Terça-feira, 31 de Julho de 2012
Olímpicos (5)
Pedro Correia

 

Já se escreveu história em Londres: Michael Phelps é desde hoje o atleta mais medalhado de sempre nos Jogos Olímpicos. Depois da prata conquistada domingo na estafeta 4x400m livres (com vitória da equipa francesa), o campeão norte-americano de natação subiu hoje ao pódio por duas vezes. Com outra medalha de prata, nos 200m mariposa, e a sua primeira de ouro neste torneio, graças a uma brilhante prestação na estafeta 4x200m livres.

Oito medalhas em Atenas, outras oito em Pequim, agora três na capital britânica: a 'Bala de Baltimore' ultrapassa o máximo que fora estabelecido nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 1964, pela ginasta soviética Larissa Latynina, detentora de 18 medalhas conquistadas em três Olimpíadas.

Cada vez mais alto, cada vez mais rápido, cada vez mais longe.


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Olímpicos (4)
Pedro Correia

 

Portugal permanece em branco quanto a medalhas olímpicas sem se registar nenhuma comoção nacional. Foi algo a que nos habituámos durante demasiadas edições das Olimpíadas e conseguimos sobreviver a isso. Mas basta dar um pulo a Vigo, Badajoz ou Ayamonte para se perceber que entre nuestros hermanos é tudo bem diferente. O fracasso da selecção olímpica de futebol espanhola, à qual resta agora apenas a hipótese de um resultado honroso contra Marrocos antes de fazer as malas, está a causar quase tanta polémica como a contínua subida do montante da dívida e das taxas de juro. O saldo não podia ser pior, apesar de os olímpicos espanhóis contarem com estrelas como Jordi Alba, Juan Mata e Javi Martínez: duas derrotas consecutivas, contra essas irrelevâncias do futebol mundial que são o Japão e as Honduras, e nem um golito marcado para animar a malta. O Guardian conseguiu resumir tudo numa frase atirada aos futebolistas espanhóis: "São mortais."

Por estes dias, só falta ao treinador que é o rosto mais visível destas derrotas, Luis Milla, ser açoitado na praça pública: está a ser mais criticado do que o presidente do Governo, Mariano Rajoy. Mas o governante espanhol também não tem motivos para respirar fundo: se contava com eventuais medalhas olímpicas para anestesiar a opinião pública, já certamente se desiludiu. Nesta matéria Espanha permanece em branco. Ao contrário de países como a Mongólia, a Moldávia, o Azerbaijão, a Lituânia, a Geórgia e o Catar.

A crise começou ainda antes das Olimpíadas, ao ser anunciado que o campeoníssimo Rafael Nadal, por lesão, não compareceria em Londres: era o adeus antecipado à mais que provável medalha de ouro no ténis. Depois foi o que se sabe. Além do desaire no futebol, também a nadadora Mireia Belmonte, que chegou a ser apontada como esperança para um lugar no pódio, fracassou nas meias-finais dos 200 metros estilos. De tal maneira que as atenções até já se viram - vejam lá - para o pólo aquático. Mas nem aí as coisas estão a correr bem.

Nos Jogos de Barcelona, em 1992, Espanha recolheu 22 medalhas. Há quatro anos, em Pequim, os nossos vizinhos voltaram a transbordar de orgulho: subiram 18 vezes ao pódio. Desta vez, está visto, não sucederá nada semelhante. Os resultados estão a ser inversamente proporcionais ao investimento: Espanha enviou a Londres um contingente de 281 atletas - é o nono país nas Olimpíadas em termos de participantes. Até por isso o mau humor dos espanhóis é mais compreensível. E neste caso nem podem atirar as culpas para cima de Angela Merkel...


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Prezidente,

Escrevo-le porque o Prezidente sabe ca se for preciso comer a relva para sermos campiões eu fácio. E até sou gajo pra deitar fora a pastilha. E ca não gosto de tratar de açuntos do forno interno do clube na praça da república. E o Prezidente sabe ca eu confio no Prezidente. Prexemplos, quando diziam ca o Prezidente só ia buscar muntos estranjeiros, eu sabia ca o Prezidente estava a tratar do processo de neutralização. Mesmo nos momentos mais defíceis, dei-le a dúvida Prezidente. E o Prezidente sabe caté alombei com o Emerso e tudos. E protegio quando queriam fazer-le o bode respiratório. Mas eu sou Jasus, não sou Deus, Prezidente. Eu estou cá para dezer aos rapazes que vaiam à bola coma ca fossem leõzes. Mas o Prezidente  é ca tem ca tratar das aquesissões. E o clube preciza de um lateral esquerdo coma de pão pá boca, Prezidente. O Malaguejo é munta pôquechinho pra encarararmos a época de frente. Sem um lateral esquerdo de raiz mundial qué cagente havemos de fazer, Prezidente? O clube está em prigo, Prezidente. Salvio, Prezidente. Salvio já, Prezidente.

Sou quem sabe, O Mister, Jorge Jasus


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Malcom Allison*
Francisco Mota Ferreira

Foi treinador do Sporting e, só por isso, merecia aqui uma crónica. Mas Malcom Allison foi muito mais do que um mero treinador do nosso Clube. Foi o principal obreiro para que o Sporting, na longinqua época de 1981/82, ganhasse tudo o que havia para ganhar ao nível de troféus de Futebol: o Campeonato, a Taça e a Supertaça.

 

Allison foi um jogador de extremos e de excessos e, honra lhe seja feita, manteve esses extremos e esses excessos durante a sua vida como treinador. Apesar da fama de bon vivant, João Rocha, então Presidente do Sporting, vai buscá-lo a Inglaterra e “Big Mal” surpreende. Cativa jogadores e adeptos, incute um estilo de jogo mais agressivo que tornaram, nessa época, os Leões imparáveis, naquela que era a minha equipa maravilha e com a qual celebrei o meu primeiro campeonato: Eurico, Jordão,Manuel Fernandes, Zézinho, Inácio, Virgilio, Oliveira, Ademar, Freire, Meszaros, Barão, Nogueira.


No Portugal pós-revolucionário, no início dos anos 80, Allison chocou tradições e costumes. Politicamente incorrecto, adepto confesso de álcool, charutos e mulheres, aliava estes gostos a uma manifesta falta de discrição para esconder estes deslizes, o treinador do Sporting criou anti-corpos que lhe foram fatais. João Rocha não lhe perdoou estes excessos  - que destabilizaram a equipa – tendo sido despedido quando os Leões estavam em estágio de pré-época na Bulgária, apesar do Sporting ter conquistado os três troféus da Época.

 

Regressa a Inglaterra, passa pelo Kuweit e, em 1986, é chamado pelo Vitória de Setúbal com o desafio de levar os sadinos para a 1ª Divisão. Nesta equipa, “Big Mal” encontra  alguns ex-jogadores que treinou no Sporting (Meszaros, por exemplo) e volta a surpreender tudo e todos com novos métodos de treino para os jogadores: pinturas de guerra, artes marciais e heavy metal.

 

A técnica surpreende e resulta e o Vitória sobe à 1ª Divisão. Allison treina ainda mais uma época os sadinos e, em 88/89 desce ao sul do País para ajudar o Farense. Foi a última equipa portuguesa que treinou, tendo regressado ao Reino Unido. Nos anos 90, termina, sem glória,  a sua carreira como treinador nos Bristol Rovers (92/93).  Morre a 15 de Outubro de 2010, de doença. Tinha 83 anos.

 

*Artigo publicado hoje no Jornal do Sporting


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Segunda-feira, 30 de Julho de 2012
Um azar nunca vem só...
José Navarro de Andrade


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Olímpicos (3)
Pedro Correia

 

Os adeptos das restantes modalidades que me perdoem, mas os desportos olímpicos para mim são essencialmente dois: atletismo e natação. As anteriores Olimpíadas demonstraram isso mesmo revelando ou confirmando ao mundo dois nomes de excepção, dignos dos heróis da Grécia antiga. Refiro-me ao norte-americano Michael Phelps e ao jamaicano Usain Bolt: em conjunto, trouxeram de Pequim 11 medalhas, recordes mundiais e recordes olímpicos.

O atletismo pode esperar, concentremo-nos agora nas provas de natação que decorrem em Londres. Faltam poucas horas para se produzir um dos raros acontecimentos desportivos dignos de provocar manchetes mundiais: a 18ª medalha olímpica da 'Bala de Baltimore', na final dos 200 metros mariposa - o seu estilo de eleição. Se subir ao pódio, como se aguarda, Phelps igualará o número de medalhas conquistadas pela ginasta soviética Larissa Latynina, distinguida nas Olimpíadas de Melbourne (1956), Roma (1960) e Tóquio (1964) - proeza nunca alcançada até agora. E o norte-americano poderá mesmo ultrapassá-la já quinta-feira, na final dos 200 metros estilos.

Isto sim, é fazer história.

A natação tem ainda a vantagem sobre o atletismo de ser uma modalidade em que os recordes são batidos com muito mais frequência, contrariando todos quantos anteviam a existência de um suposto limite impossível de transpor nesta modalidade. Em Londres já foram ultrapassados três máximos mundiais. Pela chinesa Ye Shiwen, que aos 16 anos arrebatou o ouro (e o recorde) em 400 metros estilos. Pelo sul-africano Cameron van der Burgh, em 100 metros bruços. E pela norte-americana Dana Vollmer, espectacular vencedora dos 100 metros mariposa apesar de ter uma insuficiência cardíaca, o que a obriga a utilizar um desfribilhador.

"Se tiver que morrer, que seja na piscina", declarou em recente entrevista à NBC. O barão Pierre de Coubertin teria certamente gostado de conhecer esta mulher de 25 anos. Campeã no desporto e na vida.


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Os nossos ídolos (19): Cadorin
António Manuel Venda

 

Foi no final da década de 1970 que comecei a acompanhar o futebol. Mesmo assim, lembro-me de poucas coisas do título de 1979/ 80. As minhas memórias dos jogos do Sporting começam verdadeiramente no Verão de 1981, quando a equipa foi estagiar para a Bulgária e eu ouvia na rádio que o novo guarda-redes, o húngaro Meszaros, fazia defesas impossíveis. O nome era uma novidade, mas acabou por se tornar familiar. Lembro-me de escrevê-lo num pequeno caderno onde ia apontando todos os jogos dessa época, com a certeza de que o campeonato não iria fugir. Mesmo com os falhanços que tivemos, por exemplo logo a abrir em casa com o Belenenses, num jogo que deu um empate; ou noutros empates em casa, com o Guimarães, o Espinho e o Leiria; ou até nas derrotas no estádio do Boavista, onde parecia haver uma maldição qualquer contra nós, e em Portimão, tão perto da minha terra. O jogo de Portimão, que lá está no pequeno caderno com os dois a zero do penalty do brasileiro Tião e do remate na meia-lua de Norton de Matos, esse jogo foi o único que vi ao vivo naquela época inesquecível. Foi mesmo a primeira vez que pude ir ver o Sporting, ainda por cima ficando junto ao gradeamento, a dois metros da linha de golo onde Meszaros, na primeira parte, andava de um lado para o outro, e eu completamente espantado, como se estivesse perto de um extraterrestre.

Meszaros seria sempre um dos jogadores sobre os quais eu escreveria numa série dos meus ídolos do Sporting. Nunca fui muito de ter ídolos, pensando mais na equipa, e por isso consigo facilmente enumerar os jogadores escolhidos: além de Meszaros, os que eu verdadeiramente recordo como ídolos são Balakov, Marco Aurélio, Pedro Barbosa, André Cruz, Beto Acosta, Mário Jardel e Liedson. Por muito que tenha apreciado outros, seria sobre estes que eu conseguiria escrever.

Há no entanto um outro ídolo, e que eu sempre associo ao Sporting. Nunca como ele um jogador me impressionou tanto. As memórias que guardo, além dos golos e das jogadas que fazia, são de frustração por ele não ter alinhado pela minha equipa. Uma época, duas, três, eu sempre à espera de que fosse para o Sporting, e nada. Até que acabou por ir, mas demasiado tarde, quando parecia completamente transformado, incapaz de marcar os golos que antes eu via com admiração e nalguns casos com um enorme espanto. Foi no começo da época de 1988/ 89. Ele está na foto oficial do plantel do Sporting, curiosamente entre dois defesas, como era habitual andar em campo: o brasileiro Ricardo Rocha e o português Miguel. Chamava-se Serge Cadorin e haveria de fazer essa época na Académica, com dezena e meia de jogos e poucos golos, regressando depois ao seu verdadeiro clube em Portugal, o Portimonense, onde ainda faria menos jogos e marcaria menos golos. Depois, a Bélgica, o seu país, para uma época final no clube da terra onde nasceu, uma época ainda menos conseguida.

O Cadorin que chegou ao Sporting já não era o mesmo jogador que tinha chegado meia-dúzia de anos antes a Portugal, para jogar no Portimonense. Estava limitado, depois de uma explosão em sua casa, cerca de um ano antes do começo dessa época de 1988/ 89, uma explosão que gerou opiniões polémicas e que por pouco não lhe tirava a vida. Creio que ele nunca quis falar muito do assunto, e até a sua filha, Sandy, chegada a Portimão com os pais com apenas duas semanas, em 1983, numa entrevista de há três ou quatro anos fala apenas de um «infeliz acidente».

Foi o jogador consumido pela explosão que chegou ao meu clube. Incapaz de marcar golos como os que eu tinha visto no estádio do Portimonense – o primeiro logo na estreia, num empate a dois com o Farense, então de regresso à primeira divisão; Cadorin empatou o jogo já perto do fim, fazendo entrar a bola na baliza, imagine-se, do grande Meszaros; e na baliza do Portimonense estava Vítor Damas. Cadorin, que tinha sempre os defesas por perto, como na foto em que aparece com a camisola do Sporting. Uma vez, num jogo para a Taça de Portugal com o Espinho, marcou um dos golos que mais me ficaram na memória. O Espinho tinha uma equipa modesta, mas no centro da defesa estava um antigo internacional, quase a acabar a carreira, Freitas, ex-jogador do Porto. Os colegas de Freitas não acertavam com a marcação a Cadorin e por isso o ex-internacional repreendia-os constantemente. Eles, ainda jovens, nem respondiam, parecendo envergonhados. Até que de repente aconteceu uma jogada extraordinária. A bola foi metida em profundidade para Cadorin. Um dos defesas que o marcava já não o conseguiu apanhar, mas estava lá o experiente Freitas, que correu para ele e com um salto conseguiu agarrá-lo com firmeza. Pensei que ia ser falta, que Cadorin acabaria no chão para um livre a uns trinta metros da baliza. Mas não. Cadorin correu, correu, entrou na área e marcou golo, correu veloz como sempre, mesmo com o antigo internacional sempre agarrado a ele, de rojo, como se tivesse cola nas mãos. Já não me lembro bem, mas acho que Freitas só largou Cadorin depois de ter andado uns bons metros de rojo, quando o meu ídolo já corria em direcção à bancada central para festejar o golo em frente dos sócios do clube.

Mas o jogo que tenho mais presente, acima de todos, é o de finais de 1985, com o Porto, em Portimão. Comprei o jornal «A Bola» nesse dia, o jornal enorme, preto, branco e vermelho, a anunciar que Cadorin tinha sido aliciado para fazer um penalty contra a sua equipa. Li o que lá escreviam, que tinha sido o próprio Cadorin a denunciar o caso, e depois fui para o estádio. Encontrei o ambiente de confusão do costume, bem diferente do de agora por lá, pois já não vai muita gente aos jogos. Quase não se conseguia andar, coisa que aliás acontecia em todos os jogos importantes. Mas ao entrar no estádio notei qualquer coisa diferente do habitual. Não sabia bem o que era, mas tinha a ver com a história do penalty. Percebia-se nos olhares das pessoas, nos comentários, no receio do que poderia acontecer pouco depois de o jogo começar, já que o penalty estava marcado para os primeiros cinco minutos.

Tentei ver o que se passava com Cadorin, os movimentos que ia fazendo no aquecimento, e rapidamente percebi que muito dificilmente o Portimonense não ganharia o jogo, e mais, tive a certeza de que ele ia marcar. Reforcei essa certeza logo nos primeiros minutos, quando o vi fugir aos defesas do Porto e atirar à barra da baliza de Zé Beto. E depois, sobre o intervalo, talvez um minuto antes de o árbitro apitar, os dois momentos do jogo. Primeiro um ataque rápido do Portimonense, pela zona central, com a bola a sobrar para um dos irmãos Reina, que tentou o remate. A bola bateu num defesa do Porto e sobrou para o lado esquerdo, onde apareceu um jogador do Portimonense com nome de marca de automóvel: Skoda. Costumava jogar de bola colada aos pés e de cabeça levantada, mas aí nem perdeu tempo, centrou logo para a área. Zé Beto pareceu não saber bem se sair ou não, e enquanto estava nesse dilema apareceu Cadorin a chutar para dentro da baliza. Não me lembro de ter visto alguma vez um golo comemorado de forma tão efusiva naquele estádio. O barulho nas bancadas, os adeptos do Portimonense de pé, muitos aos saltos e aos abraços. Tudo tão diferente de um recanto da bancada coberta, que me parecia reservado aos notáveis do Porto, pouca gente, incluindo algumas senhoras com casacos de peles. Mais do que para a claque do Porto, era para lá que muitos adeptos do Portimonense se viravam. E as senhoras ripostavam, e algumas cirandavam pela bancada a fazerem carantonhas, procurando tirar satisfação das coisas que ouviam.

Eu costumava ficar perto dessa zona. Entrava para o peão com o cartão de jogador dos juvenis e depois subia para uma cobertura da porta de acesso, onde se via melhor o jogo. Estava concentrado na zaragata das senhoras dos casacos de peles com alguns adeptos do Portimonense. Mas de repente desviei o olhar. O jogo tinha recomeçado, faltaria uns segundos para o intervalo, e os jogadores do Porto estavam nervosos. Tinham acabado de perder a bola, que foi parar ao meio campo do Portimonense, e aí alguém já a lançava para o lado direito do ataque, mesmo junto a um dos bancos de suplentes. Foi por esse lado que correu Cadorin, surgido nem se percebia de onde. Um anãozinho que o Porto por vezes utilizava a defesa esquerdo correu desesperado para lá. A baliza ainda estava tão longe, pensava eu. Mas Cadorin, que chegou bem antes do anãozinho, chutou a bola de primeira. Mesmo junto ao banco de suplentes, chutou logo daí, e eu lembro-me de ter visto a bola pelo ar, a fazer um arco enorme. Zé Beto olhou para ela a cortar os ares, sem saber como apanhá-la, a bola a cair quando se aproximava da baliza. Muita gente parecia ir aproveitar o facto de ainda estar de pé e a saltar e aos gritos para festejar mais um golo, mas a bola apenas roçou no ferro da baliza, mesmo no encontro do poste direito com a barra. O árbitro apitou logo a seguir para o intervalo.

Na segunda parte o Portimonense apareceu mais retraído, a tentar guardar o resultado, e o Porto, mesmo que quisesse mudar as coisas, não conseguia. Cadorin andava de olhos posto na baliza de Zé Beto e todos os jogadores do Porto pareciam de olhos postos nele, mais do que na baliza do Portimonense, onde não conseguiram marcar nem por uma vez. Acabou com um a zero. Lembro-me de à noite ver Cadorin na televisão a dizer que tinha sido um jogo normal, apenas isso. E sobre o facto de o terem tentado comprar disse apenas que não queria falar mais do assunto. O repórter insistiu, perguntando-lhe se perante a polícia confirmaria as acusações que tinha feito. Disse simplesmente que sim, que confirmaria.

Pouco mais de um ano passado, a explosão que lhe tirou as forças que faziam dele o jogador mais impressionante que alguma vez vi jogar. Digo isto agora, depois de tantos jogadores e tantos jogos, em tantos estádios. Mas Cadorin, visto com os meus olhos de adolescente, foi mesmo o jogador mais impressionante de todos. Às vezes eu ia para o liceu de Portimão, depois de ter saído do autocarro que me levava desde a Serra de Monchique, e passava pela avenida que acompanhava a bancada do estádio do Portimonense. Uma vez por outra via os jogadores. Lembro-me de Vítor Damas num Citroen Dyane e de um jogador que controlava o jogo a meio-campo, Carvalho, num Renault Cinco, o mesmo modelo em que passado pouco tempo veria Manuel Fernandes na bicha para a portagem da Ponte Vinte e Cinco de Abril. Já Cadorin nunca o vi de carro. Acho que ele morava num prédio perto do estádio, mesmo em frente de onde agora é a biblioteca municipal. Era de lá que o via sair às vezes, de fato de treino, em direcção ao estádio, com passada larga e sempre metido consigo, da mesma forma que o via no campo, pensativo, e de repente a arrancar para a baliza como um furacão, ou a chutar de primeira com uma força tremenda.

Não jogou pelo Sporting, foi apenas num começo de época vestir a camisola verde e branca para a foto oficial do plantel. Época de 1988/ 89, mais uma das terríveis épocas dos dezoito anos sem campeonatos. O verdadeiro Cadorin, o que chegou a Portimão em 1983, sempre acreditei, teria ajudado a construir uma história diferente. Mas infelizmente só chegou ao Sporting depois da maldita explosão. Nunca conseguiu marcar um golo por nós, marcou-nos foi dois em Alvalade. Marcou contra nós, mas é o meu ídolo do Sporting.

Cadorin morreu em 2007, aos 45 anos, vítima de um ataque cardíaco. Na entrevista da filha há várias fotos. Dos tempos de Portimão, mas também dos tempos que se seguiram ao regresso à Bélgica. Cadorin passou a vender têxteis nas feiras, com a mulher. É um Cadorin envelhecido o desses tempos, mesmo sendo ainda um homem novo. Nas outras fotos reconhece-se a zona da Praia da Rocha, e também a Praia do Vau. Os filhos ainda pequeninos, e ele jovem e cheio de força, e a mulher também ainda jovem. Numa das fotos a mulher está a encher de água um garrafão, nas Caldas de Monchique. Cadorin segura a filha pequenina pela mão. A casa dos meus pais, onde eu vivia então, fica um pouco mais acima. Só na entrevista da filha, mais de vinte anos depois, descobri que o meu ídolo ia com a família buscar água à minha terra.

 


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Olímpicos (2)
Pedro Correia

 

Os Jogos Olímpicos de Londres têm já, aparentemente, a sua primeira superestrela: o norte-americano Ryan Lochte, de 27 anos, cometeu a proeza de derrotar o campeoníssimo Michael Phelps - herói das Olimpíadas de Pequim, há quatro anos - na final dos 400 metros estilos, em natação. Com a marca de 4:05.18, Lochte conquistou a medalha de ouro, ficando a de prata para o brasileiro Thiago Pereira e a de bronze para Kosuke Hagino, do Japão.

Phelps, ao contrário do que é costume, nadou numa das alas da piscina. Terá sido isso que o desconcentrou ao ponto de estar já a ser questionada a sua forma? Em alta competição, o factor psicológico é fundamental. O campeão de Atenas e Pequim (14 medalhas de ouro e duas de bronze nas duas Olimpíadas) terá outras oportunidades para ser aclamado. Mas desta vez, classificando-se em quarto lugar, o pódio fugiu-lhe - algo que não lhe sucedia desde 2004. Eis um homem de extremos: ou ganha ou perde com estrondo.

Fora das piscinas, a rivalidade entre os norte-americanos termina: Lochte e Phelps são amigos. O verdadeiro espírito olímpico passa por aqui.


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Domingo, 29 de Julho de 2012

 

«Do meu ponto de vista, o FC Porto vai partir para esta época claramente favorito.»

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«O FC Porto tem a seu favor três ou quatro jogadores que são jogadores jovens, de grande futuro.»

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«O Benfica não pode perder o primeiro jogo do campeonato. Se perder, temos o caldo entornado.»

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«José Peseiro, agora sim, tem condições para se afirmar no futebol português.»

 

Há pouco, na SIC Notícias.

 


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Olímpicos (1)
Pedro Correia

 

Isabel II, a primeira estrela dos Jogos de Londres. Com Daniel Craig - Bond, James Bond - como actor secundário desta curta-metragem, intitulada Happy and Glorious e dirigida pelo consagrado cineasta Danny Boyle. Havia quem dissesse que a cerimónia de inauguração dos Jogos Olímpicos de Pequim, com o seu monumental fulgor pirotécnico, não conseguiria ser ultrapassada. Mas os britânicos, com superior engenho e arte, acabam de demonstrar ao mundo como é possível fazer mais com menos. Este arranque das XXX Olimpíadas foi provavelmente o espectáculo mais visto de sempre na História da televisão, com uma audiência superior a mil milhões de espectadores que acompanharam em simultâneo as imagens um pouco por todo o globo. Medalha olímpica garantida.


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Há finais de tarde assim. Tudo corre bem e podemos sair de Alvalade com a alma cheia e sonhos na cabeça.

Foi o meu caso. Mais do que o 3-1 aplicado aos franceses, coleccionei uma série de bons presságios, que passo a descrever.

1. Defesas centrais de alto nível

Gosto muito de Carriço e de Onyewu, bem como de Xandão, mas tudo indica que Boulahrouz e Rojo vieram para serem titulares. A avaliar pela segurança que demonstraram na primeira parte, ainda bem que assim será.

2. Extremos a confirmar valor

Carrillo e Diego Capel voltaram a dar espectáculo e ficam ligados a todos os golos do Sporting. No caso do peruano, a forma como aparece na posição de segundo ponta de lança quando a bola vem do lado contrário saldou-se em dois golos. Jeffrén, Labyad e Wilson Eduardo que se cuidem...

3. Avançado com tiques de playmaker

Ricky Van Wolfswinkel só marcou de penálti - e não teve grandes ocasiões para fazê-lo de bola corrida -, mas esteve sempre em jogo e só não fez duas assistências para golo devido ao aterrador falhanço de André Martins.

4. Laterais dão segurança

Os supostos titulares só entraram ao intervalo, mas Cédric Soares e Pranjic deram boas indicações - o ex-Académica fez a melhor exibição entre os 'regressados' de empréstimo, parecendo-me mais acutilante do que Pereirinha.Já do outro lado é um regalo ver a dupla Insúa-Capel em acção.

5. Soluções no meio-campo

Matias Fernández foi naquela estrada e Izmailov permanece no limbo. Ainda bem que Elias (a querer justificar os nove milhões) e Schaars controlaram as operações, deixando André Martins como uma espécie de segundo avançado. E na segunda parte houve Rinaudo, Adrien e Gelson Fernandes.

Quanto aos maus presságios, falemos deles. Muito de passagem

1. Wolfswinkel sem substituto

Diego Rubio e Wilson Eduardo (desviado para a esquerda) mostraram muito pouco, Viola ainda se vai juntar à troupe, mas convém que o holandês não se lesione.

2. Desperdício de Martins

André Martins falhou um golo de baliza aberta, tão escandalosamente aberta, que se pergunta se a titularidade será nuvem passageira.

3. Esperanças perdulárias

Adrien Silva ainda fez o passe que desmarcou Wolfswinkel no lance do 2-0, antes e depois de passes falhados e más iniciativas. Já Wilson Eduardo foi sobretudo irrelevante.


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"ENTRADA A PÉS JUNTOS"

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Sábado, 28 de Julho de 2012

* Andebol: O sorteio do campeonato da 1.ª Divisão ditou um Sporting-Avanca na primeira jornada, agendada para o dia 15 de Outubro. - Para a Supertaça, o sorteio colocou o Sporting diante do Madeira SAD e o Benfica vs FC Porto.

 

* Natação: No primeiro dia dos campeonatos nacionais de juvenis, absolutos e Open de Portugal, a equipa do Sporting alcançou 14 medalhas e um recorde nacional de juvenis na estafeta 4x200 metros livres femininos. A prova conta com 595 nadadores em representação de 95 clubes, entre os quais 11 estrangeiros, oriundos de França, Itália, Suécia e Estados Unidos da América.

 

* Xadrez: A equipa do Sporting venceu o grupo B1 da Champions League qualificando-se assim para a final, que terá início a 15 de Outubro.

 

* Triatlo: A equipa do Sporting alcançou o segundo lugar na etapa de Esposende do Campeonato de Clubes.

 

* Futebol: A equipa B foi a Mafra vencer por 2-0. O Sporting alinhou de início com: Victor Golas, Chula, Nuno Reis, Eric Dier, Turan, João Mário, Zezinho, Yang, Filipe Chaby, Bruma e Sunil. Os golos surgiram na segunda parte por intermédio de Renato Neto aos 65 minutos e Betinho aos 85. - Num segundo jogo frente ao Farense, o Sporting tornou a vencer, desta vez por 3-0, alinhando de início com: Luís Ribeiro, Arias, Nuno Reis, Pedro Mendes, Mica, Renato Neto, Fabrice, Esgaio, Patinho, Iuri Medeiros e Plange. Golos por Renato Neto aos 33 minutos, Filipe Chaby aos 74 e Betinho aos 79.

  


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Sexta-feira, 27 de Julho de 2012

"CHICOTADA PSICOLÓGICA"

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- «Infelizmente, temo que mais uma vez o Sporting seja prejudicado no início do campeonato. Na temporada passada, o que se passou nas primeiras jornadas foi uma vergonha completa. Bom, não só no princípio, mas em mais alguns jogos, o Sporting foi deliberadamente prejudicado. Quiseram atirar o Sporting para baixo na classificação e depois claro que foi muito difícil a recuperação».

- «Este ano não sei o que se vai passar, mas temo que volte volte a acontecer algo do género. Isto porque nada do que é importante foi alterado. A arbitragem não pode continuar entregue a ela própria. É inacreditável que os responsáveis da Liga, FPF e o Governo assobiem para o ar».

- «O Movimento dos Presidentes foi posto em causa por culpa do Benfica e depois cada um foi para o seu lado. Foi depois disso que apareceu o célebre Manifesto, que logo foi colocado na gaveta, nem sequer discutido foi! Estão lá as medidas todas a aplicar para melhorar o sector da arbitragem».

- «Olhe, posso dizer que o sistema hoje ainda existe, como se provou na época passada. Quem são os rostos? É um sistema que é independente das pessoas... Mas para acabar com o sistema é preciso uma gestão responsável da arbitragem. O sector não pode estar integrado na Liga ou na FPF, tem de ser autónomo, tendo acima de si uma entidade que se responsabilize».

- «Sei que não é o Sporting que domina o sistema. Aliás, o Sporting é o alvo principal dos árbitros, algo que já vem do meu tempo. É culpa minha, pelo facto do Sporting ter lutado contra o estado das coisas. Neste momento, existe uma guerra surda entre o FC Porto e o Benfica para controlar o sistema, mas não tenho dados que me permitam dizer qual dos dois detém a supremacia».

-    António Dias da Cunha    - 


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Aos seus lugares!
João Távora

 

Convoquei a miudagem para que logo à noite larguem as suas rotinas e o Canal Disney para assistirmos todos juntos à transmissão da abertura dos Jogos Olímpicos de Londres. Sabemos bem que em matéria de pompa e circunstância os ingleses são insuperáveis. 
Descontando uns quantos fanáticos que estarão no estádio da luz, tudo aponta para que logo à noite o mundo inteiro se reúna a assistir em directo a um acontecimento histórico. 


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*Dedico este post aos nossos fieis leitores benfiquistas, como prova de que o verdadeiro amante do futebol não se restringe só ao apoio ao emblema da sua maior simpatia*  
 
Maio 25, 1988: Encontro-me no «Neckarstadion» em Estugarda para assistir à final da Taça dos Campeões Europeus entre o Benfica e o PSV Eindhoven, que acabou por ser vencida pela equipa holandesa pela marcação das grandes penalidades. Veloso falhou o sexto remate, depois da execução perfeita de Elzo, Dito, Hajry, Pacheco e Mozer. Na fotografia, estou sentado no antigo automóvel do Marechal Carmona - salvo erro, um Allard - que foi conduzido de Portugal para o efeito. No termo do desafio, eu e mais quatro amigos fomos para a baixa da cidade e no hotel onde jantámos - por falta de espaço - acabámos por ficar sentados com a equipa de arbitragem italiana. O galhardete que tenho na mão está autografado por eles. Mais tarde e até de madrugada, integrámos o convívio da equipa holandesa que, por mera coincidência, estava hospedada nesse mesmo hotel.
 
 
Taça de Portugal - 10 de Junho de 1993 - Boavista 2 Benfica 5

O Boavista, vencedor da edição de 1992 diante do FC Porto (2-1), não conseguiu resistir à superioridade do clube da Luz e acabou por ser goleado. Os autores do «crime» foram Paulo Futre (2), Vítor Paneira, João Pinto e Rui Águas. Pelo Boavista marcaram Marlon Brandão e Tavares. 
 
 
Intercedi perante Luís Filipe Vieira e este teve a gentileza de ceder 30 convites para permitir que uma equipa de futebol amador assistisse ao primeiro jogo internacional oficial no novo Estádio da Luz, a contar para a Taça UEFA, entre o Benfica 3 e o Molde FK 1.
 
 


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Leoas à sexta
Pedro Correia

 

Sofia Alves

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Muito tem sido noticiado sobre o alegado interesse do Sporting no jovem argentino Valentín Nicolás Viola, que está vinculado ao Club Racing de Avellaneda da 1.ª Divisão argentina. Cedo no período do defeso constou que o Sporting procurava reforçar-se com um defesa central e um avançado - leia-se -ponta-de-lança. Até à data já chegaram: Khalid Boulahrouz que joga as duas posições de central e ainda lateral direito - Marcos Roja, central e lateral esquerdo - Danijel Panjic, que faz quaisquer das três posições na ala esquerda - Gelson Fernandes, médio defensivo, e o jovem Zakkaria Labyad, médio ofensivo que tinha sido contratado em Janeiro. Isto, além dos regressados emprestados Wilson Eduardo, Adrien Silva, Cédric Soares e ainda com a alternativa de Nuno Reis, Pedro Mendes e Eric Dier que, em princípio, irão alinhar pela equipa B.

Considerando os extremos que já existem no plantel e apenas dois pontas-de-lança, Ricky e Rúbio, um terceiro faz perfeito sentido e Valentín Viola não aparenta preencher essa exigência, uma vez que a sua posição natural é a extremo. Faz 21 anos em Agosto, tem 1,80m de altura, internacional sub-20 pela Argentina, estreou-se como profissional no Racing em Setembro de 2010, com presenças em 36 jogos e 5 golos marcados. Considerando a sua grande margem de progressão e um eventual retorno no investimento - consta que custará entre 3 a 4 milhões de euros - é um caso a ponderar. Para satisfazer as necessidades imediatas do Sporting no miolo ofensivo, pouco ou nada indica que seja a aposta certa, comparado com  um jogador com «tarimba» e versatilidade para complementar ou substituir o Ricky. O problema é que esse tipo de avançado escasseia no mundo do futebol e aqueles com algumas credenciais exigem o que o Sporting não pode pagar, tanto em termos de valores económicos como salariais. São de esperar novidades muito em breve.

 

Adenda: Segundo o que está agora a ser noticiado, já há um acordo entre o Sporting e o jogador por um vínculo de quatro anos com mais um de opção, no entanto, aguardam o parecer do Racing que pede 4 milhões para o libertar imediatamente, entre 3 a 3,5 milhões para o jogador sair apenas em Dezembro. Tudo indica que o negócio poderá ficar fechado nas próximas horas.

 

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Quinta-feira, 26 de Julho de 2012

 
Eu gosto tanto de um armador de jogo como de um desarmador eficaz, de quem constrói como de quem desfaz, sempre contanto que o faça bem: de um grande defesa diz-se "imperial" - mas vá lá alguém dizer isso de um carregador de pianos, de um "playmaker" ou mesmo de um excelente finalizador... Luisinho, um dos melhores zagueiros que passou alguma vez pelo Sporting ou pelo futebol português, não seria imperial, com o que o termo tem de novo-rico: ele era mais nobreza antiga, elegante sempre no "gesto técnico", como agora se diz, e sobretudo na atitude desportiva. Não sei em que berço nasceu, mas era em qualquer caso um senhor: jogava antes dos outros (tinha "antecipação"), conseguia muitíssimo com um esforço bem medido (tinha "classe"), era um atleta exemplar, que não era maldoso nem simulava, e respeitava o público, o adversário e a arbitragem (tinha sportinguismo). Recordo-o com muita saudade, e queira o Destino ser-lhe favorável, porque ele também nos deu sempre muitas alegrias. Ver, salvo erro, Veiga Trigo expulsá-lo, numa eliminatória da Taça contra o Boavista, no Bessa, vai para vinte anos, foi das injustiças mais feias que vi no nosso futebol.


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Sou um coleccionador nato, desde antiguidades, pinturas, fotografias, porcelanas, selos, moedas e tudo quanto se relaciona ao futebol, em geral, e ao Sporting, em particular. Infelizmente, a maior parte do meu vasto sortido futebolístico encontra-se armazenado por falta de espaço; uma mala cheia de camisolas oferecidas por jogadores, uma rede com cerca de 20 bolas autografadas por equipas, centenas de galhardetes e medalhas, bilhetes de jogos, cartões, etc. . Aos poucos vou localizando alguma coisa e a propósito da série iniciada pelo José da Xã, «Eu estive lá», deparei com alguns ingressos de ordem diversa, entre os quais este convite para assistir ao Sporting 3 Paços de Ferreira 1, no dia 6 de Junho de 1993. O Sporting era então treinado por Sir Bobby Robson e encontrava-se em 3.º lugar na tabela classificativa. Naquele dia alinhou de início com: Rogério Peres, Carlos Jorge, Paulo Torres, Nelson, Peixe, Filipe Ramos, Luís Figo (Yordanov 57m), Cadete, Juskoviak, Capucho e Porfírio (Balakov 45m). Os marcadores foram Yordanov, Capucho e Cadete.

Curiosamente, o que mais me recordo dessa data não é o jogo em si, mas sim um episódio que ocorreu na Tribuna. Estava eu em conversa com o Hilário quando surge o central holandês Stan Valckx, extremamente enervado, porque o presidente foi ao balneário e impediu-o de se equipar. Aparentemente, o Stan fez um comentário durante a semana relativamente aos prémios de jogo que não agradou a Sousa Cintra. 


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Carlos Lopes terá sido o maior dos nossos exemplos como atleta. Campeão dos campeões, colocar aqui o seu palmarés daria um ror de páginas, tal a extensão das suas vitórias.  

 

Conheci e corri com o Carlos Lopes numa altura em que este corredor andava (leia-se corria!) a treinar para as olimpíadas de Montreal. Estávamos em finais de 1975. E a primeira vez que eu vi o Carlos ao vivo foi num fim de tarde frio e chuvoso, desse mesmo ano de 75 e foi uma emoção que jamais esquecerei. O nosso atleta corria, acompanhado de outros grandes nomes do atletismo sportinguista e nacional (o Fernando Mamede era um deles!), à volta do velhinho Estádio José de Alvalade apenas para aquecer. Trinta voltas era mais ou menos o limite.

Seguidamente era vê-lo ainda na pista de cinza a correr, finalmente a sério, naquele seu passo quase impossível de acompanhar. O Professor Mário Moniz Pereira de cronómetro na mão ia dando indicações dos tempos e o Carlos já quase não corria, simplesmente voava.

Semanas mais tarde embrenhei-me também no grupo de atletas que aqueciam ao lado de Carlos Lopes. Ninguém tinha a veleidade de correr a seu lado no aquecimento. Os mais novos ficavam cá atrás, na cauda. Mas valia a pena estar ali.
Só a presença deste atleta ali naqueles longos aquecimentos incutia nos mais jovens um respeito formidável, se bem que Carlos nunca usasse o seu estatuto de campeão. Foi sempre um homem educado e bom companheiro.


Foram momentos felizes, esses, em que tive o privilégio de correr ao lado no nosso maior atleta olímpico. Com ele aprendi algo que ainda hoje mantenho como raiz da minha vida: espírito de sacrifício. Retirando dos treinos pouco convivi com o Carlos - eu não passava naquela altura de pouco mais que um gaiato - mas percebi que ali estava não só um homem na verdadeira acepção da palavra, mas sim um vencedor nato e um enorme leão. Um exemplo!
E durante o resto da minha vida, que não passou claramente pelo atletismo, segui com ansiedade as suas corridas. Ri com as suas imensas vitórias e chorei com alguns (poucos) desaires.

Nunca olvidarei aquela maratona ganha nos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 1984. De tudo o que Carlos ganhou essa foi talvez aquela que ele mais mereceu.

 

Anos mais tarde encontrei-o num café na baixa pombalina. Apeteceu-me meter conversa, falar de outros tempos, mas tinha a certeza que ele jamais se recordaria de mim. No entanto, eu jamais esquecerei o deste nosso imenso campeão.


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Quarta-feira, 25 de Julho de 2012

Muito embora ainda não exista algum comunicado oficial, parece certo que o argentino que optou pela nacionalidade chilena está a caminho da Itália. No último ano de contrato com o Sporting e considerando o excessivamente povoado meio campo da equipa, era de esperar que surgisse uma saída. Não será uma transferência consensual no universo sportinguista, pelo grande valor do atleta quando joga ao seu melhor nível. Entre opções de treinadores, questões de ordem táctica que o colocaram frequentemente a jogar fora da sua posição mais natural e a recorrência de lesões, nomeadamente ao serviço da selecção do seu país, Matías Fernández tem registado um percurso muito irregular no Sporting e, diga-se, muito aquém das expectativas. Chegou ao Villarreal por cerca de 9 milhões de euros em 2006, depois de ter sido votado o melhor jogador da América do Sul. Foi transferido para o Sporting em 2009 por 3,6 milhões de euros e 20% do lucro de uma eventual transferência. É caso para dizer que, apesar do seu excepcional talento, Matías dá prejuízo aos clubes por onde passa. Desconhece-se o valor deste provável negócio com a Fiorentina, mas não surpreenderá que seja por uma verba inferior ao seu custo de há três anos. A realidade é que o Sporting não tem estado em boa posição para valorizar activos e considerando que, em Janeiro de 2013, ele ficará livre para assinar por quem desejar a custo zero, mais não será de esperar. 

Adenda: O Sporting já enviou participação à CMVM, indicando existir um «acordo de princípio» mas não menciona os valores da transferência.


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- Ó meu, parece que já temos uma Viola!

 

- Isso é muito bom, meu! Agora só nos falta uma guitarra...

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«Desde que a A BOLA TV continue a apoiar o Benfica, o maior de todos os clubes ao cimo da terra, obviamente que vão contar com o meu olhar atento e cirúrgico. Apostar no Benfica só irá trazer lucros... Aliás, imponho como condição para me tornar adepto do vosso canal televisivo se a quantidade de notícias relacionadas com o Benfica for substancialmente maior do que aquelas sobre os outros clubes».

 -    Fernando Alvim    -

Observação: Se o historial do periódico desportivo fundado por Cândido de Oliveira, Ribeiro dos Reis e Vicente de Melo em 1945 servir de alguma indicação, é de antecipar que o animador do programa Prova Oral, na Antena 3, vá estar colado «cirurgicamente» ao ecrã televisivo 24 horas por dia, 7 dias por semana, e sem ter que impor, como condição, aquilo que já é a notória política editorial do jornal. A bem dizer, com a Benfica TV a funcionar, a necessidade de mais do mesmo, noutro canal, ilude o bom senso. 


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Começo com uma pequena revelação, que serve como uma espécie de registo de interesses: sou sportinguista desde sempre e era um pouco fanático em miúdo. Em vez de desenhar casas, árvores, carros e aviões, os meus desenhos eram quase invariavelmente sobre o Sporting, os jogadores do Sporting e o estádio do Sporting (o velhinho José Alvalade). No meio disto tudo tinha vários ídolos, entre jogadores, treinadores (Malcolm Allison à cabeça) e dirigentes (João Rocha, claro), mas um fazia a diferença: o capitão Manuel Fernandes.

O "Manel", como muitos lhe chamam no clube, nasceu em Sarilhos Pequenos, em 1951, mas cresceu e fez-se futebolista para criar grandes sarilhos aos nossos adversários, em especial ao rival de sempre. Quem se pode esquecer dos seus quatro golos no célebre jogo dos 7-1, a 14 de Dezembro de 1986? Eu nunca esquecerei.

Manuel Fernandes começou no futebol profissional ao serviço da extinta CUF (em 1970) e acabou a carreira no Vitória de Setúbal (em 1988). Pelo meio jogou doze anos no Sporting, vários deles como capitão e ao lado de figuras como Rui Jordão, Vítor Damas, António Oliveira, Manoel, Virgílio ou Keita. Manuel Fernandes era único. Com um apetite insaciável pelas redes adversárias e um faro único pelos golos, foi sempre injustiçado nas chamadas à selecção nacional. Um jogador que fez 433 jogos com a camisola do Sporting e marcou 256 golos apenas vestiu a camisola das quinas 31 vezes (marcou nove golos)!? Quem sabe onde teríamos chegado naquele Europeu de 1984 se o Manuel Fernandes estivesse num onze onde cabiam e brilhavam Jordão e Chalana, entre muitos outros?

O "capitão" foi sempre digno de pertencer uma linha de goleadores do Sporting onde já figurabam Travassos, Peyroteo, Hector Yazalde, entre outros. Manuel Fernandes tem ainda outra característica importante: não gosta de vira-casacas. Ainda no ano passado, no decurso das eleições para a presidência do Sporting, disse que não achava normal que jogadores que foram parar ao FCP e ao SLB se intitulassem e fossem tratados como "figuras do clube". Concordo, quem vai já não volta.

Em miúdo consegui o autógrafo dele e da equipa toda. Há cerca de um ano tive a honra de o conhecer pessoalmente, apresentado pelo Presidente do SCP na tribuna de honra do Alvalade XXI. Só tive uma coisa para lhe dizer: "O Senhor é uma lenda viva".


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Terça-feira, 24 de Julho de 2012

"O FUTEBOL NÃO É UMA CIÊNCIA EXACTA"

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Vítor Damas, um dos melhores guarda-redes portugueses de sempre, nasceu a 8 de Outubro de 1947 em Lisboa e morreu prematuramente aos 55 anos, em Setembro de 2003. Este mítico jogador, senhor de inaudita elegância dentro e fora dos relvados, fez nada mais nada menos do que 444 jogos oficiais em dezanove épocas ao serviço do seu clube do coração. A sua ascensão à titularidade no primeiro escalão do futebol leonino coincide com a minha tomada de consciência “sportinguista”. Acresce que um guarda-redes destaca-se no campo não só porque se equipa de cor diferente, mas porque assume o solitário papel idiossincrático dum homérico contrapoder – cabe-lhe a missão de se transcender de corpo inteiro, incluindo as mãos, na obstrução do maior objectivo dum jogo que se joga com os pés: o golo. Assim se entende como ele é por natureza um cromo tão difícil, definição que encaixa como luvas no mítico guardião leonino.

Talvez seja por isso que, na perspectiva de uma criança, não só o ponta-de-lança mas também o guarda-redes adquiram tanta importância num jogo ainda difícil de interpretar: tratam-se afinal do primeiro e último reduto do exército no campo de batalha. Nesse sentido, tomar consciência do futebol com protagonistas como Yazalde e Vítor Damas foi um privilégio que sustentou o meu sportinguismo. Nas brincadeiras, “ser o Damas” era o privilégio de ser a antítese de Eusébio, o incontestável ídolo da época, que quando um dia lhe perguntaram qual a sua melhor memória do velhinho estádio de Alvalade, em vez de se referir aos seus golos ou vitórias, aludiu a uma extraordinária defesa do Damas ocorrida em 9 de Novembro de 1969 que então ocasionou a vitória ao Sporting por 1-0. Por estas e por outras é que Carlos Pinhão, histórico jornalista de A Bola, descreveu em manchete o mítico guarda-redes leonino como “o Eusébio do Sporting”. Foi sem dúvida um dos melhores guarda-redes portugueses de sempre.

De facto, Vítor Damas distinguia-se entre os postes pela garra, intuição, agilidade e elegância. Mas fora dos relvados diferenciava-se por uma erudição na época invulgar no meio: sabia exprimir-se como poucos colegas, e a determinada altura manteve até uma crónica regular no jornal do Sporting - um traço que para mim fazia toda a diferença. 

Dizem que Damas era irreverente e que tinha "mau perder", que entre os postes era capaz do melhor e do pior de um jogo para o outro. Mas acontece que era um líder da equipa e que do coração sangrava verde e branco até  a última gota. Uma qualidade rara nestes tempos: foi desde menino que orgulhosamente envergou e dignificou a camisola verde e branca, com a qual toda a vida se bateu e com que veio a morrer e tornar-se para toda uma geração um verdadeiro ídolo. Assim, decidiu viver para sempre. Quantos contratos milionários isso não vale, Rui Patrício?


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Que bom que é ver um internacional holandês a chegar a Alvalade dizendo-se “faminto” de títulos. Na semana passada ouvimo-lo do nosso novo central, Khalid Boulahrouz, o profissional de 30 anos que já passou pelo Chelsea, Sevilha, Estugarda e Hamburgo e que recusou agora ir para o Fernerbahçe, mesmo com o clube turco a oferecer-lhe mais 500 mil euros por época do que lhe podia dar o nosso Sporting. É sinal de que alguma coisa começa a correr bem.

Dia após dia, semana após semana, a equipa compõe-se. Chegam reforços para lugares chave, vindos de bons portos para nos ajudar numa época decisiva para o futuro do clube. Já aqui escrevi o que penso sobre isso: o Sporting tem que voltar à Liga dos Campeões,tudo o resto pouco importa.

Talvez seja o momento para reconhecermos o que de bom têm feito Carlos Freitas e Luís Duque nestes meses. Estou certo que são hoje uma enorme mais-valia, como foram aquando do nosso último título, na construção de uma equipa à altura das melhores. Acho que ninguém duvida que temos jogadores para vencer, seja em que campo for.

Talvez não exista melhor prova disso do que as palavras do consócio Carlos Barbosa, até há meses vice da direcção do Sporting. Há uma semana fez-lhes um rasgado elogio, assim como à Academia que disse estar “blindada” aos problemas do clube. Por conhecer o Carlos Barbosa, por reconhecer a sua competência e o seu sportinguismo, queria só pedir-lhe, aqui no nosso blogue, que evitasse as críticas que fez logo na frase seguinte – ao presidente do nosso clube.

Digo-o apenas porque acredito que a equipa precisa de uma estabilidade que há muito não tem. E por saber que esta é a tal época decisiva. Acredito que o consócio perceberá este meu pedido. Até porque se chegar um dia à presidência vai querer para si o mesmo que lhe peço aqui e agora.


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Recebido por email...
Francisco Mota Ferreira

Diferenças entre Sportinguistas e Benfiquistas

 

Estavam 3 Benfiquistas e 3 Sportinguistas numa estação, à espera de comboio para irem a um jogo de futebol.

Os 3 Benfiquistas vão até à bilheteira e compram três bilhetes.

A seguir, vão os 3 Sportinguistas até à bilheteira, mas só compram um bilhete.

Os Benfiquistas ficam espantados e perguntam:

- Como é que vocês são três e só compram um bilhete? Vocês não têm hipótese de fazer a viagem e passar o mesmo bilhete para os três...

- Não se preocupem que vocês vão ver... (respondem os Sportinguistas)

 

Mal entram no comboio, os 3 Sportinguistas dirigem-se ao sanitário e apertam-se lá dentro o melhor possível, de maneira a fechar a porta.

Quando vem o revisor, pica os bilhetes dos Benfiquistas, vê a luz do sanitário acesa, bate à porta e diz:

- BILHETE, por favor!

A porta abre-se só com uma frincha, através da qual sai uma mão com o bilhete.

O Revisor agradece e segue.

Os Benfiquistas acham a ideia fantástica e decidem fazer o mesmo, na  viagem de regresso.

- Estes Sportinguistas são uns génios!!!! (dizem os Benfiquistas)

 

No regresso, os 3 Benfiquistas compram só um bilhete, mas os Sportinguistas não compram nenhum.

- Como é que vocês vão viajar sem bilhete? É impossível!

- Vocês vão ver, está tudo sob controlo - objectam os Sportinguistas.

Quando entram no comboio, os Benfiquistas espremem-se todos para dentro de um sanitário e fecham a porta.

Os Sportinguistas fazem o mesmo no sanitário ao lado.

Passado um minuto, sai um dos Sportinguistas, bate à porta do sanitário dos Benfiquistas e diz:

- BILHETE, por favor!


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Esta partida foi mais uma daquelas em que o Sporting fez tudo para ganhar. Deste jogo destaco o grande golo de Oceano, que não foi claramente suficiente para eliminarmos um Real Madrid onde pontuavam, entre outros, Buyo e Laudrup. Ganhámos por 2-1 mas havíamos perdido na primeira mão por 1-0, se a memória não me falha.

 

Alguns erros do árbitro ajudaram também o Real a ultrapassar o nosso Sporting, mas foi um dos grandes jogos que vi em Alvalade.

 

O bilhete da minha entrada foi este:

 

 
Este o filme: 

 


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Quando comecei a ver futebol, e a interessar-me pelas coisas do futebol, havia excelentes comentadores que faziam tudo já não digo para ser isentos mas para parecer isentos. O Carlos Pinhão era benfiquista mas escrevia como se o não fosse, o Vítor Santos era do Sporting, mas também escrevia como se o não fosse.
A partir de certa altura os órgãos de informação passaram a privilegiar os comentadores de emblema e cachecol. Houve até uma altura em que a palavra de ordem parecia ser esta: quanto mais fanático e sectário pareceres, melhor. Dava "boas audiências" e o resto não interessava.
Assim se formou uma geração de jovens espectadores fanatizados, cada vez mais sectários, incapazes de reconhecer mérito a uma equipa adversária, adoptando como lema frases do género "ou vai ou racha".

Tudo porque dava jeito às sacrossantas "audiências".


Eu, no entanto, sou do tempo em que conseguia aprender a ver e ler futebol pela voz ou pela pena de jornalistas do meu clube (o Fernando Correia, que felizmente se mantém no activo, é um excelente exemplo disso) ou de clubes rivais (e jamais esquecerei o Pinhão ou até o Alfredo Farinha da era pré-Vale e Azevedo).
Isso perdeu-se. E sou o primeiro a lamentar. Mas o que mais lamento é ver programas como Zona Mista pretenderem fazer a quadratura do círculo: conciliar o cachecol com a análise objectiva. Isto é um lapidar erro editorial de que o benfiquista João Gobern foi vítima ocasional, no final de Março, só porque não sabia que estava a ser filmado no momento em que o seu clube do coração marcava um golo e ele levantou os braços num impulso eufórico - algo que, suponho eu, qualquer um de nós no lugar dele faria caso fosse o nosso clube a marcar. Prepara-se agora, quatro meses depois, para assumir o emblema clubístico num programa também do canal público onde é obrigatório exibir cachecol. Talvez porque o anterior locatário da cadeira, Júlio Machado Vaz, não revelasse suficiente fervor encarnado. Assim se completa um círculo bem demonstrativo dos circuitos dominantes na opinião futebolística do momento...

 

Defendo uma clara delimitação editorial, sobretudo tratando-se de um canal com especiais responsabilidades de serviço público, como é a RTP. Pode e deve haver programas com adeptos de clubes. Mas por maioria de razão também pode e deve haver programas sobre futebol feitos por jornalistas, que não esquecem os seus deveres deontológicos de imparcialidade e rigor.

Confundir as duas coisas - informação e "entretenimento" - é o pior de tudo. E que acaba por ter os resultados que já se viram, com o Provedor do Telespectador da RTP, após "cerca de 103 reclamações" (deliciosa expressão...), a recomendar ao canal público a adopção de uma "carta de princípios" destinada a "tornar claros e concretos os deveres dos colaboradores, autores e jornalistas".

Deixem lá a Sónia Araújo usar o cachecol azul e branco quando o seu clube ganha o campeonato. Não queiram é cobrir o rigor informativo e a análise isenta com um cachecol.

Foto do Blog da Sónia Araújo


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Figo e Peixe *
Francisco Mota Ferreira

Vou cometer um crime de lesa-pátria sportinguista, mas sempre que (re)vejo o Figo lembro-me do Peixe. O primeiro tem a história que se sabe, o segundo tem uma história de que poucos se lembram.

Peixe ingressou no Sporting ainda como iniciado e cedo foi notado o seu talento. Foi campeão europeu de juvenis em 1989 e campeão mundial de juniores dois anos depois. Contemporâneo de Figo, o seu estilo de jogo era inconfundível: a sua rapidez e visão do jogo tornavam-no polivalente dentro das quatro linhas, podendo jogar como médio ou defesa.

Lembro-me de o ver a jogar no Estádio. Nos anos 90 fez história no Sporting, sendo considerado um jogador incontornável na equipa. Tudo parecia correr de feição a Peixe, mas erros de análise do seu empresário, que impediu a renovação do contrato com o Sporting, levaram-no a Espanha, onde jogaria apenas uns meses. Em 1995, regressa a Alvalade, mas por pouco tempo. Desentendimentos com a Direcção levam-no para o FC Porto. Desentende-se também a norte, passa ainda pelo Alverca, emprestado, SLB e União de Leiria, mas as lesões e as sucessivas incompatibilidades nos clubes onde se encontrava colocam um ponto final na sua carreira, aos 31 anos. Já ninguém se lembrava dele.

Inversamente, Figo foi construindo o seu percurso como jogador e fez-se um dos melhores do mundo. O Sporting não conseguiu segurá-lo e torna-se a nova coqueluche do Camp Nou, em 1995. Cinco anos mais tarde, o Barcelona não lhe perdoa a traição de ir para o Real Madrid. De Espanha ruma a Itália, terminando a sua brilhante carreira no  Inter de Milão.

Figo e Peixe. Dois sportinguistas com percursos tão diferentes. Cada um à sua medida e proporção, duas faces da mesma moeda. Pesando cada uma das palavras que vou dizer a seguir, o que aconteceu ao Figo poderia ter sucedido ao Peixe. Ou vice-versa. A história é feita dos vencedores, mas também aqui, às vezes, é bom lembrar os vencidos, que em campo e com a nossa camisola verde e branca nos deram muitas alegrias. É, naturalmente, a ambos que dedico esta crónica.

 

* Artigo publicado na edição de hoje do Jornal do Sporting


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Segunda-feira, 23 de Julho de 2012
Homem só
João Severino

 

Não, o Presidente Godinho Lopes não pode ser um homem só nesta hora decisiva de um futuro pacífico na história do clube. Godinho Lopes tem de contar com o apoio de todos os sportinguistas neste momento, apesar das divergências que tenham existido num passado recente. Há decisões de Godinho Lopes que devem ser apoiadas por todos os sportinguistas, caso contrário, os nossos adversários agradecem o possível desmoronamento prematuro do sonho que mantemos em conquistar o título nacional de futebol. É a hora de estarmos todos em Alvalade, no jogo com o Saint-Etiènne, para um aplauso forte de confiança em Godinho Lopes.


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Gonçalo Álvaro - fisioterapeuta do futebol profissional do Sporting desde Junho de 2004 - conquistou o título dos 500 metros de veteranos A no Nacional de pista, em canoagem, na competição que decorreu durante o fim-de-semana no Centro de Alto Rendimento em Montemor-o-Velho. Além do primeiro título nacional da modalidade para o Sporting, o polivalente fisioterapeuta «leonino» ainda se classificou em segundo lugar na final dos 1000 metros. O ecletismo do Sporting não tem limites!


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