05 Abr 12

O João Gobern tem todo o direito de se assumir como adepto benfiquista. E, sendo convidado para fazer comentário futebolístico na RTP precisamente como analista de cachecol, tem naturalmente também o direito - e neste caso quase o dever - de assumir a sua condição de benfiquista. Nada a objectar quanto a isto. Sendo assim, quem poderá espantar-se que vibre em directo com a marcação de um golo da sua agremiação ao minuto 92 de um jogo contra um clube que ameaça disputar-lhe o título? Fará sentido compará-lo ao ex-ministro Manuel Pinho que foi afastado do Governo socialista por ter feito um feio gesto a um deputado da oposição na respeitável sede da democracia que é a Assembleia da República?

Quanto a mim, o caso pode e deve servir de pretexto para a indignação sportinguista mas sem ter Gobern como alvo. Quem merece críticas é a RTP, que inclui há quatro anos na grelha regular do seu espaço informativo um programa de comentário futebolístico, intitulado Zona Mista, que apenas permite um adepto de cachecol. O do Benfica. À revelia das suas obrigações de serviço público que lhe impõem normas acrescidas de isenção, pluralismo e equidade. Como se uns cachecóis fossem mais iguais que outros...

A questão é só esta. E é quanto basta para merecer debate. E suscitar legítima indignação.

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18 comentários:
De makarana a 5 de Abril de 2012 às 00:35
Olhe que não pedro, olhe que não.Olhe que pelo menos para mim, se é obvio que o joao gobern mostra uma tendencia clubistica,também não e menos obvio que o bruno prata também tem um belo cachecol azul e branco que defende.Como aliás os outros comentadores fossem mais exentos que o gobern.Mas enfim, fico com a sensação de que tudo vale quando épara denegri alguma coisa relacionada com o benfica, já sobre os outros clubes, assobia-se para o lado


De Pedro Correia a 5 de Abril de 2012 às 01:08
Olhe que sim, olhe que sim. Bruno Prata não é comentador de cachecol. E por que motivo a 'Zona Mista' tinha um benfiquista encartado sem ter um adepto do Sporting nas mesmas condições?
Os canais privados de TV gerem isto da forma que entendem. A televisão pública, repito, tem especiais responsabilidades no domínio do pluralismo que não têm sido respeitadas neste programa.
Lamento dizê-lo, mas é verdade.


De makarana a 5 de Abril de 2012 às 01:19
eu também não acho que sejam respeitados pedro.o que não concordo, é colocar todas as responsabilidades no gobern.Ele tem as sas preferencias, mas o bruno prata tal como é visivel nas declarações que faz também demonstra claramente não esconder a sua tendencia clubistica.E sinceramente não há comentadores realmente exentos no futebol, incluindo o rui santos.É mais justo acabar com programa todo e com as intervenções de ambos os comentadores.
Por ultimo, fique sabendo que foi o próprio joão gobern que se dignou a resginar-se do programa, e acredito que aquilo que lhe aconteceu podia perfeitamente acontecer com adeptos dos outros clubes


De Pedro Correia a 5 de Abril de 2012 às 01:41
Julgo que estamos com um problema de comunicação, meu caro. Eu não "coloco todas as responsabilidades" no João Gobern, antes pelo contrário: digo expressamente, e até julgo que claramente, que outra atitude não seria de esperar dele naquele contexto. Acho respeitável, claro, que tenha entendido pôr o lugar à disposição dadas as críticas que aquele gesto lhe valeu, apesar de ser muito compreensível no contexto em que ocorreu. Diferente é a responsabilidade da RTP, que não pode dar antena a uns cachecóis enquanto omite outros. O canal público não pode eximir-se às responsabilidades acrescidas que tem nesta matéria. Aceite a demissão de JG, é o momento de repensar aquele programa: ou tem cachecóis ou não tem. Se tiver, não pode ter apenas cachecol encarnado.


De makarana a 5 de Abril de 2012 às 01:48
parece que é de facto só um problema de comunicação, visto que pouco ou nadarefuto no seu ultim comentario.É óbvio que se um clube assume os outros também tem que assumir.Embora eunpense que o cachecol do bruno prata é bem evidente, e não tem tons encarnados.Mas globalmente aho também que a ideia tem que ser igual para todos


De Pedro Correia a 6 de Abril de 2012 às 00:37
Se o Bruno tem cachecol, não me parece nada evidente de que cor seja. Nem a mim nem a vários leitores: uns especulam que será adepto do FCP, outros garantem que simpatiza com o Sporting. Esta incerteza acaba de algum modo por ser o melhor cumprimento profissional que lhe podemos fazer.
A questão é de critério: ou se forma um painel só com adeptos de cachecol ou não (conheço vários jornalistas desportivos a quem já ouvi fazer inúmeros comentários e sou incapaz de detectar por que clube torcem).
Na primeira hipótese, perfeitamente admissível, não faz qualquer sentido haver apenas uma cor. A encarnada. Sobretudo quando se trata da TV pública, que tem de ser plural. Certamente o provedor dos espectadores da RTP será o primeiro a concordar comigo.


De Rui Gomes a 5 de Abril de 2012 às 00:46
Texto superlativo Pedro. Desconheço o referido programa, mas não é o único espaço desportivo da televisão pública onde o equilíbrio do moderador e a fidelidade da realização evidenciam-se pela sua ausência, não obstante a presença de «cachecois» de diversas cores. Há dois anos que venho a contestar esta deplorável situação no jornal do Sporting.


De Pedro Correia a 5 de Abril de 2012 às 01:10
A luta contra a exclusão do Sporting nos espaços mediáticos de opinião deve ser uma das prioridades deste blogue, Rui.


De Jose Manuel Barroso a 5 de Abril de 2012 às 01:53
Segundo o ministro da tutela - e segundo a imprensa, que o citou - «a Lusa e a RTP estão bem e recomendam-se».


De André Salgado a 5 de Abril de 2012 às 02:20
Pedro,

1. O Bruno Prata é portista, tão de cachecol como o João Gobern é benfiquista. Se em 4 anos (tempo a que o programa existe) não deu por isso ou só agora o benfiquismo do João Gobern causou indignação, só prova da qualidade do programa e dos intervenientes, talvez o mais inteligente programa de opinião desportiva das televisões.

2. Há quem prefira os Ruis Gomes da Silva, os Ruis Oliveiras e Costas, os Guilhermes Aguiares, os Dias Ferreiras, os Fernandos Searas ou os Eduardos Barrosos, onde de facto se cumprem as quotas dos 3 grandes, mas que são, desculpe-me o português sem rodriguinhos, uma bela merda, para serem vistos só por fanáticos. Eu chamo-lhe hipocrisia.

3. As especiais normas de isenção, pluralismo e equidade a que obriga a RTP são muito bonitas e são até compreensíveis da parte de quem é sportinguista e não se revê no Bruno Prata ou no João Gobern, mas também levantam um problema legítimo. E porquê um sportinguista e não alguém do Braga? ou do Marítimo? ou do Gil Vicente? Isso significa que só seria legítimo um programa de opinião futebolística na RTP com representantes dos 16 clubes da primeira liga. Está a ver o ridículo da coisa, não está?

4. Bottom line: o Zona Mista era um excelente programa de opinião, que dava gosto ver, pela inteligência dos intervenientes. O benfiquismo do João Gobern, sobejamente conhecido, só passou a ser intolerável quando foi apanhado num momento morto da sua intervenção no programa e sem ofender ninguém (não estava a falar nem devia estar a ser filmado), a fazer um gesto de satisfação por um golo do Benfica, algo incompreensível num assumido benfiquista e num desporto que se quer tão higienizado e desprovido de paixão como é o futebol. Muito bem esteve o João Gobern, pondo o seu lugar à disposição, com a dignidade de quem não quer ser pretexto para historietas da treta, muito mal esteve a RTP. Uma vitória da hipocrisia e da estupidez do politicamente correcto, dando cabo de um excelente produto. Há quem esteja contente. Tristes.


De Jose Manuel Barroso a 5 de Abril de 2012 às 14:57
Meu caro André,

parece que há uma grande confusão na tua cabeça. Alhos não são bogalhos. Os programas que citaste não são comparáveis. Uma coisa são os programas para a chilreada de adeptos, casos do Prolongamento, O Dia Seguinte e etc em que os intervenientes fazem o papel de adepto de mesa de café - e outra os programas de análise e comentário das diversas estações. Aos primeiros, exige-se espetáculo, tão doido quanto a paixão dos adeptos exige; aos segundos, exige-se uma abordagem diferente e uma neutralidade clubística óbvia.
O que o citado programa da série - em que o Gobern faz mão de vaca para festejar um golo do Benfica - vinha provando, ao longo dos anos, era a falta de isenção dos ditos analistas, em que um anti-sportinguismo militante era constante. Não é dificil compreender a irritação dos sportinguistas contra a falta de isenção manifestada, programa a programa. As queixas vêm e vinham de longe. A tua argumentação, uma vez que não separa realidades distintas (programa-de-adepto/programa-de-análise) é um cocktail de água com vinho, uma sangria mal amanhada.
Ab


De André Salgado a 5 de Abril de 2012 às 18:45
Caro,

O Gobern, que toda a gente sabe que é benfiquista - deixemo-nos de merdas - foi filmado a manifestar satisfação por um golo do Benfica. Se não o fizesse é que seria bizarro. Quando o fez - um detalhe, mas que é importante - não estava a intervir no programa (era o Bruno Prata que falava), o que acresce à hipocrisia. A presença dele no programa valia, e sempre valeu, pela inteligência do seu comentário, independentemente do seu benfiquismo assumido.
Se quiseres resolver a "tua" sangria mal amanhada, responde-me à questão de um milhão de dólares: quem está, então, habilitado a ser um comentador de futebol isento? Quem jurar a pés juntos que é da Académica ou do Atlético? Quem disser que não tem qualquer clube ou que não gosta de futebol? O Pacheco Pereira? Desafio-te a nomeares um comentador que não seja adepto - disfarçado, claro, que a hipocrisia vale ouro - de um dos 3 grandes (os históricos, incluindo o Sporting e sem o Braga). Com esta triste caça às bruxas (que tem um objectivo muito preciso, abater tudo o que seja benfiquista) ajudam a matar o que o futebol tem de paixão. Lamento-o, é tudo.


De Pedro Correia a 6 de Abril de 2012 às 00:44
Resposta sucinta (e tardia) ao André, também por pontos:
1. Diz você que o Bruno P é portista, outros garantem que é adepto do Sporting. Esta incerteza atesta que não é comentador de cachecol, ao contrário do João Gobern, assumido benfiquista.
2. A dualidade de critérios entende-se mal. Desde logo do ponto de vista editorial: porquê convidar alguém com emblema na lapela e outra pessoa que não usa emblema nenhum?
3. Sim, a RTP tem especiais obrigações. Definidas na lei. Imagine o que seria um debate político regular no canal público só com duas cores. Ou com cor e meia.
4. Sim, a RTP deve abrir os programas de debate sobre futebol a adeptos de outros clubes. Já o defendi, aqui mesmo, em relação ao Sporting de Braga. E porque não também ao Marítimo? Quanto mais plural, melhor. Alguma dúvida nesta matéria?
5. O 'Zona Mista' estava muito longe de ser um excelente programa de opinião, como diz. Um programa com opiniões silenciadas ou mutiladas nunca pode ser excelente.


De Jose Manuel Barroso a 6 de Abril de 2012 às 00:49
A resposta é simples, André. Ou fazem uma declaração de clubismo (como a imprensa americana, a quando das eleições presidenciais); ou não fazem nada, mas, quando estão em estúdio, com o programa no ar, se abstêm de manifestações clubísticas. Tão só. Não há nenhuma caça às bruxas, há apenas legitimo protesto para com os analistas falsamente independentes e que usam seus palanques para remar sempre para o mesmo lado. Socraticozinhos...


De Renato Mendes a 5 de Abril de 2012 às 10:10
Sou sportinguista. Mas não consigo entender a celeuma toda à volta deste caso. O despedimento por este motivo é injusto e, do meu ponto de vista, só pode ser encarado como ilegal.

Querem ver que uma pessoa como sportinguista, portista, benfiquista, etc não consegue analisar um jogo de forma imparcial? Acham que por exemplo os pivots dos noticiários não têm clube/partido/religião? Ninguém é isento em coisa nenhuma, ninguém. Mas isso não quer dizer que toda a gente seja parcial.

Uma coisa é ter um clube/partido/religião e apoiá-lo. outra bem diferente é ser cegamente fanático e não conseguir discernir o que é certo e justo do que é errado e injusto.

Por exemplo, eu gosto bastante de ouvir o José Nunes da antena 1, sobretudo na linha avançada na antena 3. Já me disseram que não o devia ouvir porque era benfiquista. Não me interessa. Divirto-me a ouvi-lo e acho que a maioria das observações que faz são justas e interessantes.




De Pedro Correia a 6 de Abril de 2012 às 00:52
Mas que despedimento? A RTP prescindiu de um comentador, que não pertence aos seus quadros. Todos os meses, todas as semanas, novos colaboradores entram e saem de órgãos de informação. Há quatro meses, o 'Público' prescindiu de vários colaboradores - Vital Moreira, Helena Matos e Luís Campos e Cunha, entre outros. Há poucas semanas, o 'Expresso' prescindiu dó Mário Crespo. Eu já trabalhei num jornal que na mesma semana afastou mais de uma dúzia de colunistas. São actos de gestão corrente em órgãos de informação que podem ser alvos de crítica mas tecnicamente ninguém poderá qualificá-los de "despedimento". Acresce que, segundo as notícias entretanto divulgadas, foi o próprio João Gobern a pôr o lugar à disposição - um gesto que o dignifica embora quanto a mim desnecessário. Ele tem todo o direito de emitir opiniões como adepto encartado (e encarnado). Só não aceito que a RTP não conceda esse mesmo direito a outros.


De Marcelo Silva a 5 de Abril de 2012 às 17:29
João Gobern não fez mais que a sua obrigação ao colocar o seu lugar à disposição. E a RTP fez muito bem em deitá-lo borda fora. E se o programa acabar, acabou. Fazem outro.
Claro que os benfiquistas gostavam de o ouvir, como gostam do Rui Gomes da Silva, do Fernando Seara ou do Júlio Machado Vaz. João Gobern era mais uma voz vermelha num programa de análise e comentário que, em príncipio não devia ter adeptos tão fervorosos.
Não faltariam os comentários da maralha se esse gesto fosse feito por alguém referenciado como Sportinguista ainda mais no canal público. Caía o resto do carmo e o que falta da trindade.
E é isso que está em causa, num canal público, pago e suportado pelos portugueses. Eles que, contrariamente aos que os míticos milhões acham, não são todos do clube do gobern.
Devemos sim, lutar para que haja essa igualdade de tratamento. E se for ' à custa ' de um suposto inteligente e bem feito programa de televisão, que seja. Fazem outro. E lá colocarão um outro gobernezinho, anafado e benfiquista, que num dia qualquer levanta o presuntozinho a celebrar os golos do seu clube no canal público que a malta paga.
Não tem nada de mal.
É Portugal.
Para a próxima ele que leve a camisolinha vermelha e o cachecol enrolado ao pescocinho.
A nossa infinita bondade ( e os impostos que pagamos ) ainda servirão para lhe pagar os artefactos pirosos!
De resto tudo bem!
Marcelo Silva
Porta 10A


De Pedro Correia a 6 de Abril de 2012 às 00:56
Eu, por mim, prefiro adeptos de cachecol, com emblema ao peito e a festejar as vitórias dos seus clubes. Não gosto de programas de comentário televisivo onde se sentam os vice-presidentes desses clubes, sempre com discurso futebolisticamente correcto, incapazes de qualquer sussurro crítico. As televisões nada ganham com isso, os telespectadores ainda menos.
Mas não aceito que a RTP distinga cachecóis. Convidando uns e excluindo outros. Era o caso da 'Zona Mista'.


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