Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012
Uma estória
Jose Manuel Barroso

Mesa do 'jornaleiro' Bar Snob, em Lisboa, uns bons anos atrás, após um Domingo Desportivo da RTP. E após uns copos de uísque, como é de regra (não muitos, esclareço, para que se não crie a ideia de que...). Numa mesa, lá no cantinho da segunda sala, dois jornalistas do canal público, Miguel Barroso e Manuel da Costa, e alguns convidados do Domingo Desportivo daquela noite: Humberto Coelho, o árbitro Carlos Calheiros e... eu. Conversa fluente, cada vez mais fluente e íntima. Calheiros iria ser, esperava ele e mais gente no país do futebol, o próximo presidente da Comissão de Arbitragem. Arbitragem para aqui, arbitragem para ali, e eis senão quando o dito árbitro confessa a sua (e de alguns colegas seus) incomodidade com o Sporting, «sempre queixando-se dos árbitros, sempre chateando, eles que falam muito mas não riscam nada». Ah é isso? É isso é!, e «enquanto eu for presidente da Comissão de Arbitragem, três anos de mandato, o Sporting não será campeão». Isso mesmo, «não será»!

Pasmo na mesa, mas o homem estava imparável. E, estimulado por Miguel Barroso, que com um sorriso de simulada cumplicidade lhe arrancava dizeres espantosos, o dito árbitro-que-ia-ser-presidente-dos árbitros explicava como os túneis da Luz e das Antas eram difíceis para os rapazes do apito. E o do Sporting?, «ah esse não mete medo a ninguém». E o amarelo ao Vitor Baía, naquele jogo em que ele saiu da área para impedir golo do adversário (e quase matar o adversário) e apenas viu um amarelo-que-deveria-ter-sido-vermelho (do Calheiros)? «Olhem, sabem vocês?, o Baía veio ao meu encontro e disse-me 'só o amarelo, senhor árbitro, só o amarelo' e, olhem, joguei a mão ao bolso e... saiu-me o amarelo!». O Miguel Barroso, imparável: ó Humberto Coelho, e quando eras capitão do Benfica e dizias ao juiz de linha do teu meio campo «ouve lá meu filho da p..., quando eu levantar o braço marcas fora de jogo!». Sorriso do Humberto.

Puxa, mas porque é que me lembrei desta estória agora? Isto já foi há um bom par de anos, os juizes de linha já nem inventam nem esquecem foras de jogo, os túneis de hoje não são perigosos e o Calheiros não foi presidente dos árbitros - o sol do Brasil lixou-lhe a carreira de dirigente. Por que raio me lembrei disto eu agora, ah por que raio? Alguem me ajuda a encontrar um nexo para esta estória?


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- Ó meu, achas que o Djaló vai fazer alguma coisa no benfas?

- Não, pá! Se o tipo começasse a jogar à bola, as discotecas iam à falência...

 

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Cartoon
João Severino

 

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E se o Benfica de Jesus acertasse, com Yannick, como acertou o Porto, com Varela? UiUi.

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Não nos vão obrigar a aceitar o César Peixoto, pois não?


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Ó coitado!
José Navarro de Andrade

Pobre, pobre Djaló. Como se não bastasse terem-no obrigado a jogar à bola quando ele sempre teve queda para o atletismo – competir com o Obikwelu, isso é que era!; como se não fosse suficiente sofrer aqueles penteados de barbeiro maneta; como se não chegasse um pândego qualquer ter-se aproveitado de um instante de distração e crismar-lhe a filha com um nome meio mandinga meio finlandês; como se não tivesse tido que se haver com um empresário intrujão – diz ele – que lhe escondeu a caneta na hora de assinar pelo Nice (ali tão perto de Génova, que paródias já estavam prometidas com o Miguelito!) por causa de umas contas enroladas e depois já tinha passado a hora.

Como se tudo isto não fosse demasiada desgraça só para um homem, guardado estava o bocado e haveria agora de emular a carreira à moda de Amaral, Andrade, Botelho, Cadete, Fernando Mendes, Dani, Morato, Peixe, Porfírio, uma horta de melancias que se estragaram quando expostas à Luz.

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Quem é que tu pensas que és? Isto perguntado assim intimida qualquer um e a mim intimidou ainda mais. Glup! Engoli em seco, enfiei a cauda prêensil entre as pernas e desapareci dali. Cheguei a casa com a língua ainda áspera e perguntei: quem sou eu? Depende de muita coisa, responderam-me. Mas quem sou eu?, tive de repetir. És um camaleão! Um camaleão? Meu Deus, isso explicava tanta coisa na minha vida. Sou um camaleão. Quando perguntei o que isso queria exactamente dizer, isso de ser um camaleão, premiaram-me como nunca pensei ser possível: significa que não tens personalidade. Eu não tenho personalidade?, e esbugalhei os olhos, articulando-os em direcções diferentes. Não, não tens personalidade nenhuma. Mas isso é uma vantagem da cadeia alimentar, garantiram-me. Significa que basta encheres os teus divertículos pulmonares para teres as fantásticas cores que quiseres. Esta parte deixei de entender: então mas eu não sou verde? Estou confuso! O facto de estar confuso com as cores já fazia de mim um bom camaleão e depois ainda me explicaram que mudar de cor e não ter personalidade é, na verdade, uma grande vantagem competitiva. A maior de todas as vantagens competitivas. Ai sim? Sim, para quê ter uma personalidade quando se pode ter todas? Ah, bom! Repeti feliz: para quê ter uma personalidade quando de se pode ter todas?


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Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012
Ouvido no túnel
Alda Telles

 

"O Djaló no Benfica é um Lucho."

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O caminho para a 1ª divisão está cada vez mais próximo. E regressaremos numa época (2012/2013) em que haverá campeonato da Europa e campeonato do mundo, ambos a disputar em Portugal. Esperemos que não seja apenas um regresso da nossa equipa, mas também um regresso da modalidade à ribalta.


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Hilário da Conceição

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Ontem à tarde não estive em Alvalade.

 

(Pausa para respirar fundo)

 

Ouvi a festa pelo rádio, enquanto os meus filhos (estudantes com demasiados testes durante esta semana para que pudesse dar-me ao luxo de lhes roubar um dia de estudo) assistiam pela televisão. 

Ouvi o repórter falar nas centenas de miúdos sportinguistas, equipados a rigor à volta do campo para receberem as equipas. Ouvi-o descrever a forma como milhares de famílias sportinguistas encheram as bancadas. Ouvi as suas vozes de apoio do princípio ao fim do jogo. Ouvi os cânticos e as palmas e pela primeira vez em muitos anos não gritei com eles quando a bola entrou na baliza, apenas respirei fundo, outra vez.

No final da primeira parte, a minha cabeça estourava e resolvi dar uma volta com o Stromp, o nosso cão. Regressei a casa, já o jogo tinha terminado e um Domingos mais aliviado era entrevistado pelos repórteres de serviço. 

 

Num jogo sem história e quase sem brilho, foi um dos dias em que senti mais orgulho de ser Sportinguista. Ontem demos uma lição a muita gente, pela forma como os Sportinguistas mostraram a sua garra, a sua fé e disseram Presente!, sem se importarem com os resultados que a equipa apresentou nos últimos tempos. 

Quantos clubes têm uma massa associativa e adepta feita desta fibra? Em Portugal, só há um, o Sporting e mais nenhum.

Também publicado aqui.


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Vida de formiga
Adelino Cunha

 

Tenho sido uma formiga tão pacífica quanto uma formiga pode ser pacífica entre tantos insectos hostis. Passei os últimos vinte anos a ver guerreiros da linfa azeda a fazer guerras contra todos os outros formigueiros como se fossem uma nova espécie de insectos na cadeia da evolução. Estas formigas-soldado têm agido eficazmente nos subterrâneos lamacentos e triunfado sobre todos os outros formigueiros: mandíbulas hostis e mesotórax que impõe respeito. Muitos formigueiros deixam que as suas formigas sejam recrutadas sem mexer uma antena ou segregar uma reacção. Toda a gente sabe que uma formiga sem odor é uma formiga sem identidade, mas já me cheira a Éder no Porto. Eu sei, posso estar enganado, afinal, eu sou apenas uma formiga, mas ainda me lembro de ter batido as patinhas ao Rúben Micael em Alvalade e no dia seguinte ele lá estava no formigueiro dos outros. Cá no nosso formigueiro estamos habituados aos néctares e às papas reais, mas talvez um dia tenhamos que aprender a mostrar as nossas mandíbulas.

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1. Primeiro, um elogio merecido. Quem no Sporting se lembrou de fazer o dia da família, baixar o preço dos bilhetes e fazer o jogo às cinco da tarde devia ter uma medalha por simples bom-senso. Não fosse isso, Alvalade dificilmente teria mais de 20 mil pessoas. Teve quase 40 mil.

 

2. Por isso mesmo (pela hora e pela festa) também eu regressei. E levei a Maria Clara, a filhota de quatro anos, pela primeira vez ao estádio. Escusado será dizer que ela amou. E que eu também. Expliquei-lhe o jogo, nas coisas básicas, vesti-lhe (literalmente) a camisola, sentei-a ao meu colo e curtimos o Sporting juntos.

 

3. Quanto ao jogo, não foi brilhante. Mas voltámos às vitórias - que era, por ora, o essencial. Ao nosso Sporting voltou a faltar confiança e também um fio de jogo mais consistente. Ganhar ajuda. O Porto perder também. Mais umas semanas e teremos o Ricky, mas também o Ismailov. E sobretudo o Rinaudo - que se não se tivesse lesionado teria empurrado o clube para o topo.

 

4. Agora vem o mais importante: estamos na luta pelo segundo lugar (o Porto vai à Luz dentro de um mês); temos a Liga Europa de regresso; estamos com a Taça de Portugal e a Taça da Liga ainda no caminho. Recupere-se a confiança, que jogar nós sabemos - e isso é um enooooorme progresso face aos últimos anos.

 

5. Mais importante de tudo: quem enche o estádio de gente nova, de famílias vestidas a rigor, tem vida assegurada. Que em Alvalade se lembrem disso muitas vezes e façam os jogos à tarde um objectivo central.


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O que faz falta
Filipe Moura

O Público decidiu abrir um fórum intitulado "O que falta ao Sporting para lutar pelo título?" Lá encontrei um comentário, da autoria de Leao66316, que considerei perfeito e que, por isso, achei que deveria partilhar aqui.

O que falta ao Sporting para lutar pelo título?

 

Em primeiro lugar: cultura vencedora e de competência em tudo o que se faz. O Porto tem as duas, o Benfica a primeira. Isto é da responsabilidade de quem manda no clube. Em segundo lugar: identidade de clube. Querem exemplo de que não temos identidade? O nosso estádio. Somos leões e somos verde/brancos. Não somos tuti-fruti com um fosso que afasta o nosso rugido dos nossos adversários. Querem um exemplo do que poderíamos ter feito com o estádio? Vejam o estádio do Celtic. A identidade consegue-se também através das pessoas que sempre foram identificadas como sportinguistas, como o M. Fernandes, o Sá Pinto e outros. Em terceiro lugar: estratégia bem definida na gestão desportiva. Uma estratégia com base na formação apenas não tem qualquer hipótese de sucesso. Uma estratégia mista de formação e contratação e venda é o caminho a seguir. Neste aspecto acho que o Sporting mudou, e bem, de estratégia da época passada para esta. Mas será que estamos a usar metodologia de ponta para observarmos, contratarmos, gerirmos e vendermos os jogadores? Tenho algumas dúvidas quando vejo as inúmeras lesões que existem assim como a contratação de alguns jogadores, como por exemplo, Bojinov, com grande qualidade mas com um histórico de falhanços por onde passou. Pela positiva, acertámos  na contratação de Insua, Capel, os holandeses, Oniweu, Rinaudo, João Pereira. Em quarto lugar: uma competente estratégia comercial. Aproveitar e potenciar o brand Sporting. Em Portugal, na diáspora, nas empresas, nos núcleos e em novos mercados como os asiáticos. O Sporting está associado a 4 jogadores de renome mundial que são o Figo, o CR, o Nani e o Quaresma. Vamos potenciar este facto através de uma estratégia de marketing inteligente. Nestas quatro vertentes, estamos hoje atrás dos nossos dois grande rivais. É um facto indesmentível. Temos que ter um plano para melhorarmos e ultrapassá-los. Para terminar, dizer que acredito na actual direção e equipa técnica. Acho que para sermos campeões precisamos de, além de tudo o que disse acima, um banco melhor para podermos substituir jogadores por outros. Saudações leoninas.

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Domingo, 29 de Janeiro de 2012

 

«O Sporting, nas últimas épocas, realizou-se muito mal no chamado futebol aéreo.»

Há pouco, na SIC Notícias


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Regressado de Alvalade, tenho a dizer algumas coisas. Jogos à tarde sempre que for possível, "eu não quero ver na tv". Os sócios encheram o estádio e estão com Domingos, mesmo que não estejam com todos os jogadores. Domingos é o elo de ligação entre bancadas e equipa. Espero que se mantenha assim. Independentemente de ter sido um dos meus ódios de estimação enquanto jogador, acho que é um bom treinador, com peso no balneário e carisma no clube. Só espero que leia alguns jogos mais cedo, uns até antes de começarem. O Renato Neto foi hoje um desastre, como já tinha sido em Olhão, aí muito ajudado pelo Carriço, para mim o pior jogador do actual plantel (sempre o considerei hipervalorizado). Para um tipo que foi elevado a símbolo da academia e capitão sem saber ler nem escrever, está visto o lado nefasto da cantera: formar juvenis e desleixar a formação de jogadores com fibra para sénior. Depois, Alberto Rodriguez. Um desastre. Não fosse o Capitão América a fazer as vezes dele, do Pereira e ainda ir lá à frente marcar duas batatas, não sei que seria. No final, vejo uma equipa de rastos a meio da época. Literalmente de rastos. Uns a coxear, outros agarrados às coxas, outros praticamente inertes. Uma equipa que quer ser campeã não pode estar assim fisicamente a meio do campeonato. É verdade que as lesões do Deus Rinaudo, do Schaars, do Ricky e do Izmailov acabam com uma equipa. Mas não se percebe como é que a que resta está no estado físico em que está. Isto também faz toda a diferença.


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À tarde, em Alvalade
Zélia Parreira

Uma tarde belíssima

Uma festa fantástica

És a nossa fé!

Força Sporting allez allez


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Não há outro jogador, por estes dias, que encarne em campo o espírito que deve ser o do sportinguismo. Está na hora de sermos consequentes. Ao Capitão América só falta a braçadeira. Que não fala português? Nesta matéria o que importa são os gestos.

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Chamavam-lhe nomes
João Severino

 

> Desengonçado, pezudo, molengão. Resumindo, para muitos o Onyewu não tinha lugar na equipa. Pois é, o gigante já marcou dois. Dois goooooooooooooooooooooooooooooolos!!! Está à vista a primeira grande vitória de 2012.

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Sporting – Beira Mar numa tarde de domingo. Não a de hoje mas a de cinco de Maio de 2002. Última jornada do campeonato, com o jogo da comemoração do título da equipa de Lazlo Boloni. Eu tinha estado em Setúbal na jornada anterior (dois a dois, com dois golos de Jardel). Esse empate, num jogo disputado num sábado à noite, não assegurou logo o primeiro lugar, mas no dia seguinte o Boavista perdeu na deslocação ao campo de uma equipa nossa vizinha que lutava com o Belenenses, com o Marítimo e com o Leiria pelo quarto lugar. Ficou então o título confirmado, e a festa marcada para a última jornada. Frente ao Beira Mar, em casa, numa tarde de domingo. O estádio não era o mesmo, a equipa – felizmente – também não era a mesma de agora (senão teríamos ficado, sei lá, em terceiro lugar...). Ganhámos o jogo por dois a um (com dois golos de Jardel, já se vê). Na foto, os jogadores que alinharam de início, todos de cabelo verde: Jardel, Quiroga, Beto, André Cruz, Pedro Barbosa (capitão) e Nelson; Paulo Bento, Hugo Viana, João Pinto, Rodrigo Tello e Diogo (César Prates, Nalitzis e Quaresma também jogaram).

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"a las cinco de la tarde"
José Navarro de Andrade

Sei tudo sobre futebol de sofá, ou melhor, de bancada que sou dos finos, dos que vêem a coisa de perto, no estádio. Estou por isso perfeitamente habilitado para também jogar aquele sudoku táctico, que dá muito aspecto aos especialistas da matéria. Ó Luís, há-de ser um 4X4X2 ou entramos logo de 4X3X3? E que tal servirmos um surpreendente 4X2X4? Complica aí com um sofisticado 4X2X1X2X1. Fala agora do “pivot defensivo” e da “fase de transição ofensiva”, a ver se deixas o pessoal e boca aberta. Vai mais uma bifana?

São tão magistrais e delicadas estas contas de cabeça, que parece entediante o plano para logo ser decidido por um fulano cujo único atributo é ter passado a semana a aturar as vaidades, as birras, as manhas, as distrações de 24 rapazes petulantes e de penteados duvidosos, ansiosos por exibir uns truques de bom recorte para gravar no dvd do agente.

Assim sendo, vamos lá fazer umas perguntinhas cuja resposta poderá ser dada hoje à tarde:

- Será que o Rui Patrício vai ser o melhor jogador em campo?

- Será que o estado da relva aguenta as pisadelas do RenatoCarriçoNeto?

- O Elias joga ou só estará presente?

- Se entrar o Pereirinha, jogará mais à frente, mais atrás, ou nem por isso, como de costume?

- O quadro electrónico dirá “Seba” ou “Ribas” no caso improvável de o rapaz marcar um golo?

Logo se verá.

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Regressemos às belas tardes de futebol ao domingo. Dos tempos em que era obrigatório levar para a bola o farnel e o garrafãozito. Os arrais terrestres eram montados numa toalha aberta no chão, o pessoal sentava-se em cavaqueira e a tentar adivinhar se o Carvalho, o Geo, o Inácio ou o Futre iriam jogar conforme as décadas em que cada um de vocês já acompanhavam as gloriosas tardes de domingo do nosso Sporting. Hoje, temos de ir aplaudir, às 17.00, a equipa de Domingos Paciência contra o Beira-Mar. O aplauso e o grito Spoooooooorting!!! são essenciais para prosseguirmos a caminhada.


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Sábado, 28 de Janeiro de 2012
Ricky na reinação
José Navarro de Andrade


Cada vez gosto mais do Wolfswinkel, além de não se desorientar totalmente quando está diante da baliza, o rapaz é de uma descontração desarmante.

Por cima dos troféus que já ganhou como jogador do mês, deveria ter recebido o Oscar para Melhor Resposta de 2011. Foi numa edição de Dezembro no aprumado Expresso:

"P – E o treinador, fala inglês?

R – Sobretudo português e tenta o inglês, se estivermos à parte. (...)

P – Por exemplo, go?

R – Ou mesmo “foda-se Ricky”, percebo tudo na mesma."

Querias música? Ora toma.

Agora, fazendo jus à circunspeção calvinista em que foi educado, descreve minuciosamente os hábitos laborais portugueses, fingindo que está a falar do Sporting.

Está aqui.

Muito sábio é o provérbio que diz que a verdade sai da boca dos ingénuos.


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Saldos acabam quando?
Francisco Almeida Leite

Ouvi dizer que o clube dos arrabaldes de Lisboa estará a tentar contratar Yanick Djaló por um período de quatro épocas e meia. Já só têm até 31 de Janeiro para fechar esse óptimo negócio. Será que inclui um brinde? Cuidado, porque às vezes o barato sai caro...


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Rir como um sportinguista
José Navarro de Andrade

Além de ser sportinguista, gosto muito de ser sportinguista. Isto porque o Sporting tem a superior qualidade de lhe faltar aquilo que sobra nos outros: uma ideologia. O Sporting é, dos ditos 3 grandes, o único clube desmistificado, digamos assim: não joga futebol numa catedral mas apenas num estádio de futebol, não representa a Nação e não simboliza a Cidade. Por mais bizarro e desconcertante que isto possa parecer em Portugal, o Sporting é apenas um clube desportivo e representa-se a si mesmo.

Por isso a característica primeira de um verdadeiro sportinguista é saber rir-se de si próprio. Ora isto traz a vantagem de nos limitarmos a encolher os ombros quando as coisas correm mal e ficarmos contentes (disse “contentes” não disse “felizes”) quando tudo vai de feição. Deveria também trazer a vantagem de nos podermos rir dos espasmos e dos frenesins de outros, para quem dos êxitos do seu clube parece depender a grandeza e o heroísmo que lhes falta na vida quotidiana.

Ninguém tem um sentido de ridículo tão apurado como um sportinguista, até porque, sabemo-lo bem, às vezes os nossos resultados são ridículos. Isto deveria permitir-nos rimos deles, quando eriçadamente exaltam a glória da pátria entregue a um punhado de sul-americanos em calções ou quando veneram como ídolos da portugalidade uns rapazes que deram uns pontapés numa bola, mal sabendo articular uma frase e de maus costumes. Um bocadinho deprimente, não acham? O melhor é mesmo rir, felizmente somos sportinguistas...

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Somos muito bons...
João Severino

O FC Porto quer o Liedson e o Benfica pretende o Djaló...


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És o nosso grande amor
Francisco Teixeira

Enquanto assistia "ao nosso grande amor" recebi o convite do "és a nossa fé". Cantava "uma curva belíssima" quando respondi ao convite e ouvia o Figo, que fala antes da entrada em palco do Paulinho, quando mais uma vez me apercebi da grandeza dos saltos do Damas, das passadas do Carlos Lopes, dos golos do Yazalde e da magia dos jovens que o Aurélio descobriu. Vão ver o musical ao Tivoli. Bom trabalho da Matilde Trocado que já fez o Wojtyla.


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Peixoto, D'Souza e Caldeira são nomes do dream team do Sporting Clube de Goa que deu 5-0 à equipa do Mumbai e está firme na Primeira Liga indiana. Esta é a nossa casta.

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Nunca é tarde
Francisco Almeida Leite

 

Sousa Cintra voltou para dizer que o Sporting está "no bom caminho” e que “é preciso ter confiança e esperar”, “pois as coisas vão melhorar”. Quando li isto no Público mal queria acreditar. Quase lhe perdoei ter despedido o Bobby Robson. Quase, porque essa espinha está aqui atravessada há muitos anos.

De certo ninguém esperava que Cintra revelasse, assim de repente, tanta sensatez. Sobre a reunião do Conselho Leonino do próximo dia 31, o ex-presidente foi ao ponto de contrariar algumas vozes que têm falado a destempo: “O que se passa lá, fica lá dentro, os problemas dos clubes devem ser tratados internamente e não na praça pública”. Ora nem mais.


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Provocatio deliberata
António Figueira

Duarte Gomes em Alvalade? Vamos jogar contra 14! Força Sporting!


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Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012

 

Passei alguns anos sem ver um jogo ao vivo, nem sequer no estádio do meu clube. Quebrei  o jejum -- em Alvalade, como não podia deixar de ser -- a 2 de Março de 2008, num Sporting-Benfica. O desafio até foi fraquito -- saldou-se num empate 1-1, com o árbitro a tornar-se a figura do jogo ao perdoar escandalosamente um penálti cometido pelo Benfica que todos no estádio viram menos ele.

Mas o que menos me interessou foi a exibição das duas equipas ou mesmo o resultado. Aquilo de que mais gostei foi do momento em que vi passar por mim, na bancada VIP do estádio, quatro grandes ídolos da minha infância: Alexandre Baptista, Carvalho, Hilário e Pedro Gomes. Coleccionei os cromos com imagens de todos na idade em que comecei a apaixonar-me pela bola, ouvi as melhores referências à participação de três deles na grande campanha do Mundial-66, em Inglaterra. E por momentos senti quase o impulso de estender uma folha de papel a pedir-lhes as assinaturas para a minha colecção de autógrafos. Revivendo a emoções que tive quando era um miúdo de seis ou sete anos.

Não há comida como aquela a que nos habituámos na infância. Nem ídolos do futebol como os primeiros que contribuiram para nos tornarmos adeptos de um determinado clube. Foi o que nesse dia senti na bancada de Alvalade durante aquele jogo que um senhor chamado Paulo Paraty fez tudo para estragar.

Imagem: Alexandre Baptista, Hilário e Carvalho (ao alto) na selecção nacional de 1966


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Com os agradecimentos de toda a equipa que faz este Sporting - És a nossa Fé, aqui fica o registo de alguns blogues que até agora nos destacaram, em textos avulsos ou nas respectivas barras laterais:

 

A Mentira 

A Tasca do Tijoao

A Terceira Noite

ABC do PPM

Açúcar Amarelo

Alegria Breve

Aventar

Bancada de Leão

Bolas e Letras

Bomba Inteligente

Borboletas nos Olhos

Calhau com Olhos

Chez George Sand

5 Dias

Complexidade e Contradição

Corta-Fitas

Delito de Opinião

Estado Sentido

Forte Apache

Fragmentário

Hipocrisias Indígenas

Leoa Assanhada

Leão da Estrela

Loving Sporting

Ma-schamba

Manifestação Espontânea

O Andarilho

Outra Margem

Palavrossavrvs Rex

Pau Para Toda a Obra

Pedro Rolo Duarte

Porta 10A

Sem Relva

Sporting Até Morrer

Super Sporting

Taberna Ventura

31 da Armada

União de Facto

Universo Verde e Branco

Verde Leão

2711

 

Estes e outros têm contribuído para a rápida divulgação do nosso blogue, que vai a caminho dos 40.000 visitantes. Em menos de um mês de vida.

(texto actualizado)

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Os vírus da época
Adelino Cunha

 

O que se começa aqui a dizer já foi dito de outras maneiras nos últimos anos e com os resultados que sabemos. Eu lembro-me de quando o povo leonino se levantou e invadiu a porta 10 A para impedir a contratação de José Mourinho. Esta insurreição popular empurrou Mourinho directamente para o Porto com breve passagem por um apeadeiro em Leiria. Pois foi: dois campeonatos, uma Taça de Portugal, outra da UEFA e uma Champions e todo o resto que sabemos. Eu também me lembro de quando o povo leonino se calou perante o putsh que depôs Bobby Robson em Alvalade para que depois pudesse triunfar no Porto. Pois foi: dois campeonatos, uma Taça de Portugal e duas Super Taças. O que se está a começar a fazer ao Domingos já foi feito ao Mourinho e ao Robson pelos mesmos motivos: intolerância e impaciência. Esta equipa do Domingos é a nossa equipa que já jogou grande futebol numa fase desta época. Eu acredito que os mesmos podem voltar a fazer o mesmo para depois fazerem ainda melhor. Eu também entendo a angústia, é a minha angústia, mas ainda é cedo para querer tomar o Palácio de Inverno.


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Leoas à sexta
Pedro Correia

 

Carla Matadinho

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Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012

 

Confesso, desde já, que não conheço Agostinho Abade pessoalmente, mas guardava dele uma imagem de seriedade que agora ficou algo afectada. O ex-presidente do Conselho Fiscal do Sporting e actual membro do Conselho Leonino diz-se preocupado com as finanças do clube e escolheu logo este momento para vir falar em público, e logo aos microfones da Rádio Renascença: "Estou muito preocupado com a situação financeira do Sporting, mas vou expressá-la internamente no órgão de que faço parte. A situação parece-me preocupante, muito grave mesmo! Estou muito preocupado com o futuro do clube".

 

Um distinto sportinguista, que desempenhou funções nas direcções lideradas por Filipe Soares Franco e José Eduardo Bettencourt, vem dizer que o Sporting está de 'tanga' quando ele próprio terá tido responsabilidades nessa matéria? Ou não teve? Que eu saiba, o presidente do Conselho Fiscal é quase um ministro das Finanças de um clube ou, no limite, um presidente do Tribunal de Contas interno. E é logo esse 'ex-ministro' que fala desta forma, como se a actual direcção fosse a única responsável por uma realidade que, sendo preocupante, tem anos e anos?

 

Agostinho Abade será a mesma pessoa que há uns anos, e não foram assim tantos, quando se começou a falar da candidatura de Bettencourt, dizia que a direcção de Soares Franco "teve actos muito bons, teve uma prática muito positiva no que diz respeito à reestruturação financeira". Quer dizer que a seguir tudo piorou? Como? Porquê?

 

Concordo com o senhor quando diz que "temos de encontrar uma solução, deixando de haver divisionismo", mas já não acho sensato que se venha apregoar como uma "visão realista" a de que o futuro do clube possa estar "em risco". Com respeito pela figura do ex-dirigente, talvez fosse bom ter guardado este cenário apocalíptico para os órgãos próprios do clube. Este tipo de catastrofismos não ajudam numa altura em que a equipa, os jogadores, os dirigentes actuais e os sócios precisam de bom astral e pensamento positivo. Capisce?

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Não faltem
João Severino

 

Quem diz que o futebol não é um espectáculo está redondamente enganado. Estreia esta noite, no Teatro Tivoli, em Lisboa, o musical "1906 - o nosso grande amor", que é um espectáculo e conta a história do Sporting Clube de Portugal.

"Foi difícil apanhar tudo, mas acho que apanhámos a essência do Sporting', diz a encenadora, Matilde Trocado (que traz na bagagem um outro musical de sucesso, 'Wojtyla'). O elenco é composto por um grupo de jovens escolhidos por casting, a que se juntaram algumas figuras sportinguistas - como Paulinho, o roupeiro do clube. "Trabalhámos durante três meses com imensa motivação e garra", diz a encenadora.

"Para os sportinguistas será uma experiência consoladora, pois irão mesmo sentir mesmo o orgulho de pertencer a este clube", garante Madalena. Além de falar das conquistas futebolísticas, o musical não esquece todas as outras modalidades em que o Sporting se destacou, sobretudo o atletismo. "Tentámos alcançar um equilíbrio, destacando as figuras que ao longo da história mais fizeram pelo clube. Cometemos algumas injustiças ao dar maior ênfase aos desportistas, deixando de fora muita gente que deu muito ao clube de forma anónima, além dos adeptos", explica o autor, Pedro Madeira Rodrigues.

Além de avivar a alma sportinguista, o espectáculo tem como objectivo angariar fundos para os Leões de Portugal, associação de solidariedade sportinguista. '1906 - o nosso grande amor' fica em cena até domingo.

 

In 'DN'

 

PS - Como odeio o Acordo Ortográfico, coloquei um "c" na palavra espectáculo.

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Demorei algum tempo a recompor-me da frustração sofrida com a abrupta espiral em queda do Sporting, pois tinha as expectativas altas face aos resultados que a equipa vinha alcançando até ao recontro com o Benfica. Mas temos que ser realistas, existe mesmo essa coisa chamada azar, com frutos mais funestos numa equipa em construção. Na verdade, a lesão do pivot defensivo Rinaudo teve efeitos imediatos no jogo da equipa, e desde então nenhuma adaptação resultou em pleno com prejuízo na fluidez das "transições" e na segurança defensiva. De então para cá é o que se sabe: juntaram-se na enfermaria, aos lesionados Jeffrén e Izmailov, o ponta-de-lança Wolfswinkel e Schaars cuja paragem se prevê para três semanas. Perante este panorama, mesmo dando de barato  que Izmailov ganhará forma e se integrará rapidamente, resta-nos uma equipa altamente fragilizada e... muita apreensão. Sempre com a nossa proverbial esperança, a alma das nossas cores, alicerce dum Sporting grande apesar da vida difícil dos últimos, digamos... 40 anos. Resta-nos a resiliência, como agora se usa chamar. E os melhores adeptos do mundo… valha-nos isso.


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Tenham paciência
Adelino Cunha

 

Eu percebo que os aracnídeos queiram parecer tipos duros. Estou até a descobrir que alguns não se podem dar ao luxo de serem uns chorões como os mamíferos e têm de aprender a viver com os seus instintos como se fossem estranhos no próprio corpo. São máquinas estúpidas de matar. É isso que me chateia: a natureza dos escorpiões. Não tanto por virarem as suas pinças para onde calha, mas por estarem sempre enganados no lado para onde se viram. Bom, o que eu devia já ter dito é que acho esquisito que andem por aí a tentar espetar o ferrão no Domingos a pensar na sucessão do Sá Pinto. Vamos lá ver, claro que o Ricardo está a fazer um grande trabalho nas camadas jovens, claro que é um dos nossos e mais claro ainda: é muito provável que um dia seja o nosso treinador principal. Um dia. Estes são os tempos do Domingos. É com ele que vamos ganhar taças este ano e no próximo vamos ser mais fortes, mais sólidos e mais competitivos. Os escorpiões chateiam-me mesmo. Chateiam-me os seus reflexos assassinos. Chateiam-me ainda mais quando andam a sugar a linfa dos outros escondidos na sua natureza. Se querem meter o Domingos no Porto para ser campeão, até estão no caminho certo, mas, para já, ainda é cedo. O tempo é do Domingos campeão no Sporting. O tempo é para baixar as antenas e meter a cauda entre as patas. Tenham lá santa paciência.


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