bento já não terá. Os "Conquistadores" regressam a casa com uma vitória tangencial, um empate esforçado e uma derrota copiosa. Quem os baptizou desta maneira revela fracos dotes proféticos: desta vez nada se conquistou.

 

Portugal, 2 - Gana, 1

 

.................................................

 

Os jogadores portugueses, um a um:

 

Beto - Seguro e concentrado, com bons reflexos e um par de defesas a merecer aplauso. Transmitiu confiança à equipa. Sem culpa no golo ganês. Lesionou-se e teve de dar lugar a Eduardo a poucos minutos do fim. Saiu lavado em lágrimas - símbolo da desilusão de todos os portugueses.

 

João Pereira - Voltou a ser irregular. Fez menos incursões pela sua ala do que Portugal precisava. Aos 18' protagonizou no entanto um dos melhores lances do encontro com um cruzamento perfeito para Cristiano Ronaldo: ia sendo golo. Depois foi-se apagando. Acabou por sair 61' por troca com Varela, passando Ruben Amorim a jogar na sua posição.

 

Pepe - Regressou ao onze titular após um jogo de castigo (contra os EUA). Esteve globalmente bem, antecipando-se quase sempre aos avançados ganeses. Mas teve uma falha de cobertura no lance em que os africanos empataram.

 

Bruno Alves - A melhor partida do defesa central neste Campeonato do Mundo, embora tenha revelado alguma descoordenação com Miguel Veloso na ala esquerda, que voltou a ser o nosso ponto mais fraco.

 

Miguel Veloso - Está sem ritmo competitivo, como ficou evidente no Mundial. Paulo Bento, no entanto, teimou em apostar nele - desta vez como lateral esquerdo titular. A posição não é estranha ao médio formado no Sporting mas exige-lhe uma mobilidade que de momento não tem. De qualquer modo, o lance do nosso primeiro golo nasce de um cruzamento da sua autoria. Deu também o habitual contributo nos lances de bola parada ofensivos, embora sem grande resultado.

 

William Carvalho - Demorou mas conseguiu: ao terceiro jogo do Mundial, o seleccionador finalmente colocou-o a titular. A presença do médio defensivo do Sporting foi um dos factores que levaram a que este desafio fosse, de longe, o melhor dos três que disputámos no Brasil. De uma das muitas recuperações de bola que concretizou no seu sector começou a jogada que terminaria no golo da vitória portuguesa.

 

Rúben Amorim - Começou discreto, revelando alguns problemas de articulação com Miguel Veloso por aparente falta de treino da solução táctica que o fez actuar na posição habitualmente destinada a Raul Meireles. Mas não comprometeu. E melhorou o rendimento na última meia hora, quando Paulo Bento o fez jogar a lateral direito após a saída de João Pereira.

 

João Moutinho - Um dos desempenhos que fizeram a diferença - para bastante melhor. Se Portugal tivesse jogado nas duas partidas anteriores com o Moutinho que esta tarde actuou em Brasília, certamente teríamos carimbado a nossa passagem aos oitavos-de-final. Hoje o médio do Mónaco voltou a ser influente e combativo, criando linhas de passe em mobilidade contínua. E teve um excelente apontamento técnico no lance que precedeu o primeiro golo. Soube a pouco, esta boa exibição quase ao cair do pano.

 

Nani - É daqueles jogadores que, mesmo com exibições medianas (como foi o caso), conseguem estabelecer sempre a diferença. Fez uma assistência impecável para o golo de Ronaldo e já no período complementar da segunda parte voltou a servi-lo da melhor maneira, com o capitão a desperdiçar o brinde.

 

Cristiano Ronaldo - A meio da semana fez declarações públicas dando já por terminada a participação portuguesa no Mundial quando ainda tínhamos este jogo por disputar. Falou cedo de mais, tal como antes tinha falado no tempo errado ao profetizar que este seria "o ano de Portugal". Nunca esteve - nem de perto - ao seu melhor nível no Brasil. O que ficou bem evidente neste jogo: marcou um golo (o 50º ao serviço da selecção), que nem festejou, mas podia ter marcado dois ou três. Pouca coisa lhe saiu bem. Às vezes o melhor é não falar tanto.

 

Éder - Já lá vão dez jogos na selecção e nem um golo para amostra - o que, convenhamos, é algo estranho para um avançado. Paulo Bento insistiu em tê-lo como titular. Mas a aposta saiu-lhe furada, uma vez mais. O bracarense foi o elo mais fraco do onze português: quase nada lhe saiu bem. Substituído aos 66' por Vieirinha. Já saiu tarde.

 

Varela - Entrou aos 61'. Três minutos depois estava já a fazer um cruzamento muito bom, servindo Ronaldo na área. Trouxe mais dinamismo e ousadia ao ataque português. Ficou a sensação de que devia ter entrado muito mais cedo num jogo em que precisávamos não só de ganhar mas de marcar vários golos.

 

Vieirinha - Porque permaneceu tanto tempo no banco? Entrou aos 66', para o lugar de Éder, e deu mais profundidade do ataque português, embora nem sempre da forma mais esclarecida.

 

Eduardo - O nosso guarda-redes titular do Mundial de 2010 jogou hoje alguns minutos, rendendo Beto, lesionado à beira do fim. Não chegou a fazer qualquer defesa.

 

Cristiano Ronaldo: adeus, Mundial


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Eu quero lá saber que a Costa Rica tenha passado a fase de grupos e Portugal não: a Costa Rica não conta, apurou-se neste Campeonato e volta a apurar-se daqui a cem anos, não faz parte da aristocracia do futebol, como faz Portugal, e por direito divino. É contra outros aristocratas que tais que nós nos batemos e foram eles que mais uma vez vencemos. A horrível Espanha, que ousou ganhar-nos há quatro anos, na África do Sul, e até andar para aí a dizer que era campeã da Europa, e do mundo, etc., caiu de borco, a madraça, a asna, a grotesca palhaça, logo ao fim do segundo jogo. A pérfida Inglaterra, que nos persegue desde o tempo do Jacky Charlton, e que em 66 se interpôs entre nós e as nossas aspirações naturais ao domínio do mundo (futebolístico; uma espécie de mapa-cor-de-rosa, se virmos bem), tombou ao fim de dois jogos e meio – isto é, ao fim do segundo ainda não estava eliminada, mas antes do terceiro já estava, graças à vitória da Costa Rica sobre a Itália no entrementes. Agora nós – e é isto que lhes dói – precisámos de três-jogos-três para irmos à nossa vida. Bem-hajam pois "Os Conquistadores" e viva a nossa Federação, a cerveja Sagres e os supermercados Continente! Bom, e agora que a nossa pequena competição particular contra o inimigo convencional e a mais velha aliada terminou, e logo da melhor maneira, vamos ver o Mundial a sério, que já é tempo. Venham os oitavos!


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Jose Mujica, presidente do Uruguai, saiu em defesa de Luis Suárez, dizendo que o avançado também sofre muito nos jogos e "não se queixa". Para o presidente do Uruguai, Suárez não entrou na convocatória para para ser "filósofo, mecânico ou para ter boas maneiras". Mujica reforçou que Suárez "é um bom jogador" e alegou que não o viu morder ninguém.

Resta saber se a FIFA, no seu afã de promover as equipas americanas neste campeonato (o que, de resto, se viu no jogo com a Itália, com a incrível expulsão de Marchisio e a manutenção em jogo de Suárez), acrescenta mais uma camada de terceiro-mundismo à história não punindo severamente Suárez.


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Beto

Pereira, Pepe, Alves, Costa

Moutinho, Veloso, Meireles

Nani, Éder, Ronaldo

 

Qualquer alteração a isto deverá ser dissecada com muito cuidado e poderá ser considerada o princípio da decadência de um homem que sabe tudo.


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Ainda há esperança
Luciano Amaral

Paulo Bento disse que não se demitiria, acontecesse o que acontecesse hoje. Mas não disse nada sobre o que faria acontecesse o que acontecesse amanhã.


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1. Prioridade máxima hoje para Portugal no decisivo jogo contra o Gana: ter a melhor frente atacante possível com estes jogadores que foram convocados para o Campeonato do Mundo. Cristiano Ronaldo deve jogar no eixo do ataque, fixando os frágeis centrais ganeses, com Nani e Varela a extremos. Todos têm provas dadas nestas posições. Não é o momento para experimentalismos com avançados como Éder, que promete muito mas ainda não marcou nenhum golo pela selecção. E muito menos é o momento para apostar em jogadores sem rotinas e notórios problemas de ordem física, como foi o caso de Postiga - o mais clamoroso erro de casting da partida anterior.

 

2. Aproveitar Cristiano Ronaldo nesse lugar potencia a dinâmica posicional do jogador, que tem tendência natural de flectir da ala para o centro. Imaginar que ele seria um extremo puro, encarregado também de missões defensivas, como sucedeu nas partidas anteriores, é ignorar as suas características e a própria condição física de Ronaldo - muito longe dos 100% apregoados antes do início da participação portuguesa no Mundial. Contra os EUA foi sempre preciso haver um médio a fazer dobra à ala, em missões defensivas, descurando o processo ofensivo, e nem assim as coisas funcionaram. Pareceu sempre que jogávamos com menos um elemento no meio-campo.

 

3. Outra prioridadade máxima: reforçar a nossa lateral esquerda. No jogo contra os EUA todos os ataques adversários ocorreram por este flanco. Com o mais que previsível regresso de Pepe ao eixo da defesa (embora eu preferisse Neto porque para mim Pepe não voltaria a jogar neste Mundial depois do que aconteceu no jogo com a Alemanha), a lateral deve ser confiada a Ricardo Costa, um dos raros portugueses que cumpriram a missão que lhe foi destinada contra os EUA, tendo aliás já jogado nesta posição. É um reforço de segurança, solidez e maturidade do nosso reduto defensivo.

 

4. William Carvalho, que tão boas provas deu na segunda parte do jogo anterior, é presença obrigatória como médio defensivo. Recupera bolas, participa na primeira fase do processo ofensivo, funciona como um baluarte à frente da defesa sem nunca perder a posição. Só a proverbial casmurrice de Paulo Bento foi adiando a sua presença em campo como titular, o que só agora deve suceder dada a manifesta incapacidade do trio Veloso-Meireles-Moutinho, o nosso elo mais fraco nos dois jogos anteriores.

 

5. Portugal - não esqueçamos - está classificado na quarta posição do ranking da FIFA. Já atingimos as meias-finais de dois Campeonatos do Mundo e no último Europeu fomos semifinalistas, tendo sido derrotados pelos campeões do Mundo na marcação de pontapés de grande penalidade. Esta é a realidade, que convém lembrar aos mais desmemorizados, que ao primeiro desaire - à boa maneira portuguesa - logo se apressam a apedrejar quem já foi capaz de revelar mérito noutras circunstâncias. Precisamos de derrotar por três golos de diferença a selecção do Gana - classificada muito abaixo de nós no mesmo ranking, exactamente na posição 37.

Não é preciso milagre algum para conseguirmos uma vitória expressiva: basta entrarmos em campo com os melhores jogadores, adaptando-os à táctica mais adequada.

Só isso. E esperar o resultado do encontro Alemanha-EUA, que se disputa à mesma hora. Aí - e só aí - é que já não depende só de nós.


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Quarta-feira, 25 de Junho de 2014

 

Gostei das justificações do médico da selecção nacional. Gostei de saber que levaram metade da equipa titular lesionada para o Mundial. Gostei de saber que todos sabiam e todos preferiram acreditar na Nossa Senhora de Fátima. Gostei mais ainda desta fotografia: a selfie dos jogadores portugueses.


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