30 Mar 12
Uma questão de ética
Zélia Parreira

Tenho andado a evitar pronunciar-me sobre a notícia de uma escola na Ericeira em que a professora canta várias vezes ao dia uma canção infantil a que acrescenta vivas a um clube de futebol. Tenho andado a evitar-me porque toda a gente sabe que as minhas preferências clubísticas são bem diferentes e não queria de forma nenhuma que este assunto fosse analisado como uma discussão futebolística.

Porém, acabo de ver o programa Sexta às 9, em que o assunto é ridicularizado e reduzido apenas a isso, uma questão clubística.

Vamos por partes:

1. O que está em causa é o abuso da influência natural que qualquer professor tem sobre os seus alunos, em especial tão pequenos, para incutir ideias e valores. É triste que, em vez de ensinar a tolerância e a liberdade de expressão, a senhora não reconheça o seu papel fundamental na formação de seres humanos e opte por ensinar a intolerância e o desrespeito pelos que têm uma opinião diferente. Segundo informação publicada na comunicação social, terá chegado mesmo a dizer aos alunos que já não podiam cantar aquela música, porque o pai da colega "era mau" e não deixava.

2. Se em vez de gritar Viva o Benfica!, se gritasse Viva o PSD! (optei por este partido porque é o que está no governo, mas aplica-se a qualquer outro), imagino a ofensa e indignação. E se gritasse Viva o Islão!, era o caos, até a CIA aterrava no recreio da escola. Não, não são coisas diferentes. É apenas e só a utilização do palco que a vida lhe deu - a sala de aula - para infiltrar no espírito dos seus alunos os seus próprios gostos e opiniões pessoais. É uma falta de ética total e absoluta e uma prática pedagógica ofensiva.

3. Vamos então, por momentos, reduzir isto a uma brincadeira. O mesmo direito que assiste à professora de apelar ao benfica, assiste aos pais e aos próprios alunos de apelarem a outros clubes. Quem é o intolerante aqui? O pai que discorda da lavagem cerebral que fazem à filha ou a professora que não admite que os alunos tenham uma opinião diferente da sua, respondendo ao protesto com um "quem está mal muda de escola"?

4. Um educador é uma pessoa normal, quando está fora da sala de aula. Lá dentro, tem de ser especial, inspirador, exemplar. Nada menos do que isso.

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10 comentários:
De MM a 30 de Março de 2012 às 22:59
Spot on.

Resta saber se será descabido generalizar o comportamento da professora ao público onde se insere: pessoa do Benfica. Julgo que sim, e então podemos claramente dizer: só o faz porque é do Benfica, já que só as pessoas daquela organização obrigam os seus filhos a pertencer-lhe, fazem-nos sócios da colectividade mal nascem, os irmãos mais velhos educam os mais novos sobre a panóplia comportamental que os define e padroniza [comportamentos na sua esmagadora maioria anti-sociais, frustrados, rancorosos, cobardes, pequeninos, maldosos, manientos, ditadores (o exemplo dessa professora é neste particular perfeito)] e claro, são os mesmos que nas suas mentes associam a colectividade ao Portugal culturalmente empobrecido 50 anos para trás. O que essa professora - e generalidade das demais pessoas do Benfica faz(em) - é produzir nas salas de aulas gerações e gerações de mais pessoas do Benfica que são em boa verdade o primeiro e último responsável para que o país se assemelhe a um antro de inúteis, desocupados, criminosos, iletrados e desleixados que corrompem a sociedade Portuguesa e as suas instituições mas a quem nunca faltam mundos e fundos para ir ver "o maior" jogar à "catedral" que reune anualmente os jogadores mais caros e milionários que a representam.

Sim: a senhora professora canta como quem dá a missa porque faz parte de uma organização que se comporta como uma qualquer IURD. São uma Religião e os seus fiéis ao mesmo tempo vítimas mas responsáveis. Portugal só deixará de ser aquilo que é quando no lugar de 4 ou 5 milhões de pessoas do Benfica tiver -4 ou -5 milhões de pessoas do Benfica. Não existe (temo) cura: é necessário remover o tecido doente. Isto se quisermos salvar o país, lógico ...


De Zélia Parreira a 31 de Março de 2012 às 00:27
Não quero mesmo entrar nessa guerra. Além disso, a minha mãe é benfiquista :)
Apenas acho que é uma falta de ética e de profissionalismo muito grave.


De MM a 31 de Março de 2012 às 01:09
A questão não é de futebol mas ao mesmo tempo é. A professora jamais se poria com cantorias do PS ou do PSD embora a questão fosse igualmente muito reprovável e como diz não são (questões) diferentes. Fá-lo porque é do Benfica, é mesmo isso o que pretendo dizer. São uma Religião. Não são um clube desportivo nem uma organização vocacionada para educar ou servir o seu país. Serve propósitos expansionistas, despropositados, ao mesmo tempo superificiais mas maldosos, pequenos (de quem faz jaulas para separar quem vai ver um jogo de futebol). São um exército de baratas, são muitos, reproduzem-se facilmente, são pobres de espírito e contaminam tudo.

Não é exagero. É a sua mentalidade. É um retrato feio mas real.

Quanto ao mais subscrevo a Zélia evidentemente, o meu irmão é benfiquista, amo-o muito e ele por exemplo não comprou um edredon do Benfica para vestir a cama do filho que é já aos 3 anos Sportinguista. Falo na "generalidade" dos benfiquistas. Generalidade = parte maior = maioria.
Há pessoas do Benfica minimamente decentes, sem dúvida.


De CP a 3 de Abril de 2012 às 20:14
A generalização apenas serve os ignorantes e os estúpidos.


De Maria Araújo a 1 de Abril de 2012 às 17:28
Sou professora. Quando os meus alunos me perguntam a que clube pertenço e/ou o meu favorito, respondo:"não tenho favoritismos por nenhum nem pertenço a qualquer clube"
Não deixa de ser verdade, embora apoie o Braga, óbvio.
Mas convenhamos que no dias que correm, o futebol interfere em todas as profissões, e nas famílias, ui! Quanto favoritismo!
Aqui por casa, há de tudo, mas todos se respeitam.
Cumprimentos.


De MM a 2 de Abril de 2012 às 12:34
Se fosse uma professora adepta do Benfica a probabilidade para que influenciasse os seus alunos para que fossem do Benfica ou a probabilidade para que promovesse da forma A, B ou C o Benfica ... seria maior. E não seria maior por existirem mais benfiquistas; seria maior em virtude da natureza do benfiquismo.

Não é algo que possa ser provado.
Simplesmente sabe-se. Existe.
Tem que ver com futebol, mas tem sobretudo que ver com o benfiquismo. Existem razões para que este género de fenómenos se relacionem quase sempre com o Benfica.


De CP a 3 de Abril de 2012 às 20:17
Este Sr MM é demasiado ofensivo para ser real. Fica muito mal num blog que se quer de bem aceitar este tipo de ofensas absurdas e ignorantes.
Lamentável.


De Lionheart a 31 de Março de 2012 às 00:05
Esta história é ridícula e revela a falta de qualidade e bom senso do pessoal dessa escola e dos pais lampiónicos, que não encaixem que mesmo que sejam a maioria, a escola não serve para fazer a apologia de clubes de futebol. Se fossem todos do mesmo clube, ainda vá. Não sendo, nem tem conversa.

É lógico que o que as professoras pretendiam era virar as crianças de outros clubes para o clube delas. O Pai portista não gostou, com todo o direito. Mesmo sendo 10 contra 2, ou lá o que era, ainda não lhes chegava, vejam bem. A cultura de carneirada corporizada pelo carnide não lida bem com a diferença e é intrinsecamente intolerante e mesquinha.


De CP a 3 de Abril de 2012 às 20:11
"A cultura de carneirada corporizada pelo carnide não lida bem com a diferença e é intrinsecamente intolerante e mesquinha."
Vai lá vai... ofensivo QB. Tenha vergonha na cara e não ofenda você quem tem uma paixão diferente da sua.
Fica muito mal a um blog que se quer de gente de bem dar voz a isto.


De Jose Manuel Barroso a 31 de Março de 2012 às 00:54
Inteiramente de acordo consigo, Zélia. Sensato e equilibrado o conteúdo do seu post, ao contrario de outras que tentaram, sem o seu equilíbrio, responder ao seu. Saudações leoninas


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