04 Mar 12
Uma caldeirada em Setúbal
Jose Manuel Barroso

Apetece-me repetir aquela máxima do Domingos, que se tornou recorrente a partir do final de dezembro: a equipa ofereceu a primeira parte. Foi isso, oferecemos a primeira parte ao Vitória. Eles jogaram melhor, mais rápidos sobre a bola, tentando surpreender o Sporting e marcar primeiro. Se assim o planearam, assim o conseguiram. E 1 a 0. Na segunda parte o jogo mudou, fomos mais rápidos, mais intensos, dominámos mas... não marcámos. E ponto. E ainda fomos infelizes: os dedos do excelente Diego chegaram à bola, no penalti do Matias, aquela desviou para o poste direito e pafff! Se fué! Depois um remate do nosso Insua passou pelo Diego, mas encontrou o Miguelito na linha do golo. Y se fué!

A segunda parte justificava a vitória, uma vitória. Mas não deu. Que raiva para quem, como eu, foi apoiar a equipa, se arriscou a ser insultado por alguns adeptos do Vitória e ouviu tambem alguns deles gritarem para os seus jogadores, quando disputavam a bola com o Izmailov: «Deem-lhe no joelho, deem-lhe no joelho!». Não deram. Os jogadores do Vitória não fizeram ao jogador do Sporting o que os do Paços fizeram ao Rinaudo. No restante, foi divertido. Relembrei aqueles jogos de há 40 anos atrás, quando ia com meu pai ver o Portimonense, e aprendi uma boa parte dos palavrões que hoje sei, nos insultos de certos espetadores ao árbitro. Em Setúbal, no Bonfim, foi isso: parte dos espetadores que me rodeavam passaram o tempo a exercitar o seu verbo rude, dirigido ao homem do apito. Acho que muitos deles nem gritaram pelo seu clube, durante todo o jogo. A mãe do árbitro é que foi chamada repetidamente à liça e pude verificar que a senhora nem sequer estava lá, parece que ficou a ver o filho pela televisão. O filho não se portou bem, não. Inseguro, cobarde, não vendo duas penalidades a favor do Sporting e poupando o raçudo pretinho que jogou de lateral direito ao segundo cartão amarelo, logo na primeira parte. E por aí a diante... Mas não foi por culpa dele que perdemos o jogo, a mãe do senhor árbitro pode ficar descansada - foi por nossa culpa mesmo, na primeira parte sobretudo. E por culpa dos dedos do Diego e dos pés do Miguelito.

Moral da história: depois do jogo, Fernando Pedrosa, ex-presidente e dirigente histórico do Vitória, convidou o grupo para uma (ótima) caldeirada n'O Miguel. A jantarada revelou-se bem mais equilibrada, na qualidade, do que o jogo: deliciosa do princípio ao fim. Ao contrário da caldeirada do final da partida, a qual teve como principal ingrediente a expulsão do Carrillo e a sua indisponibilidade (por algumas semanas) para dar o seu contributo à equipa. Parece que, desta vez, foi por excesso de vigor físico, não por débito. O nos dá esperanças, para o futuro, quanto à preparação física do plantel. Ai City pego!


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7 comentários:
De Pedro Correia a 4 de Março de 2012 às 12:09
De facto, Zé Manel, desta vez perdemos por culpa própria. Felizmente os apelos desses energúmenos que queriam ver o Izmailov de muletas não foram escutados.


De Jose Manuel Barroso a 4 de Março de 2012 às 14:27
Ainda bem que tiveste de trabalhar Pedro. Perdeste apenas a caldeirada (a de peixe).


De Sérgio Nunes a 4 de Março de 2012 às 13:23
De facto, jogámos mal na 1ª parte. Vi poucas vezes o Elias, Schaars a virem atrás organizar o jogo e perdendo-se assim clarividência, rapidez e agressividade na transição, perante "2 autocarros" à José Mota. Mais um erro defensivo deu origem ao golo. Com a indisponibilidade de Ricky não seria de apostar em Rubio? Fez mais remates em poucos minutos do que Ribas em todo o jogo. Mais uma vez 2 penalties por marcar e uma expulsão ao defesa direito do Vitória. Tanto se falou nos jogos que ganhámos contra 10 que agora jogamos sempre contra 14... Força SCP estamos contigo.


De António Agostinho a 4 de Março de 2012 às 14:41
Vá lá, vá lá: salvou-se a caldeirada.... depois do jogo?..
E o vinho: era bom!..
É que um gajo depois de ver jogar o Sporting...
Um abraço


De Anónimo a 4 de Março de 2012 às 15:43
Depois de uma noite feliz a seguinte tinha de ser má para me chatear. Passado estas horas todas, ainda não percebi como é possível jogar tão mal à bola. O SCP parecia uma equipa de amadores, daqueles jogos em que cada um joga o que sabe. Não me recordo de ver semelhante prestação. Estava a ouvir na Antena I e o homem do relato e comentadores fartaram-se de gozar, se calhar alguns com azia. Na verdade, os nossos jogadores deram aso a tudo isso que ouvi. Na segunda parte já tiveram outra postura, embora a qualidade do seu jogo tivesse sido muito má. Depois como somos perseguidos pelos apitadores, foi a caldeirada do costume, várias agressões, penaltis não assinalados, etc.etc.

Aguardei a conferencia de imprensa, para verificar se algum dirigente do SCP estaria presente no Bonfim . Se estiveram entraram mudos sairam calados. Acharam que o SCP não foi prejudicado.

O treinador José Mota gostou da atitude dos seus atletas, que foram heróis á frente do comboio. Este homem que já anda há muitos anos no futebol,sendo um "maquinista" de comboios, é pena não aplicar esta táctica contra outras equipas. Não gostou que o SCP se queixasse do apitador, pois no deve e no haver ninguém foi prejudicado ou beneficiado. Não percebe nada de futebol e muito menos de contabilidade. A verdade é que somou mais três pontos e resto é conversa.
O nosso Sá PInto, pensei eu que deveria estar em
"brasa", quando afinal até gabou o apitador.e gostou da atitude dos seus atletas. É muito pouco para quem tem aspirações a qualquer coisa.

Algo de grave se passa no reino do leão. Na quinta-feira vou emigrar para um local onde não haja comunicação com o exterior, pois o meu coração já não aguenta mais estas caldeiradas.

Saudações leoninas


De Fernando Albuquerque a 5 de Março de 2012 às 08:57
Apenas para esclarecer que o ANÓNIMO é um velho sportinguista, que ao longo da sua vida tem acompanhado o seu SCP nos momentos bons e maus.

Não é meu hábito falar mal do meu clube, mas o que se passou no Bonfim fez-me perder a estribeira. Passadas tantas horas, ainda não me saiu da cabeça tudo o que vi de mau na prestação da minha equipa.

O ex-apitador da TVI, diz que não foi penalti sobre o Capel . Os funcionários públicos da Antena I dizem que foi, eu e se calhar milhares de pessoas viram na TV, pelo que fico na dúvida quem tem razão. Confirmou o penalti sobre o Matias. O apitador não viu como de costume

Vamos esperar por melhores dias.

Saudações leoninas Fernando Albuquerque


De Rui Gomes a 5 de Março de 2012 às 17:50
Na minha modesta opinião, o Sporting não tem jogadores com suficiente virtuosidade, nomeadamente no meio campo, e capacidade de jogo colectivo, para ultrapassar, em simultâneo, adversários com «autocarros estacionados» e as deficientes arbitragens. A exemplo do sistema tático do Vitória de Setúbal, entre outros, as alas estão sistematicamente fechadas, por conseguinte, é necessário alternal o curso ofensivo pelo «miolo», que terá sucesso se a) existir capacidade de um a um e eficácia de passes rápidos e tabelas b) como esse tipo de movimentos provoca faltas, inevitavelmente, tem que se depender na competência e isenção da arbitragem para as assinalar. Capel e Ismailov tentaram e, posteriormente, também Matias, mas com o insucesso que se verificou.Como o Sporting carece desse tipo de execução, a nível superior, e quando tenta alguma coisa, a falta não é assinalada, o resultado está à vista. Evidentemente que esta análise não explica tudo o que ocorreu no Bonfim, mas vai longe para esclarecer os semelhantes casos como Gil Vicente, Paços de Ferreira, etc., etc.. Em resumo, o Sporting necessita muito mais de tudo, extensível às arbitragens, para poder vencer com regularidade. Contrário à expectativa, se não surgirem «brindes» defensivos da nossa parte, poderemos ter mais sucesso frente ao Manchester City, equipa que irá jogar com objectivos ofensivos
muito definidos.


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