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És a nossa Fé!

Um Sporting terceira força?

Retomo um tema, já comentado de passagem no blog: estará o Sporting a ser 'vítima' de uma convergência de interesses entre Porto e Benfica, no sentido de ser (ou vir a ser) uma espécie de Atlético de Madrid do futebol português? A força de uma instituição, como o SCP, radica em vários pilares (desportivos, económicos, estabilidade, vitórias, capacidade de atuar nos vários mercados, gestão da marca, modernidade, alianças, etc). Só articulados e interativos estes fatores geram vitórias. O SCP foi um líder dominante nos anos 40 e 50,  tendo o SLB como segunda força. Mas perdeu essa liderança nos anos 60 e 70, trocando de posições com o SLB. Até que, nos anos 80, o 'outsider' regional FCP interrompe o domínio do sul (SCP/SLB) e ocupa a posição dominante do futebol portugues - um domínio que durou (e, de certo modo, dura) desde essa década. Como isso se passou, eis o que contarei aqui um dia destes, pelo que volto ao tema da pergunta inicial.

A constatação de que o mercado do futebol português era (é) exíguo levou a força dominante FCP, ainda nos anos 80, a imaginar dois polos de força desportiva e rivalidade nas duas principais cidades do país, tendo o Porto como polo forte e Lisboa como o polo menos forte. Para isso, o poder do FCP precisava de um aliado no sul, um aliado tático porque a estratégia era consolidar o poder do FCP/norte e enfraquecer o sul/SLB/SCP - jogando, alternadamente, com aproximações a um ou outro clube de Lisboa. Nos anos 80 - contra o projeto de autonomia estratégica de João Rocha, no SCP - Fernando Martins/SLB funcionou como o aliado tático do FCP/Pinto da Costa, e aí se iniciou o processo de enfraquecimento/expoliação do SCP. Um FCP forte aliado estratégico de um SLB fraco, mas ambos interessados em ter no SCP um 'inimigo' a fragilizar sempre e sempre. Essa espécie de aliança entre pote de ferro e pote de barro será interrompida com o fim do consulado de Fernando Martins, mas o pós-Fernando Martins será um período de ainda maior fragilidade no SLB, com lutas internas desgastantes para o clube.

Nesse auge de poder do FCP - SLB frágil e dividido e SCP frágil e também dividido - o poder do Norte é avassalador e apenas tem uma pausa quando Valentim Loureiro (até então aliado tático do FCP) tenta autonomizar-se e procura uma aliança com o novo poder no SCP, na era José Roquette. Roquette recusará essa aliança explícita, mas, nesse período, Sporting e Boavista serão campeões. Com a chegada de Luis Filipe Vieira ao Benfica, este tenta afirmar-se como poder autónomo e dominante, no polo sul, e grande desafiante do poder FCP/norte, tentando remeter para o Porto a panela de barro e trazer para Lisboa a panela de ferro. Pensando em termos de mercado e em termos de polos de rivalidade - e aceitando como inelutável essa realidade - SLB e FCP convergiram decididamente em termos estratégicos: só pode (deve) haver dois grandes de facto no futebol português. Cabe então ao Sporting e aos sportinguistas responder ao repto - unidos e solidários.

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