Segunda-feira, 31 de Março de 2014
Boa noite
Alexandre Poço


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"Sporting está muito perto de garantir, no mínimo, o terceiro lugar na classificação. Caso o Estoril perca hoje, os Leões ficarão com 14 pontos sobre os estorilistas, quando ficarão a faltar 15 por disputar [Estoril perdeu 0-1 com o Rio Ave]."

A Bola, 30 de Março

 

"57 pontos fazem da equipa de Leonardo Jardim a mais eficiente do Sporting neste novo milénio. Nem Lazslo Bölöni nem Augusto Inácio, nas épocas dos títulos, tinham tantos pontos à 25ª jornada."

Record, 30 de Março

 

"Sporting somou 19 pontos nos últimos sete jogos."

A Bola, 30 de Março

 

"21 partidas sem perder em Alvalade: desde 2001/02 que o Leão não estava tanto tempo sem conhecer a derrota no seu reduto."

Record, 30 de Março


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Faz hoje um ano
Pedro Correia

 

Vinha aí a 24ª jornada da Liga 2013/13. Jesualdo Ferreira escalava para jogar em Braga os seguintes jogadores: Rui Patrício, Marcelo Boeck; Rojo, Tiago Ilori, Eric Dier, Cédric, Joãozinho, Miguel Lopes, Fokobo; Schaars, André Martins, Rinaudo, Labyad, Adrien, Jeffrén, Capel, Bruma; Wolfswinkel e Viola.

Nunca um Braga-Sporting se disputara até então com uma diferença pontual tão grande entre as duas equipas. Os bracarenses levavam-nos uma vantagem de 16 pontos. Pior que isso: tínhamos, nesse primeiro jogo do campeonato sob a presidência de Bruno de Carvalho, a nada invejável marca de equipa menos goleadora.

"Esta tem sido a temporada de todos os máximos, de todos os recordes, de todas as estatísticas pulverizadas. Sempre no pior sentido do termo. Detesto associar resultados desportivos à tômbola da sorte e do azar, mas amanhã todos esperamos que a bola bata no poste e entre. Em vez de sair, como tem sido triste sina nossa", escrevi aqui a 31 de Março de 2013.


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Domingo, 30 de Março de 2014
Tivemos azar
Edmundo Gonçalves

Mais uma vez, tivemos "azar"!

Vistos os jogos desta tarde, calhou-nos o pior querido.

Tivéssemos nós a sorte de outros e a simulação de Slimani era penalti garantido!

 

Nota 1: Diz que Deus é grande e parece que não dorme;

Nota 2: Fosse mundial de capoeira e Quaresma estava garantido!

Nota 3: Quanto a penaltis fora do terreno de jogo, creio que estamos conversados.


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«Pensar mais alto é proibido para o Sporting

Ontem, na Antena 1, ao comentar o Sporting-V. Guimarães


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Valendo-se de muito esforço e da férrea disciplina táctica que é marca de Jardim, o Sporting ontem cumpriu os serviços mínimos, que nos valeram três pontos. Depois de uma primeira parte entediante, em que a falta de tracção (e criatividade) do meio campo foi aflitiva (Heldon tarda justificar a sua contratação e o Mané perde rendimento fora das faixas laterais). Também o desacerto nos passes e transições era alarmante, mas a equipa redimiu-se reencontrando-se após o intervalo muito por via da substituição de Heldon por Matias e da deslocação de Mané para o lugar de extremo que libertou Wiliam Carvalho muito ofuscado até esta fase. Valeu o resultado e um bom ambiente nas bancadas - este Sporting, não sendo um fórmula 1, é o nosso: reconhece-se pela garra e acredito que o segundo lugar esta época ninguém nos tira.

 

PS.: Ouvir o treinador do Porto na TV dizer que a sua equipe se sente prejudicada pela arbitragem é um curioso sinal dos tempos.


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3. CASA ARRUMADA

Mostrar quem manda e falar a uma só voz

 

Um dos maiores defeitos do Sporting, nos anos anteriores à entrada em funções de Bruno de Carvalho, foi não funcionar a uma só voz. A hierarquia diluía-se com o passar dos meses, figuras secundárias assumiam posições preponderantes, membros do Conselho Leonino assumiam-se com frequência como uma espécie de poder paralelo, as vozes sportinguistas multiplicavam-se como cogumelos nos órgãos de comunicação abafando por completo a estrutura oficial do clube.

Esta tendência, que já vinha de longe, agravou-se durante o mandato de Godinho Lopes, pontuado por inúmeras divergências com elementos da sua equipa directiva, da Mesa da Assembleia-Geral (que tinham sido eleitos numa lista diferente da sua) e do comando desportivo da SAD.

O primeiro a romper foi o vice-presidente Carlos Barbosa, que logo no início do mandato se destacara pelas promessas de carácter megalómano, como a que imaginava o Sporting a bater-se de igual para igual com equipas como o Barcelona e o Real Madrid. Outra figura polémica, por motivos muito diversos, foi o vice-presidente Paulo Pereira Cristóvão: também ele não tardou a abandonar Alvalade num consulado horribilis, marcado igualmente pelos afastamentos de Luís Duque, Carlos Freitas, Domingos Paciência e Ricardo Sá Pinto.

 

Bruno de Carvalho sentiu-se na necessidade de arrumar a casa. Repondo a hierarquia, estabelecendo uma clara cadeia de comando, assumindo-se como único porta-voz autorizado do clube. Para o melhor e para o pior, é ele quem dá a cara. É remunerado para o efeito com um salário considerado justo: cinco mil euros mensais, quantia devidamente avalizada pelos sócios, que a aprovaram em assembleia-geral. E não hesita em invocar a sua autoridade, como sucedeu no episódio que levou à demissão de um membro do Conselho Leonino que havia sido eleito na sua lista.

A articulação com Augusto Inácio, director-geral leonino para o futebol profissional, tem sido perfeita. O que se reflecte na própria organização da equipa, que deixou de ser uma plataforma giratória de treinadores e jogadores.

 

Esta organização não se concretizou sem algumas dificuldades de percurso - várias delas impostas pelo acordo com a banca, que forçou o clube a tomar drásticas medidas de contenção de custos. Isto implicou o afastamento de 30 funcionários, envolvidos num processo de despedimento colectivo - incluindo um nome histórico do Sporting, o grande capitão Manuel Fernandes, que meses depois reapareceu como comentador permanente de um programa desportivo na SIC Notícias.

As medidas produziram resultados. O Sporting, que há um ano gastava cerca de 42 milhões de euros em salários, passou a gastar 25 milhões. "Aprendemos a fazer muito melhor com menos recursos. Está mais do que provado que isso é possível", declarou o presidente na recente entrevista à TVI 24 destinada a assinalar o primeiro aniversário da sua posse. Também com obra para mostrar neste domínio.

 

Balanço: muito positivo


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N-1=Fórmula 1
Ricardo Roque

Assim não dá. A lei João Pinto de que prognósticos só no fim do jogo, continua muito atual. Prognósticos antes do jogo do Sporting que obrigam a acertar só em golos validados pelos senhores do apito, é tarefa penosa. A menos que pensemos num número e lhe tiremos sempre 1, porque é o que a realidade vem demonstrando. Por exemplo, foi assim pelo menos nos jogos contra Olhanense, Nacional, Setúbal, Marítimo, Guimarães (exercício contrário pode ser feito a propósito dos golos contra Benfica e Olhanense, na 1ª volta, em que Montero marcou em fora de jogo). Se custa ver invalidar golos limpos, o pior é quando custam pontos, casos do Nacional e Setúbal, que nos colocam na tabela com menos 4 pontos do que deveríamos ter por direito. Mas recentremos a abordagem no tema "adivinhação". No que ao Sporting diz respeito, pelo andar da carruagem temos de aplicar a fórmula: n-1, se quisermos ambicionar a uma espécie de estatuto Zandinga, em que "n"representa os golos limpos marcados e o "1" o que habitualmente nos é irregularmente invalidado. Sim, futebol não se joga só com os pés, mas também com a cabeça pois a aplicação da fórmula matemática, como fica evidenciada, para obtenção do resultado também é necessária, e com o Sporting é praticamente regra. Para confirmar que toda a regra tem exceção, lembremos a célebre mão de Vata ou de Ronny (do Paços de Ferreira, em 2006 em Alvalade e que nos custaria o título). Portanto, é simples. Para ganhar precisamos sempre de marcar 2 e não sofrer qualquer golo, e para acertar no prognóstico é aplicar a fórmula, que até podemos classificar de "fórmula1".


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Preparava-mo-nos para entrar no estádio:

-Pai, aqueles ali são do Sporting?

Olho para o grupo de cerca de dez jovens adultos, moços e moças, todos de cachecol e confirmo:

- Sim filha, são do Sporting.

- Mas não falam português, estão a falar espanhol!

- É italiano filha, estão a falar da squadra del Sporting. Se fossem espanhóis diriam "el equipo".

 

Duas horas depois, ao entrar para o metro.

- Pai e estes?

Olho e vejo mais um grupo de seis ou sete latagões caucasianos, todos a atirar para o louro e muito bem dispostos. De cachecol e envergando alguns blusões comprados na loja verde.

- Estes pelo sotaque são ingleses de Inglaterra.

 

Isto num dia em que excecionalmente (e que a exceção se repita!) mais de 35 mil gritaram quatros vezes, em castelhano mas com sotaque argentino, pelo que os muito distraidos poderiam pensar ser a color del máximo rival (rival que tem uma cor que, como sabemos, não encontra tradução em qualquer outra língua do planeta, o famigerado encarnado). 

Ironias da bola, gratificações da globalização.

Tudo por um clube que é mais do que de Portugal.

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Sou só eu (não sou, que à saída do estádio ouvi alguém dizer isto mesmo) que penso, ou Montero anda triste, sem chama, apático, como se estando lá, não estivesse?

O que fazer para devolver ao nosso goleador a alegria que se viu no primeiro terço do campeonato?

Acompanhamento psicológico resolverá?

Ajuda profissional competente, será a solução?

Não sei, confesso que me transcende, mas há uns profissionais que se fossem competentes, ajudariam o rapaz e sem favor!

Bastava sancionarem os golos que ele marca. Os limpinhos...

É que ninguém é tão psicologicamente forte assim!

Até quando o "desgraçado" vai pagar por um golo em suposto fora-de-jogo?

 

Entretanto, já lá vão seis, para o guiness...

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Faz hoje um ano
Pedro Correia

 

Era ainda tempo de escutar os ecos do discurso de investidura de Bruno de Carvalho.

"Foi bonita de ver a cerimónia de posse da nova direção do nosso clube - e foi bom ouvir o discurso de posse de Bruno de Carvalho. Sensato e mobilizador, o discurso. Mobilizadora, também, a presença dos candidatos democraticamente derrotados. Agora é dar o melhor pelo nosso Sporting, em tempo de ciclópicos trabalhos. Desmobilizadores, apenas (e o novo presidente não tem culpa disso), alguns comentários de vendetta e censórios, de alguns que se acham guarda pretoniana (auto assumida) da nova direção." Palavras do José Manuel Barroso, escritas aqui no blogue.

 

Entretanto, em conferência de imprensa nesse dia 30 de Março de 2013, Jesualdo Ferreira revelava ter posto o lugar à disposição do novo presidente, que lhe garantiu continuidade no comando da equipa técnica do Sporting até ao fim da temporada. Nada de particularmente relevante.

Jogaríamos em Braga daí a três dias. Com os bracarenses 16 pontos à nossa frente na tabela classificativa.


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Sábado, 29 de Março de 2014

 

«William Carvalho tem uma capacidade técnica quase excessiva para quem joga naquelas funções

Esta noite, na Antena 1, ao comentar o Sporting-V. Guimarães


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Gostei

 

Da vitória. Bruno de Carvalho tem bons motivos para estar satisfeito, à semelhança de todos nós: assinala o primeiro aniversário do início do seu mandato como presidente leonino vendo a equipa vencer uma vez mais. Desta vez em casa, contra o V. Guimarães. Foi o nono triunfo em 13 partidas disputadas em Alvalade nesta Liga 2013/14.

 

De William Carvalho. Novamente uma exibição de luxo. Recupera a bola como se fosse a coisa mais fácil do mundo, distribui jogo como ninguém, impõe a sua destreza técnica no centro do terreno com uma classe insuperável. Foi bom do princípio ao fim. Partiu dele um passe em profundidade para a desmarcação de Slimani logo aos 5' que só não deu golo por inépcia do argelino. E na última jogada, quando já estavam disputados 95 minutos, percorre o campo com a bola nos pés arrancando aplausos de todo o estádio como se estivesse naquele momento a começar a partida.

 

De Jefferson. Grande actuação do nosso lateral esquerdo. Muito bom a atacar e a defender. Excelente na marcação de livres: um deles, aos 25', levou a bola a roçar no poste. Outro, disparado à distância de 30 metros, levou o guardião Douglas a fazer a defesa da noite. Foi dele a assistência para o golo de Montero, aos 59', anulado sem qualquer justificação pela equipa de arbitragem.

 

De Carlos Mané. Voltou a dar nas vistas, justificando a titularidade. Sempre muito dinâmico, sempre muito criativo, baralhou diversas vezes a muralha defensiva adversária. Ganha maturidade competitiva de jogo para jogo. A equipa torna-se mais acutilante quando ele se afasta das linhas e ruma ao corredor central, deixando perceber que não é um extremo de raiz.

 

De Rojo. Como de costume, um baluarte no sector mais recuado da equipa: a organização defensiva do Sporting depende em grande parte dele. Mas nunca se contenta com o exercício de missões defensivas: sempre que pode avança no terreno. Foi o que fez aos 57' marcando o golo da vitória. Um golo que nos valeu três pontos preciosos.

 

Da classificação. Consolidámos o segundo lugar, estamos de momento com mais oito pontos do que a equipa tricampeã nacional. Já somámos 47 golos marcados e apenas 17 sofridos. Acentua-se o contraste com a época passada, em que empatámos 1-1 em casa contra o V. Guimarães.

 

Do espectáculo. Foi um jogo emocionante, disputado com grande intensidade pelas duas equipas, sempre aguerridas e ousadas.

 

Do relvado. Em excelente estado. Mais um problema resolvido.

 

 

Não gostei

 

Do golo anulado a Montero. Começa a tornar-se raro o jogo que disputamos sem vermos um golo legalíssimo anulado pela equipa de arbitragem. Voltou a acontecer hoje, aos 59', quando um auxiliar do árbitro Nuno Almeida com eventuais problemas do foro oftalmológico julgou ter visto uma deslocação do colombiano que nunca existiu. Com decisões incompetentes como esta, quebrar o jejum de golos torna-se uma tarefa quase impossível para Montero.

 

De ver Slimani demasiado isolado. O argelino rende muito melhor quando tem um colega de equipa a jogar próximo dele, abrindo-lhe linhas de passe: isso só aconteceu em escassos períodos do jogo de hoje, facilitando a tarefa à defesa vimaranense. E alguém deve recomendar-lhe que nâo abuse nas simulações de grande penalidade.

 

De ver Capel jogar até ao fim. Leonardo Jardim fez bem em repetir o onze inicial que vencera o Marítimo na Madeira. Mas o andaluz estoirou a meio da segunda parte, arrastando-se em campo nos últimos 20 minutos. Devia ter sido substituído.

 

De Carrillo. Substituiu Slimani aos 74'. Mas não chegou a ser reforço: foi tão inconsequente como nos vem habituando há demasiado tempo.


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Fim de ciclo
Luciano Amaral

Fim de ciclo é referir-se a Herman José como um "humorista".


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Sou muitas vezes acusado, pelos meus amigos adeptos de outros clubes, de ser demasiado faccioso em relação ao Sporting e aos seus jogadores. Pura mentira!

 

Falo disto porque num destes dias, num almoço de colegas de trabalho, acabou-se por discutir se Ricardo Quaresma devia ou não ser convocado por Paulo Bento.

 

Na altura expressei a minha opinião dizendo que não obstante as boas exibições no Porto, Ricardo Quaresma ainda não era um jogador constante. E assim sendo não deveria ser primeira escolha. Falou-se então de Varela que achei ainda assim uma boa opção.

 

Curiosamente o que mais estranhei foi ninguém ter falado de Adrien, Cédric ou André Martins, já que William Carvalho é unanimemente aceite como tendo lugar na selecção.

 

Espanta-me que grande parte dos comentadores que oiço e leio aceitem naturalmente a entrada directa de Quaresma nos convocados só porque faz uns passes de trivela, e olvidem jogadores que, durante toda esta época, têm demonstrado qualidade de jogo muito acima da média e que claramente merecem uma chamada de Paulo Bento.

 

Não sei que critérios observa o actual seleccionador nacional para convocar jogadores. Mas só espero que os empresários nada tenham a ver com essas opções.

 

 

Também pode ler-se aqui


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Faz hoje um ano
Pedro Correia

 

Nas colunas dos jornais prosseguiam as manifestações de cepticismo sobre o recém-iniciado mandato presidencial no Sporting.

Pedro Santos Guerreiro escrevia no Record: "Não, não vão ser fáceis as tarefas de Bruno de Carvalho. Depois da emoção que mostrou na tomada de posse, é preciso uma capacidade que, essa sim, está ainda por demonstrar. O Sporting caiu-lhe no colo. Para que não caia no chão, será preciso fazer curvas em rectas e encontrar bolas em quadrados. Ou Bruno de Carvalho parte o enguiço ou será apenas mais um que continua a partir o Sporting até partir dele."

 

Vinha aí o primeiro jogo do campeonato a disputar sob a nova presidência leonina. Em Braga, com a equipa anfitriã muito acima do Sporting na tabela classificativa: mais 16 pontos. Algo nunca antes ocorrido.

 

Um tablóide britânico, o Daily Mail, noticiava nesse dia 29 de Março de 2013 que Arsène Wenger pretenderia levar Rui Patrício para o Arsenal. Já não pelos dez mil euros que teriam sido inicialmente oferecidos, e rejeitados pelo Sporting, mas por 15 milhões - quantia que facilitaria a vida a Bruno de Carvalho no momento em que assumia a presidência de um clube crivado de dívidas.


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Sexta-feira, 28 de Março de 2014

 

 

2. FINANÇAS

Um braço-de-ferro bem sucedido

 

Não faltou quem vaticinasse - incluindo diversos sportinguistas - que Bruno de Carvalho ficaria sujeito a pressões insuportáveis da banca mal decorressem as primeiras duas semanas do seu mandato.

Ao assumir funções, a dívida global do Sporting ascendia a 354 milhões de euros, 268 milhões dos quais à banca, com o BES e o BCP como principais credores. Os problemas de tesouraria acumulavam-se. "Quando aqui cheguei não havia dinheiro absolutamente nenhum, nem para pagar ordenados. Tivemos de iniciar de imediato o processo de reestruturação", lembrou esta semana o sucessor de Godinho Lopes, em entrevista à TVI 24.

Estava fora de causa a existência de novas linhas de crédito. E a possível entrada de dinheiro fresco no clube - que já tinha sido anunciada, em vão, durante a gestão anterior - continuava a parecer uma miragem.

Vender jogadores ao desbarato, ainda por cima com grande parte dos respectivos passes na posse de outras entidades, também não era solução. Nem fazia parte dos planos do novo presidente, empossado fez ontem um ano.

 

A verdade é que as negociações produziram bons resultados. Após um duro braço-de-ferro com os credores, que constituiu o primeiro grande teste à sua capacidade de resistência, o líder leonino atingiu o essencial dos seus objectivos. Incluindo a conversão da dívida aos angolanos da Holdimo em capital da SAD, no valor de 20 milhões de euros, e a entrada de mais investidores, com um reforço de 18 milhões, o que permitiu resgatar o passe de 20 jogadores. O plano global de reestruturação da dívida foi aprovado em assembleia-geral, a 30 de Junho, com 97% dos sócios a pronunciar-se favoravelmente.

Para isso muito contribuiu a concretização da promessa eleitoral de manter o clube com maioria na SAD, mesmo com a abertura a capitais estrangeiros. Era uma promessa eleitoral tornada realidade, tal como a realização da auditoria de gestão, que já se encontra em curso.

 

"A seguir à reestruturação vamos ter um passivo de cerca de 175 milhões. Houve uma redução muito grande do serviço da dívida", sublinha Bruno, lembrando o primeiro papel que assinou na qualidade de presidente do Sporting: um pagamento de emergência por questões de licenciamento. "Era esta a prenda que eu tinha reservada para o início de mandato", ironiza a um ano de distância. O pior parece já ter passado.

Tem motivos para estar satisfeito. Até porque o resultado operacional do primeiro semestre da presente temporada (Julho-Dezembro) teve um saldo positivo de 3,7 milhões de euros para o qual muito contribuiu também o plano de redução de despesas correntes acordado com a banca. No mesmo período do ano anterior tinha-se registado um prejuízo de 21,9 milhões de euros.

Sabe que ainda há muito por fazer até as contas estarem equilibradas e o passivo financeiro deixar de ser o pesadelo que ainda é. Mas ninguém nega que todos os passos dados no último ano foram na direcção correcta. Quem o reconhece, desde logo, é um gestor da banca insuspeito à partida de alimentar simpatias por Bruno de Carvalho: o sportinguista José Maria Ricciardi. "Houve trabalho duro e corajoso na diminuição de custos. Fiquei surpreendido não por este presidente: seria difícil para qualquer um."

 

Balanço: muito positivo


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Podia ser, mas não foi, o título da crónica de hoje de Carlos Machado, na última página do jornal O Jogo.

No rescaldo da entrevista de ontem de Bruno de Carvalho na TVI 24, em que anunciou que o orçamento para a próxima época será igual ao da presente temporada, interroga-se o cronista como é que o presidente do Sporting espera que o Clube consiga jogar para o título e fazer uma boa participação na super competitiva Champions com o mesmíssimo orçamento desta época. Isto quando, segundo o autor, Benfica e Porto terão orçamentos muito maiores, sendo que no caso do Porto não são de esperar duas más temporadas seguidas.

Por tudo isso, Bruno de Carvalho, segundo Carlos Machado, no caso de conseguir conquistar o campeonato e fazer uma boa Champions, com base em orçamento idêntido ao deste ano, deverá constituir um case-study para as altas instâncias do futebol. Só faltou mesmo acrescentar que com essas credenciais o presidente do Sporting acabará um dia no Natural History Museum.

Pena foi que Carlos Machado, em vez de querer ridicularizar o Sporting "low-cost",  não se detivesse antes no bom exemplo que o presidente do Sporting acaba de dar quando, perante a perspectiva de encaixe dos milhões da Champions (em caso de apuramento directo) e dos milhões da venda de alguns jogadores (William Carvalho?), em vez de inflectir o discurso de contenção financeira - o que poderia ser tentador - permanece fiel à contenção financeira que norteia o seu mandato. Uma atitude bem oposta à de outros presidentes do futebol doméstico, para quem o dinheiro parece nunca ser problema...

A crónica de Carlos Machado é, pois, bem reveladora de um pensamento dominante no panorama desportivo português, que persiste em manter-se alheado da difícil conjuntura que o país atravessa. Isso sim, merece um case-study.


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Secretaria
Luciano Amaral

Os calimeros dos andrades lá meteram a sua queixazita contra o Sporting na Liga. Como este ano se arrastam por aí (parece que estão todos excitados por terem ganho 1-0 à equipa B do Benfica...) e não conseguem ganhar em campo, tentam ganhar na secretaria. Repare-se que a coisa é mais importante do que parece: os 3 pontos ainda podem valer 9 milhões de euros, se eles conseguirem daqui até ao fim do campeonato aproximar-se do Sporting o suficiente para roubarem o apuramento directo para a Champions.

 

A queixa é, evidentemente, ridícula, sobretudo vinda do clube de que mais testemunhos há comprovando tentativas de corrupção  de arbitragem. Toda a gente conhece, mas não custa lembrar, até porque é público:

 

Repare-se: a queixa é ridícula no contexto português, mas não é disparatada. Se o Sporting for condenado, faz-se jurisprudência e abre-se uma nova página no futebol nacional, em que nenhum clube se pode queixar de árbitros (como este exemplo que aqui dei). Assim que algum o fizer, o outro queixa-se à Liga por tentativa de "condicionamento". Era, de facto, uma maneira de acabar de vez com as calimerices.

 

O problema é que a justiça desportiva em Portugal é ainda mais ridícula do que a queixa dos tripas. Por isso, não seria surpreendente se o Sporting saísse condenado agora, mas no futuro não conseguisse ganhar por razões idênticas.

 

Face aos precedentes, este caso não tem pernas para andar. Muito mais sustentação tinha o nosso famoso caso dos 3 minutos. Mas como isto é o futebol português, nunca se sabe.


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O Sporting recebe desta vez o V. Guimarães. O jogo vai ser no sábado, às 20.15. Chegou a altura de saber os vossos prognósticos.


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Leoas às sextas
Pedro Correia

 

Ana Guiomar

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Faz hoje um ano
Pedro Correia

 

Novo presidente no Sporting. Tudo diferente? Não: lendo os habituais colunistas da imprensa desportiva detectava-se o cepticismo do costume. Mesmo junto daqueles que se assumem como sportinguistas. E não faltou sequer quem comparasse Bruno de Carvalho ao venezuelano Hugo Chávez.

Carlos Barbosa da Cruz era um bom exemplo disso. A 28 de Março de 2013 escreveu assim no Record: "Ficou claro que o candidato Bruno de Carvalho foi o catalisador principal dos votos de muitos sócios revoltados, descontentes e mesmo desesperados, por razões óbvias. Essas expectativas são delicadas de gerir, porque a barra fica situada a um nível alto; o eleitorado com esse perfil necessita ser permanentemente alimentado e motivado, a experiência assim o ensina. Daí até ao caudilhismo vai um passo e uma tentação. Hugo Chávez, na Venezuela, assumiu esse estatuto: multiplicou inimigos, conspirações, ódios de estimação, intentonas, tudo enfim para manter mobilizada a revolução bolivariana. À sua morte deixou um país completamente antagonizado, muito longe da reconciliação. Espero que a clarividência prevaleça e o Bruno de Carvalho resista a ser o presidente de uns sportinguistas contra outros, porque, no final, é sempre o clube que fica prejudicado."

No mesmo jornal, Luís Pedro Sousa deixava este aviso: "O estado de graça não durará sempre. Os sócios que o elegeram querem começar a sentir com o passar do tempo que os problemas financeiros estão a ser resolvidos, tal como o próprio Bruno de Carvalho prometera."

 

Cá no blogue, também não faltavam palavras a recomendar ponderação. Outras expressavam desejos. Outras ainda faziam questão em exprimir tudo quanto não se queria.

 

"Eu desejo, sinceramente desejo, que o novo presidente seja feliz e faça bom trabalho, em prol do nosso clube. O Sporting precisa disso. Mas desejo também que, em nome da ética, se não cometam os erros que foram cometidos antes. E que, aqueles que são seguidores mais radicais da mudança, tenham cabeça fria o suficiente para entender o entendível", escreveu o José Manuel Barroso.

 

"Regresse o símbolo de origem. Regressem as camisolas como 'antigamente', com largas listas horizontais, a publicidade a ocupar o mínimo e os nomes dos jogadores escritos à 'inglesa', ou seja em letras garrafais, de modo a se conseguirem ler. Regressem as camisolas alternativas com bom gosto. Regressem os jogos à tarde. Regressem os professores de português que ensinem ao fim de meio ano/um ano, os jogadores estrangeiros a falar bem a nossa língua", sugeriu o Francisco Melo.

 

"- Não queremos cumprir 23 jogos do campeonato só com seis vitórias e sem conseguir melhor do que o décimo posto na tabela classificativa.

- Não queremos voltar a ver jogadores vendidos, quase em desespero, para assegurar o cumprimento de elementares operações de tesouraria, incluindo o pagamento de salários.

- Não queremos o clube novamente transformado em apeadeiro de jogadores que chegam inesperadamente, jogam quase nada e partem sem deixar rasto.

- Não queremos que um presidente chegue ao fim do mandato sem honrar os compromissos financeiros assumidos em nome do clube." Palavras minhas. Para memória futura.


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«A única vedeta é o Sporting. Tudo o resto é trabalho.»

 

«Aprendemos a fazer muito melhor com menos recursos. Está mais do que provado que é possível.»

 

«O Sporting não tem necessidade de vender absolutamente ninguém para cumprir o seu plano financeiro.»

 

«Neste momento funcionamos como uma estrutura, algo que o Sporting nunca devia ter deixado de fazer.»

 

«Sempre que houve convergência entre os três grandes a base foi a hipocrisia. Não contem comigo para isso.»

 

«Nós não queremos ser sempre o clube que é mais prejudicado por erros grosseiros de arbitragem. Não pode ser.»

 

Há pouco, em entrevista à TVI24


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Quinta-feira, 27 de Março de 2014

 

1. FUTEBOL

Presidente-adepto trocou tribuna pelo banco

 

Bruno de Carvalho tomou posse há um ano, sufragado pela maioria absoluta dos votos expressos dos sócios, num cenário muito diferente do que sucedera em 2011, no controverso escrutínio que levou Luís Godinho Lopes à liderança do Sporting por escassas quatro décimas pontuais, em virtual igualdade com o candidato derrotado.

A diferença de oito pontos percentuais face ao segundo candidato mais votado era, à partida, o único trunfo visível de Bruno de Carvalho. Tudo o resto parecia jogar contra ele. Sobretudo no domínio desportivo - aquele em que costuma decidir-se o destino das lideranças no futebol.

O presidente leonino não fez grandes promessas. Mas os seus gestos apontaram, desde o início, na direcção certa. Manifestou confiança no treinador que estava em funções, Jesualdo Ferreira. Sem deixar dúvidas de que a orientação do Sporting, na área do futebol, lhe caberia a ele, coadjuvado por Augusto Inácio, campeão verde-e-branco enquanto jogador e treinador. E actuou desde logo no domínio simbólico, sentando-se durante os jogos no banco da equipa técnica. Era a forma de estar mais próximo da equipa. Algumas almas mais sensíveis torceram o nariz à inovação, proclamando aos quatro ventos o seu espanto e o seu enfado. Mas a verdade é que a medida resultou: nascia Bruno de Carvalho, o presidente-adepto. Que vibrava e se alegrava e se irritava como qualquer de nós.

 

Não havia nada de relevante a fazer naquela época futebolística, a nossa pior de sempre: ficámos na sétima posição, um lugar impensável. E dissemos adeus às competições europeias pela segunda vez na nossa história.

Mas abria-se um novo ciclo. Face à indisponibilidade de Jesualdo para permanecer no comando técnico, Bruno tomou a melhor opção: contratou Leonardo Jardim. A 20 de Maio - o dia seguinte ao fim da Liga - o técnico madeirense era apresentado em Alvalade. E tudo mudou a partir de então. Com uma aposta ainda mais decisiva na formação e o aproveitamento de jogadores que estavam emprestados a outros clubes, em Portugal e no estrangeiro.

Formou-se um onze-base maioritariamente português, com uma idade média muito jovem, e no qual sobressaíram William Carvalho, desde o início, e Carlos Mané, um pouco mais tarde. E vários reforços trouxeram o selo da qualidade: Jefferson, Maurício, Montero e Slimani merecem menção especial.

Mas não só eles: jogadores que estiveram apagadíssimos na época anterior - como Adrien, Cédric e André Martins, sem esquecer Rojo - passaram a exibir mais qualidade. Tudo num plantel muito mais barato: a nova direcção leonina reduziu em cerca de 40% a despesa fixa com a equipa de futebol. E não tardou a ganhar um título oficial, aliás o primeiro da temporada: a Taça de Honra da Associação de Futebol de Lisboa.

 

A diferença é abissal. Há um ano estávamos em décimo, agora vamos em segundo. Há um ano tínhamos o Porto mais de 30 pontos à frente, agora levamos o Porto cinco pontos atrás. Com o segundo melhor ataque e a segunda melhor defesa. Alimentando expectativas fortíssimas de garantirmos o acesso directo à Liga dos Campeões, o que nos vale à partida 8,7 milhões de euros. Entretanto, nunca mais ninguém estranhou ver o presidente no banco: agora o estranho seria se não o víssemos lá.

E - esta é talvez a diferença essencial - agora não temos apenas um conjunto de jogadores. Temos uma equipa a sério. Honrando os melhores pergaminhos da história do Sporting.

 

Balanço: muito positivo.


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Faz hoje um ano
Pedro Correia

 

Ao fim da tarde de 27 de Março de 2013, num auditório Artur Agostinho a transbordar de gente e na presença dos candidatos que quatro dias antes derrotara nas urnas, Bruno de Carvalho tomava posse como 42º presidente do Sporting Clube de Portugal. Não podia assumir funções em pior situação, com o clube afundado na tabela classificativa, cravejado de dívidas, cercado pela banca e condenado a ir vendendo passes de jogadores a fundos de investimento ou transferindo-os mesmo, em desespero de causa, para honrar o pagamento de despesas correntes.

Havia que negociar de imediato com a banca, travar a saída de alguns dos melhores jogadores (a de Rui Patrício, por exemplo, fora antecipada diversas vezes nas manchetes dos jornais e nos palpites dos comentadores televisivos). E pela primeira vez desde a época de 1976/77 o Sporting corria o sério risco de ficar fora do acesso às competições europeias, o que ameaçava ainda mais as precárias finanças leoninas.

 

Pior que isso: Bruno herdava um clube sem liderança, dividido internamente em múltiplas facções, incapaz de se projectar para o exterior com uma só voz, um só discurso e um só desígnio estratégico. Um lamentável retrato bem espelhado nas opiniões cépticas de muitos sportinguistas expressas nas colunas dos jornais. Reler esses textos, a um ano de distância, é revisitar um período da história leonina que vale a pena ser lembrado apenas para evitar a repetição dos erros anteriormente cometidos.

 

"O desporto nacional necessita de um Sporting forte e ganhador", declarou o novo presidente no discurso de investidura. "A força que nos deram para iniciar este mandato é importante para que todos, interna e externamente, percebam que o Sporting está vivo e com garra para demonstrar a sua força", acentuou.

Foram apenas nove minutos de discurso. O tempo não exigia muitas palavras: exigia, isso sim, muito trabalho e muita acção.


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Quarta-feira, 26 de Março de 2014

 

A forma é a costumeira nestes tempos: música de fundo para melhor enquadramento dramático, a câmara em cima do entrevistado, dando a ideia de uma maior proximidade ou mesmo familiaridade para quem vê, depois passando para planos gerais onde pudemos observar imagens a lembrar séries americanas de grande audiência. Embora gasta, é a forma que hoje se usa. E capta a atenção do espectador.

Sobre o conteúdo, o que de facto interessa numa reportagem, temos duas dimensões: por um lado a parte mais pessoal do árbitro, e nesta incluo as suas considerações sobre a sua maneira de estar na arbitragem, e o lado reactivo dos seus amigos/colegas. Impressionou-me positivamente a forma como Pedro Proença e a sua equipa preparam os jogos, o método meticuloso como estudam todas as variantes e possibilidades que lhes possam surgir no jogo seguinte. Não me parece que haja muitos a fazer o mesmo.

Não gostei da forma como Pedro Proença é apresentado, digamos, à sociedade. Estamos na presença de um triunfador sem mácula, sem erro, com um percurso de vida exitoso. Esta imagem é ainda mais reforçada com o depoimento de colegas e outros actores do futebol. Não há ali defeito, o trilho do sucesso foi feito com dedicação extrema, a família, humildemente aceita e resigna-se perante a sua ausência. O trabalho vem como prioridade sobre o lado pessoal, o paradigma actual.

É-nos dado também a conhecer o outro lado da vida profissional de Pedro Proença. Também aqui, estranho é que não fosse, o sucesso impera naturalmente: de gestor de várias empresas a administrador de insolvências, a sua vida desmultiplica-se e flui de forma tão fácil que julgamos estar perante, pelo menos, duas pessoas, tal o volume de actividades que tem. E, pasme-se, tem ainda tempo para desfrutar na sua (?) quinta do Alentejo, qual actor sex-symbol a vaguear pensativo na sua moto 4 pelos estradões alentejanos.

Na vertente meramente desportiva acho que se tentou por um lado humanizar a figura do árbitro, um paradoxo enfim, entrando na sua vida e expondo-a. Houve também, e essa parte foi descarada, a tentativa de elevar a profissão de árbitro a um patamar na qual ninguém a vê.

Em resumo: os elogios, adjectivos, em excesso matam a mensagem. Ao longo da entrevista vieram-me à memória os obituários, onde os elogios são a única regra: marido extremoso, pai dedicado, profissional exemplar. Ao Pedro Proença fizeram-lho em vida.


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Recompra de Ronaldo
Duarte Fonseca

Ferguson é umas das personagens do mundo do futebol que mais interesse me desperta.

A dedicação ao trabalho, a frontalidade que sempre transpareceu, a forma de liderar e a incrível capacidade para reinventar e motivar as suas equipas são as características que sempre admirei neste senhor. Aliando a estas características um humor corrosivo, tipicamente escocês, tenho todos os ingredientes para que o meu interesse por esta figura seja muito grande.

Naturalmente, assim que saiu o livro da sua autobiografia não resisti e comprei por impulso. Nos últimos dias tenho-me deliciado com as histórias contadas no livro. Ontem cheguei ao capítulo dedicado a Cristiano Ronaldo, o qual começa da seguinte forma: “Cristiano Ronaldo foi o jogador mais dotado que treinei.”. Não pude deixar de sentir um orgulho enorme.

Após contar um pouco da sua evolução no United e da forma como alcançou o estatuto de estrela maior daquele grande clube, Ferguson fala do processo de compra e venda de Ronaldo.

Por via de um protocolo entre Sporting e United, existiram frequentemente intercâmbios de treinadores ao nível das camadas jovens. Num desses intercâmbios, o treinador do United que acompanhava a equipa de juvenis do Sporting informou Ferguson que devia comprar, logo que possível, um menino chamado Cristiano Ronaldo. Na altura com 15 anos. O Sporting não aceitou dizendo que pretendia manter o jogador pelo menos mais dois anos até jogar na equipa principal e poder valorizá-lo. Ferguson, com o seu bom senso, aceitou esta pretensão não sem antes garantir uma espécie de opção preferencial para o United.

Depois do encontro de inauguração do nosso actual Estádio, Ferguson ficou mais que convencido e suplantou uma proposta do Real Madrid de 8 milhões de libras. No momento de venda, o Sporting exigiu uma cláusula de opção/preferência em caso de venda de Cristiano Ronaldo. O relato de Ferguson acerca desta cláusula:

“Alguns dias antes de o negociarmos com o Real Madrid, perguntámos ao Sporting se o queriam de volta, mas custar-lhes-ia 80 milhões de libras. Não foi surpresa percebermos que de lá não viria nenhum cheque.” Delicioso.


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Faz hoje um ano
Pedro Correia

 

Apuravam-se enfim os resultados definitivos das eleições no Sporting a 26 de Março de 2013. Bruno de Carvalho recebeu 53,69% dos votos expressos (47.058), José Couceiro ficou com 45,29% (39.699 votos) e Carlos Severino apenas 1,02% (890).

O novo presidente leonino venceu também em número de sócios votantes: 9423, contra 6261 que preferiram Couceiro e os 153 que optaram por Severino.

A vitória era em toda a linha: a lista de Bruno de Carvalho triunfou também na eleição para a Mesa da Assembleia Geral, do Conselho Fiscal e Disciplinar e do Conselho Leonino.

 

O sucessor de Godinho Lopes herdava uma série de problemas. No plano desportivo, no plano financeiro, no plano da gestão diária do clube. Com a pior classificação de sempre no campeonato, a ameaça iminente de corte ao crédito bancário e a contínua sangria de jogadores para fazer face a despesas correntes de tesouraria (o último era Wolfswinkel, cuja venda ao Norwich fora anunciada dois dias antes do escrutínio).

O seu primeiro acto de gestão já estava em agenda, com carácter de urgência: liquidar dívidas de 1,2 milhões de euros no âmbito do fair play financeiro, para dar cumprimento ao controlo trimestral efectuado pela UEFA.

Vinham aí, também sem mais demora, conversações muito complicadas com a banca para a aprovação do plano de reestruturação financeira e um pacote de medidas drásticas de poupança interna para fazer face à espiral de custos num clube que andou a ser muito mal gerido durante demasiado tempo.

Outra prioridade era a renovação dos contratos com jogadores oriundos do Sporting B e entretanto lançados na equipa principal sem a indispensável actualização do vínculo contratual. Uma medida que já pecava por tardia desde o minuto zero do novo mandato.

 

Alguns dos mais fervorosos adeptos de Godinho Lopes não tardaram a lançar maus augúrios ao presidente eleito, vaticinando um destino negro ao Sporting. Chegou até a haver, em certos blogues, quem admitisse devolver o cartão de sócio e quem protestasse contra a decisão democraticamente assumida pelos eleitores que compareceram num dos mais concorridos actos eleitorais de sempre em Alvalade.

José Couceiro, pelo contrário, encarou a derrota com grande dignidade. Abraçou o rival e deixou bem claro: "O Sporting não precisa de oposições internas."

Palavras sábias, reveladoras de bom senso, desportivismo e dedicação ao clube.

A propósito, escrevi aqui: "Gestos como o de Couceiro é que devem ser valorizados. Os outros, pertencentes à minoria ressabiadíssima dos seus alegados apoiantes, não têm a menor expressão. Couceiro foi só derrotado uma vez - e soube perder com dignidade. Os ressabiados, que torcem para que tudo agora dê errado, terão muitas derrotas pela frente. Quanto mais irritados andarem, tanto melhor para o Sporting: é sinal de que a escolha dos sócios esteve certa."


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Terça-feira, 25 de Março de 2014

"A equipa de Leonardo Jardim tornou-se no melhor Sporting da última década, tendo em conta a situação registada à 24ª jornada. Ao atingir a fasquia dos 54 pontos, os Leões superaram a melhor marca do período em causa, que pertencia à equipa de Paulo Bento, em 2006/07, com 52 pontos."

Record, 23 de Março

 

"A actual formação consegue também o melhor registo quanto ao número de vitórias e iguala a já referida equipa então comandada por Paulo Bento."

Idem

 

"A seis jornadas do fim, em comparação com a prestação de 2012/13, o Leão tem mais 24 pontos, mais 20 golos marcados, menos 12 golos sofridos e passou de 10º para 2º da tabela."

Idem

 

"A vitória do Leão num estádio (Barreiros) onde os mais directos rivais neste campeonato não foram capazes de vencer (Benfica perdeu por 2-1 e o FC Porto por 1-0) mostra bem a determinação da equipa de Leonardo Jardim, que não quer distanciar-se dos objectivos traçados."

A Bola, 23 de Março


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Desta vez, ao contrário do que sucedeu noutros jogos, não faltou quem acertasse no desfecho do Marítimo-Sporting. Aconteceu com vários autores cá da casa: a Helena Ferro de Gouveia, a Cristina Torrão, o João António, o João Paulo Palha e o Ricardo Roque.

Pelo critério do desempate, que passa pela pontaria afinada também nos marcadores de golos, os três cavalheiros merecem a vitória ex-aequo. E a eles junta-se ainda o leitor João Cruz, que tal como eles também acertou no golo de Adrien.

Para a semana, como de costume, haverá mais.


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Podia ser escrito de outra forma, mas quando eles espumam pela boca só pode significar que o Sporting está a provocar dano. O Porto deixou de cantar "campeões na Luz". O Porto deixou de querer ver "Lisboa a arder". O Porto só pensa numa coisa: neutralizar o Sporting e travar a recuperação. Dava jeito ao Porto disputar a hegemonia com o Benfica. Dava jeito ao Porto dividir o bolo com o Benfica. Dava, pois dava. Mas as coisas estão a mudar. Bem sei: às vezes, parece um bocado à bruta; às vezes, Bruno de Carvalho entra a pés juntos. Mas tem conseguido resultados. É por isso que eles no Porto espumam. É por isso que os árbitros dizem que têm a passarinha a tremer por causa das pressões do Sporting. Pode ser impressão minha, mas com Bruno de Carvalho esta gente não se atrevia a fazer uma greve, pois não? O garoto virou homem. Agora, habituem-se.


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Faz hoje um ano
Pedro Correia

 

Pelo segundo dia consecutivo, e apesar de não haver ainda resultados definitivos por faltarem contar alguns votos por correspondência, a 25 de Março de 2013 continuávamos aqui a comentar a vitória eleitoral de Bruno de Carvalho e a drástica mudança que este escrutinio fazia prenunciar no Sporting.

 

Escreveu a Zélia Parreira: «Talvez seja já a hora de colocar as diferenças de lado e assumir o que temos em comum. O Sporting é o nosso grande amor e Bruno de Carvalho o nosso Presidente. Agora, que vivemos os primeiros dias do resto das nossas vidas enquanto Sportinguistas, olhemos em frente, unidos.»

Escreveu o Francisco Mota Ferreira: «Terminada a campanha, eis-me pois de volta a esta casa. Sou um institucionalista e, como tal, a lista eleita pela maioria dos sócios do Sporting é agora também a minha lista. Bruno de Carvalho é o meu Presidente. Digo isto com o conforto e à vontade de ter trabalhado activamente numa solução alternativa para o futuro do nosso Clube. O nosso novo Presidente terá um desafio enorme pela frente e cá estaremos, Sportinguistas, atentos ao que foi dito e prometido na campanha e o que a realidade dos factos irá forçar esta nova equipa a fazer.»

Escreveu o João Távora: «Sendo eu avesso ao estilo de Bruno Carvalho, reconheço-lhe uma enorme virtude em relação às candidaturas concorrentes: um visível gosto e determinação férrea em conquistar o poder, condição que julgo valiosa para a tarefa ciclópica que o aguarda. Foi este dilema que me levou pela primeira vez a abster-me em eleições no meu clube.»

 

 

Neste mesmo dia o diário A Bola dedicava a manchete ao novo líder leonino. Chamando-lhe "Presidente do Povo". E ficávamos a saber que o primeiro acto de Bruno de Carvalho, ainda antes da posse, foi ter assegurado a Jesualdo Ferreira que contava com ele para orientar a equipa principal de futebol nas sete jornadas que sobravam da Liga 2012/13. Quando o Sporting seguia em décimo lugar na tabela classificativa.


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Segunda-feira, 24 de Março de 2014
O aviso
Tiago Cabral

"O Sporting vai acabar por pagar. Ai vai vai."

 

Guilherme Aguiar, há minutos, no programa O dia Seguinte na Sic-Notícias.


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E vão cinco
Pedro Correia

 

Ganhámos 3-1 na Madeira. Mas voltámos a ser prejudicados pela arbitragem: Jorge Sousa anulou um golo limpo a Slimani. Seria o 4-1.

É a quinta vez que somos lesados em lances deste tipo na Liga 2013/14. As outras quatro situações estão em foco neste vídeo.

 

No Tribunal do diário O Jogo, dois especialistas em arbitragem são categóricos: o golo de Slimani no estádio dos Barreiros devia ter sido validado.

Jorge Coroado: «Não se consegue descortinar qual a infracção assinalada. Fora de jogo? Falta de Fredy Montero? A realização não permitiu ver onde foi assinalado o livre. Em qualquer das circunstâncias, na imagem corrida ou a posteriori, não se vislumbrou nada.»

José Leirós: «Slimani estava mais atrasado ou na mesma linha de Fredy Montero e, por isso, não estava em fora de jogo. Um erro, pois, do árbitro assistente. Lapso também do árbitro, caso tenha interpretado que Montero jogou com o pé mais alto ou de forma perigosa sobre o adversário, o que não sucedeu.»


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Não me compete dirigir o Clube, não estou mandatado para isso. Mas como qualquer Hernâni, também gosto de mandar os meus bitaites.

aqui havia escrito que Carvalho não se fará velho no Sporting; mais duas "pequenas" coisinhas me conduziram de encontro a esse sentimento: o golo apontado nos Barreiros e as declarações na entrevista rápida (desculpem a coisa em português, mas...); disse W. Carvalho, em resposta a uma insistência do rapaz da tv, «Eu estou bem no Sporting, tenho contrato e darei o máximo até ao final da época. Estou focado no Sporting.»

Só nos resta esperar que o mundial lhe corra de feição e o encaixe financeiro seja de acordo com a sua valia.

O que isto tem a ver com o título, é que se a entrada directa na LC for conseguida (espero e creio que seja difícil não acontecer) e partindo do princípio que o Clube entrará num daqueles potes da morte, com três pesos-pesados da Europa, Carvalho é (seria) imprescindível para atacar uma fase de grupos muito complicada. Sim, teremos João Mário e de imprescindíveis estão os cemitérios cheios (cruzes, canhoto!), mas que falta nos fará William Carvalho na próxima época...

 

Neste último jogo, Adrien mostrou ao seleccionador que se quiser ser justo e ter ainda mais hipóteses de chegar longe, não pode deixar de o levar. O homem do jogo no sábado, jogou que se fartou, sendo ele, também, um dos imprescidíveis. Seria também importante contar com ele na próxima época! a ver vamos...

 

Sabemos o poder do dinheiro e também sabemos da falta que ele faz ao Clube. Eu, por mim, não deixava sair nenhum dos que agora se batem lá dentro que nem Leões, mas, como disse no início, eu não dirijo o clube e essa não é minha preocupação directa; confio em pleno que a haver negócios, neles seja muito bem defendido o interesse do Sporting. E se alguma das pérolas sair, olhem, temos o João Mário e o Esgaio e outros miúdos, que defenderão o Leão tão bem quanto estes agora o fazem.

 

Confesso que em relação a saídas de jogadores e promoção de jovens promessas, apenas uma coisa me preocupa: que o Sporting dê boa conta de si, que deixe uma boa imagem numa competição que não ganhará certamente e que jogue futebol que mostre que em Alcochete se ensina/aprende o que de melhor se pratica a nível mundial e se "criam" imprescindíveis de classe planetária.


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Populismo
Luciano Amaral

Agora deu toda a gente em denunciar o "populismo" de Bruno de Carvalho. É verdade que, nas duas últimas semanas, o homem não tem largado o gatilho. Mas deve ser porque aprendeu que, com pessoas como Pinto da Costa, Luís Filipe Vieira, Fernando Gomes, Mário de Figueiredo ou Vítor Pereira isto não vai lá com conversas sérias. Durante a maior parte da época, Carvalho manteve-se bastante contido, aparecendo só nos casos das roubalheiras mais evidentes. Pelo meio, fez uma série de propostas de "reforma" do futebol português. Um documento sério, com sugestões dignas, pelo menos, de discussão. Toda a gente ridicularizou ou desprezou o documento: "já a formiga tem catarro", "quem é que este julga que é", "nada disto melhora o que quer que seja", etc. Carvalho fez a coisa certa: não querem falar a sério? Desceu ao nível que eles compreendem.


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Coacção
Luciano Amaral

Os árbitros portugueses são engraçados. Foram anos a serem intimidados, a serem "coagidos". Apenas alguns exemplos, sem preocupações de exaustividade: o Benfica, há uns anos, "vetou" Pedro Proença para jogos do Benfica; Pedro Proença nunca mais arbitrou jogos do Benfica. Já esta época, Pinto da Costa "vetou" Soares Dias; ainda passou pouco tempo, mas tenho a certeza de que Soares Dias tão cedo não há-de voltar a apitar um jogo do Porto. Proença levou uma cabeçada de um adepto em pleno Centro Comercial Colombo. Um árbitro assistente não sei de quem levou um calduço do "Diabo de Gaia" em pleno estádio da Luz. Também esta época, o Benfica teve o seu momento Basta. Em relação a tudo isto, os árbitros nada fizeram ou então, subservientemente, agacharam perante a "coação". Quem não se lembra como, na altura da "mães de todas as calimerices", em 2010, Vítor Pereira veio fazer acto de contrição público?

 

Já quando é o Sporting a queixar-se, enchem-se de brios: fazem greve, ou então desmultiplicam-se em entrevistas pungentes, como Vítor Pereira esta semana, denunciando o "clima de intimidação" sobre a arbitragem. Quem ouvisse Vítor Pereira julgaria que a "coacção" sobre os árbitros começou com Bruno de Carvalho e o Movimento Basta. Talvez mais interessante ainda é verificar como as entrevistas de Pereira ocorrem ao mesmo tempo que o Porto ameaça processar o Sporting por coacção sobre a arbitragem. Uma coincidência de timing bastante curiosa. Deve ser apenas porque os belos espíritos se encontram sempre.

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Faz hoje um ano
Pedro Correia

 

Virar de página no Sporting: contrariando as sondagens feitas durante a campanha pela empresa Eurosondagem, Bruno de Carvalho era eleito 42º presidente leonino. Com a equipa de futebol na pior situação de sempre, relegada para o décimo posto do campeonato, e vários comentadores futebolísticos nacionais a sagrarem já o Braga como "terceiro grande" do futebol português.

Nas declarações iniciais aos adeptos, na madrugada de 24 de Março de 2013, o novo dirigente disse uma frase que de imediato funcionou como uma espécie de linha de rumo: "O Sporting é nosso outra vez."

 

A primeira reacção aqui no blogue veio do José Manuel Barroso. Com estas palavras: «Um sonho de menino, um projeto de vida, um trabalho ciclópico, um Sporting dividido e frágil - passado e futuro. Uma responsabilidade imensa. Até Julho, estado de graça. Primeira reação do novo presidente: comedida, palavras sensatas. Reação de Couceiro: sportinguismo. Reação de Severino: "ponho tudo do meu programa ao serviço do Sporting" - bonito e que pena não ter sido assim sempre. Um presidente para todos os sportinguistas e para todo o Sporting. Bruno de Carvalho sabe bem que isso vai ser vital. Parabéns.»

A segunda veio do Tiago Loureiro e foi assim: «É a primeira vez que o digo em toda a minha vida: o meu Presidente. Amo-te Sporting!»

 

A vitória, no entanto, não foi oficialmente confirmada nesse dia. Porque, embora com mais sete mil votos do que o seu principal antagonista, José Couceiro, o indigitado sucessor de Godinho Lopes teria ainda de esperar mais 48 horas pelo apuramento dos votos por correspondência. Sem esperarem pelo veredicto definitivo das urnas, alguns comentadores ferozmente antibrunistas apressaram-se logo nesse dia a lamentar a legítima opção dos sócios, declarando que Bruno de Carvalho jamais os representaria e antevendo um destino negro para o clube. Num sintoma evidente de mau perder.

Reacções localizadas que não se confundiam com a sensação de júbilo maioritária entre os sportinguistas por esta saudável jornada de participação democrática. E que procurei de algum modo resumir nestas linhas: «Bruno de Carvalho é o novo presidente do Sporting - o meu presidente também. Um clube que é dos sócios e não de nenhuma clique. Cumprimentado de imediato com fair play pelos candidatos derrotados, personifica um novo ciclo que arranca sem demora. Agora há que começar a edificar o futuro em Alvalade. Unidos como nunca. E sem olhar para trás.»


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Domingo, 23 de Março de 2014

Em resposta ao desafio do Pedro Correia fiz o seguinte prognóstico: Marítimo 1-3 SPORTING (1 do Slimani; 1 do Carlos Mané e 1 do Adrien) E o desafiante respondeu-me "Até dá para esticar três dedos, à Jorge Jesus". Não podia estar mais certo pois como é sabido, 3 dedos à JJ quer dizer 4... Que foram os golos legais marcados pelo Sporting, sendo que o do Slimani, para variar, foi anulado. Acertei, portanto, à Jorge Jesus no resultado final (ver http://youtu.be/2E19cD-Fb1E) mas falhei de raspão os marcadores.


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Faz hoje um ano
Pedro Correia

 

Os sportinguistas foram a votos para eleger os novos órgãos sociais do clube. Foi um dos dias mais longos dos últimos anos de história leonina. Um dia que iniciei, aqui no blogue, com estas perguntas para fazer antes de votar:

"Em que candidato mais confio?

Qual deles amará mais o Sporting?

Quem tem uma equipa mais completa?

Quem tem mais capacidade de liderança?

Quem merece mais ter uma oportunidade?

Quem pode ser mais eficaz perante os adversários?

Quem parece mais indicado para levantar o nosso clube?

Qual deles faz mais parte da solução do que do problema?"

 

Nem neste dia 23 de Março de 2013 o presidente cessante, Godinho Lopes, resistiu à tentação de obter ainda algum protagonismo. Fazendo esta declaração pouco depois de ter votado: "Saio tranquilo. Tenho pena de não ter acabado o mandato. Acho que o merecia: era a forma de concluir um programa que passava pela reestruturação, que era fundamental para a estabilidade do Sporting. Acredito que o futuro me fará justiça."

Palavras que me levaram a concluir isto: "Chega sempre o momento em que temos o direito - e até o dever - de dizer nunca mais."


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