Sexta-feira, 30 de Novembro de 2012

Jean-Paul Sartre, filósofo francês do século XX, existencialista por militância e convicção, disse uma vez que “o inferno são os outros”. Na lógica do seu raciocínio estava presente a ideia de que todas as pessoas são únicas e, como tal, têm projectos diferentes e isso faz com que surjam conflitos sempre que os projectos se sobrepõem.

Por outro lado, como diferentes que somos temos a capacidade de opção e, aqui também, nem sempre as nossas escolhas são as mesmas de quem está à nossa volta. É por isso também que Sartre refere que “o inferno são os outros”. São eles que estão no nosso caminho, no nosso projecto, na nossa escolha e tantas vezes nos condicionam e nos impedem de avançar.

No Sporting, não sei se o inferno são os outros ou se os demónios se instalaram em Alvalade e teimam em não sair. Na semana passada e pela primeira vez desde que me lembro, fomos afastados da Liga Europa ainda na fase de Grupos. Do campeonato é bom nem falarmos.

Não ganhamos um título nacional há uma década. Nos últimos anos, se formos a ver bem, mudámos de treinador. Várias vezes. Mudámos de Presidente. De estratégia. De jogadores. Investimos muito. Vendemos activos. E, mesmo assim, as vitórias tendem em não aparecer.

E antigamente havia ainda o síndrome do Natal, recordam-se? O Sporting aguentava nos lugares cimeiros da tabela mais ou menos até Dezembro e, a partir de Janeiro, era um sobe e desce constante de posição que nos inviabilizava a conquista do campeonato.

O Príncipe de Falconeri, da magistral obra Il Gattopardo, de Giuseppe Tomasi di Lampedusa, a uma dada altura sugere que “tudo deve mudar para que tudo fique como está”. Defendo a estabilidade, o não pensar-se em soluções que nos podem sair caras. O não ir atrás de velhos do Restelo que, às vezes parece, estão empenhados em vender-nos ou impor-nos uma suposta mudança para que tudo fique na mesma.

Gostava de ser mágico e ter aqui a solução ideal. Não tenho. Não faço a menor ideia como o Sporting irá sair do atoleiro em que se encontra. Apenas sei, ao contrário do que defendia Sartre, que o inferno nem sempre são os outros. Nós próprios somos, por vezes, o nosso pior pesadelo.

 

*Artigo desta semana do jornal do Sporting


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Duas coisas
António Manuel Venda

O nosso colega José Manuel Barroso num debate ontem à noite na televisão do jornal «A Bola», com Dias Ferreira, José Eduardo e o director do jornal. O Sporting em discussão, com moderação de José Manuel Delgado. Retive algumas coisas, das quais comento duas: uma tirada de Valentim Loureiro e a ideia de uma academia de presidentes em Alvalade.

A tirada de Valentim Loureiro foi lembrada por José Manuel Barroso, nada mais nada menos de que uma frase do conhecido autarca, há uns bons anos, onde referia que se a bola entra o presidente é bom e se vai ao poste então é porque é mau. Fiquei com a ideia de que se tentava passar a imagem de que Godinho Lopes tem tido azar, de que os nossos problemas têm a ver com bolas nos postes e na barra (embora a esse nível me lembre logo do recente remate de Alan contra um dos nossos postes e do terramoto que poderia ter originado em conjunto com o golo do mesmo Alan, se tivesse sido validado). Não tenho a opinião de Valentim Loureiro; nesta matéria, o que posso dizer é que me parece que com Godinho Lopes – ou com outro dos do género dele que temos tido nos últimos anos – as bolas passam sempre ao lado, e nem é um pouco ao lado, é muito ao lado, com algumas a saírem mesmo pela linha lateral; e as que vão por cima da barra é sempre bem por cima, tipo três pontos nem sei se para o País de Gales se para as ilhas do Reino de Tonga (e a todos os níveis, da gestão do futebol à gestão do próprio clube).

Quanto à academia de presidentes, ideia surgida na sequência de algo que se disse sobre Godinho Lopes ter andado este tempo todo de presidente a aprender para agora as coisas mudarem – Liga dos Campeões???; Mundial de Clubes???; descoberta de petróleo no Alvalade XXI, de gás natural na academia (a de jogadores) e de ouro em Odivelas, as três coisas ao mesmo tempo??? –, e então até ao fim do mandato nem sei aonde chegaríamos, porque nem o céu seria limite suficiente. José Eduardo rebateu bem a ideia ao dizer que o clube não pode ser uma academia de presidentes, embora se tenha ficado por aí, sem arriscar que talvez se admitisse a um jovem dirigente com menos de, nem sei, 25 anos; talvez com um jovem desses se pudesse ter esperança de que aprendesse e aos 28, ou 30, se houvesse paciência suficiente dos adeptos, talvez nos conduzisse às maiores conquistas. A isto não me parece que o «jovem» Godinho Lopes possa aspirar, por melhor que fosse a academia de presidentes que se pudesse arranjar em Alvalade e até levando em conta as mudanças que o mundo tem vindo a conhecer em termos de demografia.

 

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Leoas às sextas
Pedro Correia

 

Laura Galvão

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Quinta-feira, 29 de Novembro de 2012

... Vai vender o estádio... de alma.

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Pequenos leões
Zélia Parreira

São sete e meia de uma tarde fria de inverno. Eu estou no meu posto habitual em dia de treino, à espera que o futebolista da família saia do balneário. Da porta que dá acesso ao campo saem os miúdos pequenos, das escolinhas, dos infantis e dos iniciados. Em sentido contrário, ainda a tremer de frio, passam os jovens adolescentes dos juvenis. Não sei a percentagem exacta, um dia posso entreter-me a calcular enquanto espero, mas são muitas as camisolas do Sporting que vão e vêm. Curiosamente, é o clube mais representado.

 

Penso na coragem que é preciso ter, num ano como este, para vestir dia após dia o equipamento verde e branco. Sujeitam-se aos comentários irónicos e desagradáveis do costume, mas não desarmam. E depois lembro-me do meu filho e do orgulho que tem naqueles equipamentos. E a seguir lembro-me de tudo o que leio na internet, em blogues e páginas do facebook e penso que estas letras todas que não paramos de ler e de escrever, cheias de razões e convicções, de nada valem quando comparadas com o peito cheio daquelas dezenas de miúdos, que em centenas de campos por este país fora, fazem um exército vibrante e orgulhoso de milhares de soldados de verde e branco, a procurar em cada passe, em cada lance, em cada remate, em cada defesa, honrar o Sporting Clube de Portugal.

 

A todos eles, a minha homenagem.


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- Ó meu, o Fiorentina quer dar 15 milhões pelo Wolfswinkel!

 

- É pá, que o levem já...

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... Só precisamos disto. Espero que Vercauteren mostre este vídeo aos seus jogadores antes do próximo Sporting-Benfica.


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Os meus parabéns ao atleta do Sporting Clube de Portugal, Pedro Kol, pelo título de vice-campeão da Europa de K1, na categoria de -60.

 

Obrigado e Saudações Leoninas

 


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Coração de Leão
Tiago Loureiro
sapinto

Soube-se por estes dias que Ricardo Sá Pinto abdicou de um ano de salários a que teria direito na sequência do seu despedimento. Se a sua capacidade para treinar o Sporting neste momento poderia levantar duvidas a muita gente, o seu amor ao Sporting é absolutamente inquestionável. Numa altura em que o dia-a-dia do Sporting é marcado quase exclusivamente por factos negativos, notícias como esta, apesar de não surpreenderem, fazem muito bem à alma. Que os adeptos não tenham memória curta: Sá Pinto é e será sempre dos nossos. E merecerá sempre a nossa maior consideração.

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Nos últimos anos o Sporting presenteou dois adeptos com a possibilidade de integrarem o seu plantel numa fase tardia das respectivas carreiras e depois de conseguirem grandes conquistas noutros clubes. Assim sucedeu com Costinha e Maniche - curiosamente, um companheiro de estrada deles, insuspeito de ser sportinguista desde pequenino, de seu nome artístico Derlei, obteve melhores resultados em Alvalade -, pelo que partilho a minha sincera dúvida: não há uma alma gentil que se lembre de fazer o mesmo por um avançado chamado João Tomás?


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«Juntava o Izmailov ao Elias e ao Jeffrén, embora goste muito dele, a verdade é que também já não rende. E o Tonel que venha já em Dezembro, pois acaba o seu contrato, tal como o Xandão, que vai (espero) embora. O Wolfswinkel podia ficar, mas é urgente um outro avançado com alguma experiência.»

Pedro Keul, neste texto do Leonardo Ralha

 

«Porque será que os jogadores chegam ao SCP e perdem qualidade? Sabemos que a maioria dos nossos jogadores são internacionais dos seus países, que não são do terceiro mundo futebolístico, e chegam ao SCP e não prestam. Será que somos exigentes de mais ou as pessoas que contratamos para treinadores não estão à altura do cargo?»

Fernando Albuquerque, neste texto do Tiago Loureiro


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Quarta-feira, 28 de Novembro de 2012
Resgatados
Adelino Cunha

Qual é a solução para o Sporting? Quais são as soluções financeiras e desportivas? Eleições antecipadas? Fechar as portas até Agosto e começar em Dezembro de 2012 a preparar a época de 2014? Despedir metade da equipa? Troca a equipa A pela equipa B? Não sei, mas se o Sporting está tecnicamente falido, se a liderança do Sporting perdeu capacidade para gerar resultados, se as referências do Sporting estão cada vez mais depreciadas, desculpem a pergunta, por que não uma intervenção externa? Será que o Sporting pode pedir um resgate à UEFA? Assinar um Memorando, comprar e vender jogadores seguindo as indicações dos investidores, implementar medidas de racionalidade económica, enfim, essas tretas todas que oferecem equilíbrio, previsibilidade, fiabilidade e resultados (tudo coisas que não temos). É esse o destino do Sporting? Estou para aqui a brincar, mas eu acho mesmo que o Sporting, a sua existência, está em causa. Se não há países eternos, porque raio haveria de haver clubes eternos? 

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O actual presidente do Sporting é o que tem mais percentagens de derrotas desde os anos 60. Vale a pena ler hoje no jornalesta análise, que me parece séria e bem documentada, sobre o legado das várias direcções do clube nas últimas décadas (em papel está mais completa e compara em detalhe as últimas dez, de João Rocha a Godinho Lopes).

Conclusão: algumas das mais recentes conseguiram a proeza de delapidar património e acumular passivo em simultâneo. Sem resultados desportivos, ainda por cima.

A culpa disto não é dos árbitros. É de nós próprios. Porque os dirigentes acabam sempre por ser o espelho de quem os escolhe.


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Não vale a pena exagerar
António Manuel Venda

Estamos mal. Muito mal. Godinho Lopes é uma desgraça de um nível em que mesmo quem o julgava pouco indicado para o cargo de presidente do Sporting dificilmente poderia acreditar há cerca de um ano. Como eu. Mas também não vale a pena exagerar. Em rodapé, passa na TVI24 que o nosso clube está a ter «o pior arranque de sempre da história». Não é, obviamente. É o pior arranque de sempre. E é o pior arranque da história. Pode-se dizer uma coisa ou outra, mas não as duas ao mesmo tempo. Só se for por causa do acordo ortográfico, que dá para tudo e privilegia a asneira. O nosso presidente (nosso, enfim, de quem o quiser), o nosso presidente é mau. E também se pode dizer que é péssimo. Porque é verdade. Mas não é um mau/ péssimo. Ou é mau ou é péssimo – embora o péssimo, de certa forma, aplicando um raciocínio matemático, englobe o mau. Já o mau não pode englobar o péssimo. Não chega a tanto. Godinho Lopes é péssimo. Acho que isso basta. Mau/ péssimo talvez só se aplique ao caso extremo de José Eduardo Bettencourt. Que é – ou foi, felizmente –, que foi, dizia, um caso especial. Esse foi tudo. De sempre, da história, mau, péssimo, o que se queira. Godinho Lopes, agora, já se vê, persegue-o. Acredito que consiga apanhá-lo.

 


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Nós por cá
Pedro Correia

Acabamos de ultrapassar um número que vale a pena registar: 250 mil visitas. E já recebemos acima de 482 mil visualizações desde o pontapé de saída deste blogue, ainda não decorreram onze meses. Seguimos em frente, com a certeza antecipada de que os nossos leitores serão cada vez mais e cada vez melhores.

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«Não me parece que faça muito sentido contratar um Viola ou um Labyad com jogadores como o Wilson Eduardo emprestado à Académica ou o Betinho, que começa a provar que tem lugar no plantel. Ou ir buscar dois novos defesas centrais, quando podíamos contratar só um e aproveitar um Eric Dier ou um Tiago Ilori.»

 

JS, neste texto do Luís de Aguiar Fernandes


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Terça-feira, 27 de Novembro de 2012
ROC, who else.
Luís de Aguiar Fernandes

 

Já se falou aqui muitas vezes de Rui Oliveira e Costa. A grande maioria mal. Mas quando esse senhor diz que uma vitória contra o Carnide salva a nossa época, estabelece um novo nível de parvoíce. Mudem-no de lado, no programa, porque se há algo que não faz é transmitir sentimentos da massa sportinguista. Uma tristeza.


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Tudo nos acontece
Diogo Agostinho

Agora depois de Godinho tentar mostrar a "sua macheza", chega a notícia que levou multa por estar em zona não autorizada. 

 

O que mais nos acontece? 


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Um exemplo
Pedro Correia

 

O Record aponta hoje Eric Dier como o melhor sportinguista em campo, na linha do que ontem aqui escrevi. "Muita disponibilidade física e uma atitude irrepreensível de um miúdo que, ainda há bem pouco tempo, jogava na equipa B", escreve o jornalista Alexandre Carvalho ao analisar o desempenho dos jogadores. Num título da concorrência, A Bola, há sintonia com esta opinião: "Ponham os olhos no miúdo", refere o matutino, destacando o mesmo jogador como figura do encontro. Outro jornal, O Jogo, elegeu o minuto 65, quando ocorreu o golo marcado por Eric, como o momento decisivo da partida disputada em Moreira de Cónegos.

Os elogios à sua actuação são inteiramente justificados. Defesa-central de raiz adaptado a lateral direito, efectivo da equipa B transposto com sucesso imediato para a equipa principal, com apenas 18 anos, Eric conseguiu contra o Moreirense o golo que impediu mais uma derrota do Sporting neste ciclo negro do nosso futebol profissional.

Jogou ontem com a força, a nobreza e a garra de um leão embravecido. A fazer corar de vergonha alguns dos seus colegas, muito mais bem pagos, que se arrastavam uma vez mais em campo como se aguardassem o fim de um suplício de 90 minutos. Sem respeito pelo público, sem respeito pelos sócios, sem respeito pela camisola que deviam ter orgulho de envergar.

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"Heróis"
João Severino

O presidente Godinho Lopes deslocou-se a Silves, a fim de definir com os responsáveis da edilidade local os contornos de uma iniciativa que merece o maior aplauso. Um jogo entre o Sporting e uma selecção do Algarve, cuja receita reverterá para as vítimas do tornado recente, a realizar no dia 1 de Dezembro. No entanto, logo um grupo de "heróis" apareceu, na sua maioria de cara tapada, a contestar o presidente do Sporting.

 

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Comentadores televisivos
Eduardo Hilário

"Se eu neste momento afirmasse que era candidato, a minha família devia interditar-me. Era uma loucura." Declarações de Dias Ferreira na edição de ontem d' O Dia Seguinte, da SIC Notícias. 

 

Apesar da estima e admiração que tenho por Dias Ferreira, gostava de compreender em que qualidade participa neste programa televisivo.

 

a) Candidato?

b) Comentador desportivo?

c) Adepto?

d) Outra figura?

 

Mais,

 

Qual o critério de selecção de tão ilustres figuras (Rui Oliveira e Costa/Dias Ferreira/Eduardo Barroso) e o que os torna especiais?

 


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Três meses depois do início da época, quando ainda faltam quatro semanas para o Natal, eis o balanço da nossa equipa:

 

- Eliminada da Taça de Portugal pelo Moreirense.

- Eliminada da Liga Europa, ainda antes de encerrada a fase de grupos.

- Classificada em último lugar no grupo G (atrás de Genk, Basileia e Videoton), com apenas dois pontos, por empates em casa com Basileia e Genk.

- O pior arranque de sempre no campeonato: décimo lugar, à décima jornada, em igualdade de pontos com Nacional e Vitória de Setúbal.

- A 15 pontos dos líderes, FCP e SLB.

- Com menos seis pontos do que Braga e Rio Ave.

- Atrás do Paços de Ferreira (que tem mais três pontos), Estoril e V. Guimarães (cada qual com um ponto mais).

- Com apenas mais quatro pontos do que o par do fim, Moreirense e Beira-Mar.

- O segundo pior ataque do campeonato (a par do Gil Vicente e só à frente do Marítimo).

- Apenas duas vitórias tangenciais em dez jogos (2-1 ao Gil Vicente e 1-0 ao Braga).

- Desde 22 de Abril sem ganhar fora de Alvalade: já lá vão 218 dias.

- Três treinadores nestes três meses: Ricardo Sá Pinto, Oceano Cruz e Franky Vercauteren.

- Continuação de pagamento de salário a Domingos Paciência, o treinador despedido em Fevereiro. 

- E a propósito de Domingos: à décima jornada da época anterior, íamos em terceiro lugar, em plena disputa pelo título. Estávamos só a um ponto dos líderes, FCP e SLB. E tínhamos mais 12 pontos, mais cinco vitórias e mais 15 golos marcados do que agora.


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O estado da arte
Tiago Cabral

Há uns anos atrás houve em Portugal uma teoria política, resumidamente consistia em aplicar o método da tesoura para fazer cair um adversário comum a dois antagonistas. A “coisa” era simples de fazer e resultava em teoria. Se temos um inimigo comum, para o exterminar não necessitamos de nos aliar. Basta sim, conseguir manobrar, de um lado e do outro, de forma que as adversidades, as injustiças, os azares aconteçam sempre para o mesmo lado. Os ataques sucessivos, em teoria, devem chegar para conseguir eliminar ou transformá-lo num oponente residual. Não é necessário que haja uma associação entre ninguém para conseguir ferir de morte um adversário. Na altura não resultou mas fez escola por cá.

Com a extremosa e dedicada ajuda da UEFA, benfica e porto apostam forte na destruição do Sporting. Uma luta a dois é sempre mais rentável e previsível que uma luta a três. Nos últimos anos assistimos, época após época, à tentativa de afastar por qualquer meio o Sporting da luta pelo título. Durante anos foi a história de apenas chegarmos ao natal e tendo esta desculpa tudo valia a partir dessa altura para condenar o Sporting a mais um ano de insucesso.

A hipócrita justificação dos portistas, de que tudo o que ganham em Portugal é apenas fruto(a) de trabalho sério, contrapondo com os êxitos na Europa, só vem confirmar o óbvio: Nas últimas décadas assistimos à adulteração total da verdade desportiva em Portugal e aqui sim entra a extremosa ajuda da Uefa, com a criação da Liga dos campeões, competição que aumenta irremediavelmente a distância entre quem a frequenta e quem não o consegue. A indústria financeira em que se transformou o futebol, com o beneplácito da Uefa e Fifa, fez com que clubes com uma matriz formadora deixem de ter acesso normal e habitual à liga dos campeões, cedendo o seu lugar a grupos oligárquicos do qual o PSG é o último exemplo. E não me dêem o exemplo do Barcelona e da sua cantera, que não foi há muito tempo que a equipa principal do Barça era composta por holandeses, brasileiros e portugueses.

Em Portugal as recentes declarações de responsáveis de porto e benfica, um paternalismo que não engana ninguém, é parte de uma estratégia que visa liquidar o Sporting.

O suposto engrandecimento do Braga, como se fosse possível um clube tornar-se um “grande” em meia dúzia de temporadas (se assim fosse o que teria acontecido ao porto, quando esteve 19 (dezanove) anos sem conquistar qualquer título no futebol?), visa também, utilizando terceiros, a destruição do Sporting. O Braga aqui serve apenas como mero peão nesta contenda. E tenho a certeza que o seu presidente, portista assumido, o sabe. Quando deixar de servir irá cair, como outros caíram.

É nesta guerra que o Sporting tem que se centrar. De nada vale contratar grandes jogadores, que os temos, de nada vale apostar na formação de grandes jogadores, que apostamos, se não olharmos ao que nos rodeia. A direcção do Sporting tem que saber olhar e responder sem medo da retaliação. E todos os pormenores contam.

Neste fim-de-semana foi mais do mesmo. No pré-fabricado um penalti para ajudar a resolver a questão, na pedreira um penalti claro não assinalado para manter o jogo em discussão. O Sporting perante estes “azares” não se pode calar. O Sporting, por muito que custe a alguns ouvir, não é o 3ºgrande de Portugal. O Sporting é um grande de Portugal, ponto.

Depois temos as nossas idiossincrasias. Somos um clube cheio de vaidosos, há um excesso em querer ser protagonista. Mas ao mesmo tempo parece que a resignação é também parte do ADN de muitos Sportinguistas. No presente custa ver a não reacção a sucessivos casos de más arbitragens, em vários campos. Quem manda hoje no Sporting está resignado. Não podem os dirigentes do Sporting, e quem o representa nos diversos painéis de discussão "futeboleira", deixar passar estes ataques ao Sporting. Porque um penalti mal assinalado, a favor ou contra os nossos adversários benfica e porto, é um ataque ao Sporting. Em Maio quem se vai lembrar da jornada deste fim-de-semana?

Tudo junto resulta no descalabro em que hoje vivemos.

 

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O que nasce torto...
Diogo Agostinho

 

... nunca se endireita. 


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Síndrome de quase...
Diogo Agostinho

... este ano já nos aconteceu tudo. Competições fora, treinadores fora, directores fora, até jogadores fora. 

Depois do pior cenário montado, uma vitória em Braga volta a alimentar esperanças. Nós, sportinguistas somos assim. Sonhadores. E depois, até com ajuda do Porto, com um Braga tão ao alcance... não vamos além de um empate com o ÚLTIMO CLASSIFICADO! 

E a que mau jogo assistimos. Esta coisa de valorizar se calhar para vender é de facto... estranha. Aquele Pranjic e o Elias metem dó. E que falta de sorte a nossa, o Xandão ter metido o golo. Depois do calcanhar, lá vai respirar por uma cabeçada, quando tem altura para isso. 

Já foi dito e redito e volto a pisar a ideia: Rinaudo no banco é um crime. E André Martins? Sem ritmo? É que foi a nossa agradável surpresa do ano passado, e este ano puff. 

 

Está muito complicado o futuro no reino do Leão. 


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Em jeito de sugestão
Tiago Loureiro

Eric Dier tem sido, de facto, uma das raras surpresas positivas neste Sporting medíocre. Em sentido contrário, o desacerto dos centrais (um em particular) já não é surpresa. Dito isto, lembro que Eric Dier, que tão bem tem jogado a lateral, é, na verdade, um defesa central. E não seria mal pensado dar-lhe uma oportunidade para jogar nessa posição. 

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Fico muito preocupado
Leonardo Ralha
Uma das minhas fantasias no limite do confessável mete-me na pele de António Sala em que ele convence as velhinhas a venderem as jóias da família. Também eu olho fixamente para a câmara, debitando a conversa do "fico muito preocupado", mas depois regresso para a realidade e fico ainda mais inquieto com o meu clube, aquele que conseguiu arrancar um empate no terreno do lanterna vermelha, cumprindo as minhas baixas expectativas para esta jornada.

Quando o campeonato começou - e depois de o FC Porto ter vendido Hulk, enquanto o Benfica despachava Javi García e Witsel -, alimentei a fantasia de que o Sporting voltaria aos títulos. O meio-campo parecia ter mais soluções, as contratações para a defesa pareciam certeiras e regressavam a Alvalade valores que haviam dado provas nos empréstimos a outras equipas.

Foi o que se viu... A defesa não acerta uma marcação - veja-se os dois golos do Moreirense -, ninguém assume o meio-campo e não há alternativas a Wolfswinkel para ponta de lança além do ex-júnior Betinho.

Num clube com pouco dinheiro para gastar urge fazer alguma coisa com os meios que temos à mão, depois da limpeza que se impõe...

Partindo do princípio que ainda consguimos enganar outros clubes, era hora de tentar fazer o maior encaixe possìvel com Elias e Jeffrén, dois jogadores irmanados por uma brutal inconstância, ou mesmo com Wolfswinkel, começando a reconstruir o plantel.

- Nuno Reis deveria voltar já em Janeiro, iniciando já o trajecto para a titularidade como central

- João Mário Eduardo faz muita falta à equipa B, mas poderia meter ordem no meio-campo do Sporting

- Wilson Eduardo, seu irmão mais velho, que Sá Pinto não considerou apto para a equipa principal, seria a alternativa imediata a Wolfswinkel

- Bruma podia ser aproveitado como alternativa a Carrillo e Diego Capel, aproveitando-se a sua irreverência para fustigar as defensivas adversárias

Isto no imediato. No ano seguinte a prioridade deveria ser recuperar grandes talentos da formação do Sporting, como Hugo Viana e Ricardo Quaresma, sem esquecer o regresso de Tonel ou a entrada de Bruno Alves para o eixo da defesa. E um avançado com raça... Nem que fosse o Marius Niculae.

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O pior de sempre
José Navarro de Andrade

Creio que nunca pensei isto de um jogador do Sporting muito menos o disse: O Elias é um bandalho e no modo como se comporta em campo dá indícios de dolo. Nele, a camisola fica emporcalhada.

Quanto ao resto, até de olhos fechados aflige ver este Sporting jogar.

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Segunda-feira, 26 de Novembro de 2012

E, de momento, é o que temos.

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Gostei

 

Que não tivéssemos perdido contra o Moreirense. Ao ponto a que as coisas chegaram no Sporting, um empate quase já nos soa a vitória...

 

Da capacidade de mudar o resultado. Dois golos marcados num minuto revelam potencialidades que infelizmente não temos visto na esmagadora maioria dos jogos.

 

De Eric Dier. Marcou pela primeira vez na equipa principal, conseguindo o golo que salvou o nosso clube de mais uma derrota. E mereceu os aplausos. Porque mostrou aos colegas colocados mais à frente que é possível marcar golos e confirmou que vale a pena continuar a puxar os jogadores do Sporting B para a equipa principal.

 

Da troca de Pranjic por Viola. Mal entrou, aos 67 minutos, o argentino fez um remate perigoso. A bola bateu no poste, mas bastou esse lance para justificar a substituição, que só pecou por ser tardia.

 

Não gostei

 

Do resultado. Empatar com o último classificado do campeonato - que já nos tinha eliminado da Taça de Portugal - pode não ser um resultado péssimo. Mas é mau, sem qualquer dúvida.

 

Dos buracos na defesa. Como é possível continuar a deixar os avançados contrários entrar desta maneira na nossa grande área, tão desguarnecida e escancarada?

 

De ver Rinaudo a suplente. Ainda não consegui perceber por que motivo Vercauteren teima em deixá-lo no banco. Quando o argentino, mesmo jogando a meio-gás, consegue ser melhor do que a esmagadora maioria dos colegas. Aconteceu hoje, mas apenas a partir dos 45 minutos, devido à lesão de Schaars.

 

De ver Pranjic como titular. Ainda não consegui perceber por que motivo Vercauteren teima em colocá-lo como número dez. Lento e desconcentrado, Pranjic não está à altura desta aposta.

 

Da substituição aos 90 minutos. Para quê mandar entrar Labyad para o lugar de Carrillo, queimando tempo, se cada segundo que passava era crucial para o Sporting tentar ainda vencer o jogo?

 

De ouvir Vercauteren dizer que o Sporting "jogou bem". Isso não é verdade. Todos temos olhos para ver: não adianta tapar o sol com a peneira.


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Vi o jogo no computador, aos safanões, nas flutuações da recepção. Mesmo assim não há dúvidas: o puto "bife" é bom. Quanto ao resto? Mais do mesmo.

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A ponderação acerca da física ou a mecânica de uma forca, o bom senso e a calma da análise custo-benefício dum conjunto excessivo de barbitúricos e anti-depressivos, a razoabilidade da escolha entre uma linha de Metro ou de comboio, a maturidade na escolha entre o calibre 5.56 ou 7.62, a sensatez na decisão entre estricnina e o cianeto, o bom gosto na escolha do punhal para cortar os pulsos!

É assim que vejo a lânguida placidez de alguns sportinguistas. Assim parecem alguns dos que defendem que temos de aguentar firmes, na trincheira, que não se conhece alternativa viável e só resta aguentar até Maio. Respeito, sinceramente, mas não compreendo, de todo.

 

Aos que, como eu, não acreditam em nada disto, que não acreditam no azar, que não acreditam que a culpa seja sempre do próximo ou do último demitido, que não conhecem a cura imediata para esta doença maligna nem sabem qual o nome ou a cara do presidente perfeito com o melhor projecto do mundo com sucesso garantido, mas sabem que algo tem mesmo que ser feito o quanto antes... o que resta? Festejar um empate com o último classificado antes de mais um derby?! Não...

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Dúvidas
Tiago Loureiro

O presidente do Braga já se veio queixar do claro penalty que ontem não foi assinalado a favor da sua equipa com o mesmo entusiasmo e o mesmo género de insinuações com que se queixou de um suposto golo mal anulado na jornada anterior? Ou estará com medo de prejudicar a relação privilegiada com o clube que ontem foi beneficiado à custa do prejuízo do seu? Cada um escolhe as críticas que faz. O carácter não se escolhe: ou se tem ou não se tem.

 

P.S.: Depois de o ter feito no final do jogo com o Sporting, ao dirigir palavras de simpatia e encorajamento ao clube onde já trabalhou, temo que José Peseiro tenha ontem, depois do jogo, proferido declarações que merecerão nova reprimenda do presidente do Braga.

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Campo inclinado
Pedro Correia

 

Jogar com o campo inclinado a seu favor, quando o árbitro é "compreensivo", contribui muito para o excelente estado anímico de uma equipa. Assim torna-se mais fácil ser o único clube na Europa sem derrotas.

Falemos de um exemplo concreto: do claríssimo penálti cometido por Alex Sandro que só o árbitro Carlos Xistra - bem nosso conhecido do Marítimo-Sporting - não viu durante o jogo de ontem do FCP contra o Braga.

O que diz sobre este assunto o Tribunal do insuspeito diário O Jogo?

 

Jorge Coroado - "Alex Sandro, com o braço esquerdo, de modo objectivo, travou o centro-remate de Alan. Grande penalidade por assinalar e cartão amarelo por exibir. O assistente estava a olhar para onde e o árbitro o que esperou?"

Pedro Henriques - "Alex Sandro, com o braço, no prolongamento do corpo, fora do seu plano, ganha volumetria e de forma deliberada intercepta a bola. Infracção passível de grande penalidade."

José Leirós - "Alex Sandro levantou o braço da posição natural, cortando a bola e a sua trajectória. Ficou por assinalar uma grande penalidade."

 

O veredicto é unânime: o árbitro cometeu um erro grosseiro. O problema não é a existência do erro, inerente ao futebol. O problema é a reincidência no erro: sempre em benefício dos mesmos, sempre apontando na mesma direcção.


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O quarto “grande”
Eduardo Hilário

Sou confrontado todos os dias com os comentários de inúmeras pessoas (jornalistas e alguns amigos meus) a defender cegamente que o Sporting Clube de Braga já é um dos “grandes”. Cometem até a loucura de colocá-lo no mesmo patamar do Sporting Clube de Portugal.

A resposta foi dada dentro e fora de campo no passado dia 11 de Novembro, com a vitória da nossa equipa e o presidente do Sporting Clube de Portugal a demonstrar que a única semelhança era o facto de ambos serem Sporting Clube, mas que um é de Portugal e o outro é de Braga (regional).

 

Também ficou demonstrado que a grandeza de um clube reside nos seus adeptos e no seu sucesso desportivo, manifestado em várias modalidades e durante vários anos.  

Ou seja, para ser considerado um dos “grandes” não basta ficar em segundo lugar e fazer duas ou três épocas com futebol de bom nível.

Tem que existir um crescimento sustentado do clube, baseado nas seguintes premissas:

a) Aumento de massa associativa;

b) Abandono do regionalismo e consequente dinâmica nacional da instituição;

c) Sucesso desportivo com títulos em várias modalidades;

 

Perante os argumentos identificados, coloco a questão: ainda consideram o Sporting Clube de Braga um dos “grandes"?

Para mim a resposta é simples e só não vê quem não quer!

 

Mais,

Considerar o Sporting Clube de Braga um dos “grandes” é cometer uma injustiça porque o Clube Futebol Os Belenenses e o Boavista Futebol Clube têm um palmarés mais rico.  

Todos sabemos que existe o sonho de criar um segundo grande clube a norte do país e que nos últimos quinze anos já assistimos aos fenómenos Boavista Futebol Clube, Vitória Sport Clube e agora Sporting Clube de Braga.

Também sabemos que os clubes supra mencionados são exemplos de crescimento sustentado, sempre com supervisão do clube “padrinho” mas quando tentam algo mais, acabam como o Boavista Futebol Clube ou como o Vitória Sport Clube, onde acabaram os empréstimos de jogadores do “padrinho” e começa o declínio.

 

Ou seja, o Sporting Clube de Braga nunca será um “grande” enquanto não construir a sua identidade e atingir sucesso desportivo.

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Nesta mui nobre e distinta casa tem-se falado muito em alternativas para o Sporting. É a força das circunstâncias. Os últimos colegas a abordar o tema foram o Adelino Cunha aqui e o Paulo Ferreira neste texto. Não esmorecendo ambas as análises e concordando com a necessidade de uma "alternativa", sobre a qual também ainda não se fez fumo branco na minha cabeça, e porque tenho dias em que sou um leigo em termos de reflexão, lembro a alternativa imediata, um imperativo: hoje, às 20.15h, vencer em Moreira de Cónegos.


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Das coisas que mais se ouvem por Alvalade nestes dias é a ideia de que se devia trocar a equipa principal pela equipa B. Eu normalmente rio-me, sem dar grande importância. Mas hoje, graças a uma insónia estranha, dei por mim a pensar mais a sério nisso.

 

Talvez não fosse assim tão má ideia. A equipa B lidera a segunda liga, e parece estar, pelo que joga, a um nível superior ao de uma equipa tipo Vitória de Setúbal ou Beira-Mar. Ora, todos sabemos das dificuldades que temos tido contra equipas desse nível.

 

Em segundo lugar, temos o factor motivação. O plantel está desmotivado, triste, e isso reflecte-se em campo. A equipa B não. Está com a moral em alta e todos eles cheios de vontade de jogar na equipa principal. Se o fizessem, alguém duvida que dariam mais em campo que a maioria dos nossos jogadores? Dificilmente seríamos uma equipa tão macia, que chega ao ponto de ir para o intervalo em Basileia apenas com uma falta cometida.

 

Em terceiro lugar, o argumento financeiro. Goste-se ou não, tem de ser levado em grande conta. Trazer alguns jovens permitia vender outros jogadores. Elias, Pranjic, Izmailov, Jeffren, Gelson, Carriço, Xandão (atenção que acho que estão neste lote alguns dos melhores do plantel) estão na linha da frente para sair, e seriam colmatadas essas saídas, por exemplo, com Nuno Reis, Pedro Mendes, Zezinho, João Mário, Esgaio, Wilson. O que se perdia em experiência ganhava-se em vontade de representar o Sporting e com maiores probabilidades de futuros encaixes.

 

Finalmente, reforçava-se a aposta na formação. O Sporting é um clube formador, dos melhores do Mundo. Então vamos aproveitar essa formação. O plantel do Ajax, este ano, tem uma média de idades entre os 22 e os 23 anos e não foi por isso que deixaram de ganhar em casa ao Manchester City e empatar fora, não envergonhando ninguém no grupo mais forte da Champions. Boloni foi campeão socorrendo-se de Hugo Viana, Santamaria (raramente jogou, mas treinou com o plantel quase sempre) e Quaresma. Paulo Bento quase o foi aproveitando o Nani, o Veloso, o Djaló e o Pereirinha. E a fornada de júniores do ano passado é a melhor dos últimos tempos.

 

Depois de racionalizarmos a questão, alguém duvida que com três ou quatro subidas da equipa B e o resgate de dois ou três emprestados fazíamos melhor figura na segunda volta do campeonato?


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Domingo, 25 de Novembro de 2012

 

 

Um clube desportivo não é um país. Neste coexistem interesses diversos, divergentes e contrastantes - apesar das cançonetas patrióticas que nos vão impingindo a dizer que somos um só. Por isso de quando em vez, de muitos em muitos séculos, há guerras civis. E sempre nos confrontamos, conflituamos, quantas vezes nos manipulamos, nos exploramos, nos preferimos, nos traímos. Não somos um. Não velejamos todos para o mesmo porto - nem quando os espanhóis entram portas dentro (para contratar o Pauleta), como bem sabemos. É assim. Cá. E em todos os países. Somos todos compatriotas. Mas temos (alguns) objectivos diversos, os quais às vezes nos apartam. Mesmo.

 

Num clube desportivo não há qualquer razão para isso. Os interesses são mesmo unos: e pluribus unum (isto faz-me lembrar qualquer coisa, não me lembro bem de onde).

 

O que quer um sportinguista? Aumentar o museu do clube. Mais nada. Podemos divergir no modo como pensamos fazê-lo (exigir mais taças de andebol júnior, ambicionar campeonatos de hóquei em campo feminino, trocar isso por uma taça ibérica de futebol sénior, requerer o sevens de râguebi mundial, há imensos itens para sonhar). Podemos até divergir no modo como pensamos divulgar esse amado museu (mostrá-lo ao presidente do Braga, não mostrá-lo ao presidente do Braga). Mas o objectivo é o mesmo.

 

A crise presente, que tem no futebol sénior apenas o seu lado mais tonitruante, é assustadora. E o que assusta menos ainda é o futebol sénior, diga-se. É o estado económico do clube, um futuro agónico no horizonte. É normal que isto nos torne iracundos. E que nos entre-acusemos das maleitas, de hoje e de ontem, e que, nisso, nos zanguemos. A situação é tão grave que a busca do "inimigo interno" explode. Pois as nossas almas doridas já não saram com as invectivas a Pinto da Costa e sua corte ou aos índios de Carnide. Pois estas já nem como placebos funcionam.

 

Não tenho simpatia - e já aqui o escrevi - por esta direcção, ou pelo que dela resta. Nem pelo bloco sociológico que ela representa, e que tem gerido o  Sporting nas últimas duas décadas. Ainda que convenha discernir que nem tudo foi mau nesse período, o descalabro económico-financeiro é notório. Também não acredito que o actual presidente, eleito por uma pequena margem, apoiado por uma minoria sociológica, e já desprovido dos "trunfos" eleitorais que lhe terão permitido vencer as eleições, possa ter sucesso. Está francamente fragilizado. Uma boa campanha do futebol sénior, de ora em diante, poderá permitir-lhe cumprir o resto do mandato, tipo cuidados paliativos. Mas não creio que possa continuar, para um novo mandato. Se isso acontecer será porque mergulhámos numa inesperada senda de sucessos futebolísticos. Será fantástico. Mas não é crível. Neste contexto penso que é preciso pensar em eleições, rapidamente. 

 

Mas estas não podem surgir como resultado de acusações, mas sim como corolário de uma reflexão sobre o entroncamento em que o clube se encontra. Não um beco sem saída, mas uma problemática encruzilhada. Eleições que também não poderão ser o trampolim de acusações, ou destas antecâmara. É um clube desportivo. Torcemos todos para o mesmo lado. Ou seja, há toda a razão para o debate mas nenhuma para o contraste. E é já tempo de sarar.

 

Este nosso projecto Godinho Lopes não está a funcionar, apesar do extremo sportinguismo do seu líder e da sua devoção ao clube. Precisamos de um novo projecto. Se calhar outro projecto Godinho Lopes, se calhar não. Que seja congregador. E não será a equipa de futebol sénior que congregará, num qualquer futuro, os sportinguistas. É a atitude destes, agora, que deve ser congregadora. Insisto na tal frase, que li algures, e pluribus unum.

 

Uma nova direcção (insisto, se calhar de Godinho Lopes, se calhar não) é urgente. Mas a sua eleição deverá correr em processo congregador. E não poderá assentar em promessas eleitorais (repito, isto não é um país ...). Ou seja, quem se propuser às eleições, quem "se chegar à frente", em louvável coragem, quem tiver meios e talentos para enfrentar a crise, e nos apoiar neste nosso transe, tem que partilhar os pressupostos e os supostos que tem para gerir o clube. Não agitando treinadores de futebol, conhecidos ou não, nem hipotéticos investidores bengalis ou texanos, ou cartões de visita de empresários de futebol. Tem que dizer ao que vem e como vem. Alguns dirão que "o segredo é a alma do negócio". Estão certos. Mas gerir um clube não é um negócio, desses. É um projecto, explicável.

 

Pois para homens providenciais, espertos das negociatas, artistas das entrelinhas da bola, já não há tempo nem espaço. Nem património. 

 

Nas crises brota, quase sempre, o pior. O populismo, a artimanha, a demagogia. Às vezes germina o melhor. Se formos juntos.

 

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