Sábado, 31 de Maio de 2014

 

Sem Cristiano Ronaldo, a selecção nacional não ultrapassa a mediania, como ficou bem demonstrado no empate a zero contra a Grécia no Estádio Nacional. Dir-se-á que o jogo era a feijões. Mesmo assim, soube a muito pouco. E foi até uma partida penosa de ver: confesso que desisti aos 80 minutos.

Como nota positiva realço apenas a boa exibição de Nani, que parece recuperado das lesões que o mantiveram afastado dos relvados durante grande parte da temporada no campeonato inglês. Também Postiga - que jogou na primeira parte - teve bons apontamentos, dando igualmente a sensação de estar em boa forma física após as lesões que o relegaram para intermináveis sessões de fisioterapia, quase sem poder dar contributo à Lazio.

Tudo o resto foi monótono, desinspirado e previsível. E nem o nosso William Carvalho, titular neste encontro, jogou ao excelente nível a que nos habituou no Sporting.

Mas a pior notícia sobre a selecção foi hoje impressa em Espanha: o influente El País garante que a participação de Cristiano Ronaldo no Mundial está em risco devido a uma persistente inflamação no tendão rotuliano da perna esquerda do craque.

Esperemos que tudo não passe de falso alarme. Porque a nossa equipa nacional sem Ronaldo nem meia equipa é. A prova voltou a estar hoje à vista, para quem ainda tivesse dúvidas.


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Balanço (19)
Pedro Correia

 

O que dissemos aqui, durante a temporada, sobre VÍTOR:

 

- Duarte Fonseca: «[Na semana passada] dei por mim a pensar que Vítor seria uma excelente opção para o actual plantel do Sporting. Porque traria experiência, porque acrescentaria qualidade e porque tem um perfil que me parece completamente consentâneo com a actual política do Sporting. Além disso, não deverá ter problemas de integração.» (3 de Setembro)

- Francisco Melo: «O ex-Paços de Ferreira não acusou a pressão de jogar num Grande. Enturmou bem na equipa do Sporting, e parece querer aproveitar ao máximo a oportunidade que, na opinião de muitos, já merecia há mais tempo na sua carreira.» (21 de Outubro)

- Tiago Cabral: «A sua forma de jogar, que apenas a sua excelente técnica o permite, transforma o difícil em fácil e o complicado em simples. Joga de cabeça levantada, antes de receber a bola já sabe onde a vai colocar.» (25 de Novembro)


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Este foi um dos cinco "posts da semana" seleccionados pelo Sapo de todos os blogues que estão alojados nesta plataforma. Mais um pequeno troféu para este blogue, que é de quem o faz mas também de quem o lê.

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Faz hoje um ano
Pedro Correia

 

Vão certamente perdoar-me a autocitação, mas apetece-me reproduzir um texto que aqui publiquei em 31 de Maio de 2013, quando como agora se vivia já no período do defeso, entre duas temporadas do futebol:

 

«A diferença que um acentozinho faz. Imaginem só esta manchete sem acento na segunda palavra: não tinha o mesmo carácter épico, pois não? Foi comovedor ver o Record - que se orgulha de ter sido o primeiro jornal português a abraçar o "desacordo" ortográfico - romper com uma das mais absurdas regras do convénio assinado em 1990 por Santana Lopes em nome do Governo português, repondo o acento na terceira pessoa do presente do indicativo do verbo parar, desfazendo assim a homografia com a preposição para que tinha sido imposta pelas luminárias do acordortografiquês.

Tudo certo, portanto. Em termos ortográficos. O mesmo não se pode dizer em termos jornalísticos: no mínimo, esta manchete da edição de 5 de Abril peca por ter sido excessivamente apressadinha. Afinal houve quem parasse o Benfica. Eu contei pelo menos três equipas: Chelsea, FC Porto e V. Guimarães.

E afinal bastaria um ponto de interrogação para o erro não ser tão flagrante. Às vezes, no futebol como no jornalismo, convém jogar pelo seguro...»


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Sexta-feira, 30 de Maio de 2014
Vieira, o Cupido da dívida
Jose Manuel Barroso

O Vieira, na sua entrevista à RTP, resolveu namorar o FCP e distanciar-se do SCP. Aos que não entenderam o porquê da setinha do Vieira/Cupido ao pintinho, desse xicoração lã_pião aos andrades, eu explico. O Benfica e o Porto têm um passivo descomunal não resolvido com a banca, ao contrário do nosso. Não lhes chega vender jogadores, para aliviar as coisas, têm de baixar os custos e pagar as dívidas. A banca, na conjuntura atual, já não é, nem pode ser, tão amiga. Mas SLB e FCP precisam da gentileza da banca, ou terão de seguir o caminho do SCP, diminuindo drasticamente os seus custos, nomeadamente com jogadores. Isso, para eles, é uma revolução - com eventuais consequências na competitividade interna e externa. Um perigo, o exemplo do Sporting esta temporada: mais com menos. Percebe-se, assim, porque o Vieira diz que lhe não caem os pêlos das manitas e falará com o Papa emérito (o em funções é o dito Vieira). Eles vão usar o argumento falso dos «favores da banca» ao SCP, para querer favores a sério. Sem contrapartidas de racionalidade de custos, que o SCP corajosamente adotou. Estão numa de pressão sobre a banca, junto desta e usando os adeptos, passando uma mentira como verdade. Acham que a pressão a dois será mais efetiva. São dois coxos que se apoiam, a ver se se equilibram. Dois coxos com a mesma ideia da verdade desportiva e da verdade financeira. Ou seja, sem verdade e sem vergonha nenhuma. Vão-se aliar para encher pneus rotos. Tentando usar o honrado SCP como «argumento». Sigamos os próximos capitulos. E o próximo campeonato.


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Eu tenho uma dívida de gratidão para com António Oliveira. Como sportinguista, não esqueço os seus golos nas noites europeias no velhinho José de Alvalade e não esqueço o seu sportinguismo quando rugiu qualquer coisa como por cada leão que cair, outro se levantará. É gratidão eterna por este grito que muitos sportinguistas nunca foram capazes de dar. É por isso que estou irritado com isto que ele escreveu hoje no Record: "Ao longo da época, Bruno de Carvalho 'serviu' os interesses do Benfica". É uma frase triplamente imbecil. Primeiro: pela habilidade das aspas no "serviu". Segundo: por ser ressabiada pelo terceiro lugar do Porto com um orçamento pornograficamente superior. Terceiro: pela raiva de terem sido incapazes de contratar Leonardo Jardim para levarem um incompetente que os enterrou até ao pescoço. António Oliveira anda à caça de um lugar pela sucessão de Pinto da Costa e atacar o Sporting só pode querer dizer uma coisa: é do Sporting que eles têm medo. É evidente que a frase é mentirosa, mas uma mentira dita por uma pessoa inteligente pode ser perigosa. Como António Oliveira não é perigoso, só pode ter sido imbecil.


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Balanço (18)
Pedro Correia

 

O que dissemos aqui, durante a temporada, sobre ESGAIO:

 

- Pedro Oliveira: «Como futebolista compararia Ricardo Esgaio com Dani Alves. A mesma altura, 1,73 m, o mesmo signo força e terra (Dani nasceu a 6 de Maio), a mesma vontade de vencer. Tal como o brasileiro do Barcelona, Ricardo sente-se à vontade em todo o corredor direito.» (28 de Novembro)

- João Paulo Palha: «Se me perguntarem se o Sporting deve reforçar-se em Janeiro, tendo em vista o título, direi que sim, se tal for necessário, que vamos aos bês buscar Rúben Semedo ou João Mário ou Iúri Medeiros ou Betinho ou Ricardo Esgaio.» (12 de Dezembro)

- Edmundo Gonçalves: «Se alguma das pérolas sair, olhem, temos o João Mário e o Esgaio e outros miúdos, que defenderão o Leão tão bem quanto estes agora o fazem.» (24 de Março)


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Não se passa nada
Edmundo Gonçalves

Ronda pela imprensa da especialidade, que a "estação parva" esta época chegou mais cedo, e constata-se que não se passa nada mesmo.

 

Na Borla, Jesus continua a dizer que a Champions é um sonho, o que não é uma novidade e parece que conta com Wolkswinkel para isso; continua sonhando Jorge!

Diz que o Sporting Clube de Portugal está disponível para vender Dier por seis milhões para inglaterra.

E no Porto não se passa nada.

Ah! o Jesus diz que anda é a aprender inglês e que de italiano não vê um boi e que o único que acreditou nele foi o orelhas. fosse lá porque fosse...

 

Já no Rascord, fiquei a saber que também já temos im Itch! e que Rinaudo é capaz de voltar às pampas e ainda que a cotação de Slimani dispara. A ver se não é para a bancada onde eu estou, chiça! um tiraço, mesmo de cabeça, do nosso artilheiro, é de causar mossa!

Quanto aos nossos vizinhos, parece que Cardozo está mesmo out, já que as "águias(estão) pressionadas para comprar avançado". Quanto à defesa, o orelhas já disse ao Jesus: "pá, vais ficar sem o Garay, ãhn!"

No Porto, estranhamente, continua a não passar-se nada...

 

E vamos ao Nojo, onde o saudoso detective Varatojo (só pode!) conseguiu descobrir Izmailov; faro de perdigueiro! fora esta notícia importante para o futuro do clube, do Porto, nada! estranho...

Entretanto ficamos a saber da nova ocupação de Jesus: parece que é pintor. Mestre! "os jogadores dão as pinceladas, mas a ideia foi minha", diz, em entrevista concedida no seu atelier, perdão, gabinete. Fica por saber se Mestre em belas artes, se na construção civil, mas isso o Nojo não esclarece.

O que afirma, convictamente, é que o nosso Itch não vem, porque abriu muito a boca. E a gente sabe que agora no Sporting Clube de Portugal, há só uma boca a falar! este Itch deve pensar que é o Cardozo...

Adiante! ficamos a saber que Martins renova até 2018 e que o Mónaco, o Liverpool, o PSG e o Barcelona andam atrás do Rojo. Pá, eu que pensava que o rapaz era certinho; alguém me sabe dizer o que é que ele fez de mal??

Parece que o Arsenal também anda na pista do Dier. Podem chamar o Varatojo, fáxavor???

Ah, e o Capel vai ter com o Leo ao Mónaco; não diz se o acordeon faz parte do negócio, mas com a queda dos franciús para a coisa, é capaz...

E finalmente o Carvalho tem apartamento alugado em Manchester, mas está prometida a vivenda que era do Ronaldo. Sem piscina! pelo menos o moço disse, cofiando aquele bigodinho à Errol Flynn que lhe dá um charme do camândrio, que não é feitio dele "amandar-se pá piscina"...e eu concordo!

 

Como vêem, não se passa nada...

Venha de lá o Mundial!


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Leoas às sextas
Pedro Correia

 

Liliana Ferreira

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Faz hoje um ano
Pedro Correia

 

Finda a época, era também o momento de fazer um balanço do comportamento de alguns jornais especializados em futebol. Foi o que procurei fazer a 30 de Maio de 2013, analisando o tratamento editorial dispensado por dois destes periódicos ao Benfica: ambos trataram-no como o campeão que nunca chegou a ser nessa temporada 2012/13:

 

Primeiro caso:

«Deitar foguetes antes da festa, no futebol como no jornalismo, costuma dar mau resultado. Quando isso sucede, acontecem capas como esta do Record de 30 de Abril: olhando para ela, exactamente um mês decorrido, soa a um daqueles desejos de menino em véspera de Natal que não chega a concretizar-se no momento em que se desembrulham as prendas. "É tão bom, não foi?", rematava uma velha anedota de caserna. Devidamente transposto para a actualidade desportiva e jornalística, o antigo dichote pode agora ler-se assim: esteve quase a ser tão bom, não foi?

E é que não foi mesmo.»

 

 

Segundo caso:

«Nada como ler o jornal A Bola para deparar com notícias destinadas a tranquilizar o povo benfiquista. Como esta sobre Jorge Jesus, por exemplo, na página 2 da edição de terça-feira: "Quatro títulos em quatro anos".

     ******

Quatro títulos na atribulada era de Jesus?!

Intrigado, fui ler. A notícia começa em tom épico: "Melhor arranque era difícil." Pena, para os benfiquistas, estar totalmente desactualizada: esse brilhante "arranque" correspondia afinal ao campeonato 2009/10...

Sempre no mesmo tom, a prosa prossegue: "Jesus começou por empolgar com futebol de ataque, golos e muita emoção. Para aquecer os corações, foi ganhando uma Taça da Liga (a primeira de três conquistadas durante os quatro anos de mandato) e culminou em apoteose com a celebração da conquista do campeonato, em Maio, na praça Marquês de Pombal."

    ******

Conclusão: os "quatro títulos" a que o jornal favorito do SLB fez referência eram afinal... só um. Os restantes três - a Taça Lucílio Baptista - nem meios títulos são. Dará para "aquecer os corações"? A Bola jura que sim. Mas temos que dar o devido desconto ao periódico mais encarnado do País. Por lá, basta surgir uma pomba a esvoaçar do outro lado da janela para haver logo quem imagine tratar-se de uma águia imperial.

Mania das grandezas. Depois ninguém se admira por darem à luz prosas como esta.»


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Quinta-feira, 29 de Maio de 2014
900 mil visitas
Pedro Correia

Acabamos de registar 900 mil visitas no És a nossa Fé, um blogue em crescendo de influência e de audiência no universo leonino. Aqui fica uma calorosa saudação a todos os leitores, incluindo aqueles que nos visitam regularmente mesmo sem partilharem as nossas cores.

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Após o Mundial de 1994, nos Estados Unidos, ingressou no Sporting, um defesa central marroquino de nome Noureddine Naybet. Veio transferido do Nantes onde jogara somente um ano.

 

Todavia em Alvalade foi durante duas épocas um dos pilares da defesa leonina, jogando 54 jogos e marcando 5 golos. Mas em 1996 é transferido para o Deportivo da Corunha de Espanha onde também se evidenciou.

 

Naybet era um daqueles jogadores que preferia quebrar que torcer. O que lhe originava com os treinadores e não só alguns dissabores. Enquanto atleta do Sporting ganhou uma taça de Portugal, contra o Marítimo – curiosamente a única final que vi do Sporting, no Jamor – e uma Supertaça conquistada frente ao FCPorto em Paris com um esclarecedor 3-0.

 

Dono de uma técnica apurada, Naybet era quase intransponível. E não fossem as consecutivas lesões que sofreu, este marroquino teria feito uma carreira fantástica.

 

Um jogador de altíssimo nível que gostei (muito) de lembrar.

 

 

 

 


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Elementar
Tiago Cabral

Corre por aí que a final da taça da AF Lisboa, retomada o ano passado e que vencemos, vai ter honras de transmissão no canal de carnide. A meia-final entre Belenenses e Sporting decidirá o opositor do benfica na final. Vai ser limpinho, limpinho. Até porque qual era a lógica do canal de carnide ter comprado o direito de transmissão desta final se o seu clube, que é o mesmo que detém o canal televisivo, não a jogasse? 

 

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Marcos Rojo, o 6.
Luís de Aguiar Fernandes

 

Há uns dias surgiu uma polémica com o treinador argentino, na qual este, supostamente, se tinha enganado na táctica do benfica e na posição de Rojo, que disse ter jogado o ano todo na posição 6. Serve este post para o defender Sabella, não quanto ao engano no sistema táctico, mas sim quanto à posição de Rojo. Na minha opinião, Sabella não se enganou. Eu passo a explicar.

 

 

Na imagem acima, retirada de um fantástico post do João André no Delito de Opinião, vemos que na Argentina a tradição coloca o nº 6 no central que joga pela esquerda. Devido às diferentes tradições, que são explicadas no mesmo post, na Argentina a posição 6 e a posição 5 surgem trocadas com aquilo que é costume na Europa. Assim, quando Sabella diz que Rojo fez a época toda na posição 6, refere-se ao facto de ter jogado como central pela esquerda (e não como lateral esquerdo, posição que ocupa na Argentina), o que é verdade. E se a tradição já não é o que era, na selecção sul-americana ainda tem o seu peso. É por isso que Otamendi vai ser o 6 e Gago, que na Europa é um 6 puro, será o 5. Também o outro central ficará com o 2 (Garay) e o lateral direito, contra o que é costume por cá, com o 4 (Zabaleta fica com o número que Zanetti também usou). O mesmo se verificou em 2010: Demichelis com o 2; Heinze com o 6; Bolatti com o 5. E, se quisermos pensar mais para trás, todos nos lembramos de Cambiasso ou Redondo com a 5 e, por exemplo, Sensini com a 6.

 

Posto isto, Sabella enganou-se? Pode ter acontecido. Se assim foi, correu bem. A outra hipótese é ter-se limitado a falar em termos de tradição de números na Argentina e os jornalistas nem terem posto essa hipótese. E entre uma coincidência e uma hipótese justificada com factos, eu tendo a preferir a segunda. Caso assim seja, a ignorância clamada por todos os jornalistas que sobre isto escreveram em Portugal acaba por passar para o lado deles.

 

 

 

Nota: Leiam o post referido, e percebam que há outras tradições em termos de numeração. Se lerem, vão perceber, por exemplo, porque é que vimos sempre Roberto Carlos com o 6 na selecção brasileira (ou Michel Bastos, em 2010) ou Gerrard com o 4 em Inglaterra.

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Balanço (17)
Pedro Correia

 

O que dissemos aqui, durante a temporada, sobre HELDON:

 

- Eu: «O avançado que acaba de vir do Marítimo - apesar de ainda não estar rotinado na equipa, naturalmente - revelou bons apontamentos neste seu jogo inicial com a camisola verde e branca. Destacou-se por exemplo num grande lance pelo corredor esquerdo aos 62', que merecia melhor finalização após ter fintado dois adversários. Parece um reforço de qualidade. E bem precisamos dele.» (11 de Fevereiro)

- Duarte Fonseca: «Patrício e Heldon foram os únicos que não acusaram inexperiência.» (12 de Fevereiro)

- Filipe Arede Nunes: «Creio ter sido uma grande contratação.» (27 de Fevereiro)


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Faz hoje um ano
Pedro Correia

 

Vale a pena reler na íntegra, pela sua relevância e oportunidade, a seguinte reflexão que o Tiago Loureiro aqui deixou a 29 de Maio de 2013:

 

«Uma das ideias que o Presidente do Sporting fez passar na entrevista de ontem foi a existência de uma certa dificuldade nos processos de renovação de alguns dos jogadores mais jovens do clube (suponho que estivesse a falar, muito em particular, de Bruma e Ilori), devido às exageradas exigências colocadas em cima da mesa. É verdade que esses dossiers deviam ter sido resolvidos noutro tempo, por outras pessoas - mas essas já não moram no clube e o tempo não volta atrás. Também é certo que muita da dificuldade é imposta pela vontade dos agentes dos jogadores em obter dividendos com eles - mas esses, cada vez mais, encaram os seus representados como uma mercadoria da qual pretendem extrair o maior lucro possível e não como um atleta que devem ajudar a construir a melhor carreira desportiva. A mensagem principal deverá ser, então, transmitida e ensinada aos jogadores, pedagogia essa que deve começar e criar raízes no período da sua formação. Ensinar-lhes que a pressa é inimiga da perfeição, como diz sabiamente o povo. E contar-lhes as histórias do Alhandra e do Paulo Costa (que fugiram para o Inter e depois mergulharam numa carreira medíocre, da qual apenas Caneira, o companheiro de fuga, escapou), do Fábio Paim (que, com tudo para ser uma lenda, se afundou nas consequências da própria irresponsabilidade), do Fábio Ferreira e do Ricardo Fernandes (que, ainda juvenis, rumaram ao Chelsea em busca dos milhões e hoje, aos 24 anos, estão perdidos para o futebol) e de outros jogadores com casos semelhantes. Porque ter as fotos de Cristiano Ronaldo, Figo ou Nani a forrar as paredes da Academia e as suas histórias na ponta da língua para motivar os miúdos é fácil. Mas mostrar-lhes que o reverso da medalha também acontece, especialmente para quem tem mais olhos que barriga, poderá ser bem mais útil.»

 


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Quarta-feira, 28 de Maio de 2014
Balanço (16)
Pedro Correia

 

O que dissemos aqui, durante a temporada, sobre WILSON EDUARDO:

 

- José Navarro de Andrade: «Wilson Eduardo  comporta-se como um B-2, silencioso, furtivo e apto a despejar armas de destruição maciça por onde passa. Quando Wilson Eduardo acaba o jogo, hão-de reparar que o defesa direito adversário ficou reduzido a cinzas, o defesa central daquele lado mostra estragos morais irreparáveis e ainda se verificam graves danos no meio campo e no guarda-redes.» (26 de Agosto)

- Eu: «Gostei do grande golo de Wilson Eduardo. Um prodígio de técnica, num ângulo de execução muito difícil. A festa do futebol passa por isto.» (21 de Setembro)

- Francisco Melo: «Gosto muito de Wilson Eduardo. Para além de marcar, e dar a marcar, golos nota-se que tem mesmo imensa vontade e prazer em jogar de leão ao peito.» (12 de Novembro)


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Faz hoje um ano
Pedro Correia

 

Tínhamos chegado ao defeso futebolístico. Os jornais começavam a especular sobre transferências de jogadores. O Sporting, saído da pior época de sempre, preparava a temporada seguinte.

A 28 de Maio de 2013 o Record publicava uma entrevista com o presidente leonino. Sem papas na língua, Bruno de Carvalho falava de tudo um pouco: "o comportamento dos agentes com o Sporting e sua influência sobre os jogadores, os salários e as despesas principescas praticadas no clube mesmo num cenário de caos financeiro, as dificuldades desportivas que se aproximam, os podres do futebol português e a vontade de fazer diferente, por muito que isso custe". Resumo feito pelo Tiago Loureiro, que não hesitava em considerar essa entrevista "de leitura obrigatória".

Também o Francisco Mota Ferreira ficou satisfeito. E justificou porquê: "Confesso que, no essencial, gostei do que li. O caminho é arriscado mas, se cumprir o que lá sugere, todos ganham: o futebol no geral, o Sporting no particular. E perdem todos os que fazem do negócio de futebol uma coisa muito pouco higiénica."


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Terça-feira, 27 de Maio de 2014
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Balanço (15)
Pedro Correia

 

O que dissemos aqui, durante a temporada, sobre SLIMANI:

 

- Henrique Monteiro: «Eu gostava do Montero, mas agora tambem gosto do Slimani. É possível um sportinguista gostar de dois avançados que metem golos? O meu coração divide-se, ou como se diz em francês, que é mais fino, mon coeur balance. Valha-me Deus! Nunca pensei que depois da última época andasse nesta altura a discutir comigo que goleador é o mais eficaz no nosso ataque.» (24 de Novembro)

- Adelino Cunha: «Difícil é interpretar aquele jeito desajeitado de Slimani. É isso mesmo. Não me faz lembrar a elegância do Jordão, nem revejo o instinto assassino de Jardel, mas Slimani tem para ali um jeito sem jeito que tem dado golos e golos que libertam. O primeiro lugar em que estamos é também feito com os golos de Slimani.» (2 de Dezembro)

- Eu: «O argelino veio dar densidade, profundidade e perigo ao ataque leonino mal entrou, aos 53'. E resolveu a partida, marcando o golo decisivo, após excelente cruzamento de Jefferson. É cada vez mais legítimo questionarmo-nos se não merece ser titular.» (18 de Janeiro)

- Filipe Arede Nunes: «E as duas assistências de Slimani? Aqueles que tendem a desvalorizar um jogador apenas porque não é um prodígio da técnica terão ficado bem aborrecidos, em especial com o toque de calcanhar para o golo de Carvalho!» (7 de Abril)


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Olha que dois!
Jose Manuel Barroso

Rui Rangel e Fernando Seara na corrida à presidência da Liga de Clubes. Dois ilustres (des)conhecidos. Isto promete! Ainda vamos ver o Capela ou o Duarte Gomes na comissão de... qualquer coisa...


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Faz hoje um ano
Pedro Correia

 

«Enquanto o Sporting se afundava à conta de Godinho Lopes, os caríssimos benfiquistas vangloriavam-se das três frentes do Benfica. Não percebo porquê, mas desde ontem que deixei de ouvir falar das três frentes do Benfica. Na verdade, o Benfica mantém-se em três frentes: frente ao Colombo, frente à Segunda Circular e frente às bombas da gasolina. São três frentes, não são?» Assim escrevia o Adelino Cunha, com a sua ironia cáustica, a 27 de Maio de 2013. A culminar uma época que para o Benfica parecia ser de sonho mas se tornou de pesadelo.

 

No Sporting, a notícia do dia era a convocação de André Martins para a selecção nacional. Uma notícia que todos saudámos, com um entusiasmo bem compreensível.


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Segunda-feira, 26 de Maio de 2014
Com tranquilidade
Jose Manuel Barroso

A frase que celebrizou Paulo Bento vai celebrizar a gestão de Bruno de Carvalho: as coisas vão-se fazendo «com tranquilidade». Todo o difícil parece fácil. Todo o fácil respira trabalho e luta. Os que saem são respeitados. Os que entram, incentivados. Só falta regressarmos à tranquilidade dos «três pontos de cada vez».


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Outra extraordinária atleta do Sporting nos anos 60 e princípio dos 70 foi Eulália Mendes. Tal como Lídia Faria, a quem dediquei o primeiro número desta série, a sua carreira, sempre com desempenhos de altíssima qualidade, estendeu-se por um vasto conjunto de especialidades, exibindo uma especial distinção nas provas de velocidade, 400 e 800 metros e no salto em comprimento. Eulália Mendes consagrou-se, ao longo dos anos e por muitas vezes, como campeã de Portugal e recordista nacional dos 4x100 m, 200m, 400m, 800m, salto em comprimento e pentatlo, tendo, entre outros magníficos resultados, sido a primeira atleta portuguesa a correr os 400 metros em menos de um minuto e feito parte da primeira equipa portuguesa, uma selecção nacional da distância integralmente composta por atletas do Sporting, a correr os 4x100 metros em menos de 50 segundos. Eulália Mendes foi também a primeira atleta portuguesa a correr os 800 metros em menos de 2m 30s e integrou as equipas do Sporting que, entre os anos de 1969 e 1972, ganharam os quatro primeiros campeonatos de Portugal dos 4x400 metros, tendo, igualmente, feito parte da primeira equipa do clube que, em 1972, ganhou o campeonato nacional de corta-mato. Muitas outras menções de grandes resultados seriam possíveis, podendo, quem estiver interessado em conhecer melhor esta nossa brilhante atleta, começar a sua busca, por exemplo, no WikiSporting, a cujos autores agradeço, desde já, os dados de que me socorri para a elaboração deste pequeno texto.

 

Eulália Mendes 1

 

Eulália Mendes, que, suspeito, será hoje um nome praticamente desconhecido da maioria dos sportinguistas, é largamente merecedora da fuga ao esquecimento. Ficarei contente se a muito simples homenagem que agora lhe presto puder contribuir para que alguns, pelo menos, a recordem ou passem a conhecê-la. Eu era muito novo na altura em que esta enorme atleta espalhou tão liberalmente vitórias e recordes sobre as pistas do nosso país, mas lembro-me bem da maneira como as suas aptidões e os seus triunfos me encheram de orgulho e de como ajudaram a construir um Sporting com a grandeza que hoje conhecemos. Obrigado, Eulália Mendes.

 

Ficheiro:Eulália Mendes 2.jpg


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Balanço (14)
Pedro Correia

 

O que dissemos aqui, durante a temporada, sobre MONTERO:

 

- Eu: «O colombiano já tinha marcado dois, já tinha sido brindado com aplausos merecidos. Podia fazer de conta que tentava mais um golo. Mas para Montero fazer de conta não era opção: ele ambicionava outro - o terceiro golo, o mais requintado do ponto de vista técnico, o que lhe garantiu uma ovação ainda maior.» (21 de Agosto)

- Paulo Ferreira: «Fredy Montero é um Matador, não frio e calculista ao estilo dos estereótipos germânicos e nórdicos, mas um Matador com arte, com alma, com salero e com “ganas”.» (14 de Novembro)

- Paulo Gorjão: «É evidente, por esta altura, que ter no plantel Montero e Slimani é um luxo indiscutível para todos os sportinguistas.» (25 de Novembro)

- José da Xã: «Fredy Montero mostrou ser ponta de lança e tem lugar na futura equipa do Sporting.» (11 de Maio)


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Faz hoje um ano
Pedro Correia

 

Ainda no Canadá, Bruno de Carvalho respondia a Filipe Nobre Guedes. Com estas palavras, nada meigas: "As pessoas têm muito a necessidade de dar nas vistas e de dar entrevistas. Muitas delas, como é o caso de Nobre Guedes, faziam um trabalho melhor quer para o Sporting, quer para elas próprias, que era estarem caladas."

 

Pinto da Costa, que já andava calado há algum tempo, decidiu romper o silêncio lançando uma provocação ao nosso clube.

"O Sporting deve estar muito satisfeito com o valor que conseguimos pelo João Moutinho, a não ser que consigam vender melhor que nós. Conseguimos que uma maçã podre, em vez de ser comprada por 11 milhões de euros, fosse vendida por 25 milhões", afirmou o presidente do FCP.

Moutinho fora vendido ao Mónaco por 25 milhões de euros, dos quais 4,75 milhões eram destinados ao Sporting (3,5 pela mais valia acima de 11 milhões de euros e 1,187 pelos mecanismos de solidariedade FIFA, a ser suportados pelo Mónaco), mas todos esperávamos um encaixe financeiro maior. Pinto da Costa procurou também desvalorizar o nosso plantel: "Só um jogador do Sporting tem qualidade para jogar no FC Porto, que é o Rui Patrício. Mas não interessa porque temos os dois melhores guarda-redes de Portugal."

Bruno deu-lhe o troco: "Fruta não é connosco. O Sporting não conhece muito de frutas, mas há uma coisa que temos a certeza absoluta: não somos bananas."

 

Entretanto, prosseguia o pesadelo do Benfica: nesse dia 26 de Maio de 2013, os encarnados perdiam a final da Taça de Portugal para o V. Guimarães.

Com natural fair play, aqui saudámos os conquistadores da Taça.

"A semana à Peseiro acaba de ser promovida a quinzena à Jasus", ironizou a Zélia Pinheiro. Falando - posso dizê-lo - por todos nós.


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Domingo, 25 de Maio de 2014

Custa perder um campeonato por 1 ponto. Um mísero ponto!!!

Infelizmente, assim aconteceu ao Sporting, depois de ter terminado em 1.º a fase regular.

Na fase final do campeonato nacional de andebol, o Sporting hipotecou nos jogos em casa, frente a Porto e Benfica, um título que só dependia de si e que seria mais do que merecido (e a derrota em Braga frente ao ABC também não ajudou). Importa, por outro lado, lamentar a oferta do Benfica, no último segundo, no jogo em casa frente ao Porto.

Fica a lição para futuro e para todas as equipas sportinguistas das mais diversas modalidades: até ao último apito da última jornada do campeonato nada está garantido. 

Apesar do sabor amargo de termos perdido o campeonato, e só por isso a época da equipa de andebol não é nota 10 mas 9, há que fazer o elogio público de uma época sensacional de uma equipa que, vendo-se forçada a baixar substancialmente o seu orçamento, conseguiu ganhar a Supertaça e Taça de Portugal, fazer uma carreira sensacional na Taça EHF, como nunca antes outra equipa portuguesa fez, e no campeonato bateu-se pelo 1.º lugar até ao fim.

Frederico Santos é, na minha opinião, o candidato natural, e mais do que legítimo, a vencer o Prémio Stromp para treinador do ano. Está a fazer um magnífico trabalho no andebol do Sporting, e para o ano não tenho dúvidas de que conseguirá, finalmente, conquistar o campeonato nacional.


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Balanço (13)
Pedro Correia

 

O que dissemos aqui, durante a temporada, sobre CARRILLO:

 

- Filipe Arede Nunes: «De Carrillo queria apenas que aplicasse sempre a sua técnica e velocidade estonteante e se deixasse de rodriguinhos e afins. Alguém tem de lhe explicar que depois de fintar um jogador não é preciso, na mesma jogada, voltar a fintá-lo.» (7 de Outubro)

- Francisco Melo: «Carrillo, na ausência de Capel, assumiu o lugar no 11, dando boa conta de si (ainda que com alguma intermitência).» (22 de Outubro)

- Diogo Agostinho: «Está na hora de Carrillo. Está na hora de nos pôr a sonhar. Está na hora de partir os defesas laterais, sentá-los, levantar a cabeça e pôr a bola redondinha no nosso Montero.» (13 de Novembro)

- Duarte Fonseca: «Carrillo está a um pequeno passo de estabilizar num patamar acima do que tem demonstrado (para depois subir outro).» (3 de Março)


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Faz hoje um ano
Pedro Correia

 

Em visita ao Canadá, Bruno de Carvalho deixava claro: "Não vamos prometer títulos, vamos prometer muito trabalho e muita vontade de servir o clube." Os sócios entendiam: ao presidente pedia-se realismo e bom senso, nada mais.

"É esta a atitude. Não prometer mais nada do que trabalho e luta. Não alimentar esperanças vãs de títulos e conquistas, pois não há base para isso", comentou aqui o Alexandre Poço nesse dia 25 de Maio de 2013.

Fartos de promessas infundadas andávamos todos nós.

 

Os mesmos de sempre continuavam entretanto a lançar maus augúrios sob a nova fase da vida leonina.

Um deles, Filipe Nobre Guedes, chegou ao ponto de considerar o Sporting um clube sem salvação.

"Já se sabia que o Sporting estava numa situação difícil. Agora tem de se gerir aquilo. Os bancos estão a ajudar mas sabíamos que os próximos tempos não eram fáceis. Se o Sporting tem salvação? Não, neste ritmo não tem nenhuma salvação mas isto é a minha opinião e cada um tem a sua. O problema do Sporting é a falta de receitas (...) O que estão a fazer é reduzir os custos mas o Sporting precisa de aumentar as receitas para ter mais lucros."

Assim falava, em entrevista à Antena 1, aquele que durante seis anos foi responsável financeiro do clube.

Representante de um período que tinha ficado para trás.


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Sábado, 24 de Maio de 2014

 

O sortilégio do futebol ficou hoje bem patente na final da Liga dos Campeões que trouxe largas dezenas de milhares de espanhóis a Lisboa.

Num fragmento de segundo todos os sonhos se tornam possíveis.

Num fragmento de segundo todos os sonhos começam a ruir.

 

Que o digam os colchoneros: num jogo que estava a ser muito táctico, com as equipas a medirem-se e as defesas a imperar sobre as frentes atacantes, ganharam vantagem aos 36' graças a um erro infantil de Iker Casillas, que muitos consideram o melhor guarda-redes do mundo. Pode sê-lo entre os postes, mas a verdade é que causa calafrios aos colegas do Real Madrid cada vez que abandona o seu reduto. Três passos que já não pôde recuperar, nem sequer correndo o risco de quebrar os rins, puseram o Atlético em vantagem. Nem o autor do golo, Godín, parecia acreditar neste inesperado brinde oferecido pelo guardião rival.

 

Que o digam os merengues: quando o sonho de alcançarem a décima taça referente à equipa campeã da Europa parecia já uma miragem, no terceiro minuto de prolongamento do desafio da Luz, que perdiam por 0-1, surgiu um lance de inconformismo e raiva protagonizado por um defesa apostado em sagrar-se o melhor entre os melhores. Sergio Ramos, que numa enérgica cabeçada, elevando-se acima de qualquer outro, ressuscitou a sua equipa e culminou assim uma temporada digna de figurar em qualquer antologia do futebol.

 

Era o empate. Seguia-se o prolongamento. Que se inicia já com o Atlético derrotado. Do ponto de vista anímico - aí nessa zona recôndita de qualquer de nós onde começam a ser desenhados todos os triunfos e todos os fracassos. No futebol como na vida.

Houve mais três golos nessa meia hora suplementar. De Bale, Marcelo (outro defesa) e Cristiano Ronaldo - para júbilo dos portugueses, incluindo aqueles que, preferindo em abstracto a vitória dos colchoneros, por um dia se tornaram adeptos merengues em tributo ao compatriota formado pelo Sporting que por mérito próprio se sagrou o melhor do mundo. Golos destinados a desfazer qualquer dúvida que restasse quanto à supremacia da equipa orientada por Carlo Ancelotti. Que venceu a partida quando mexeu na equipa, acentuando a pressão atacante.

 

E no entanto tudo poderia ter terminado de forma bem diferente. Se o Atlético contivesse aquele ímpeto durante mais um minuto. E se Ramos não tivesse ousado lutar, ousado vencer.

Campeão antes de o ser. Por muito querer.

 

Uma vitória da tenacidade. Uma vitória da vontade indómita. Um hino à eterna magia do futebol.


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Lampiões, precisamos da vossa vitória hoje sobre o Porto para sermos campeões de andebol - para quem não sabe, está aqui explicado. Vocês estão em quarto e do terceiro não passam. Eh pá, mas ganhar ao Porto é uma coisa do caraças, hã? Vá lá, rebentem com os andrades!

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Balanço (12)
Pedro Correia

 

O que dissemos aqui, durante a temporada, sobre CAPEL:

 

- Eduardo Hilário: «Diego Capel é o eterno lutador com "garra de leão", fazendo-me recordar a devoção de Ricardo Sá Pinto.» (26 de Julho)

- João Paulo Palha: «É um jogador hábil, embora não excepcional deste ponto de vista, é muito rápido, a pensar e a executar, imprimindo normalmente grande rapidez aos ataques, cruza muito bem e, sobretudo, exibe um atributo que bem pode ser considerado uma sua marca distintiva, ele nunca desiste.» (7 de Novembro)

- Eu: «Gostei dos raides de Capel. Grande velocidade, grande visão de jogo. Muito mais eficaz do que Carrillo no corredor esquerdo, inventando linhas de passe para os colegas do eixo central.» (8 de Dezembro)

- Francisco Melo: «A dedicação de Capel e a sua entrega ao Sporting constituíram, durante largo tempo, o único estímulo de milhares de jovens adeptos para se manterem sportinguistas, e não passarem a torcer por outros clubes.» (9 de Maio)


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Faz hoje um ano
Pedro Correia

 

Ficávamos a saber que o plano de reestruturação financeira do Sporting previa um reforço de capital: mais 38 milhões de euros nos cofres do clube. Essa era a boa notícia. A má notícia de 24 de Maio de 2013 era a transferência de João Moutinho do FCP para o Mónaco num pacote com preço abaixo do esperado que incluía a saída de James Rodríguez para o mesmo clube (apenas 25 milhões supostamente fixados para o primeiro e 45 milhões para o segundo).

Entravam, apesar disso, mais 2,5 milhões no Sporting, correspondentes a 25% da suposta mais-valia conseguida, nos termos do contrato de venda inicial  Moutinho de Alvalade para  Dragão. Mas todos ficámos com a convicção de que Pinto da Costa fintou o nosso clube neste negócio.

Devíamos queixar-nos de quem?

 

 

O Tiago Loureiro tinha a resposta: «Queixem-se do senhor da foto, se quiserem [o ex-presidente José Eduardo Bettencourt]. Foi ele que vendeu o dito cujo a um rival directo que nunca nos quis (nem tem de querer) bem nenhum, por um preço inferior a outras propostas anteriores.»


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Sexta-feira, 23 de Maio de 2014
Os leões que miam
Pedro Correia

 

Há um ano diziam: depois de Jesualdo, o dilúvio.

Este ano dizem: depois de Leonardo, o dilúvio.

São os mesmos, num caso e noutro.

Dizem-se leões. Mas não rugem: só miam.

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Balanço (11)
Pedro Correia

 

O que dissemos aqui, durante a temporada, sobre MARCELO BOECK:

 

- Zélia Parreira: «A vontade indomável do Marcelo Boeck a empurrar a equipa para a frente.» (26 de Julho)

- Marta Spínola: «Lembro-me de gostar de Marcelo no Marítimo, no Sporting jogou poucas vezes, sofreu alguns golos, e está parado há mais de um ano. É costume jogar na taça ou equivalente, e Marcelo teve o azar de estar na época em que em Setembro já estava tudo perdido. Foi comprado, assinou por cinco anos e está parado. Eu sei, eu sei que é assim mesmo, mas sempre discordei desta titularidade incondicional dos guarda-redes, um dia é preciso entrar outro e fica tudo ó tio, ó tio que tem de jogar o suplente - que deveria ser sempre tão bom e ter tanta prática quanto possível como o primeiro.» (16 de Novembro)

- Eduardo Hilário: «Não é fácil representar o Sporting Clube de Portugal e disputar o lugar com o “monstro Rui Patrício” mas Marcelo Boeck demonstra qualidade sempre que lhe é dada a oportunidade. Para além da qualidade técnica, demonstra diariamente o que deve ser um jogador do Sporting Clube de Portugal através da sua enorme devoção e espirito de equipa.» (20 de Novembro)


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Leoas às sextas
Pedro Correia

 

Catarina Duarte

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«Marco Silva poder ser o próximo treinador dos leões está muito dependente daquilo que puder acontecer no estádio da Luz com o Jorge Jesus. Daí esta demora, daí este stand by. Na verdade, está tudo dependente daquilo que acontecer com Jorge Jesus. Marco Silva pode preencher esse lugar.»

SIC Notícias, 20 de Maio de 2014


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Faz hoje um ano
Pedro Correia

 

«Agora vem aí o próximo campeonato. Na campanha, cada um disse o que quis, e, na votação, cada um votou como entendeu. Agora acabou: há um presidente e uma direcção eleita; não são imunes à crítica, certamente, mas têm legitimidade para mandar e não devem ser o alvo preferencial de ninguém. Falo tanto mais à vontade quanto assumi publicamente que não votei no candidato vencedor.» Palavras do António Figueira, numa espécie de ponto de ordem, sob o título "As eleições já foram".

Havia sinais positivos em Alvalade nesse dia 23 de Maio de 2013? Claro que sim. Jefferson, transferido do Estoril com um contrato por quatro anos, confirmava-se como primeiro reforço da temporada. O plano de reestruturação financeira do clube previa um aumento significativo de capital. E a direcção leonina reiterava a aposta nos valores da formação.

Faltava ainda resolver o caso Bruma, bem menos fácil do que poderia parecer.


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Quinta-feira, 22 de Maio de 2014
A diferença
Pedro Correia

Acabou - a título definitivo, todos esperamos - o período em que o Sporting era conhecido por ser "cemitério de treinadores". Um período tristemente imortalizado pela expressão "Paulo Bento forever" pronunciada pelo então presidente pouco antes de despedir o actual seleccionador nacional.

Agora é diferente.

Mudou o treinador no fim da época, é certo, mas sai pelo seu pé e valorizado ao ponto de ir receber cerca de dez vezes mais no Mónaco mesmo sem ter ganho qualquer troféu em Portugal. O que diz muito do prestígio do Sporting.

Mudou o treinador no fim da época mas sai com elegância, sem guerras verbais e com um abraço ao presidente que foi mais do que uma expressão de cortesia. Leonardo Jardim sabe que deve a Bruno de Carvalho a oportunidade de concretizar esta experiência além-fronteiras, num clube aparentemente milionário, mantendo abertas as portas do clube que sempre disse ser do seu coração desde criança.

De cemitério de treinadores a trampolim para a valorização de treinadores no mercado internacional do futebol. Eis a diferença. E não é pouca.


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